Second Chance

23 Capítulo 22 – Antigas amizades


Notas iniciais
Oi gente! É quarta-feira e aqui está o capítulo novinho para vocês. Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Nem acredito que já faz três semanas que estou de volta a Washington. No inicio foi difícil de me adaptar a nova rotina, mas agora é como se eu nunca tivesse ido embora.

— Bom dia! – quando cheguei a cozinha, Steve já estava esperando por mim com uma caneca de café na mão – Terminei agora de preparar panquecas.

Sorri antes de tomar um gole do líquido escuro, em seguida fui me sentar ao lado da minha filha, que já comia a sua panqueca tranquilamente.

— As panquecas que o vovô Steven faz são muito boas, mamãe – Libby comentou – É até melhor que o do papai, só não fala isso para ele.

— Pode deixar... – garanti, e foi impossível não sorrir com esse comentário.

— Eu nunca provei nenhum prato que o Klaus faz e não posso dizer se é uma comparação justa – meu padrasto também se sentava enquanto falava – Mas acho que posso me sentir honrado com isso.

— Você tem que parar de mimar a gente desse jeito, Steven – pedi – Daqui a pouco nós vamos embora para nosso próprio apartamento e você vai nos deixar mal acostumadas.

— Qualquer coisa vocês podem vir tomar café da manhã aqui – ele sugeriu, dando de ombros – Afinal, estaremos todos na mesma cidade.

— Sei... – revirei os olhos.

— Eu acho uma boa ideia – Libby concordou – Vai ser bem legal que a gente venha aqui na casa do vovô todo dia de manhã.

— Vamos pensar nisso depois, princesinha – avisei – Bom, agora eu vou terminar logo o meu café da manhã, pois tenho um dia muito cheio hoje. Preciso fazer um relatório sobre a situação financeira do hotel e enviar para a Esther Mikaelson ainda hoje.

— Isso me parece uma grande responsabilidade – Steven comentou.

— E realmente é – concordei – E também um grande trabalho, mas infelizmente alguém tem que fazê-lo e como sou eu quem está no comando...

Sendo totalmente sincera, quando voltei para Washington pensei que o hotel em que eu iria trabalhar estava totalmente falido e precisaria de muito trabalho para se reerguer, mas eu estava totalmente enganada. O local é um dos mais tradicionais da cidade e não houve um dia desde que cheguei que todos os quartos não estivesse lotado.

— Certo, não se preocupe, eu estarei lá para abrir a porta do apartamento para você – ouvi a voz alta do meu pai alguns segundos antes dele entrar na cozinha, ele estava falando com alguém pelo celular – Perfeito! Nós nos vemos na hora do almoço, então.

Ele desligou e colocou o telefone em cima da mesa antes de se juntar a nós para tomar o café da manhã.

— Está tudo bem, pai? – decidi perguntar – Algum problema na empresa?

— Oh não, minha querida, está tudo muito bem – garantiu – Eu estava falando com o decorador que vai arrumar um apartamento que eu acabei de terminar a reforma, estou com a chave, então preciso abrir para que eles levem os móveis.

— Não sabia que você costumava ficar com as chaves dos apartamentos que você reforma... – observei.

— E eu não costumo – respondeu – Acontece que esse é um cliente especial, por isso estou com a chave do apartamento.

Meu pai e Steven trocaram um rápido olhar, foi nesse momento que eu tive certeza que eles estavam escondendo alguma coisa de mim. Mas é melhor deixar para me preocupar com isso depois, não tenho tempo para absolutamente nada agora.

— Então, quais são os planos de vocês para hoje? – mudei de assunto me referindo ao meu padrasto e a Libby – Alguma coisa em especial?

— Na realidade, não estávamos planejando nada especial, não é mesmo, Libby? – ele disse enquanto minha filha balançava a cabeça afirmativamente – Daqui a pouco eu vou ligar para a delicatessen para saber como estão as coisas por lá e depois a intenção é ficarmos por aqui vendo desenhos e talvez dar uma volta por ai.

— Não consigo deixar de me sentir culpada por você precisar ficar preso aqui com a Libby – observei – Quero que você saiba que assim que as coisas estiverem mais tranquilas para mim lá no hotel eu vou começar a procurar uma escolhinha para a Libby.

Desde que chegamos a Washington, Steven tem se encarregado de tomar conta da Libby para mim enquanto estou no hotel. O grande problema disso é que seu “trabalho” como babá o está impedindo de ir até a delicatessen; nessas duas últimas semanas ele só esteve no restaurante em duas ocasiões em que meu pai consegui ter uma folga do escritório e ficou em casa.

— Sei que a Libby precisa ir para a escola se socializar com crianças da idade dela – concordou – Mas você não precisa se apressar apenas por minha causa, Caroline. Não é nenhum problema para mim tomar conta dessa princesinha.

— Mas para mim é um problema... – admiti – Afinal, você também precisa trabalhar e eu estou te impedindo disso.

— Caso tenha se esquecido, eu sou o chefe e posso sim me dar ao luxo de ficar em casa sempre que eu quero – lembrou – Além disso, eu sei que a Hanna deve estar adorando ficar no comando enquanto estou aqui.

— Mesmo assim, eu fico mais tranquila sabendo que não estou abusando da sua boa vontade – completei – Sem contar que eu também irei trabalhar bem mais tranquila assim.

— E por falar em trabalho – meu pai voltou a falar depois de alguns instantes – É hoje que você vai ficar no hotel até mais tarde?

— Na verdade é amanhã – respondi – O gerente noturno vai precisar se atrasar porque tem uma reunião na escola do filho ou alguma coisa assim e a Lexi, que é a nossa outra gerente, não pode ficar até tão tarde e como eu estou no comando cabe a mim fazer isso.

— Uma das milhares de desvantagens de se estar no comando – Steven revirou os olhos e fez uma caneta – Se você quiser eu ou o seu pai podemos e te buscar quando estiver na hora de sair do hotel.

— Não precisa – garanti balançando a cabeça negativamente – Posso perfeitamente ir voltar no meu carro – essa tinha sido uma das primeiras coisas que fiz assim que voltei a Washington foi comprar o meu próprio carro e assim não depender de carona ou de táxi.

— Washington não está da mesma maneira que quando você foi embora há cinco anos, Caroline – argumentou – Você tem saído sozinha durante ou dia, mas depois que escurece é diferente, está tudo bem perigoso.

— Acredite, querido, eu já disse isso tudo para ela – meu pai disse – Mas a Caroline consegue ser muito teimosa quando ela quer.

— Nem consigo imaginar a quem ela puxou – foi impossível não sorrir com esse comentário do meu padrasto, o engraçado é que a minha mãe costuma dizer exatamente a mesma coisa: que eu herdei a teimosia do meu pai.

— Vocês não precisam ficar preocupados, é sério – garanti – Não vou sair tão tarde assim, além disso o hotel tem uma boa segurança, posso pedir para alguém ir comigo até o carro.

— Se é assim que você prefere – Steven deu de ombros – Mas saiba que vamos ficar aqui preocupados enquanto você não estiver em casa e totalmente segura.

Sei que os dois são estão preocupados comigo e que por mais que eu seja adulta, que ganhe o meu próprio dinheiro e até mesmo já tenha uma filha, os dois nunca deixaram ser assim. Apesar de tudo isso ser cansativo às vezes, é impossível não me sentir feliz e amada também.

***

Obviamente, existem milhares de desvantagens em estar no comando, mas também existem várias vantagens e uma delas é ter uma vaga no estacionamento só minha e que fica há poucos metros da entrada do hotel. É mesmo muito bom não precisar ficar procurando um lugar para parar nem mesmo andar muito pelo estacionamento.

— Bom dia! — disse assim que cheguei ao saguão.

— Bom dia, senhorita Forbes – uma das recepcionistas que estava atrás do balcão me cumprimentou – A senhorita está precisando de alguma coisa? Uma água? Um café?

Nos meus primeiros dias de trabalho sei que os funcionários do hotel ficaram meio desconfiados com a minha presença, provavelmente receosos de que a nova direção fosse alguma ameaça aos seus empregos. Por sorte, aos poucos eles foram se acostumando comigo e agora posso dizer que não poderia ter uma equipe melhor a minha disposição.

— Não preciso de nada, obrigada – respondi – A Lexi já chegou? Eu preciso falar uma coisa com ela.

— Ela já chegou sim – disse – Mas ela recebeu a ligação da escola dos filhos dela e foi para outro lugar para poder atender e falar mais a vontade.

— Ah sim! Entendi... – continuei – E quanto a Bonnie? Ela já está aqui?

— A Bonnie ainda não chegou, mas acredito que já deva estar chegando – avisou – Quer que eu avise que a senhorita está procurando por ela quando chegar?

— Sim, por favor – falei – Fale com as duas, com a Bonnie quando chegar e com a Lexi quando ela voltar cá. E por favor, diga que é urgente.

— Pode ficar tranquila, senhorita Forbes — garantiu – Avisarei a elas assim que for possível.

— Muito obrigada – completei.

Por eu me despedi dela antes de me virar e caminhar na direção a área reservada aos funcionários do hotel.

***

Para o meu alívio não demorou muito para que eu conseguisse, pelo menos em partes. Estava indo para a minha sala quando encontrei Lexi parada na entrada de uma pequena varanda que tinha no local, quando cheguei mais perto vi que ela estava falando ao celular.

— Está bem, querido, vai até lá então – imaginei que era o seu marido do outro lado da linha – Qualquer coisa você me avisa.

Ela desligou e quando se virou e deu de cara comigo parecia ter se assustado.

— Caroline...! – elevou um pouco o tom de voz enquanto falava – Eu não vi você chegando...

— Desculpa, eu te assustei – apressei-me em dizer – Fiquei sabendo que você recebeu uma ligação da escola dos seus filhos, está tudo bem?

— É só o Jordan que está com febre – respondeu, se referindo ao seu filho mais velho – Ele disse que não estava se sentindo bem mais cedo quando fui deixá-lo na escola, mas achei que fosse apenas uma desculpa para não ir para a aula.

— Se você quiser ir até lá ver como ele está, não tem problema – avisei – Eu posso segurar as coisas por aqui sem você.

— Não precisa, Caroline – garantiu – Eu já liguei para o Ric e ele vai até o colégio buscar o Jordan. Hoje ele não está fazendo trabalho nenhum, então não vai ter maiores problemas.

Alaric, o marido de Lexi é jornalista e trabalhava em um famoso jornal de Washington, mas acabou sendo demitido há pouco mais de seis meses. Ele tem feito alguns bicos durante esse tempo, mas sei que a maior parte da renda da família está vindo do salário dela no hotel, que não é exatamente grande suficiente para sustentar quatro pessoas.

— Mesmo assim você pode querer ver como ele está – insisti – Eu também sou mãe, Lexi, sei o quanto é difícil ver um filho doente, ainda mais quando se está longe e não se pode fazer nada.

— Não precisa se preocupar, Caroline, eu confio perfeitamente no Ric para cuidar do Jordan – respondeu – A sorte que isso aconteceu hoje, pois amanhã o Ric tem uma entrevista de emprego.

— Mas isso é ótimo! – disse, estava realmente animada, conheço Lexi há pouco tempo, mas já percebi o quanto ela é esforçada e merece toda a felicidade do mundo – E caso precise você pode ficar em casa amanhã se o Jordan precisar ficar mais um dia em casa.

— Vou ver como é que está a situação quando eu chegar em casa hoje a noite – avisou – E se eu precisar ficar em casa, te mando uma mensagem.

— Perfeito! – concordei – Mas mudando de assunto, você já preparou a planilha com os lucros e as despesas do hotel nos últimos seis meses que eu te pedi ontem? Estou precisando dela para hoje, ou melhor, o mais rápido possível.

— Fiz ontem mesmo e deixei em cima da sua mesa assim que cheguei – respondi – Imaginei que fosse algo urgente e não quis te deixar esperando.

— Perfeito! Isso está sendo até mais fácil do que eu pensei.

— Obrigada, Lexi, você está facilitando muito a minha vida – admiti – Acho melhor eu ir logo começar esse relatório.

— Boa sorte, então... – colocou a mão a sob o meu ombro – Imagino que isso não deve ser nada fácil.

— Com certeza não é mesmo – concordei – Mas infelizmente alguém precisa fazê-lo.

***

Elijah costuma deixar os relatórios financeiros do hotel para a Rebekah e passei cinco anos ouvindo a minha cunhada reclamando do como detestava essa atividade. Agora posso comprovar o quanto ela tinha razão.

Já estava quase terminando a parte baseada nas planilhas que Lexi tinha me entregue quando ouvi duas batidas na porta.

— Pode entrar... – gritei, já tinha até mesmo uma noção de quem poderia ser.

— Com licença, senhorita Forbes – como eu já tinha imaginado, Bonnie começou a falar enquanto entrava na sala – A senhorita queria me ver?

— Sim, Bonnie – afirmei – Você já preparou a planilha com todos os eventos marcados para os próximos meses?

Bonnie Bennet é a nossa gerente de entretenimento. Todos os eventos que ocorrem aqui no hotel são supervisionados por ela.

— Sim, já está tudo pronto – respondeu – Posso pegar lá para você, só preciso de cinco minutos.

— Está bem... – concordo.

— Eu estava falando com uma cliente,a da festa da semana que vem – explicou – Fui pegar umas fotos de alguns exemplos de decoração para ela ver e as suas planilhas estão no mesmo lugar; vou passar até lá pegar e venho te trazer.

— Ah sim, cliente do aniversário de casamento... – lembrei.

Bonnie mesma me observou que por causa do frio que tem feito diminui a quantidade de eventos feitos a noite. E nesse mês o único que teremos é essa festa que vai acontecer no sábado da semana que vem, por causa disso ele está sendo tratado com a maior importância por todos aqui no hotel.

— Ela está querendo participar de tudo de perto e isso é um pouco cansativo... – revirou os olhos – Mas é o meu trabalho, não posso fazer nada...

— Sei muito bem como é isso... – coloquei os meus óculos ao lado do teclado antes de me levantar – Deixe-me ir com você, assim você não precisa voltar aqui e não vai deixar a cliente esperando por mais tempo.

— Se você prefere assim – deu de ombros – Para falar a verdade ela disse que ficou sabendo que o hotel está sob nova direção e que queria conhecer quem estava no comando agora.

— Então vamos até lá... – concordei enquanto caminhava com Bonnie até a porta.

***

O salão de festas do hotel fica na cobertura, mas antes do grande dia tudo é resolvido na sala de eventos que fica no térreo e bem mais perto de onde estávamos. Assim que chegamos a mulher está de costas, olhando alguma coisa pela janela, mas assim que ouve os nossos passos ela se vira e então posso ver o seu rosto.

É a Elena...

Seus estava da mesma maneira que antes, embora estivesse usando uma maquiagem um pouco mais pesada agora. Além disso suas roupas também estavam diferentes e a deixavam com cara de uma típica mulher de político. Era tão estranho estar aqui com ela novamente depois de tantos anos.

— Desculpe-me a demora,senhora Salvatore – Bonnie disse em seguida – Eu estava resolvendo um problema urgente com a senhorita Forbes.

— E foi só nesse momento que ela pareceu notar a minha presença.

— Care! – apesar de estar claramente surpresa em me ver, ela também parecia bem feliz com isso.

— Oi, Elena... – eu apenas acenei timidamente.

— Espera um minuto, vocês duas se conhecem? – Bonnie olhou para e mim para Lena repetidas vezes.

— A gente se conhece desde que sete anos – respondi – Crescemos uma na casa da outra.

— Éramos praticamente irmãs de pais diferentes – Elena completou – Isso até a Caroline se mudar para Londres e parar de mandar notícias.

Eu não disse mais nada, apenas fiquei encarando os meus próprios pés.

— Bom vou deixar vocês conversarem um pouquinho, mas então... – a outra avisou – Ainda preciso pegar as fotos que te prometi, senhora Salvatore; e também preciso pegar as planilhas.

— Está bem – concordou, Elena continuava com os olhos fixos em mim enquanto falava.

Então Bonnie voltou a sair da sala. E no momento em que ficamos sozinhas, minha antiga melhor amiga se aproximou e me abraçou com bastante força.

— É tão bom te ver, Care! – disse, por fim – Pensei que nunca mais fosse te ver!

— Sinceramente, eu realmente não tinha planos para voltar a Washington – admiti – Mas aconteceu e agora eu estou aqui.

— Há quanto tempo você está de volta? – quis saber – E porque você não foi me procurar?

Estou aqui há três semanas, mas eu andei tão ocupada desde então que não tive tempo para mais nada – inventei a primeira desculpa que me veio a cabeça.

— Eu entendo – soltou um longo suspiro – Onde é que você está morando?

— Estou por enquanto na casa do meu pai – disse – Mas quero arranjar um lugar para mim o mais rápido possível.

Elena abriu e fechou a boca várias vezes. Sabia que ela queria falar ou perguntar alguma coisa, mas não sabia como...

— Então, é você que está por trás da festa de aniversário de casamento que vai acontecer na semana que vem? – queria muito saber para quem exatamente era a festa; será que para ela é o Stefan? Mas por alguma razão não tive coragem de questioná-la.

— Sim, é o aniversário de casamento dos meus pais – disse como se tivesse lidos os meus pensamentos – Trinta anos.

— Uau...! – comentei – Trinta anos de casamento, isso é mesmo uma maravilha.

— Pois é... – concordou – Foi por isso a ideia da festa. Jeremy meio que deu a ideia e prometeu me ajudar, mas tudo que ele fez foi ajudar com o dinheiro e deixou tudo da organização para mim. No inicio eu reclamei muito, mas até que não foi tão ruim assim, acho que poderia até mesmo trabalhar com isso.

— Elena Gilbert: organizadora de eventos – a olhei de cima a baixo – É realmente um grande aproveitamento do curso de literatura que você fez.

— Bem que você podia vir a festa – ela sugeriu, mudando ligeiramente de assunto.

— Não sei se é uma boa ideia – neguei – Eu não vejo os seus pais há cinco anos, seria muita cara de pau da minha parte aparecer no aniversário de casamento deles assim – e também tinha a questão de eu não querer olhar para a cara do Stefan, mas não falei isso.

— Ora, mas que bobagem – insistiu – Meus pais adoram você, tenho certeza de que vão adorar te ver depois de tanto tempo.

— Tudo bem... – acabei concordando, depois eu iria arranjar alguma desculpa para não ir.

— Perfeito! – bateu as mãos uma na outra, repetidas vezes – Venho aqui trazer o convite para você. Não sei se você tem algum acompanhante, mas vou te trazer dois convites.

— Mamãe... – uma voz infantil interrompeu a nossa conversa, então nós duas nos viramos na direção dela.

A garotinha parada na entrada da sala não devia ser muito mais velha que a Libby. Seus cabelos castanhos com algumas mechas em um tom mais claro e seus olhos verdes deixavam bem claro de quem se tratava, era uma mistura perfeita do pai e da mãe.

— O que você está fazendo aqui, Evelyn? – Elena disse – Eu falei que era para você esperar no saguão enquanto terminava de resolver isso.

— É que eu estou com muita fome – explicou – Quando é que nós vamos almoçar?

— Assim que eu terminar o que eu vim fazer aqui prometo que vou levar você para almoçar – garantiu – Mas tem um pacote de biscoito na sua mochila. Onde é que está a Davina?

— Ela precisou ir ao banheiro – respondeu – Então eu perguntei onde você estava e a moça da recepção me mostrou onde era.

— Vem eu te levar de volta para a Davina no saguão – aproximou-se um pouco mais e segurou a mão da filha – Care, você não se importa, não é mesmo?

— Não precisa, levá-la, Elena – eu me ajoelhei na frente da garotinha – Oi, Evelyn. Você é muito linda, sabia?

— Obrigada... – parecia tímida com o elogio, mesmo assim agradeceu – Quem é você?

— Essa é a Caroline, Lyn – foi Lena quem respondeu – É uma velha amiga minha.

— Exatamente – concordei – Eu e a sua mãe nos conhecemos quando éramos um pouquinho mais velhas do que você agora.

— Legal! – sorriu – Você também é muito bonita, Tia Caroline.

— Obrigada! – também fiz questão de agradecer – Sabe, você se parece muito com a sua mãe, mas também parece com o seu pai, principalmente esses olhos.

— Você conhece o meu pai? – voltou a ficar confusa.

— Claro, sou amiga dele também – afirmei – Sei que o sonho dele era ter uma garotinha e imagino o quanto ele deve ter fico feliz com o seu nascimento – nesse momento eu estava fazendo todo o esforço do mundo para não chorar.

— Papai sempre fala que eu sou mesmo a pessoa mais importante da vida dele – comentou.

— Muito bem, agora vamos lá ou a Davina vai começar a ficar preocupada – Elena avisou – Care, se a Bonnie voltar antes de mim, diz a ela que eu não demoro.

Mas nem mesmo foi preciso que elas saíssem da sala, pois uma garota que deve ter acabado de sair da adolescência apareceu na porta. No instante em que Evelyn soltou a mão da mãe para correr até ela supôs que fosse a Davina.

— Lyn, meu amorzinho! – ela se abaixou para pegar a garotinha no colo – Não sabe como eu morri de preocupação quando voltei ao saguão e você não estava, ainda bem que a recepcionista me disse onde é que você estava.

— Desculpa, Davina – lamentou – Eu só vim aqui falar com a minha mãe.

— Ela disse que estava com fome – Lena explicou – Tem dois pacotes de biscoito dentro da mochila dela: um de chocolate e um de morango, peça para ela escolher. Isso deve segurar até eu sair daqui para podermos ir almoçar.

— Está bem, senhora Salvatore, e me desculpe, prometo que olharei a Lyn com um pouco mais de atenção – completou antes de se virar – E a senhorita não faz mais isso, quando precisar de alguma coisa e não estiver, espere até que eu volte... – a voz de Davina foi diminuindo até não ser mais possível ouvi-la.

— Desculpa por isso, Care – minha antiga melhor amiga voltou a falar depois de alguns instantes – A Lyn está naquela fase difícil dos quatro anos e as vezes é impossível deixá-la quieta em um canto só.

— Tudo bem, eu gostei de conhecê-la – e era mesmo verdade, isso me fez abrir os olhos – Então ela tem quatro anos agora? Pelo jeito vocês não demoraram muito depois de casar.

— Na verdade eu casei grávida, com um pouco mais de três meses – pareceu um pouco sem graça com a revelação, mesmo assim disse – Não foi nada planejado, só aconteceu. Claro que quando o meu pai soube quis cancelar tudo e fazer um casamento no civil, mas a minha mãe não deixou.

— Três meses raramente dá para ver alguma coisa – lembrei – Eu sei muito bem disso.

— Olha só para mim, falando aqui da Lyn sem me dar conta do quanto isso deve estar sendo difícil para você – balançou a cabeça negativamente – Que grande insensibilidade a minha.

— Não tem problema, Elena – menti – Acho que depois de cinco, posso dizer que já superei o que aconteceu com a Emma. Nunca vou esquecer, mas não fico mais me culpando por ter perdido o meu bebê.

— É muito bom, ouvir isso – garantiu – Tenho certeza de que logo você vai conhecer alguém legal e ter muitos filhos.

Para minha sorte, foi nesse momento que Bonnie chegou, me entregando a planilha de que eu precisava e eu pude sair de lá alegando que tinha muito no que trabalhar e que elas também tinham o que fazer. Não aguentava ficar nem mais um minuto naquele lugar.

***

Comi um sanduíche natural e tomei um suco de laranja antes de voltar ao trabalho. Com muito custo eu consegui terminar tudo ainda no inicio da tarde e depois de enviar o relatório para Esther decidindo ir embora avisando a todo mundo que não estava me sentindo muito, o que de certa forma é verdade.

Durante um caminho até em casa eu não pude deixar de pensar naquele meu reencontro com a Elena. Ela aparenta estar bem feliz, casada, realizada e ainda com uma filha...

Não que eu achasse que o Stefan estivesse em abstinência nesses cinco anos (seria muita hipocrisia da minha parte pensar assim) e já estava me preparando para o caso de descobrir que ele e Lena tiveram filhos, mas o grande baque de saber que eles demoraram tão pouco tempo para isso. Levei pouco mais de oito meses para realmente superar a perda do meu bebê, para realmente conseguir seguir em frente com o Klaus e dar um passo a mais no nosso relacionamento; enquanto isso meu ex-namorado já estava casado e até já era pai novamente. Isso faz com que eu pense que todo o nosso relacionamento foi uma grande mentira.

Assim que cheguei em casa encontrei meu padrasto e minha filha na cozinha decorando um bolo que parecia ser de chocolate.

— Mamãe! – Libby disse assim que me viu – Você chegou cedo!

— Oi minha princesinha... – me aproximei e dei um beijo no topo da sua cabeça. O bolo, como eu tinha imaginado, era mesmo chocolate e estava muito cheiroso.

— A Libby tem razão, você chegou cedo – Steven comentou – Está tudo bem?

— Só estava com um pouco de dor de cabeça e como eu não tinha mais nada para fazer, decidi vir para casa antes que piorasse – expliquei – Esse bolo parece estar uma delícia.

— Vovô Steven decidiu fazer depois que a gente almoçou – ela explicou – E eu ajudei também.

— Mas que legal, princesinha – disse – Parece que temos uma mini chefe de cozinha aqui.

— E posso dizer que ela realmente leva jeito para isso – meu padrasto afirmou – A gente já ia comer uma pedaço, se quiser eu posso cortar um para você.

— Não precisa, Steven – neguei com a cabeça – Acho que vou me deitar um pouco para ver se a dor de cabeça passa.

— Posso afirmar que chocolate pode curar qualquer coisa – afirmou – Até mesmo dor de cabeça.

— Quem sabe mais tarde – sugeri – Mas agora eu prefiro me deitar um pouco...

Então segui para o meu quarto e tranquei a porta. Sei que é bobagem eu estar me isolando por uma bobagem dessas, mas eu só precisava focar um pouco sozinha e depois tudo voltaria ao normal para mim.

Notas finais
Pois é gente, o reencontro entre a Caroline e a Elena, mas não acabou muito... O que vocês acharam da reação da Caroline ao saber que o Stefan e a Elena tiveram uma filha? Acham que ela exagerou ou ela está certa em ficar chateada ao saber que o Stefan seguiu em frente depois deles perderem um bebê muito rápido? E no próximo cap já acontece o reencontro Steroline (e já vou avisando que eu estou pensando em postar o cap no sábado como bônus). *** Bom gente, ísso Comentem e digam o que estão achando Recomendações?