Second Chance

26 Capítulo 25 – Surpresas


Notas iniciais
Oi gente!!!! Antes de mais nada, peço mil desculpas por não ter postado na semana passada. Acontece que eu estava super gripada e não estava conseguindo escrever nada, mas agora que eu já estou melhor, aqui estou eu. O capítulo está cheio de fortes emoções e espero que vocês gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Fiquei mais de uma hora rolando na cama, até que percebi que não iria conseguir mesmo dormir e decidi me levantar para acabar não acordando a Libby. Eu me levantei com todo o cuidado, mas minha filha apenas virou para o outro lado sem nem ao menos abrir os olhos e em seguida sai do quarto.

Como, apesar não trabalhar amanha, tenho várias coisas para fazer, decidi ir até a cozinha esquentar um pouco de leite para mim, ou de manhã eu não vou estar me aguentando em pé. Peguei a caixa na geladeira e pus um pouco do líquido na caneca antes de colocá-la no microondas para esquentar por alguns segundos.

— Caroline... – foi uma grande surpresa quando encontrei meu padrasto parado no batente da porta, pensei que ele tivesse ido dormir na hora que eu cheguei em casa.

— Oi, Steven – soltei um longo suspiro enquanto me encostava na pia – Também está sem sono?

— Na verdade eu ouvi passos e me levantei porque achei que poderia ser a Libby – explicou.

— Se você quiser pode voltar a deitar – avisei – Só vou tomar esse leite quente para ver se me dá sono.

— Cabeça muito cheia? – perguntou enquanto se sentava em uma das cadeiras do local, sinal de que não iria seguir o meu conselho.

Foi nesse momento que o cronômetro do microondas começou a apitar, então eu abri a porta do aparelho para tirar a minha caneca lá de dentro. O líquido estava morno, nem quente demais nem frio de mais, exatamente do jeito que eu gosto.

— Acho que posso dizer que é isso – dei de ombros – Essa história de mudança, tomar conta do hotel, procurar um apartamento, encontrar uma escola para Libby, são muitas coisas para pensar.

— Oh sim, claro... – concordou.

Se eu estivesse em Londres com certeza já teria desabafado com Katherine sobre tudo que o que aconteceu comigo nos últimos dois dias e ela com certeza já teria me dado milhares de conselhos sobre o que fazer e como agir nesse momento; mas infelizmente minha melhor amiga está milhares de quilômetros de distância e não tem absolutamente. Meu pai também não era a pessoa certa para falar, pois ele usaria milhares de argumentos o quanto eu não deveria deixar nem Elena nem Stefan voltarem para a minha vida; acho que no momento eu só tenho mesmo o Steven para conversar.

— Eu encontrei o Stefan hoje – disse enquanto me sentava em frente ao meu padrasto.

— Ora, acho que não esperava por isso – comentou – E como exatamente foi isso?

— Foi agora, quando eu estava saindo do hotel – expliquei – Ele estava me esperando lá no estacionamento para tentar falar comigo.

— E como é que ele soube que você estava de volta a Washington? – a pergunta do Steven parecia querer deixar claro que ele não tinha absolutamente nada a ver com isso.

— Foi a Elena quem contou para ele – disse – A festa de aniversário de casamento dos pais dela vai ser lá no hotel e por isso a gente acabou se reencontrando.

Parando para pensar agora, um pouco depois do almoço uma das recepcionistas do hotel disse que um amigo tinha ligado me procurando, mas não tinha deixado nenhum recado. Provavelmente era o Stefan e por isso ele sabia exatamente a hora que eu iria sair do hotel.

— Sei até mesmo o que você está pensando — revirei os olhos – De todos os hotéis de Washington, essa festa tinha justamente que acontecer no hotel que eu trabalho?

— Na verdade eu estava pensando no que o Stefan pode ter falado que deixou você sem sono e tão pensativa – comentou.

— O Stefan me beijou... – sussurrei, mas tenho certeza de que meu padrasto ouviu, pois abriu um enorme sorriso assim que terminei de falar – Steven! Eu estou falando sério! Isso não podia acontecer!

— Bom, eu sei que a situação é outra em relação aquela de cinco anos atrás quando vocês se viram pela última vez – falou – Mas ele ter tudo o trabalho de ir atrás de você, é porque ainda se importa.

— Mas não deixa de ser errado – continuei – Eu conheci a filha deles. O Stefan teve uma filha com a Elena.

— Evelyn – ele afirmou, confirmando algo que eu já desconfiava, Steven estava mesmo mantendo contato com meu ex-namorado nesses cinco anos, e aparentemente conhecia a sua família também – Stefan já a levou algumas vezes a delicatessen – explicou como se lesse os meus pensamentos – Ela é uma graça e bem inteligente, me lembra um a Libby, para ser sincero.

Minha vontade naquele momento era de dizer que a minha princesinha não tinha nada a ver com aquela garota e nunca teria. Mas por um lado não posso jogar as minhas frustrações em uma criança que não tem culpa de nada do que aconteceu e muito menos pediu para nascer.

Foi por isso que anteontem você chegou em casa cedo dizendo que estava com dor de cabeça e parecia tão triste? Porque você tinha acabado de reencontrar a Elena e tinha conhecido a filha dela e do Stefan? – balancei a cabeça afirmativamente.

— Sei que parece bobagem e uma atitude até mesmo infantil – dei de ombros – Mas não pude evitar me sentir desse jeito...

— Filhos nunca foram garantia de um casamento feliz ou de pais apaixonados, você é uma prova viva disso, Caroline – lembrou – E se, te faz sentir um pouco mais tranquila, a Elena nunca foi até lá com ele; pelo menos nenhuma vez em que eu estivesse na delicatessen.

— Eles estão em alguma espécie de crise no casamento? – decidi perguntar. Foi inevitável pensar na ideia deles terem realmente se casado apenas para agradar o senhor Gilbert, como sempre foram os planos, terem tido um filho apenas para agradá-lo desde então vivem apenas como amigos de que dividem um apartamento, claro que eu provavelmente estou apenas me iludindo com isso...

Eu não vou mentir para você, tenho conversado muito com o Stefan, ele é uma boa companhia e parece me achar uma ótima pessoa com que desabafar, mas nunca falamos a respeito da Elena ou do casamento dos dois – respondeu – Ele nunca se interessou em comentar e sempre me pareceu errado perguntar.

Imediatamente comecei a imaginar Stefan indo almoçar na delicatessen, várias e várias vezes ao longo desses cinco anos; alguns dias levando a pequena Evelyn, que parecia mudar a cada vez que aparecia e outros ia completamente sozinho. E também ele sentando em uma das mesas do salão de refeições e Steven em frente a ele enquanto conversavam e obviamente curiosa sobre qual seria o assunto: Será que já falaram de mim? Será que meu ex-namorado já confessou qual foi o verdadeiro motivo de ter preferido a carreira política em vez mim? Será que se arrepende das escolhas que fez? Ou pior, será que se arrepende de ter se envolvido comigo um dia?

— Acho que nada disso importa, na verdade – completei, por fim – Não importa se o casamento dele e da Elena está em crise ou até mesmo que seja apenas de fachada, tem uma criança envolvida no meio disso e eu jamais separaria uma família, não sou assim, nunca fui assim.

— Às vezes é melhor para a criança ter os pais vivendo separados do que tê-los morando na mesma casa e brigando o tempo inteiro – argumentou – Não sei o quanto você conversou com a Evelyn ou quanto tempo esteve perto dela, mas ela sempre me passou uma imagem de uma menina muito triste.

Tudo que eu tinha conseguido reparar naquele fatídico dia é que minha antiga melhor amiga não parecia ter muita paciência com a filha e aparentemente a deixava de lado e aos cuidados de uma babá. Apesar de não morar junto com a minha mãe desde que era muito pequena, sempre tive uma boa relação com ela e procuro ter o mesmo agora com a Libby; claro que a senhora Gilbert demonstrou ser muito carinhosa nem com a Elena nem com o Jeremy, agora estava transferindo a mesma coisa para a pequena Evelyn; um lamentável ciclo vicioso.

— Bom, não importa que o Stefan pareça disposto a esquecer tudo e tentar uma chance comigo, eu ainda me lembro! – por um instante, esqueci completamente que estávamos no meio da madrugada e elevei o meu tom de voz – Não o quero de volta a minha vida e muito menos na da minha filha – volte a sussurrar.

— Engraçado como você esquece completamente do Klaus em um momento como esses – Steven não pode deixar de sorrir – Quero dizer: ele é o pai da sua filha, seu namorado e vocês dois moravam juntos até algumas semanas atrás quando você e a Libby saíram de Londres. Pensei que fosse o primeiro argumento que você iria usar contra o “ataque” do Stefan: que está namorando um cara que te ama mais que tudo, que vocês tem uma linda filha juntos e que está muito feliz.

Abri e fechei a boca diversas vezes sem saber exatamente o que falar nesse momento. Estava mesmo tentando não pensar no meu “noivo” (ou ex-noiva, não sei mais) e em tudo que tinha acontecido antes da minha volta a Washington e o fato do meu pai parecer bem desconfortável quando falo qualquer coisa a respeito do Klaus ajuda muito nisso. Claro que não posso ficar assim para sempre, em algum momento preciso admitir o que aconteceu e tentar descobrir como é que está a nossa situação atualmente.

— Klaus e eu não estamos mais juntos – decidi continuar aquela sessão de desabafos com o meu padrasto, de alguma maneira, conversa com ele estava me fazendo sentir muito melhor – Pelo menos não exatamente, não como estávamos antes.

— Eu sinto muito, Caroline – colocou uma das mãos sob a minha em um tentativa de me consolar – O que foi exatamente que aconteceu?

— É complicado – dei de ombros – Mas digamos que tivemos um pequeno desentendimento algumas semanas antes de eu vir para cá.

— E o quão sério foi esse desentendimento? – quis saber.

— O suficiente para eu e a Libby irmos passar uns dias na casa da Kath, a madrinha dela – respondi – A gente conversou depois disso, mas decidimos que era melhor passarmos um tempo separados e para pensarmos.

— Então é por isso que o Klaus está sempre ligando para a Libby em horários que você não está... – observou.

Não pude deixa de sentir um aperto no coração ao ouvir aquilo. Claro que eu já sabia que Klaus estava ligando para falar com a filha enquanto eu não estou em casa, mas será que está fazendo isso propósito?

— Eu preciso fazer uma pergunta – ele continuou – Essa briga de vocês tem alguma coisa a ver com o fato de que você estava vindo para Washington e por isso ficaria mais perto do seu ex?

— Não, não foi isso – apressei-me a dizer, o que era mesmo verdade – Eu não sou perfeita, Steve, mas pode ter certeza de que eu amo o Klaus, pode ter certeza disso.

— Nunca duvidei disso, Caroline – garantiu.

— Conheci o Klaus em um momento delicado da minha vida: tinha acabado de perder um bebê e de terminar um relacionamento complicado, confesso que estava pensando que nunca mais seria feliz e estava me preparando para pensar o resto da minha vida sozinha – me ouvindo falar dessa maneira parece que estou exagerando, mas era justamente o que eu acreditava naquela época – Mas agora estamos aqui, cinco anos depois e com uma linda filha, que eu amo mais do que tudo nessa vida. Klaus mudou a minha vida e eu só tenho o que agradecer a ele.

Tomei mais um gole do leite e fiquei algum tempo encarando o líquido branco dentro da caneca.

— Mas ao mesmo tempo o Stefan também me deixa confusa – admiti, por fim – Ele sempre me deixou muito confusa.

— O que você quer dizer com isso? – meu padrasto perguntou.

— Logo que a gente se conheceu, o Stefan disse que me achou maravilhosa e que queria muito me conhecer melhor – disse, de alguma maneira, foi impossível não dar um sorriso bobo com aquelas lembranças – Então começamos a namorar e eu descobri que ele também estava com a minha melhor amiga, mas mesmo assim dei uma chance para ele, já que era tudo de fachada para o senhor Gilbert; então eu engravidei e em vez dele me apoiar, decidiu me avisar que ia casar com a Elena, o que fez a gente brigar de novo e eu ainda perdi o meu bebê no processo; agora que eu consegui reconstruir a minha vida, conheci um cara legal e tive uma filha, o Stefan simplesmente volta e diz que nunca me esqueceu... Estou com raiva dele, mas ao mesmo tempo vê-lo aqui na minha frente e desse jeito me faz pensar que meu relacionamento com o Klaus não parece absolutamente nada.

Só nesse momento que eu percebi que estava chorando. Fazia horas que eu estava pensando isso e finalmente poder desabafar, era realmente muito reconfortante.

— Não pense em nada disso, Care... – Steven voltou a colocar a mão sob a minha – Você está com muita coisa na cabeça agora e as pessoas tendem a tomar péssimas decisões quando estão assim.

— Eu sei disso... – balancei a cabeça afirmativamente enquanto tentava enxugar o meu rosto.

— Não vou mentir, para mim você e o Stefan ainda se amam e acho que os dois deveriam dar mais uma chance para esse relacionamento – continuou – Mas você também precisa saber como está o seu relacionamento com o Klaus antes de qualquer coisa e é claro, também tem que pensar na Libby.

— Eu realmente não sei de mais nada – admiti.

— Apenas tente relaxar, vai te fazer muito bem – então ele se levantou – Bom, agora eu vou dormir e sugiro que você faça a mesma coisa.

— Pode deixar que eu já vou – garanti.

Steven deu um beijo no topo da minha cabeça antes de sair da cozinha. Então eu lavei a minha caneca, que agora estava vazia, em seguida eu segui na direção do meu quarto.

***

Não sei se foi o leite quente ou a minha conversa com o Steven que fez efeito, só sei que no momento em que voltei a me deitar, dormi quase que instantaneamente. Graças a isso eu acordei muito bem disposta no dia seguinte e estava preparada para enfrentar aquele longo dia.

— Eu amo cereal! – Libby estava com a boca cheia enquanto falava – Muito, muito mesmo!

— Percebi... – peguei o guardanapo para limpar o canto perto dos seus lábios, que estava sujo com migalhas de cereal – Mas acho que comer de boquinha fechada e sem falar de boa cheia, a comida vai ter o mesmo sabor.

— Ela só está empolgada para passar o dia inteiro na delicatessen com vovô Steven – meu padrasto comentou, ele tinha acabado de sentar-se ao meu lado – Não é isso mesmo, Libby?

— Isso mesmo! – afirmou – O vovô disse que vai me mostrar a cozinha e como tudo funciona no restaurante, talvez até me deixe cozinhar.

— Exatamente – ele concordou – Libby tem me ajudado bastante aqui em casa e ela é mesmo muito boa na cozinha. Talvez tenhamos uma futura chefe bem aqui na nossa frente.

— É isso que eu quero mamãe! – minha filha completou – Quero ser chefe de cozinha, igual ao vovô Steven.

Foi impossível não me lembrar do Klaus nesse momento, afinal nossa abriga aconteceu porque não querer que Libby seja influenciada na escolha da futura profissão. O que será que ele pensaria sobre a decisão da filha de querer estudar culinária? Será que aprovaria? Ou será que acharia que esse discurso é alguma influência do Steven? Tudo que eu sei no momento é que depois de cinco anos eu achei que conhecia o meu namorado bem, mas pelo visto eu estava completamente enganada.

— Ainda é um pouco cedo para você pensar nisso, princesinha – decidi falar, por fim – Decida isso daqui a alguns anos.

— Papai sempre diz que eu tenho que escolher uma profissão que eu me sinta confortável, não que os outros queiram que eu escolha – continuou – Não entendo muito o que ele quer dizer, mas é o que eu vou fazer.

Revirei os olhos... Só mesmo Klaus para falar uma coisa dessas para uma menina de três anos.

— Seu pai está certo, Libby, você tem que fazer aquilo que te faça feliz – afirmei – Mas ainda está muito cedo para isso, afinal, você só vai começar a se preocupar em escolher faculdade daqui há uns quinze anos.

— Vai demorar bastante tempo mesmo – concordou, espantada.

— Bom dia para todos... – meu pai tinha acabado de entrar na cozinha – Caroline, está preparada para irmos olhar apartamentos hoje?

— Sim – respondi – Mas não sei se estou preparada para passar a manhã inteira em pé andando de um lugar para o outro.

— Tenho certeza de que não vamos precisar andar tanto assim – deu de ombros – É só um palpite, mas acredito que não vamos ver tantos apartamentos assim que você vai conseguir tomar a sua decisão rapidamente.

— Eu quero olhar pelo menos umas três ou quatro opções antes de me decidir – avisei – Afinal, é um apartamento e não pode ser uma compra feita por impulso.

— Isso nós veremos daqui a pouco – completou, dando de ombros – Na hora do almoço nós iremos para a Delicatessen encontrar o Steven e a Libby. Querido, você se lembra disso, não é mesmo?

— É claro que eu me lembro – meu padrasto afirmou – E quem sabe até a hora do almoço vocês não tenho alguma novidade até lá.

— Sim, quem sabe... – os dois trocaram um rápido olhar, como se soubessem de algo que eu não sabia.

Voltei a tomar o meu café da manhã ao mesmo tempo que também ajudava a minha filha com o dela. Se meu pai e Steven estavam escondendo alguma coisa de mim, eu iria descobrir em breve.

***

O primeiro apartamento não ficava muito longe, o que era bom, pois caso eu ficasse com ele, estaria a poucos minutos de caro da minha antiga casa. Além disso, tinha um parquinho a poucos metros do prédio, onde eu poderia levar a Libby.

— Aqui estamos! – meu pai parou o carro no estacionamento e retirou os cinto de segurança — Vamos até lá?

— Pensei que fosse esperar a corretora... – observei, pelo menos era isso que ele tinha dito: que iria pedir para uma amiga que era corretora para procurar uns apartamentos que eu pudesse ver – Não é ela quem está com a chave.

— Não precisa, eu estou com a chave – retirou um conjunto de chaves do bolso da calça jeans –Iremos nos encontrar com ela depois.

— Se você diz... – dei de ombros – O lugar parece bem simpático, acho que iria gostar de morar aqui.

— Sabia que você iria dizer isso – meu pai abriu a porta para sair do carro e eu fiz o mesmo – Por isso mesmo escolhi esse como o primeiro apartamento que iríamos ver hoje.

— Mas essa aqui é só a minha primeira opção – lembrei – Provavelmente não irei me decidir hoje.

— Vamos ver se você vai dizer a mesma coisa depois que olhar esse apartamento – colocou a mão nas minhas costas – É mesmo um apartamento muito bom.

— Pai, tem alguma coisa que você não está me dizendo? – cruzei os braços e me virei para encará-lo – Algo que você queira me contar?

— Mas é claro que não, minha filha – se fingiu de desentendido – Agora vamos, você mesma disse que quer ver vários apartamentos hoje.

***

— Bom dia, senhor Forbes... – o porteiro cumprimentou o meu pai assim que entramos no prédio – Essa deve ser a sua filha. A que vai morar aqui, não é mesmo?

— É ela mesma – afirmou enquanto colocava a mão sob o meu ombro – E ainda não sabemos se ela irá mesmo morar aqui. Caroline ainda precisa ver se gosta do apartamento.

— Exatamente... – concordei.

— Entendi – o homem ficou olhando para nós dois, repetidas vezes – Boa sorte com tudo então.

Nós entramos no elevador e eu me encostei em uma das paredes e fiquei encarando o meu pai, que estava exatamente no canto oposto ao meu.

— Então quer dizer que você já veio várias vezes a essa prédio? – perguntei; estava ficando cada vez mais desconfiada de toda essa situação – É isso mesmo que está acontecendo.

— Não digo que já vi aqui várias vezes – deu de ombros – Mas já vim aqui uma vez. Eu precisava ver olhar o apartamento e ter certeza de que era um lugar do qual você iria gostar, afinal de contas.

— O porteiro já até te conhece – comentei – Não parece que você tenha vindo até aqui apenas uma vez.

— Tudo bem você me pegou, eu vim aqui duas vezes – respondeu – O porteiro deve ter me ouvido falar com a minha amiga corretora que eu estou procurando um apartamento para você e para a Libby.

— Continuou não acreditando em você – avisei – Pai, eu não sou uma criança e sei perfeitamente que você está me escondendo alguma coisa. E é bom começar a falar o que é, agora mesmo.

Antes que ele pudesse falar alguma coisa, o elevador chegou ao nosso andar e eu meu suspirou pesadamente de alívio. Seja lá qual for o grande segredo, tenho a impressão de que vou descobrir agora.

— Está preparada? – pegou a chave e colocou a mão na maçaneta.

— Claro... – concordei com a cabeça – Você tem falado tanto desse apartamento que estou totalmente curiosa agora.

Meu pai abriu a porta e eu coloquei os pés no apartamento. O local estava totalmente mobiliado, o que já não me fez gostar muito, não que eu fizesse questão de decorar tudo, mas pelo menos comprar as coisas eu mesma.

— E então? – meu pai estava parado atrás de mim e estava totalmente ansioso pela minha reação – O que achou?

— Não tenho certeza... – fiz uma careta – Estava esperando um coisa mais... incompleta...

— Por que você não olha tudo direito, minha filha? – sugeriu.

Foi só quando eu olhei a sala pela quinta vez que eu percebi um conjunto de porta-retratos próximos ao sofá e também no móvel da televisão; todos eles tinham fotos minhas quando crianças e na adolescência aqui em Washington e outras juntamente com Libby e Klaus em Londres.

— Não acredito, pai... – ainda estava chocada e até um pouco emocionada com a descoberta – Você comprou um apartamento para mim?

— Exatamente – afirmou – E esse era o mínimo que eu poderia fazer por você

— Não precisava ter feito isso – avisei – Dessa maneira eu vou pensar que você e o Steven estão querendo se livrar de mim e da Libby...

— Mas é claro que não é isso, minha filha – garantiu – Acontece que eu sei que você está incomodada de ficar lá em casa e estava muito querendo procurar um lugar e estava sem tempo com todo o trabalho no hotel, então decidi começar a procurar por você e quando vi esse lugar aqui percebi que era perfeito, por isso negociei a compra e comprei os móveis. Espero que tenha gostado.

— Eu amei, pai! – o abracei com bastante força – Acho que eu não teria feito escolha tão perfeita quanto essa.

— E tem mais uma coisa – continuou – Tem uma escola de educação infantil que fica a poucos quilômetros daqui. Já levei toda a papelada da Libby e ela já está matriculada para começar na segunda-feira.

— Isso também é incrível! – o apertei mais ainda – Nem sei como te agradecer...

— Você não precisa me agradecer, filha – garantiu – Agora vamos terminar de ver o apartamento, para ter certeza de que você vai gostar de tudo que eu arrumei por aqui – avisou.

***

— A cozinha e a sala são totalmente espaçosos e dos quatro quartos um foi decorado como escritório e outro como quarto de hóspedes – já estávamos na delicatessen e eu contava tudo sobre o apartamento para o meu padrasto e para a minha filha – O meu quarto está lindo, exatamente do jeito que eu imaginaria decorar; e o da Libby é todo cor-de-rosa e cheio de brinquedos.

— Que legal! – Libby pareceu empolgada – Estou doida para ver o nosso apartamento!

— E nós vamos ver – respondi – O que acha de irmos lá assim que terminarmos de almoçar?

— Acho uma ideia perfeita – concordou.

Foi nesse momento que o celular do meu pai ecoou pelo ambiente. Ele pegou o aparelho para ler a mensagem que tinha acabado de chegar.

— A nossa conversa está muito boa, mas eu preciso ir – avisou enquanto se levantava – Preciso resolver um problema no escritório, mas a gente se vê a noite.

Ele se despediu de todos nós antes de sair do salão de refeições.

— Tenho certeza de que o papai vai adorar o nosso apartamento novo – minha filha continuou – Não é mesmo, mamãe?

— Claro princesinha – passei rapidamente a mão no cabelinho loiro dela – Ele vai amar o apartamento.

— Você podia ligar para ele e falar que a gente já está quase se mudando – sugeriu – Então pode mandar umas fotos para ele.

— É uma excelente ideia – disse – Vamos fazer isso juntos mais tarde, tudo bem? – menti, tinha certeza de que Libby esqueceria de tudo isso mais tarde.

— E quando é que você pretende se mudar, Caroline? – Steven decidiu mudar de assunto, para o meu alívio.

— Já está tudo arrumado e não tem nada que resolver antes de nos mudarmos – lembrei – Então acho que podemos fazer isso no final de semana, assim estaremos totalmente instaladas quando a Libby começar no colégio segunda-feira.

— Quero que você saiba que irei sentir muita falta de você e da Libby lá em casa – avisou – Eu e o seu pai iremos.

— Sei disso, Steven – falei – Mas estarei há poucas minutos de vocês e poderei visitá-los sempre.

***

Assim que terminamos de almoçar, minha filha decidiu ir ao banheiro escovar os dentes, mas negou ajuda, então eu prometi esperá-la na recepção. Meus planos eram levá-la para conhecer o apartamento e depois irmos dar uma volta no shopping.

— Caroline, eu vou ver se estão precisando de mim na cozinha – Steven avisou – Você vai ficar bem ai sozinha?

— Claro, pode ir – respondi – A Libby já vai voltar e nós vamos embora.

Ele concordou com a cabeça e foi na direção da área dos funcionários. Eu me sentei em frente a bancada da delicatessen e fiquei ali distraída quando ouvi o sino da porta tocar, sinal de que ela tinha sido aberta e acabei me virando com o reflexo para ver quem tinha chegado.

— Stefan? – e lá estava eu vendo meu ex-namorando pela segunda vez em menos de vinte e quatro horas – O que você está fazendo aqui?

— Isso aqui ainda é um restaurante – lembrou – Eu vim aqui almoçar.

— Oh sim, é claro... – voltei a ficar de pé e balancei a cabeça negativamente – Estou ficando paranóica, acho que pensei que você...

— Eu não estou seguindo você, Caroline – completou o meu pensamento – Mas estou mesmo muito feliz por ter te encontrado aqui – segurou a minha mão e a puxou para perto de si – Não consigo parar de pensar no que aconteceu entre nós ontem a noite.

— Não aconteceu nada entre nós – puxei o meu braço de forma brusca – Por favor, me esquece... É só isso que eu te peço.

— Já disse que não posso fazer isso, Care... – insistiu – Eu te amo e sempre vou te amar.

— Você não me ama, Stefan, apenas acha que me ama – continuei – Você está casado com a Elena e com ela que você tem que ficar, com a família de vocês.

— Care, você sabe muito nem porque eu me casei com a Elena – tentou colocar as mãos nos meus ombros, mas eu dei um passo para trás, impedindo que ele me tocasse – A Lena é uma boa amiga, mas eu não a amo; não como eu te amo.

— Pois não é o que parece – o olhei de cima a baixo diversas vezes – Afinal, vocês até tiveram uma filha.

— Care... – suspirou pesadamente e passou a mão pelo cabelo – Care, por favor.

— Prontinho mamãe, já estou com os dentes escovados – Libby surgiu saltitando ao meu lado – Está vendo, eu já sou uma mocinha.

— Eu estou vendo, minha princesinha – estava virada para a minha filha, mas com a minha visão periférica observava Stefan, que não parava de encará-la.

— Oi! – ela decidiu falar com o meu ex-namorado.

— Emma... – Stefan sussurrou, mas foi o suficiente para nós duas ouvirmos. Ele estava achando que está diante da nossa filha, eu devia ter previsto isso.

— Não, eu sou a Libby – o corrigiu – É apelido de Elizabeth, é o mesmo nome da minha avó.

— Eu sei disso – afirmou – Você tem um nome muito bonito, Libby.

— Obrigada – deu um sorriso tímido em agradecimento – E como é que é o seu nome.

— Eu sou o Stefan. Stefan Salvatore – respondeu — Eu sou...

— O Stefan veio almoçar, então vamos deixá-lo em paz — imediatamente segurei a mão da minha filha para poder puxá-la – E nós também estamos atrasadas, lembra?

— Tem razão... – concordou – Tchauzinho...

— Espera, Caroline – voltou a me chamar, mas eu não me virei para olhá-lo – Nós precisamos conversar, eu...

— Não temos nada para conversar, Stefan – eu me abaixei para poder pegar Libby no colo – Vamos embora, princesinha.

Eu sei apressadamente e para a minha sorte, Stefan não foi atrás de mim. Sei que não tinha absolutamente nada que provar para ele, mas não estava com vontade de conversar, ainda mais nessa situação.

Notas finais
É isso ai gente, A Caroline ganhou um apartamento de presente do pai e do Steven (belo presente, não acham?) E o Stefan e a Caroline voltaram a se encontrar e o Stefan conheceu a Libby. O que acharam dele achando que ela era a Emma? Será que ele vai demorar muito para descobrir a verdade? *** Como eu não postei na semana passada, essa semana eu vou fazer um capítulo bônus no sábado e ele será no ponto de vista do Stefan. *** Bom, é isso Comentem e digam o que estão achando. Recomendações?