Second Chance
24 Capítulo 23 – Nunca vou deixar de amá-la
Notas iniciais
Stefan
Depois de um longo dia de trabalho nada melhor do que dar uma volta pelo parque. Está fazendo um lindo dia de sol em Washington e é importante aproveitar.
Não demorou muito para que eu a encontrasse, sentada em um banco e linda como sempre. Ela estava tão concentrada no carrinho de bebê a sua frente que só percebeu a minha presença quando já estava bem perto.
— Oi, meu amor... – Caroline se levantou e eu a puxei para um selinho – Como foi o seu dia hoje?
— Nós duas passamos o dia muito bem; não é mesmo, Emma? – deu uma rápida olhada na nossa garotinha, que nesse momento dormia profundamente e totalmente alheia ao mundo.
— Eu estou vendo como o dia de vocês foi bem divertido mesmo – brinquei.
— Você não deu sorte, ela dormiu só alguns minutos antes de você chegar – lamentou.
— É mesmo uma pena – concordei – Mas tenho certeza de que logo ela vai acordar e eu vou poder aproveitar as minhas garotas quando chegarmos a nossa casa.
Então eu e Care voltamos a nos beijar. Era muito bom podermos ficar juntos sem nos importarmos com quem pudesse nos ver. Se existe uma decisão da qual eu jamais vou me arrepender é de ter escolhido fica com a mulher que eu amo.
— O que acha de eu comprar sorvete para nós? – sugeri depois que nos afastamos.
— É uma ótima ideia – respondeu – De chocolate, não se esqueça.
— Nunca vou me esquecer – garanti – Volto antes que você consiga sentir a minha falta – dei mais um selinho nela e me afastei indo na direção do quiosque/lanchonete que ficava há poucos metros de onde estávamos.
Pedi dois sorvetes de chocolate; esse não costumava ser o meu sabor favorito, mas tudo mudou depois que eu conheci a Caroline. Depois de pagar eu retornei para onde ela estava.
— Aqui está... – lhe entreguei um dos potinhos antes de me sentar ao seu lado – Sei que a Emma está dormindo agora e que você não gosta de demorar muito quando isso acontece, mas nós podíamos dar mais uma volta com ela aqui pelo parque.
— Do que é que você está falando, Stef? – Care estava me encarando totalmente confusa – Quem é essa Emma?
— Como assim “quem é Emma”? É a nossa filha, é claro – me virei para poder apontá-la, mas o carrinho de tinha desaparecido – Onde ela está, Care? Onde está a nossa Emma?
— Isso por acaso é uma forma de me pedir para termos um bebê? – quis saber – Emma até que é um nome bonitinho, podemos até usá-lo caso a gente tenha uma menina, mas só daqui a alguns anos, tudo bem? Ainda é cedo para pensarmos em filhos.
— Você é quem que está de brincadeira comigo, Care... – insisti – É claro que você sabe quem é a Emma, é a nossa filha que está... estava bem aqui. Como é possível um bebezinho desaparecer assim do nada?
— Querido, acho que você está trabalhando demais... – começou a massagear a minha orelha – Vamos terminar de tomar os nossos sorvetes e vamos para casa. Lá você toma banho, descansa um pouco, eu preparo o nosso jantar e depois podemos ficar abraçadinhos no sofá vendo televisão.
Não sei exatamente o que Caroline está querendo aprontar fazendo isso, mas eu tenho certeza de que não estou louco. Emma está aqui, em algum lugar.
— Tudo bem... – decidi deixar isso para lá pro alguns instantes e me concentrar no meu sorvete – Mas acho que me sentiria ainda melhor se você me fizesse uma daquelas suas massagens milagrosas quando chegarmos em casa. O que acha disso, Care?
E quando percebi que ela não estava mais lá do meu lado, desapareceu da mesma maneira que a Emma, e eu estava completamente sozinho.
— Care? – levantei e andei por alguns metros no parque, para o caso de Caroline ter ido jogar algo no lixo fora ou alguma coisa parecida, mas foi inútil, não havia sinal dela em lugar nenhum – Care, aonde é que você foi? Care...
— Care! – acordei assustado e demorou alguns segundos para eu me dar conta de onde é que eu estava. Aquele era o meu quarto, em casa, por mais real que aquilo tudo parecia, era apenas um sonho, ou melhor, um pesadelo.
Ainda estava escuro do lado de fora e minha esposa ainda dormia profundamente ao meu lado na cama, então decidi me levantar com todo o cuidado para não acordá-la. Aquela não era a primeira e com certeza não será a última vez que tenho esses sonhos, ele tem povoado as minhas noites várias vezes nos últimos cinco anos, e sei que não adianta nada ficar aqui deitado e tentando dormir novamente.
— Stef... – ouvi Elena me chamando antes que eu pudesse abrir a porta – Que horas são?
— Ainda está de madrugada, Lena – avisei – Pode voltar a dormir, ainda não é hora de levantar.
— Mas onde é que você vai? – ela voltou a perguntar.
— É que eu perdi o sono, não é nada demais – menti dando de ombros – Então eu vou dar um volta por ai, talvez ler alguns e-mails, para ver se o sono volta.
— Está bem... – acabou concordando.
Eu me aproximei e dei um beijo na sua testa antes de finalmente sair do quarto.
***
Assim que eu e Elena nos casamos, decidimos passar um tempo morando com os pais dela e só depois de um ano fomos para um lugar só nosso. O apartamento, onde moramos até hoje, foi um presente do senhor Gilbert e do meu pai; ele é duplex, tem quatro quarto e uma ampla sala que é perfeita para festas e jantares que o meu cargo no congresso exige que eu dê.
Obviamente deixei a decoração do local por conta da minha esposa, tudo tinha o toque dela, com exceção de um único cômodo: o meu escritório. É nele que passo grande parte do meu tempo quando estou em casa, por isso fiz questão de escolher absolutamente cada detalhe.
Sentei na minha cadeira e decidi ligar o computador para abrir o meu e-mail. Só havia uma mensagem, era da minha secretária com a minha agenda para hoje, por sorte a única coisa que eu tenho para hoje é uma entrevista com o meu possível futuro acessor de imprensa e como não tenho seção no congresso, significa que tenho o restante do dia de “folga”, por assim dizer.
Alguns minutos depois, me peguei abrindo o arquivo que eu tenho cheio de fotos minhas e de Caroline, algo que eu tenho guardado com o maior segredo nesses últimos cinco anos. Passei então a passar por aqueles registros secretos do nosso tempo juntos, que foi curto, mas bastante significativo.
— Care... – passei o dedo pelo “rosto” da minha ex-namorada – O que será que você está fazendo agora.
Estava tão distraído que nem percebi quando amanheceu e também que eu estava sendo espionado.
— Oi, papai! – e lá estava ela, minha princesinha, a pessoa mais importante da minha vida na atualidade; estava parada no meio do tapete que eu tinha bem no centro do escritório e mantinha as duas mãos na cintura – O que você está fazendo aqui? Está trabalhando?
— Ora, mas que visita ilustre eu estou recebendo aqui – brinquei – Não, Lyn, eu não estou trabalhando.
— Ah... – continuou – A Davina está preparando o meu café da manhã, você vem tomar café comigo?
— Para falar a verdade eu não estou com muita fome agora – avisei.
— Mas a minha professora disse que o café da manhã é a refeição mais importante do dia – ela pareceu chocada com o meu comentário – E que a gente não pode deixar de tomar café da manhã.
— Certo, você tem razão, eu vou tomar café da manhã então – me levantei apenas para pegar Lyn no colo e voltei a me sentar juntamente com ela – O papai sobre precisa desligar o computador antes, está bem.
— Tudo bem! – concordou antes de colocar os braços do meu pescoço para poder me abraçar – Eu te amo, papai!
Aquela certamente é a frase mais doce que eu poderia ouvir. Quando Elena engravidou, fiquei com medo de que pudesse ser cedo demais, principalmente por tudo que tinha acontecido, mas apesar de ter passado os meses de gestação me acostumando com a ideia de que seria pai, nunca imaginei que poderia me apaixonar pela minha filha no exato momento em que vi o seu rostinho e isso foi aumentando conforme o tempo foi passando e hoje, mais de quatro anos depois, sou o homem mais feliz do mundo, tudo graças a Evelyn. Faço qualquer coisa pela felicidade dessa garotinha, qualquer coisa mesmo.
— Eu também te amo, Lyn – respondi, por fim – Eu te amo muito.
— Essa é a amiga da mamãe, lá do hotel – ela disse antes que eu pudesse fechar o arquivo com uma foto minha e de Caroline quando fomos passar o final de semana na casa de praia da minha família.
— O que você disse, Evelyn? – a questionei imediatamente; como assim ela conhecia a Care? E como?
— Ontem eu não tive aula na escola e eu fui com a mamãe no hotel onde vai ser a festa do vovô e da vovó Gilbert – explicou – Então ela estava conversando com uma moça que disse que era uma amiga antiga da mamãe e que a conhecia desde que eram crianças.
— E você tem certeza de que era essa moça aqui da foto? – virei a tela do computador para que ela pudesse ver melhor.
— Sim, eu tenho certeza – afirmou com a cabeça – E bem que ela disse que ela disse que era sua amiga também.
— Ela disse isso mesmo? – então Caroline conheceu a Lyn... Qual será que foi a reação dela ao saber que eu e Elena tivemos uma filha? Será que ela já superou a perda da nossa Emma?
— Sim – voltou a garantir – E vocês parecem felizes nessa foto, então vocês devem ser mesmo amigos.
— Com certeza nós somos amigos – encostei o queixo no topo da cabeça da minha filha, permitindo que eu sentisse o cheiro do seu perfume shampoo de baunilha.
Simplesmente não consigo acreditar que Caroline está de volta a Washington e, o pior, Elena já sabia e não me contou. Pelo jeito ela tem várias coisas para me explicar.
***
Quando eu e Evelyn chegamos à sala de jantar, a babá dela estava colocando o prato com leite e cereais em cima da mesa. Eu coloquei a minha filha no chão para que corresse até ela.
— Prontinho, Lyn, aqui está o seu café da manhã – Davina disse enquanto a ajudava a se sentar na cadeira – O senhor vai querer alguma coisa, senhor Salvatore.
— Não precisa se preocupar com isso, Davina – garanti – Só queria fazer uma pergunta: onde está a Elena?
— A senhora Salvatore veio aqui e tomou uma xícara de café e depois disse que precisava fazer um telefonema – explicou – Acho que deveria ser alguma coisa em relação ao aniversário de casamento do senhor e da senhora Gilbert, porque ela disse que era algo urgente.
— Certo... – aquilo não era exatamente uma surpresa, Elena está mesmo se dedicando a essa festa e agora está faltando muito pouco.
— Bom, eu vou até lá em cima ver se o material escolar da Lyn está pronto – Davina avisou antes de se afastar e sair do cômodo.
Eu realmente não estava com nem um pouco de fome essa manhã, mas como tinha prometido para Lyn que iria tentar comer alguma coisa, era isso que eu iria fazer. Então eu peguei um pouco de café e uma torrada antes de me sentar ao lado da minha filha.
— Não sei por que eu preciso ir para a escola... — Evelyn começou a reclamar em seguida – Queria poder ficar em casa brincando e indo para o parquinho.
— Você precisa ir para a escola, Lyn, é bom para você – avisei – Existem muitas crianças por ai que não tem essa mesma oportunidade e você deveria agradecer.
— Quando você tinha a minha idade também tinha que ir para a escola? – quis saber.
— É claro que sim – afirmei – Mas, sendo totalmente sincero, tinha dias que eu também não queria ir para a escola.
— Sério? – pareceu bem surpresa com a minha revelação.
— E o meu pai ficava muito irritado comigo, o que me deixava com menos vontade ainda; o único que conseguia me convencer era o seu tio Damon – continuei – Ele segurava a minha mão e dizia: “Stef, hoje eu vou te levar a escola”, então me deixava dentro da sala de aula.
— Eu gosto do tio Damon – sorriu – Você podia me levar para a escola hoje, papai; e me deixar dentro da sala como o tio Damon fazia com você.
Essa era mesmo uma excelente ideia. Apesar de me esforçar ao máximo, nunca passo tempo o suficiente com a minha filha e com certeza sinto falta disso.
— Quer saber de uma coisa: estou com a minha manhã bem folgada hoje e tenho tempo de te levar para a escola – avisei – Mas você tem que ir mesmo para aula, não é para arranjar desculpas para não ir. Combinado?
— Combinado – afirmou – Isso vai ser muito legal, papai!
— Vai ser mesmo – concordei – E agora a senhorita vai terminar o seu café da manhã para não chegar atrasada ao colégio.
— Certo – pegou a colher e começou e comer o seu cereal apressadamente.
Também comecei a comer calmamente. Não demorou muito para Elena se juntar a nós.
— Bom dia, meu amor – ela se aproximou e me deu um selinho – Fiquei esperando que você voltasse para o quarto, mas não aconteceu.
— Eu disse que estava sem sono, Elena — lembrei – Decidi ficar no meu escritório, até que a Lyn veio me chamar.
Ela passou a mão no cabelinho castanho da nossa filha antes de se sentar.
— Espero que tenha resolvido o problema em relação a festa dos seus pais – comentei – Seja já lá o que era.
— Estava tentando falar com a floricultura – revirou os olhos enquanto comentava – Eles tiveram problema com o pedido e agora eu preciso ir até lá para ter certeza de que eles irão entregar tudo no hotel no dia da festa, ou ficaremos sem flores.
— Ainda não entendi por que você pediu todas aquelas flores – disse – Achei muito pouco exagerado.
— É uma festa de aniversário de casamento, precisamos de flores – observou — Principalmente no enfeite das mesas.
— Bom, você está organizando a festa, então não vou discutir – apenas dei de ombros.
— Eu já terminei de comer, papai – Lyn disse em seguida.
— Então vai lá em cima escovar os dentes e trocar de roupa, pede ajuda para a Davina – avisei – Ai você fica me esperando que eu também preciso me arrumar.
— Está bem, papai – respondeu antes de dar um pulo e se levantar da cadeira.
— Você vai levar a Evelyn para o colégio hoje? – Elena quis saber depois que ela já tinha saído da sala de jantar.
— Ela me pediu com um jeitinho que eu não tive como dizer não – respondi – Então sim, eu vou levar a Lyn para a escola.
— Não entendo o porquê disso – continuou – E para isso que pagamos a Davina, para cuidar dela e levá-la a escola.
— Lyn não terá quatro anos para sempre, Elena, quando a gente for ver ela não será mais uma criança – lembrei – Quero passar todos os momentos que eu puder com a minha filha.
— Pois eu passei bastante tempo com ela ontem quando a levei ao hotel comigo – disse – Ainda não entendo porque eles precisam de uma reunião de professores, afinal, é uma turma de pré-escola.
— Só que existem outras turmas na escola dela – retruquei – E por falar em hotel, a Lyn me disse que conheceu uma amiga sua ontem, a Caroline. Você pode imaginar a surpresa quando fiquei sabendo disso?
— Ah... – ela não pareceu surpresa por descobrir que eu sabia – Eu ia te contar, acredite em mim.
— Então por que não contou? – meu tom de voz estava um pouco mais alto que o de costume – Há quanto tempo você sabe que ela está aqui em Washington?
— Fiquei sabendo ontem – respondeu – O hotel foi comprado um grupo lá de Londres e parece que mandaram a Caroline para tomar conta de tudo; não sei de todos os detalhes. Só sei que ela está aqui há três semanas e não contou para ninguém.
— Três semanas... – não era exatamente uma surpresa, era obvio que Caroline não iria deixar que soubéssemos que estava de volta depois de tudo que aconteceu, mesmo assim é difícil ouvir isso.
— Ela ainda está chateada conosco – continuou – Portanto, se você ainda tem esperanças de ficar com ela, pode ir desistindo.
Posso não ser a pessoa mais transparente do mundo, mas tenho que admitir que Elena realmente me conhece muito bem.
— E o que faz você questionar que eu tenho esperanças de ficar com ela? – decidi questioná-la – Você sabe que a minha história com a Caroline terminou no momento em que ela preferiu ir para Londres em vez de ficar aqui comigo.
— Bom, foi você quem ficou todo nervoso ao saber que ela estava aqui há duas semanas sem você saber – disse – Qualquer pessoa pensaria que você ainda tem esperanças de que podem sim ficar juntos.
— Caroline foi muito importante para mim, mesmo acabando da maneira que acabou – não sei exatamente porque, mas nesse momento eu estava gritando – Você querendo ou não, eu quero ou não, ela ainda faz parte da minha vida e sempre fará. E é apenas por isso que eu me preocupo com o bem estar dela.
— Ótimo... – seu tom era ríspido — Olha, Stefan, eu sinceramente não sei o que foi que aconteceu e porque você desistiu da Caroline para ficar comigo – avisou – Mas é bom você se lembrar que eu ainda sou sua esposa.
— Acredite, eu sei muito bem disso – garanti.
— Então coloca mais uma vez coisa na sua cabeça: ela não quer saber você! – essa última frase ela disse gritando – E é bom você desistir antes que quebre a cara.
— Isso sou eu quem decide – completei – Não cabe a você, Elena...
Vocês dois estão brigando? – estávamos tão entretidos na nossa conversa que não percebi que Lyn tinha voltado, agora usando o uniforme da escola e, além disso, Davina estava com ela – Não gosto quando vocês dois brigam.
— Não estávamos brigando, Evelyn – Elena avisou – E isso é um assunto de adultos.
— Tudo bem... – deu um suspiro triste por causa da aparente “bronca”.
— Sua mãe está certa, é um assunto de adultos com o qual você não precisa se preocupar – tentei falar de uma maneira mais delicada que a minha esposa – E agora você espera o papai aqui para eu poder te levar ao colégio, tudo bem?
— Está bem – apesar de ainda perecer um pouco confusa, mesmo assim ela concordou.
— Davina, por favor, avise ao motorista da Lyn que vocês não precisaram dos serviços dele por agora – disse para a babá da minha filha – Você pode buscá-la hoje no horário de sempre, mas sou eu quem vou levar a Evelyn para a escola.
— Está bem, senhor Salvatore – falou.
— E Lena, nós conversamos mais tarde quando eu chegar em casa – voltei a me virar na direção da Elena – E espero que ambos estejamos um pouco mais calmos.
— Também espero isso... – afirmou.
Aquela era a primeira vez que discutíamos especificamente por causa da Caroline, afinal, faz cinco anos que evitamos tocar no nome dela aqui em casa. Mas eu e Elena já tivemos outras brigas e sei perfeitamente como lhe dar com elas.
***
Um pouco mais de dez minutos depois eu já estava arrumado e pronto para mais de um dia de trabalho. Eu e Lyn saímos do apartamento e no momento em que entramos no elevador, ela se encostou em uma das paredes e ficou encarando os próprios pés em silêncio.
— O houve, princesinha? – perguntei.
— Não é nada, papai... – deu de ombros e soltou um pequeno e longo suspiro – Só estava pensativa.
— Pensativa – foi impossível não sorrir com o comentário dela – E posso saber no que a senhorita estava pensando.
— Não é nada demais – garantiu, mas eu tinha certeza de que ela estava chateada com alguma coisa.
— É por causa do que você ouviu eu e a sua mãe conversando agora pouco? – quis saber – Eu já disse que não é nada com o que você precisa se preocupar, minha filha, adultos discutem as vezes, mas eu e a sua mãe vamos ficar bem.
— Não é isso – balançou a cabeça negativamente – É que as vezes eu acho que a mamãe não gosta muito de mim.
Ouvir a minha filha dizendo essas coisas me cortou o coração. Talvez a Elena não faça isso por querer, mas queria muito que ela conseguisse tratar a Lyn melhor.
— O que faz você pensar uma coisa dessas, minha filha? – eu me ajoelhei ficando na altura dela.
— Não é nada... – insistiu – Eu só acho isso.
— Olha, Lyn, eu sei que a sua mãe não costuma demonstrar muito carinho, mas ela te ama – garanti – Ela te ama desde o dia em que você nasceu, na verdade, até antes disso.
Apesar de ter sido totalmente desesperado e de a principio nenhum de nós dois saber exatamente como iríamos cuidar de um bebê, tenho que certeza de que Elena curtiu cada momento da sua gravidez; ela fez questão de escolher cada detalhe da decoração do quarto da Evelyn e toda vez que ia na rua voltava cheia de sacolas de lojas de bebês alegando que passou pelo local e não conseguiu resistir ao impulso de comprar. Além disso, quando nossa filha nasce, ela se tornou uma mãe super dedicada, mas com o tempo e até mesmo uma influência da minha sogra, decidiu contratar a nossa primeira babá e passou a deixá-la de lado; foi mais ou menos nessa mesma época que nosso relacionamento começou a cair na rotina e também quando as brigas começaram.
— Você tem certeza disso, papai? – seus olhinho verdes estavam cheios de esperança.
— Claro que eu tenho, Lyn – voltei a afirmar – Eu e a sua mãe amamos você desde o momento em que soubemos que você estava a caminho.
Apesar da possibilidade ter passado pela minha cabeça, principalmente quando soube que teríamos uma menina, em maneira alguma pensei na Evelyn como uma espécie de substituta para a Emma. Mas eu amo a minha filha da mesma maneira que eu teria amado a irmã dela, disso eu tenho certeza.
— A mãe está sempre tão ocupada – voltou a observar – Quando eu peço para ela ver alguma coisa comigo ela diz que está ocupada e que é para eu chamar a Davina.
— Sua mãe é assim mesmo, demonstra carinho da maneira dela – coloquei uma mexa do seu cabelo para trás da orelha – É mais ou menos como o sol, mesmo nos dias que ele não aparece, a gente sabe que ele está ali.
— Acho que eu entendi... – sorriu com a minha explicação.
Nós chegamos ao térreo, então eu me levantei e segurei a mão da minha filha para podermos sair do elevador.
Meu motorista já estava esperando por mim na frente do prédio, como de costume. Assim que ele me viu já foi abrindo a porta que dava acesso ao banco de trás do carro.
— Bom dia, senhor Salvatore! Bom dia, senhorita Evelyn – eles nos cumprimentou.
— Bom dia, Jordan... – eu retribui o seu cumprimento – Como já deve imaginar, vamos levar a Evelyn a escola antes de irmos para o escritório.
— Está bem, senhor Salvatore – concordou com a cabeça – Vamos até lá.
Deu a volta para poder se sentar no banco do motorista para podermos sair pelas tumultuadas ruas de Washington.
***
Quando chego no meu escritório a minha secretária já está em sua mesa. Ela não me vê assim que eu entro no local, pois está distraída falando ao telefone.
— Acho que camarão pode ser mesmo uma boa ideia – concordou com, seja lá quem estivesse do outro lado da linha — Mas você sabe preparar? Porque não conte comigo.
Ela começou a ouvir o que a pessoa do outro lado da linha. Foi então que ela levantou os olhos e percebeu a minha presença.
— Mary, eu preciso desligar! – avisou imediatamente – O meu chefe acabou de chegar, a gente se fala quando eu chegar em casa – completou antes de desligar e colocar o aparelho no gancho – Bom dia, senhor Salvatore!
— Bom dia, Nora... – a cumprimentei – Eu acabei ouvindo a sua conversa. Vai ter um jantar especial na sua casa?
— Meus pais chegam a Washington amanhã e vamos dar um jantar para ele no sábado — explicou – A Mary está querendo agradá-los e quer fazer um banquete maravilhoso. Embora eu tenha dito que não precisa exagerar muito, mas ela consegue ser muito teimosa quando quer.
Nora é minha secretária desde que fui eleito para o congresso há quase quatro anos e até pouco tempo não conhecia nada da vida pessoal dela, isso até seis meses quando a vi com outra mulher e foi assim que eu descobri que aquela era Mary Louise, sua namorada. As duas estavam juntas há pouco tempo, mas agora até mesmo estão divertindo um apartamento e parecem mesmo felizes.
— Dê um desconto para ela, Nora, conhecer os sogros nunca é fácil – observei – Mas tenho certeza de que dará tudo certo.
— Assim eu espero – confessou.
— Mas isso é algo que você pode resolver quando chegar em casa, agora vamos trabalhar – avisei – Alguma ligação para mim?
— Apenas uma, do senhor Saltzman – respondeu – Ele disse que deve chegar aqui em, no máximo, uma hora.
— Perfeito, assim que ele chegar pode mandá-lo diretamente a minha sala – avisei – Só mais uma coisa, quero que você procure para mim o número do hotel Washington Place.
— Washington Place— sabia que ela queria perguntar o porquê de eu pedir o número desse hotel, mas ela preferiu ficar quieta – Farei isso imediatamente.
— Perfeito... – dei um pequeno sorriso – Agora eu vou para a minha sala, se tiver alguma ligação importante pode transferir para mim imediatamente e se eu precisar de alguma coisa eu te chamo.
— Está bem, senhor Salvatore – completou.
Sei que Elena deixou bem claro que Caroline não parecia interessada em querer me ver ou saber qualquer coisa ao meu respeito, mas eu ainda preciso vê-la. Quero que ela diga tudo isso olhando nos meus olhos, só assim vou acreditar...
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