Second Chance
25 Capítulo 24 – Não vou desistir
Notas iniciais
Stefan
Exatamente como Nora havia dito, um pouco menos de uma hora depois que eu cheguei, ela telefonou para a minha sala avisando que Alaric Saltzman estava aqui e eu imediatamente pedi que ele entrasse.
— Olá, Alaric! – eu o cumprimentei formalmente. Afinal, essa é uma entrevista de emprego – Por favor, sente-se.
— Obrigado... – ele sentou-se em frente a mim – Já faz muito tempo, não é mesmo, Stefan?
— Com certeza – afirmei – Já faz mesmo muito tempo.
Conheci Alaric quando ainda morava em Atlanta, ele era do time de futebol e da mesma turma do meu irmão escola, os dois eram muito próximos e por isso Ric passava bastante tempo lá em casa. Eles acabaram se afastando quando terminaram o Ensino Médio e cada um foi para o canto do país para fazer faculdade, mas se reencontraram aqui em Washington quando Damon veio a cidade na época do meu casamento e desde então continuam mantendo contato desde então.
— Eu queria te agradecer pela chance que você está me dando – disse – Não sabe o quanto isso é importante para mim e para a minha família.
Meu antigo acessor de imprensa decidiu pedir demissão e quando eu comentei com o meu irmão ele sugeriu que eu falasse com o Alaric, que é jornalista e está sem emprego fixo há alguns meses. Por esse motivo decidi chamá-lo para uma entrevista.
— Você não precisa me agradecer nada – garanti – Trouxe o seu currículo para eu dar uma olhada?
— Oh sim, é claro... – abriu a pasta que estava segurando e retirou um papel lá de dentro.
O currículo de Alaric era mesmo bem amplo, ele tinha feito faculdade de jornalismo em Georgetown e também tem bastante experiência profissional, tendo atuado bastante na área: ele foi editor do jornal da faculdade, foi estagiário em outra empresa e depois de formado também trabalhou em diversos outros lugares. Certamente seria uma grande aquisição a minha equipe.
— E me diga uma coisa, Alaric – pedi – Você tem alguma experiência com acessória de imprensa?
— Nunca trabalhei diretamente com acessória de imprensa – respondeu – Mas por ter trabalhado anos no jornal, precisei lidar com muitos assessores de imprensa, principalmente no ramo da política. Então sei bem como essas coisas funcionam.
— Perfeito! — fiquei satisfeito com o que eu ouvi – Bom, você já tem uma ideia, mas não custa nada repetir: o trabalho comigo consiste em dar entrevista e lançar notas à imprensa em meu nome sempre que necessário. E também preciso que você fique de olho para todas as vezes que meu nome ou o nome da minha família apareça na internet e, é claro que também me acompanhe nas minhas viagens oficiais. Acha que pode dar conta de tudo isso?
— É claro que sim – afirmou – Nunca tive medo de trabalhar e não será agora que eu terei.
— Assim que se fala – concordei – Mas olha que falta de educação a minha; eu nem ao menos te ofereci um café.
— Não precisa se incomodar com isso, Stefan – garantiu – Eu estou bem, é sério, não preciso de café.
— Mas eu faço questão – avisei enquanto pegava o telefone e apertava o ramal da mesa da minha secretária – Nora, você pode vir aqui dentro um minuto, por favor?
— Claro, senhor Salvatore...— ela disse do outro lado da linha – Irei ai imediatamente.
Como estava aqui do lado, quase no mesmo instante em que coloquei o telefone no gancho, Nora já estava abrindo a porta do escritório e entrando no local.
— Sim, senhor Salvatore? – disse em seguida – O que o senhor precisa?
— Por favor, Nora, tragar duas xícaras de café, uma para mim e outra para o senhor Saltzman – pedi – O meu puro, como sempre, e como você vai querer o seu, Alaric?
— O meu pode ser com açúcar – avisou – Duas colheres.
— Eu trarei os dois cafés imediatamente – avisou – O senhor deseja mais alguma coisa, senhor Salvatore?
— Na verdade, sim – respondi – Eu vou almoçar por aqui hoje, você pode pedir aquela salada com frango daquele restaurante que fica aqui na esquina, por favor, e peça para que entreguem perto de meio-dia.
— Salada de frango do restaurante da esquina – repetiu o meu pedido – Farei isso imediatamente, senhor Salvatore.
— Quer se juntar a mim para o almoço, Alaric? – decidi perguntar – A Nora pode pedir algo para você também. A salada do restaurante aqui da esquina é uma das melhores da cidade, não estou exagerando.
— Quem sabe um outro dia – deu de ombros – É que eu combinei de almoçar com a minha esposa hoje. Vou buscá-la no trabalho assim que sair daqui.
— Se assim, fica para outro dia mesmo – concordei – Mas parece ser por uma boa causa, então tudo bem.
— Com certeza – concordou, sorrindo.
— Eu já ia me esquecendo – Nora retirou um pedaço de papel de dentro do bolso da calça jeans – Aqui está o número do hotel que o senhor me pediu.
E lá estava: o nome do hotel “Washington Place” na parte de cima da folha e logo abaixo dois números de telefone. Minha vontade era de pedir para todos saíram da minha sala para poder ligar imediatamente, mas não posso fazer isso; de alguma maneira isso me fez ficar mais perto da Caroline, mesmo que já faça mais de cinco anos que eu não a veja.
— Oh sim, obrigado, Nora... – tentei me fazer o mais indiferente o possível – Acho que isso é tudo, você pode voltar para a sua mesa.
— Está bem, senhor Salvatore – afirmou com a cabeça – Qualquer coisa é só me chamar.
Então minha secretária saiu da sala. Fiquei alguns segundos encarando a porta fechada a minha frente que não reparei que o Ric estava fitando o papel que eu tinha acabado de receber.
— Washington Place— disse, fazendo com que eu voltasse a prestar atenção nele – A minha esposa trabalha nesse hotel.
— Está falando sério? – não podia acreditar no que estava ouvindo, aquilo era mesmo muita coincidência.
— Sim, estou falando sério – falou – Lexi é a gerente diurna do hotel, está lá há quase dois anos.
— Oh... – nesse momento fiquei encarando a letra cursiva totalmente caprichada da minha secretária – A festa de aniversário de casamento dos meus sogros vai ser no Washington Place. E a minha esposa comentou comigo que o hotel foi comprado por um grupo inglês, foi isso mesmo que aconteceu?
— Sim, é verdade – afirmou – Quando anunciaram a venda do hotel há alguns meses todos, inclusive a Lexi, ficaram com medo de perderem seus empregos, mas por sorte isso não aconteceu. Os novos donos decidiram manter todo o quadro de funcionários, apenas mandaram uma moça para ficar de olho em tudo.
— Caroline... – sussurrei, mas como Alaric estava bem em frente a mim, conseguiu ouvir.
— Sim, esse é o nome dela: Caroline – continuou – Não a conheço, mas pelo que a Lexi fala, ela parece ser bem legal.
— Ela é sim — foi só então que eu reparei que estava com um sorriso bobo no rosto.
— Então você a conhece? – quis saber – Sei que ela é americana e se mudou para Londres há poucos anos, não tenho certeza, mas acho que ela é daqui de Washington mesmo.
— Caroline é amiga de infância da minha esposa, por isso a conheço – expliquei, tentando disfarçar e novamente tentar mostrar indiferença – Elena comentou comigo que a reencontrou e eu fiquei surpreso, pois não ouvia falar dela há muitos anos.
— Parece mesmo uma grande coincidência – completou.
— Mas vamos voltar ao que interessa – decidi mudar de assunto – Quando é que você pode começar a trabalhar?
— O que você disse? – elevou um pouco o tom de voz enquanto perguntava – Você vai mesmo me contratar, está falando sério?
— Sim – dei de ombros como se isso fosse óbvio – Isso se você quiser trabalhar para mim, é claro; mas se está aqui acho que você quer sim.
— Eu só pensei que ainda fosse precisar de um tempo para pensar – explicou – Talvez alguns dias... Talvez ainda fosse entrevistar outras pessoas antes de tomar a decisão.
— Você foi indicado pelo irmão, o que é já seria motivo o suficiente para eu te contratar, sem contar que eu já te conheço há vários anos – lembrei – Claro que eu precisava conversar antes que eu pudesse decidir, mas o que eu ouvi aqui já foi o suficiente.
— Eu nem sei o que dizer... – balançou a cabeça negativamente – Não estava esperando já sair daqui hoje empregado.
— Isso não é nada, você também está me fazendo um favor, estava precisando muito de um novo acessor de imprensa – avisou – O que acha de começar na próxima segunda-feira?
— Parece perfeito para mim – concordou — segunda-feira eu estarei aqui: pronto e totalmente disposto a trabalhar.
— Perfeito! Por favor, deixe os seus dados e seu telefone com a minha secretária quando sair – pedi – Você disse que vai almoçar com a sua esposa hoje, pelo jeito será um almoço de comemoração.
— Com certeza – afirmou – A Lexi vai mesmo ficar muito feliz com a novidade. Ah, e eu também preciso falar com o Damon, afinal, foi ele quem me indicou para o cargo.
— Tenho certeza de que ele ficará satisfeito ao com a notícia – completei – Bom, acho que isso é tudo, você já pode ir. Nos vemos na segunda-feira.
— Até lá! – apertou a minha mão antes de se levantar – E mais uma vez, muito obrigado!
Queria dizer que não precisava me agradecer, mas decidi ficar quieto. Logo depois disso, Alaric foi embora, me deixando sozinho na minha sala mais uma vez.
***
Fiquei a meia hora seguinte encarando aquele pedaço de papel, poucas palavras e dois números de telefone: para algumas pessoas aquilo poderia não ser nada, mas para mim é muito significativo.
Caroline está no comando do hotel aqui em Washington e eu não pude deixar de sentir uma pontinha de orgulho ao saber disso, ela deve ter mesmo feito um bom trabalho no estágio em Londres para ganhar uma responsabilidade dessas. Certamente isso ainda não é a pousada que é o seu grande sonho, mas isso já é um belo passo na carreira de hotelaria.
Ainda não sei exatamente o que vou fazer agora. Eu poderia telefonar para o hotel e pedir para falar com a Care, mas não sei exatamente se ela vai querer falar comigo e sendo sincero, não posso culpá-la se fizer isso.
O som do telefone em cima da minha mesa me tirou dos meus devaneios.
— Pode falar, Nora – disse assim que coloquei o aparelho no ouvido. Mesmo que fosse uma outra pessoa querendo falar comigo, minha secretária sempre falava alguma coisa antes de passar a ligação.
— Senhor Salvatore, seu irmão está na linha— avisou – Posso passar a ligação ou aviso que o senhor liga para ele depois?
De alguma maneira, meu irmão sempre consegue adivinhar quando eu estou precisando falar com ele. É mesmo muito bom Damon estar ligando para mim agora.
— Claro, vou entendê-lo agora – respondi e no segundo seguinte ouvi o barulho da ligação sendo transferida – Damon! A que devo a honra da ligação do meu irmão mais velho?
— Olá para você também, irmãozinho — ele disse – Esse seu comentário irônico me faz até mesmo pensar que você não quer falar comigo. Desse jeito eu fico até magoado.
— Não é isso, Damon... – apressei em me explicar – É só que você não costuma ligar a essa hora, ainda mais para o meu trabalho. Tem certeza de que está tudo bem?
— Está tudo ótimo, irmãozinho — garantiu – É só que eu me lembrei que você comentou que era hoje que o Ric ia até ai. Queria saber se ele já foi ai e como foi a conversa de vocês.
— A nossa conversa foi ótima – respondi – E, para falar a verdade, eu já até contratei ele.
— Mas isso é mesmo ótimo, Stefan!— apesar de não estar vendo o seu rosto, pelo seu tom de voz eu sabia que Damon estava sorrindo – Eu cheguei a oferecer um emprego para o Ric aqui na agência, mas tem o emprego da esposa dele, tem as crianças e que apesar de ser um bom trabalho, ele não estava pronto para se mudar para Los Angeles. Então quando você me disse que precisava de alguém para ser seu acessor de imprensa, vi uma excelente oportunidade de ajudá-lo.
— Alaric parece um bom profissional, tenho certeza de que não vou me arrepender de contratá-lo – completei – E preciso te agradecer pela indicação, é claro.
— Ric sempre foi um bom amigo para mim, eu seria uma pessoa horrível se não o ajudasse agora que ele precisa— disse – Mais tarde eu ligo para ele para parabenizá-lo. Imagino o quanto ele deve estar feliz.
— E isso é tudo apenas pela satisfação de ajudá-lo? – quis saber – Ou tem algo a mais nisso?
— O que você está insinuando, Stef?— ele tentou se fazer de ofendido, mas não tanto assim.
— Não estou insinuando nada, Damon – falei – Só estou fazendo uma pergunta, não é nada demais.
Desde que terminou com Taylor há quase seis anos, Damon não teve mais ninguém que poderia chamar de namoro sério e estava bem tranquilo com essa situação. Acho que todos esses anos nunca tinha visto meu irmão tão bem com o fato de não ter um namorado e estava bem claro que havia alguma coisa que eu ele não queria me contar.
— Realmente não sei o que você está falando, irmãozinho— continuou a se fingir de desentendido.
— Damon, está acontecendo alguma coisa entre você e o Alaric? – decidi ser mais direto e perguntar logo de uma vez – Por que ele é casado e tem filhos, mas é claro que eu não preciso te lembrar, você sabe muito bem disso.
— Desculpa, Stefan, mas você não tem exatamente moral para falar de mim— lembrou – E você também sabe muito bem disso.
— Você pode falar o que quiser de mim, Damon, mas eu sempre fui totalmente fiel a Elena – me defendi.
E era mesmo verdade. Meu casamento com a Elena pode não ser exatamente uma maravilha e eu realmente não a amo do jeito que deveria, mas eu nunca a traí; não só por ela, mas também pela nossa filha.
— Você sabe perfeitamente que não é da Elena que eu to falando— prosseguiu – Estou falando da Caroline e do fato de você ter deixado ela escapar sem nem ao menos se arrepender do que fez.
— Nós vamos mesmo falar da Caroline agora? – reclamei – Isso é mesmo sério?
— Você tem evitado falar dela nos últimos cinco anos— lembrou – Uma hora ou outra você vai precisar falar dela.
— Ela estava de volta a Washington – não sabia se deveria falar ou não, mas quando eu vi as palavras já tinham saído – Fiquei sabendo disso hoje cedo.
— Uau...— disse em seguida – E vocês ainda não se encontraram, eu imagino.
— Mas eu estou com o telefone do hotel em que ela trabalha – avisei – Não sei o que fazer agora...
— Ligue para ela— respondeu como se fosse obvio – Máximo que pode acontecer é ela não querer falar com você e desligar na sua cara.
— E você acha que isso não é algo demais – revirei os olhos.
— Bom, você não pode culpá-la se fizer— insistiu – Mas se você a ama, é isso que tem que fazer: arriscar. É o que a gente faz quando está apaixonado, se arrisca.
— Te ouvindo falando assim posso até mesmo afirmar que você está sim apaixonado – tentei voltar ao assunto anterior.
— Não é sobre mim que estamos falando aqui, irmãozinho— continuou — Você precisa saber como ela está depois de todos esses anos. Se ela ainda está solteira e se você ainda tem chances; porque se ela estiver com alguém, é melhor você desistir.
Desistir? Não sei se estou preparado para desistir da Caroline. Mesmo que ela esteja com alguém, mesmo que ela esteja casada, de alguma maneira sempre terei esperanças para nós dois.
— Se você não quiser ligar para ela agora, espere até eu chegar a Washington na semana que vem— sugeriu – Posso até ir falar com ela, se você quiser.
— Damon, eu não tenho mais dez anos não preciso que meu irmão mais velho fale com as garotas para mim – foi impossível não fazer uma careta.
— Senhor Salvatore, estamos esperado o senhor para a reunião— ouvi alguém que provavelmente tinha acabado de entrar na sala do meu irmão.
— Está bem, eu já estou indo— avisou – Stefan, agora eu preciso ir, depois a gente se fala.
— Tudo bem, tchau irmão – me despedi antes de desligar o telefone.
***
Depois do almoço criei coragem e liguei para o hotel. Depois apenas dois toques ouvi o barulho de que a ligação foi atendida.
— Hotel Washington Place, boa tarde...— uma mulher, que eu imaginei ser uma recepcionista, falou do outro lado da linha.
— Boa tarde! – respondi – Eu gostaria de falar com a Caroline Forbes.
Usei o sobrenome da Care rezando para ela usá-lo e que não tivesse se casado e mudado o seu sobrenome.
— Quem gostaria de falar com ela? — perguntou e não pude deixar de suspirar aliviado.
— Diga apenas que é um amigo – decidi não dizer o meu nome, pois Caroline poderia não atender.
— Espere só um minuto— fiquei alguns minutos ouvindo uma musica de espera até que a mulher voltasse – Sinto muito, a senhorita Forbes está ocupada agora.
— Entendo... – lamentei – E você sabe que horas ela vai estar livre para eu poder retornar a ligação depois.
— Ela está bem ocupada resolvendo uns problemas de reserva e deve demorar— avisou – E hoje ela só vai embora a meia noite, porque vai cobrir o nosso gerente noturno que só irá chegar nesse horário.
— Então está bem – completei – Ligarei uma outra hora então.
— Se for algum assunto referente ao hotel, talvez eu possa ajudá-lo — insistiu.
— Não, é só com a Caroline mesmo – respondi – Um assunto pessoal.
Assim que eu desliguei o telefone, peguei o meu celular e comecei a digitar uma mensagem para Elena.
Stefan: Lena, surgiu um problema e só irei chegar hoje depois da manhã. Não me espere acordada, nem você, nem a Lyn.
Eu iria esperar a Caroline hoje quando saísse do trabalho e como bônus não iria precisar conversar com a Elena sobre nossa discussão de hoje.
Não demorou muito para ela responder.
Elena: Está bem...
***
Faltava poucos minutos para meia noite e estava com o carro parado no estacionamento há poucos metros do Washington Place, as luzes do letreiro iluminavam o ambiente. Fiquei esperando até ver uma mulher loira saindo do prédio, era Caroline.
— Jordan, por favor, me espere aqui – avisei para o meu motorista antes de abrir a porta de trás do veículo.
— Está bem, senhor Salvatore – fui me afastando, mas ainda assim consegui ouvir.
Care estava andando apressada pelo estacionamento, provavelmente pelo local estar totalmente escuro e deserto, mesmo assim, consegui ver detalhes do seu rosto. Ela continuava da mesma maneira que dá última vez há cinco anos, linda como sempre, era como se o tempo nunca tivesse passado.
Ela já tinha chegado ao seu carro quando consegui alcançá-la.
— Tinha certeza que ia te encontrar aqui... – ela parecia ter se assustado e quando se virou ficou me olhando de cima abaixo, quase como se não acreditasse que eu estivesse bem ali na sua frente.
— Stefan... – sussurrou.
— Olá para você também, Caroline – foi impossível não sorrir.
— O que você está fazendo aqui? – perguntou de uma maneira fria, mesmo imaginando que essa poderia ser a sua reação, ainda assim me senti mal.
— A Elena comentou comigo que você estava volta e trabalhando aqui – disse, embora soubesse que ela já tinha uma ideia disso – Aliás, ela está bem chateada por saber que você ter retornado a cidade e ela ter descoberto por ter vindo aqui para ver os detalhes da festa de aniversário de casamento dos pais.
— Eu tive meus motivos – deu de ombros – Estou tão ocupada com o trabalho e procurando um apartamento para sair da casa do meu pai que não tenho tempo para mais nada.
— Não acredito em você... – eu ainda a conhecia bem demais para saber que ela estava mentido, dava para perceber isso apenas pelo seu tom de voz mais agudo que o normal – Sei que está evitando todos, inclusive a sua melhor amiga, por minha causa.
— Muita pretensão da sua parte, Stefan – revirou os olhos – Nós já namoramos, mas é passado; acredite em mim, eu nem pensei em você nos últimos cinco anos.
— Outra mentira –fui me aproximando dela, ela deu um passo para trás e acabou batendo as costas no carro – Você diz que nunca mais pensou em mim, mas seus olhos demonstram outra coisa.
Coloquei as mãos uma de cada lado do seu corpo. Ela fechou os olhos quando percebeu que meu rosto estava pero demais.
— Pois saiba que eu não deixei de pensar em você um dia sequer – continuei – E acho que mesmo que quisesse não conseguiria.
— Não faz isso... – seu tom era quase de suplica – Eu tive uma vida nesses cinco anos em que estive em Londres, tive outros caras e segui em frente, você deveria fazer o mesmo.
— Já disse que não posso – insisti.
Não esperei que ela dissesse mais nada, diminui o curto espaço que existia entre nós, segurei o seu rosto e a beijei. Ela pareceu tomar um susto e soltou um gemido, mas acabou colocando os braços em volta do meu pescoço e eu não pude deixar de dar um sorriso vitorioso. Não sei quanto tempo se passou, mas em algum momento o ar nos foi necessário e tivemos nos afastar.
— Care... – sussurrei, ainda estava de olhos fechados não querendo perder a magia do momento.
Mas não adiantou muita coisa, pois nos segundo seguinte, Caroline acertou um tapa em cheio no rosto; tão forte que eu tenho certeza que ficará uma marca no local.
— Já está tarde, volte para casa e para a sua esposa – era visível a magoa na sua voz – É o melhor que você pode fazer agora.
Quando ela se virou para abrir o carro, eu me afastei rapidamente sem olhar para trás.
***
Enquanto ia para casa comecei a repassar toda a conversa que acabei de ter com Caroline.
Era obvio que ela ainda tinha magoa por causa do que aconteceu há cinco anos, mas aquele beijo também provou que Care ainda me ama como antes.
E eu não vou desistir dela, nem agora nem nunca.
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