Second Chance

15 Capítulo 14 – Vamos fazer dar certo


Notas iniciais
Oi gente, Eu sei que hoje não é quarta, mas seguindo ao bom exemplo da Glaucia em LC, decidi postar um capítulo bônus. Não vou demorar muito aqui, espero que gostem do cap E nos vemos lá embaixo nas notas finais

Stefan

Apesar do transito eu consegui chegar ao restaurante apenas cinco minutos após o horário combinado. No momento em que o táxi parou, eu dei uma rápida olhada no meu celular, mas não tinha nenhuma ligação ou mensagem ou ligação para mim.

– Aqui estamos, senhor – o motorista disse – Deu um total de 25 dólares.

– Está bem... – peguei a minha carteira no bolso interno do paletó e retirei três notas de dez lá de dentro – Pode ficar com o troco.

– Saí de dentro do carro e caminhei na direção da entrada do restaurante.

– Boa tarde... – cumprimentei a recepcionistas assim que entrei no local – Meu pai, Giuseppe Salvatore resolveu uma mesa para três, sabe se ele já chegou?

– Deixe-me ver aqui... – começou procurar no computador – O senhor Giuseppe Salvatore ainda não chegou, mas o senhor Damon Salvatore já está aqui. Um dos nossos garçons vai levá-lo até a mesa.

– Perfeito! – completei – Muito obrigado.

Um dos garçons me pediu para acompanhá-lo. Meu irmão estava sentado em uma mesa ao fundo do salão e assim que me vê Damon se levando.

– Irmãozinho... – me abraça e me dá um tapa de leve nas costas – Que bom que você chegou! Estava começando a achar que você e o papai tinham decidido marcar em outro restaurante e se esqueceram de me avisar.

– Eu peguei um engarrafamento gigantesco do trabalho até aqui – expliquei – Provavelmente o papai ainda está preso no transito.

– Os senhores já querem fazer os pedidos? – o garçom continuava parado há apenas poucos passos de nós.

– Ainda estamos aguardando uma pessoa e vamos esperá-la para poder fazer os pedidos – respondi – Certo, Damon? – ele apenas balançou a cabeça afirmativamente.

– E o senhor vai querer beber alguma coisa? – voltou a perguntar.

– O que você está bebendo, Damon? – dei uma olhada na mesa onde encontrei um copo de Whisky com bastante gelo – Vou querer a mesma coisa que ele.

– Está bem, senhor – acenou com a cabeça – Já trago a sua bebida.

– Ele é um gato... – Damon comentou sem retirar os olhos do homem, que agora estava longe o suficiente para não ouvir a nossa conversa – Será que ele vai me achar muito abusado se eu colocar o meu telefone e entregar para ele?

– Isso é sério, cara...? – revirei os olhos – Quantos anos você tem? Quinze?

– Eu já estou solteiro a meses – deu de ombros – Já me conformei que vou ao seu jantar de noivado sozinho, mas eu decidi que preciso de um namorado antes do seu casamento.

Desde que meu irmão se assumiu gay, há oito anos, ele deve ter tido uns quatro namoros sérios e nenhum deles acabou muito bem. E tenho certeza de que essa pressa dele em querer arranjar alguém não é exatamente uma boa ideia.

– E eu estou falando sério, Stef – continuou – Se eu ainda estiver solteiro até o dia do seu casamento eu não irei a cerimônia.

– Não estou falando nada – levantei as duas mãos em sinal de rendição – Mas eu preferia que você estiver sim no meu casamento, já que será um dos meus padrinhos.

– Então me ajude a encontrar alguém – sugeriu – Quem sabe não seja o nosso amigo garçom. Talvez ainda dê tempo até dê tempo dele ser a minha companhia hoje a noite.

– Damon, eu preferia que você não comentasse sobre a sua vida amorosa comigo – pedi, já tenho problemas o suficiente nesse departamento.

– Então você quer conversa sobre o que? – quis saber – Já sei! Por que não falamos sobre o fato de que você obviamente não quer se casar com a filha do senador Gilbert?

– Isso é sério...? – revirei os olhos.

– Só estou sendo sincero – deu de ombros – Stef, você vai ficar noivo hoje a noite e é mais do que visível a sua desanimação com isso. Por que você insisti nisso então?

– Você sabe muito bem porque eu estou insistindo – lembrei – Sem o casamento com a Elena, sem o apoio do senador Gilbert e as minhas chances de ser eleito são zero.

– E quanto a Caroline? – ouvir o nome dela ainda me causava um aperto no coração – Você realmente desistiu dela por tudo isso?

– Foi ela quem desistiu de mim primeiro – havia uma evidente mágoa no meu tom de voz – Eu amo a Caroline e teria ficado com ela mesmo sendo obrigado a casar com a Elena, mas foi ela quem escolheu outro caminho, foi ela quem preferiu ir embora para Londres.

– Você queria que ela fosse sua amante – me corrigiu – E sinceramente, eu não a culpo por fazer isso.

Damon tinha sido a pessoa com quem fui desabafar logo após a minha fatídica última conversa com a Caroline no parque. Não cheguei a contar todos os detalhes, mas meu irmão não pensou duas vezes antes de me culpar por tudo que aconteceu.

– Ótimo, agora eu sou o vilão da história – revirei os olhos – Eu sou o seu irmão caçula, Damon. Você, mais do que qualquer outra pessoa, deveria ficar do meu lado.

– Não é questão de ficar do lado de ninguém, Stef – prosseguiu – Convivi com a Caroline por apenas um fim de semana, mas ficou mais do que claro que ela te amava ou nunca teria aceitado todas aquelas condições que você impôs.

– Nem todas como deu para ver – faço uma careta – Ela sabia que esse era o meu grande sonho e mesmo assim... Pensei que fossemos mais fortes do que isso.

– Saber é diferente de aceitar – continuou – Caroline tem apenas 21 anos, acabou de se formar, tem uma bela carreira e uma vida inteira pela frente. Você queria mesmo que ela ficasse presa aqui em Washington sendo sua amante e te vendo brincando de casinha com a melhor amiga dela?

Foi nesse momento que o garçom apareceu trazendo a minha bebida e eu imediatamente tomei um gole do whisky deixando que o líquido descesse queimando pela minha garganta. Damon não estava exatamente pegando leve comigo e tenho certeza de que não vai ficar melhor.

– Mas não é só isso, certo? – concluiu – Existe um outro motivo para a Caroline ir embora; um motivo que você não está querendo me contar...

– Tudo bem, eu vou e contar – respondi, não tinha mais porque esconder isso dele – A Caroline estava grávida.

– Estava? – ergueu as sobrancelhas enquanto me encarava – Por favor, Stefan, não me diga que você...?

– Claro que não! – eu o interrompi antes que terminasse a frase; deixando bem claro que jamais faria uma coisa dessas. Eu amei a Emma no exato instante em que soube que ela estava a caminho e mesmo quando a Caroline sugeriu que poderia abortar se fosse preciso eu tratei de fazê-la mudar de ideia rapidamente.

– Então...? – me incentivou a continuar – O que foi que aconteceu?

Contei tudo o que tinha acontecido: Care me chamando para contar que estava grávida, minha promessa que ficaria tudo bem para nós três, os dois meses de animação e expectativa, a descoberta de que teríamos uma garotinha, minha revelação a respeito do casamento com a Elena, nossa briga, a notícia de que ela tinha perdido o bebê e por fim, a decisão de Caroline de ir embora para Londres.

– E eu perdi as duas, Caroline e a nossa filha, eu as perdi e não pude fazer nada quanto a isso – completei – A Care foi a mulher que eu mais amei nessa vida, mais até mesmo que a nossa mãe e agora eu a perdi.

– Não acredito que eu quase fui tio – comentou – Sinto muito, cara, imagino que não deve ter sido fácil para você; aliás, para nenhum de vocês dois.

– Em momento algum eu disse que não deve ter sido fácil para ela – decidi me explicar melhor – Mas esse deveria ser o momento para o casal se unir mais do que nunca, em vez disso ela decidiu se afastar de mim.

– Você fala em apoio mutuo, mas em momento algum pensou em desistir desse relacionamento falso com a Elena para ficar com ela – e as críticas continuaram – Não fez isso quando soube do bebê nem quando a Caroline a perdeu.

– Damon, as coisas não são tão simples assim – insisti – Por mais que essa seja a minha vontade, por mais que ficar com a Caroline mais do que qualquer coisa nessa vida, eu simplesmente não posso fazer isso.

– Se eu fosse hetero e tivesse alguém como a Caroline na minha vida, eu já teria largado tudo para ficar com ela, sem nem mesmo pensar duas vezes – avisou – Você nunca vai encontrar outra garota como ela, pode ter certeza disso.

– Agora não importa mais – dei de ombros – Ela foi embora, preferiu ir para Londres em vez de ficar aqui comigo.

– Não querendo ser chato, mas foi você quem fez isso primeiro – por mais dura que seja, isso era mesmo verdade – Mas você ainda pode se redimir quanto a isso.

– E como é que eu posso fazer isso? – quis saber.

– Não se case com a Elena – respondeu – Ela pode não estar aqui agora, mas o estágio em Londres não vai durar para sempre. Desista desse casamento que claramente não está fazendo bem para você, manda um e-mail para ela, ou melhor, vai até a Inglaterra contar a novidade para ela, vocês dois ainda tem uma chance, basta que você aproveite.

Parecia mesmo muito simples. Já estava me imaginando pegando o primeiro avião para Londres, com certeza não seria difícil encontrar o hotel em que ela está trabalhando, eu contaria que desfiz qualquer tipo de compromisso que tinha com a Elena e que poderíamos ficar juntos, seriam mais alguns meses de espera, mas com certeza valeria a pena.

– Damon... – comecei, mas não sabia que exatamente o que falar.

Por sorte não precisei continuar com aquele questionamento, pois naquele momento meu pai tinha acabado de chegar.

– Desculpem-me a demora, meninos – ele já foi falando enquanto se sentava – Precisei resolver um problema do trabalho antes de sair do hotel e ainda teve o transito para piorar tudo.

– Não tem problema, pai – garanti – Eu e Damon não estamos esperando há tanto tempo assim.

– Exatamente, pai – o tom de voz do meu irmão era totalmente amargo – Chegou na hora certa.

Sei que Damon tinha a melhor das intenções, mas eu sinceramente não podia aquilo que ele estava me propondo.

***

O senhor Gilbert tinha me dado restante do dia de folga, então logo depois do almoço eu segui de volta para casa. Assim que eu entrei dei de cara com Elena jogada no sofá com o notebook no colo.

– Oi, Stefan... – ele se ajeitou, parecendo ligeiramente sem graça com o meu “flagra” – Não imaginava que você fosse chegar tão cedo.

– Para falar a verdade eu também não achava – respondi – Pensei que o almoço com o meu pai e com o meu irmão fosse demorar mais, mas os dois estavam com um pouco de pressa, então aqui estou.

– Espero que pelo menos você tenha se divertido no almoço – falou – Eu estou doida para conhecê-los. Tanto o seu pai quanto o seu irmão.

– Você vai conhecê-los hoje a noite – lembrei. Meu pai eu tenho certeza de que irá adorar a futura nora, já o Damon, não tenho tanta certeza assim... ele estava tão engajado na campanha a favor da Caroline hoje no almoço...

Ela apenas deu um sorriso fraco e colocou uma mexa do cabelo para trás da orelha antes de voltar a focar o olhar na tela do computador.

– E falando e irmãos, a minha mãe foi até o aeroporto buscar o Jeremy – continuou – Quando ela voltar vamos sair juntas, vamos ao salão; preciso ir o meu cabelo fazer as unhas, essas coisas mulher.

– Estava achando estranho que você não tivesse feito isso ainda, levando em consideração que todas as atenções estarão voltadas para você hoje a noite – observei – Desse jeito eu vou achar que você não quer se casar comigo.

Aquele comentário foi justamente para descontrair, mas pelo jeito Elena levou um pouco a sério demais...

– Desculpa, Lena – apressei-me em dizer – Não quis dizer isso, eu...

– Está tudo bem, Stefan – garantiu – Sendo sincera, estou tentando não lamentar mais pelo casamento.

– Sei o que você quer dizer – eu me sentei em uma das poltronas um pouco distante dela – E você tem tido notícias da Caroline?

– Estava lendo um e-mail que ela me mandou ontem – respondeu – Ela não poderia estar sendo mais genéricas nas suas mensagens: “Oi, Lena! Londres é linda. Saudades de você e espero te ver em breve. Beijos, Care”.

– Então ela ainda não conheceu ninguém? – me deu um aperto no coração só de pensá-la nos braços de outro cara.

– Ela só está lá há duas semanas, é cedo demais para conhecer alguém – ela me tranqüilizou – Mas lamento dizer que quando ela conhecer alguém dificilmente vai me dizer algo.

Isso não era exatamente uma novidade, sabendo que Elena vai se casar comigo, Caroline nunca mais vai querer comentar sobre a vida amorosa com a amiga por medo de que eu ficasse sabendo.

– Eu realmente sinto muito, Lena – voltei a lamentar – Meu relacionamento com a Caroline acabou, mas a amizade de vocês de anos também e isso com certeza é milhares de vezes pior.

– Care e eu continuamos a nos falar mesmo com ela em Londres e apesar de tudo – respondeu – Quanto a isso você não precisa se preocupar.

– Já que é assim – continuei – Gostaria de falar uma coisa com você, se não se importa.

– Claro... – indicou o lugar ao seu lado para que eu pudesse me sentar – Sobre o que você quer falar?

– Sobre o nosso casamento – passei a mão rapidamente pelo cabelo – Sei que você não quer se casar comigo tanto quanto eu não quero me casar com você, mas nós dois aprendemos a lidar com isso da melhor maneira que podemos. E é por isso que eu tenho uma proposta para te fazer.

– Uma proposta? – ela fechou o notebook e colocou o computador em cima da mesa de centro, agora totalmente concentrada no que eu falava.

– O casamento vai acontecer em seis meses; eu sei disso, você sabe disso, não temos nada que fazer quanto isso – prossegui – A Care me alertou e apesar de ter tentando negar, ela está certa: o próximo passo é que o seu pai queira que a gente tenha um filho, um herdeiro...

– Você acha mesmo que ele vai querer isso? – pareceu apavorada com a ideia – Não me leve a mal, Stef, mas eu ainda estou na faculdade, não quero ter filhos tão cedo, ainda mais nessa situação em que a gente se encontra.

– Eu sei, Lena – coloquei a mão sob a dela – Acredite, depois de tudo que aconteceu com a Emma, também não tenho planos de querer ser pai tão cedo.

– Mas...? – incentivou para que eu continuasse.

– Vamos levar esse casamento da melhor maneira possível – sugeri — Estamos meio que presos um ao outro, então faremos isso dar certo; viveremos como marido e mulher e quando chegar o momento certo teremos o nosso bebê.

Elena estava encarando um ponto fixo do chão da sala.

– Se você não concordar, tudo bem, eu vou entender – avisei – Só achei que essa poderia ter a melhor situação para nós dois.

– Você está certo, Stefan – concordou, por fim – Eu aceito essa sua proposta, vamos deixar rolar e ver o que acontece.

– Prometo que você não vai se arrepender – minha mão ainda estava sob e dela, então eu aproveitei para entrelaçar os nossos dedos – Vou ser o melhor marido que você poderia pensar em ter.

– Bom, nunca fui casada, então não tenho com o que comparar – deu de ombros – Mas eu também prometo ser a melhor esposa que você poderia ter.

Nós dois sorrimos e acho que essa foi a primeira vez que eu realmente enxerguei a mulher que estava bem na minha frente. Elena estava com os cabelos presos por um prendedor, nenhuma maquiagem no rosto e vestia uma blusa de alça e um short, totalmente despojada; não sou cego, sempre a achei bonita, mas hoje ela estava totalmente deslumbrante.

– Está tudo bem, Stef? – Lena perguntou de repente, foi só então que eu reparei que estava encarando ela como se fosse um completo idiota.

– Sim, está sim – balancei a cabeça tentando afastar qualquer pensamento que estivesse passando pela minha mente.

Talvez seja o fato de eu estar sozinho há quase dois meses ou apenas toda tensão do jantar de noite, mas eu senti uma vontade enorme de beijá-la nesse momento. Beijá-la e não soltá-la nunca.

– E se eu te disse que eu quero te beijar? – estava encarando a sua boca nesse momento – O que você ia pensar?

– Ia pensar do porquê de você ainda não ter feito isso – foi totalmente direta na sua resposta.

A mão que não estava segurando a dela foi diretamente para debaixo do seu cabelo. Fechei os olhos e fui me aproximando até que comecei a sentir a sua respiração quente contra o meu rosto, nossos lábios estavam quase se tocando...

– Chegamos! – a voz da mãe de Elena fez com que nos afastássemos – Está tudo bem?

– É claro que não está tudo bem, mãe – um garoto que eu imaginei ser o Jeremy, comentou – Está obvio que interrompemos alguma coisa...

– Mas é claro que não, Jer... – revirou os olhos – Vocês não estão atrapalhando nada; não é mesmo, Stefan?

– Exatamente – afirmei – Bom, Elena! Sei que você tem várias coisas para fazer hoje, então eu vou lá para cima olhar os meus e-mails, nos vemos mais tarde.

Então eu subi apressadamente as escadas e com a intenção de não sair do meu quarto pelo restante da tarde.

***

Apesar de que o anuncio oficial da minha candidatura ao congresso só vai acontecer apenas na semana que vem (para não diminuir o brilho do noivado, segundo o meu futuro sogro), todos os parceiros políticos estavam presentes ao jantar. Mas apesar disso o centro das atenções, é claro, foi a Elena; usando um vestido branco discreto porém bonito, acabei sendo pego a admirando mais uma vez enquanto descia as escadas para receber os convidados.

Fiz um belo e inspirador discurso durante o pedido formal e quando Lena disse o tão esperado sim dei a ela o antigo anel de noivado da sua mãe, já que o da minha continua com a Caroline (e eu não fiz a menor questão de pedi-lo, continuo a acreditar que algo que foi tão importante na história de amor dos meus pais está sim com a pessoa certa). Depois de um selinho para firmarmos o compromisso e de uma salva de aplausos fomos circular entre os convidados antes que a refeição fosse servida.

***

Após o jantar e da sobremesa fui puxado pelo senhor Gilbert para uma conversa com alguns dos seus colaboradores e que aparentemente iriam financiar a minha campanha. Apesar de política ser um dos meus assuntos favoritos em uma conversa, não estava com a menor vontade de falar sobre isso hoje.

– Bom, Stefan, isso é tudo – o próprio senador Gilbert falou, para o meu alívio – Hoje é o seu jantar de noivado e imagino que minha filha deva estar te procurando em todos os lugares. Por isso não iremos mais de monopolizar.

– Muito obrigado, senhor Gilbert – eu o agradeci e também me despedi dos outros homens antes de me afastar.

Não demorou muito para eu encontrar Elena rodeada de várias amigas da sua mãe e parecia tão entediada no meio daquela conversa quanto eu estava há alguns segundos. Quando nossos olhos se encontraram pude ver um pedido de socorro silencioso, então decidi ajudá-la.

– Com licença, senhoras... – usei o meu sorriso mais simpático enquanto me aproximava – Será que eu posso roubar a minha noiva apenas por alguns instantes?

– Mas é claro! – uma delas afirmou – Mas eles não formam um casal lindo?

– Sim! – todas as outras concordaram.

Eu dei apenas um sorriso sem graça e coloquei a mão nas costas de Elena e a guiei para o outro lado da sala.

– Obrigada... – sussurrou quando já estávamos longe o suficiente – Você realmente me salvou de uma boa.

– Eu imaginei – ri – Agora vem, vamos tomar um ar.

Fomos até a enorme varanda que tinha no apartamento dos Gilberts. Elena apenas se afastou de mim e foi se apoiar nas grades para poder olhar o trânsito lá embaixo.

– Será que eu posso saber o que a senhorita está pensado? – decidi perguntar depois de alguns instantes de silêncio.

–Você sabe quem foi que fez o Buffet do jantar de hoje? – virou-se para mim enquanto me questionava e eu apenas balancei – Foi da delicatessen do Steven.

– O padrasto da Elena... – completei – Uau, eu não sabia.

– Foi ideia da minha mãe e eu sabia que mesmo que tentasse falar qualquer coisa ela não iria trocar o Buffet – afirmou – O Steven não veio, caso queira saber. Ele disse que a equipe a sua equipe daria conta do recado, mas nós dois sabemos muito bem a verdade.

– Sim – afirmei.

Eu e Caroline não estamos mais juntos, então teoricamente não estou fazendo nada de errado aqui. De qualquer maneira seria estranho ter o padrasto da minha ex aqui no meu jantar de noivado, então não pude sentir um grande alívio.

– Eu estava pensando no que aconteceu hoje mais cedo – continuou – Ou melhor, do que quase aconteceu.

– Você se arrependeu? – arrisquei perguntar, levemente preocupado.

– Claro que não... – apressou-se a negar com a cabeça – Eu não tenho ninguém desde que terminei com o Enzo e é bom me sentir desejada – deu um sorriso sem graça ao fazer a revelação.

– Então qual o problema? – quis saber.

– Não consigo deixar de pensar na Care – admitiu – Você estava certo, minha amizade de quase 15 anos com a Caroline está arruinada e esses e-mails vagos dela são a maior prova disso. Não acho que ficar com o amor da vida dela não vai ajudar em nada com isso.

– Você não está ficando comigo, Lena, nós vamos nos casar – lembrei enquanto colocava uma mexa do seu cabelo para trás da orelha – E foi a Caroline quem decidiu ir embora; claro que eu ainda sofro por causa disso, mas decidi não me sentir culpado por estar seguindo em frente sem ela.

Isso foi o suficiente para Elena colocar o braço em volta do meu pescoço e colar os lábios nos meus. Coloquei as mãos na sua cintura e correspondi ao beijo na mesma intensidade, era melhor até do que eu estava imaginando mais cedo.

Não sei quanto tempo ficamos ali, estávamos tão distraídos que não percebemos que não estávamos mais sozinhos na varanda. Até um pigarro fez com que nos separássemos.

–Olá, pombinhos... – Damon estava nos encarando com um sorriso malicioso, mas que também tinha um tom de ironia – Eu estava te procurando, Stef. Sei que o jantar de noivado de vocês, mas vocês precisam interagir com os convidados, vão ter bastante tempo para ficarem sozinhos depois do casamento.

– Estávamos apenas tomando um ar, Damon – expliquei.

– Só se for tomar o ar um do outro – observou e foi impossível não revirar os olhos – Cunhadinha, será que eu posso conversar com o meu irmão por um minuto.

Ela me deu uma rápida olhada e eu apenas acenei com a cabeça.

– Claro... – ela ainda me deu um beijo no rosto antes de ir para dentro do apartamento, mas não antes de dar uma rápida olhada no meu irmão de cima a baixo.

– Talvez seja pelo fato de eu ser o fundador do “time da Caroline”, mas eu achei a Elena tão enjoadinha – fez uma careta – Você tem certeza de que quer mesmo casar com ela?

– Você vai mesmo começar com isso de novo, Damon? – reclamei, não estava com ânimo para ouvir aquele mesmo discurso que ouvi mais cedo no restaurante.

– Só estou sendo sincero... – deu de ombros, como se aquilo não fosse nada demais – Claro que eu pensei que você ainda amasse a Caroline, mas pelo que eu acabei de ver eu estava enganado.

– Estava demorando para você falar disso – reclamei – Olha, Damon, eu realmente pensei naquilo que você me falou no almoço, mas cheguei a uma conclusão: foi a Caroline quem quis ir embora, não vou desistir da minha carreira política por causa de alguém que eu nem ao menos sei se vai querer voltar comigo depois, não vale a pena!

– Você realmente acha que não vale a pena abrir mão de tudo por uma mínima chance com o amor da sua vida... – ele apenas cruzou os braços e balançou a cabeça negativamente – Então está bem, irmãozinho, a escolha é sua.

– Sim, a escolha é minha – repeti – E eu escolho ficar aqui, com a Elena e talvez construir uma família com ela um dia. Esse é o certo para mim.

– Sabe, Stefan, quando você disse que queria seguir a carreira política realmente pensei que você poderia ser diferente dos tipos que a gente vê por aí, mas eu estava enganado – continuou – Mas você é exatamente igual aos outros políticos: tudo que você faz tem que te dar algum tipo de beneficio, não importe quem você machuque no processo. Estou realmente decepcionado com você e acho que se a nossa mãe estivesse aqui, sentiria o mesmo.

Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa, Damon já tinha ido embora.

***

Não vou mentir, fiquei pensando naquelas palavras do meu irmão durante o restante da festa, mas depois cheguei a conclusão que eu estava certo em ficar ao lado de Elena e se o Damon achou isso ruim, o problema é dele. Essa é a minha vida e as minhas escolhas.

Eu já estava no meu quarto já tinha trocado de roupa e estava indo ao banheiro escovar os meus dentes antes de dormir quando ouvi duas batidas na porta. Achei estranho, mas mesmo assim fui até lá ver quem era.

– Lena? – fui surpreendido ao encontrar minha noiva na entrada no quarto; ela ainda estava usando o vestido do jantar, tinha apenas retirado o sapato de salto.

– Você já estava dormindo? – perguntou preocupada – Eu não queria te atrapalhar.

– Você não atrapalhar – dei um espaço para que ela pudesse entrar – Eu ainda não estava dormindo, pode falar, se você teve o trabalho de vir até aqui é porque é importante.

– Na verdade eu vim te pedir um favor – avisou – Esse meu vestido é bonito, mas não é prático nem para vestir nem para tirar. A minha mãe e ajudou a me arrumar, mas ela já está dormindo e o Jer iria me matar se eu pedisse a ele, então você pode abrir esses botões para mim?

Ela se virou de costas e afastou os cabelos, expondo os diversos botões na parte de trás do seu vestido. Elena tinha razão, talvez fosse mesmo complexo para vesti-lo sozinha, mas para tirá-lo não parecia tão difícil assim; era mais do que óbvio que tinha uma segunda intenção da parte dela naquele pedido.

– Claro... – respondi antes de me aproximar dela.

Notas finais
Bom, é isso A minha intenção realmente era colocar toda a noite Stelena, mas como o cap ia ficar muito grande, decidi dividí-lo em dois e a "segunda parte", por assim dizer, vai ser no ponto de vista da Elena e ainda teremos algumas explicações sobre a amizade dela com a Care. *** Sei que esse cap vai causar alguma revolta (principalmente no Face, né meninas), mas da mesma maneira que a Care seguiu em frente com o Klaus, o Stefan também seguiu em frente com a Elena e precisamos ver os dois lados desse relacionamento, né *** Bom, é isso Comente e digam o que estão achando. Sério mesmo que eu não mereço nenhuma recomendação?