Second Chance

16 Capítulo 15 – Culpa


Notas iniciais
Oi gente, quarta-feira e capítulo novinho para vocês... Como eu já tinha dito, esse capítulo será narrado no ponto de vista da Elena e no próximo voltaremos para a narração da Caroline. Bom, não vou demorar muito aqui Espero que gostem do cap. E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Elena

Foi um grande alívio quando cheguei ao meu quarto e pude finalmente tirar a sandália de salto que era linda, porém bem desconfortável para usar quando se vai ficar muito tempo em pé, como foi o caso de hoje. Assim que coloquei os pés no chão, a segunda coisa que eu fiz foi me jogar na cama e encarar o teto.

Em seguida passei a encarar a aliança de noivado brilhando na minha mão direita, passei grande parte da minha infância admirando esse anel no dedo da minha mãe, imaginando se um dia eu teria a chance de usá-lo, nem que fosse por alguns instantes, e agora ele era meu. Talvez eu não estivesse tão animada assim para o casamento, por todas as circunstâncias, mas agora eu até estou gostando da ideia; Stefan tem sido um fofo comigo nas últimas semanas, em especial hoje, Care pode até ser a minha melhor amiga, mas não posso deixar de pensar o quanto ela foi boba deixando um cara tão incrível quanto ele escapar.

Foi impossível não dar um sorriso bobo ao lembrar do Stefan e, principalmente do nosso beijo na varanda logo após o jantar. O que será que ele está fazendo agora?

– Por que ficar pensando quando eu posso ir até o quarto do Stefan ver o que ele está fazendo? – estava com um sorriso malicioso no momento em que sentei e depois me levantei da cama.

***

Dei duas batidas na porta e esperei. Não demorou muito para Stefan abrir a porta, ele já estava vestindo o pijama e parecia bem surpreso ao me ver ali.

– Lena? – disse enquanto me olhava de cima a baixo. Não tenho o poder de ler pensamentos, mas sei exatamente o que ele deve estar pensando: “O que ela está fazendo aqui?”

– Você já estava dormindo? – ele não aparentava estar com cara se sono e dali eu podia ver a sua cama, ela ainda estava arrumada – Não queria te atrapalhar.

– Você não atrapalha. – deu espaço para que eu pudesse entrar – Eu ainda não estava dormindo, pode falar. Se você teve o trabalho de vir até aqui, é porque é importante.

– Na verdade eu vim te pedir um favor – aquela era uma ideia ousada, mas poderia dar certo... – Esse meu vestido é bonito, mas não é prático nem para vestir nem para tirar. A minha mãe ajudou a me arrumar, mas ela já está dormindo e o Jer iria me matar se eu pedisse a ele, então você pode abrir esses botões para mim? – me virei de costas e coloquei os cabelos sobre os ombros para que ele tivesse acesso às minhas costas.

– Claro... – afirmou por fim, depois de pensar por alguns instantes.

Apesar disso ele ainda hesitou antes de abrir o botão, então repetiu o gesto até chegar mais ou menos na metade e parou novamente.

– Algum problema? – me virei, tentando olhar pelo menos para uma parte do seu rosto.

– Não é nada... – balançou a cabeça negativamente enquanto falava – Não é nada...

Ele continuou com sua tarefa até que todos os botões estivessem abertos. Então eu me virei na sua direção, sem deixar de segurar a parte da frente do vestido para que ele não caísse.

– Obrigada... – sorri em agradecimento – Bom, eu já vou indo, vou deixar você dormir, hoje foi um longo dia.

– Não – ele segurou o meu pulso antes que eu pudesse me mover – Por favor, Lena, fica.

Prendi a respiração quando ele começou a mexer no meu cabelo e colocou uma mexa para trás da minha orelha. Em seguida, Stefan segurou o meu queixo e puxou o meu rosto para que pudéssemos dar o nosso segundo beijo daquela noite.

Apesar do que eu esperava, não parou por ali. Stefan segurou minha mão, aquela que impedia o vestido de cair e a segurou, deixando-me apenas com a roupa íntima. Interrompi o beijo e olhei para ele assustada.

– Desculpa, Elena, eu...

– Shhhh... A porta está aberta! – sussurrei, cobrindo o corpo. Meu irmão poderia passar e acabar me encontrando nua no quarto do meu, agora, noivo. Não que fosse errado, nem nada, mas seria, definitivamente, muito estranho.

Stefan foi até a porta, fechou e trancou. Sentia meu corpo todo esquentar com a expectativa do que aconteceria em seguida. Seu olhar em mim lhe dava um aspecto predatório. Sorri, incentivando-o a se aproximar e atacar de uma vez.

– Melhor agora, querida? – perguntou com um sorriso malicioso.

– Menos arriscado, com certeza. Não iríamos gostar de ser pegos no flagra pelo meu irmão. Seria, no mínimo, constrangedor.

– Você tem razão. Agora, onde foi que paramos mesmo?

Voltamos a nos beijar. Como já estava semi-nua, pus as mãos na barra da camisa do pijama do meu noivo, com a intenção de igualar as coisas. Nos separamos por tempo o suficiente para passar a peça pela cabeça dele e retomamos o beijo.

Enquanto nos aproveitávamos um do corpo do outro com as mãos e as bocas, Stefan foi me empurrando cada vez mais para perto da cama, onde parou, me levantou do chão e em seguida me jogou sobre os lençóis. Sorrimos uns para o outro, a excitação tomando conta.

Ele sobe na cama e cobre meu corpo com o seu, voltando a me beijar. Suas mãos percorrem lentamente pela área descoberta da minha pele, deixando-me arrepiada. Separamos nossas bocas, olhando nos olhos um do outro. Stefan sorri e encaminha suas mãos às minhas costas, até o fecho do sutiã, abrindo-o em seguida.

Não sou nenhuma virgem, mas também nunca fiz sexo só por fazer. Fico momentaneamente paralisada de vergonha, prendendo a peça sob os braços e impedindo-o de removê-la.

– Vergonha de mim, Lena? Não achei que sentir vergonha combinasse com você. Solta esses braços. Relaxa, vai. Concordamos em levar tudo isso adiante de verdade.

Ele tinha acabado de pegar num ponto fraco. Concordei em levar tudo a sério, mas ainda pensava no que fazer com a minha vida, já que estaria presa.
Relaxei o corpo e deixei que ele tirasse ambas as peças da lingerie. Senti meu rosto esquentar quando Stefan segurou minhas pernas e as separou, sua cabeça baixando e se aproximando cada vez mais da minha intimidade.

– Stefan, n... – não consegui terminar meu protesto, pois no segundo seguinte sua língua tocou minha pele quente e sensível e foi impossível conter o gemido que saiu de minha boca. Pus ambas as mãos em seus cabelos, mantendo sua cabeça exatamente onde estava.

A deliciosa tortura durou até que eu gozasse. Meu corpo amoleceu e meu noivo se afastou enquanto eu recuperava o fôlego. Pensei que fôssemos parar por ali, mas então notei, quando ele se aproximou novamente, que havia um pacote de preservativos em sua mão.

Ele se protegeu e logo estava sobre mim outra vez. Me beijou para abafar meus gemidos e me penetrou de uma única vez. Não foi difícil, graças ao meu recente orgasmo, mas um pouco incômodo, por eu ainda estar sensível.

Encontramos nosso ritmo num vai e vem harmonioso e logo estávamos os dois muito ofegantes. Suávamos, e o quarto parecia cada vez mais quente. No ar o cheiro de sexo e Stefan, o que me deixava ainda mais excitada. Não demorou muito para que alcançássemos, juntos, o ápice.

Deitamos lado a lado, respirando rapidamente, enquanto nos recuperávamos da liberação da tensão sexual que nos rondou durante todo o dia. De repente, Stefan virou-se para mim, um sorriso satisfeito nos lábios.

– Seu pai vai ficar satisfeito por realizarmos o desejo dele. Vamos casar e logo daremos o herdeiro que ele vai desejar que tenhamos.

Depois disso, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, levantou-se e foi para o banheiro, fechando a porta atrás de si. Aquilo era um recado claro de que eu não deveria segui-lo. Fiquei onde estava, largada de qualquer jeito na cama, pensando.

Stefan tinha razão, apesar do meu pai não ter falado nada, tenho certeza de que ele vai ficar satisfeito com a chegada de um neto em breve. Já tiramos essa primeira noite do caminho e acho que em breve as coisas irão rolar com mais facilidade.

Ouvi o barulho da porta do banheiro sendo destrancada e eu puxei o lençol para cobrir a parte de cima do meu corpo e fechei os olhos fingindo dormir. Meu noivo apenas voltou a se deitar do meu lado e colocou o braço na minha cintura.

***

*Flashback*

Desci escadas apressadamente e corri na direção entrada do apartamento no momento em que ouvi a campainha, Caroline me mandou uma mensagem há pouco mais de dez minutos dizendo que estava saindo de casa e mesmo que ela tenha vindo de bicicleta, já deu tempo mais do que suficiente para ela chegar aqui.

Descobri que minha suposição estava correta quando abri a porta e dei de cara com a minha melhor amiga, que estava com a mochila em um dos ombros e segurava um cabide com algo que imaginei ser o vestido que ela iria usar hoje a noite.

– Oi, Lena! – sorriu para mime acenou com a mão livre.

– Care! – a abracei brevemente – Acho que essa mochila significa que você vai dormir aqui, não é mesmo?

– É a nossa tradição pós-festa desde que tínhamos uns 11 anos – deu de ombros – Não acabaria com a nossa tradição, principalmente porque esse vai ser o último ano em que vamos poder fazer isso.

– Não se formos para a mesma faculdade ou se formos pelo menos para a mesma cidade – lembrei – Mas não vamos falar sobre isso agora, vamos até o meu quarto, temos muito que conversar e que nos arrumarmos também, é claro.

Eu a puxei e a levei na direção do andar de cima do apartamento para irmos até o meu quarto.

**

– Prontinho... – terminei de pintar as unhas de uma das mãos de Caroline, usei um esmalte verde que era exatamente do mesmo tom do vestido que ela iria usar – Me diz o que achou.

– Está perfeito! – respondeu depois de dar uma rápida olhada – Ainda não acredito que vamos a nossa primeira festa do último ano.

– Como se nunca tivéssemos ido a festas da escola antes – disse – Não é exatamente um grande acontecimento.

– Mas agora somos veteranas – argumentou – Não sei exatamente porque, mas é diferente, simples assim.

Então tinha entendido perfeitamente onde Caroline estava querendo chegar, era obvio que ela estava de olho em alguém.

– Tudo bem, Caroline Forbes, pode ir me contando tudo – pedi – Quem é ele e o que foi aconteceu?

– Não tem ele – tentou disfarçar, mas sei muito bem que ela estava mentindo e muito mal – É sério, Lena, não tem ele.

– Care, eu te conheço há dez anos e acho que não existe ninguém nesse mundo que te conheça melhor do que eu – insisti – Sei quando você está tentando me enrolar e garanto que esse é o caso.

– Tudo bem, talvez tenha um “ele” – admitiu, por fim – Mas só falo o que está acontecendo se você prometer não rir de mim.

– Prometo – levantei as duas mãos em sinal de rendição.

Comecei a pensar em que do nosso ano a Caroline poderia estar de olho. Eu a vi conversando com o Liam da aula de Francês há algumas semanas e os dois pareciam bem focados no assunto; ele aparenta ser um cara estudioso e até onde eu sei quer ser médico, parece alguém descente o suficiente para o cargo de primeiro namorado da minha melhor amiga.

– O Tyler me pediu para guardar uma dança para ele na festa de hoje – ela estava encarando o ponto do teto nesse momento e parecia estar ligeiramente envergonhada com a situação.

– Tyler Lockwood? – limitou-se a balançar a cabeça afirmativamente – Não sabia que você gostava dele.

– Eu não gosto, na verdade – deu de ombros – Mas Tyler é bem charmoso e ele foi tão fofo me convidando para dançar, pensei em dar uma chance, não custa nada.

– Tyler Lockwood é o maior galinha dessa cidade, já deve ter dado em cima de todas as garotas do nosso ano e ficado com pelo menos metade delas – revirei os olhos – E agradeço muito por não ter sido uma delas.

– Não pretendo ficar com ele, Lena – garantiu – É só uma dança, não vamos passar disso.

– Caroline, eu tenho um pouquinho mais de experiência com caras do que você – lembrei – E acredite, o Tyler com certeza não quer apenas uma dança com você.

– Se você diz... – completou antes de dar um longo suspiro.

– Eu posso sondar o que está acontecendo hoje na festa – sugeri – Conversar com o Tyler, saber quais são as intenções dele com você e saber se você poder investir nessa.

– Você faria mesmo isso por mim – quis saber – Lena! Você é mesmo a melhor amiga que eu poderia ter.

– Apenas estou evitando que você cometa o maior erro da sua vida – fale – Acredite, não é nada demais...

– Oi, meninas! – a porta do quarto foi aberta quase que imediatamente, era a minha mãe – Queria saber se vocês duas vão para a festa com o motorista ou você quer ir com o meu carro?

– Posso ir com o seu carro? – pedi – Vai ser bem melhor do que chegar ao colégio de motorista, sem contar que ele não vai precisar ficar esperando até que a gente decida ir embora.

– Você tem razão – ela concordou – Certo, vocês podem ir com o meu carro.

– Perfeito! – disse, satisfeita – E a Care vai dormir aqui depois do baile, tudo bem? – aquilo não era exatamente uma pergunta.

– Acharia estranho se ela não viesse – afirmou – Agora vou deixar vocês duas terminarem de se arrumar.

– E é exatamente o que vamos fazer – voltei a me virar para a minha amiga quando ficamos sozinhas novamente – Hoje a noite você vai se vestir para arrasar.

**

Quando chegamos ao colégio o local já estava praticamente lotado. Essa festa foi organizado pelos alunos do último ano, mas todos os alunos do Ensino Médio estavam convidados.

– Parece bem animado... – comentei enquanto dava uma olhada para todos os cantos do ginásio – Não acha?

– Sim, é verdade – minha amiga afirmou – Olha, não é Tyler ali? – Care estava certa, ele estava parado perto do pote de ponche.

– É ele mesmo... – disse – Você ainda quer que eu vá lá para saber o que ele quer com você?

– Se realmente não for muito incomodo... – respondeu – Não vou te obrigar a desperdiçar um momento da festa em que você poderia estar se divertindo falando com o Tyler por minha causa.

– Não é desperdício algum... – garanti – Mas se eu não voltar para cá em cinco minutos, você vai até lá.

– Perfeito! – levantou um dos polegares em sinal afirmativo – Antes e preciso ir ao banheiro, devia mesmo ter ir antes de sairmos da sua casa, mas eu achei que não era necessário.

Então ela se afastou e eu caminhei naturalmente na direção de Tyler. Assim que eu me aproximei, peguei um copo para colocar um pouco de ponche.

– Tyler Lockwood – me apoiei na mesa e o chamei, o que fez com que ele me olhasse – Justamente a pessoa que eu estava procurando.

– Elena Gilbert... – me olhou de cima a baixo, parado justamente no copo que eu estava segurando – Espero que você saiba que esse ponche está batizado.

– Eu desconfiava – dei de ombros antes de tomar um gole – Vou voltar para casa dirigindo, mas como eu pretendo dançar muito hoje, tenho certeza de que o álcool já vai ter evaporado todo na hora de ir embora.

– Se você diz... – riu.

– Mas não era sobre isso que eu queria falar com você – continuei – Soube que você chamou a Caroline para dançar, é verdade?

– Sim, chamei – respondeu – Algum problema com isso, Elena?

– Caroline não é o tipo de garota para você – decidi ser totalmente direta – Ela inexperiente..., beijou pela primeira vez com 14 anos em uma brincadeira de sete minutos no paraíso, nunca teve um namorado e ainda é virgem. Tem certeza de que é isso mesmo que você quer?

– Ela é fofa – explicou – Estou querendo ser um novo cara esse ano e ficar com uma garota boazinha e o melhor jeito de começar isso.

– “Querendo ser um novo cara” – revirei os olhos – Por favor, Tyler, não tem como acreditar nesse seu papinho.

– Pensei que a Caroline fosse a sua melhor amiga – observou – Porque está fazendo isso por ela.

– Exatamente por isso, quero proteger a minha amiga – disse – Vamos admitir, você não é cara para ela e ela não é garota para você, simples.

– E quem seria a garota certa para mim? – quis saber.

– Não sei... – passei a mão pelo braço dele, sentindo os seus músculos mesmo por baixo da camisa – Mas tem que se alguém experiente e que saiba o que está fazendo.

– Já sei exatamente aonde você quer chegar – sussurrou enquanto chegava o rosto bem perto do meu.

Quando ele me beijou foi impossível não dar um sorriso vitorioso. Correspondi na mesma intensidade enquanto passava mão ao longo do seu peitoral e quando deu uma mordida no seu lábio inferior, Tyler soltou um pequeno gemido.

– Lena... – quando nos separamos, Caroline estava parada na nossa frente, totalmente chocada.

– Seu idiota – dei um tapa em cheio no rosto dele – Sai daqui, Tyler, vai procurar outra para você dar em cima.

Ele pareceu confuso com a minha nova reação, mas acabou indo embora sem dizer nada...

– Desculpa, amiga – voltar a me virar na direção da Care – Eu vi aqui falar de você e ele simplesmente começou a dizer que só te chamou para sair para se aproximar de mim e quando eu vi ele já tinha me agarrado.

– Tudo bem, Lena – soltou um suspiro de frustração – Acho que eu já deveria saber que algo assim iria acontecer.

– Não pense assim, Care – pedi – Você vai conhecer alguém legal e que vai te fazer muito feliz.

– Foi bom eu ter descoberto isso agora e não depois — completou.

– Isso é verdade – tive que concordar – Mas chega de baixo astral, você nem mesmo gostava dele. Vem, vamos dançar.

Então fomos juntas na direção da pista de dança.

*Fim do Flashback*

***

Acordei assustada; já era de manhã e eu estava sozinha na cama, além disso podia ouvir o barulho do chuveiro abafado pela porta fechada do banheiro. Não sei porque estava sonhando com aquilo, já aconteceu há tanto tempo, eu estava com 17 anos na época e Caroline com 16.

Além disso, as duas situações são completamente diferentes, eu só estava protegendo a minha amiga do Tyler e estava certa em fazer isso, ela merece um cara legal na sua vida, uma cara como o Stefan..., mas claro que agora foi escolha dela e eu não posso fazer nada, também não é culpa minha.

Apesar de saber que a noite de ontem não foi nenhum tipo de traição para com a Caroline, não podia deixar de pensar no Enzo nesse momento. Sei que foi ele quem terminou comigo, mas eu ainda o amo e é estranho estar com outro e ainda estar pensando no meu ex-namorado.

O celular de Stefan tocou e eu me estiquei para pegá-lo, era uma mensagem que tinha acabado de chegar.

Damon: Stef, sinto muito por tudo o que eu disse ontem, foi totalmente sem pensar, eu não acho nada daquilo de você. Mas eu tenho de manter uma das coisas: não se case com a Elena; tenho certeza de que esperar pela Caroline vai valer a pena.

Stefan voltou da conversa do irmão extremamente chateado, na hora eu não tinha ideia do que tinha acontecido, mas agora eu sei. Ele tem se empenhado muito em “esquecer” a Care e sinto que ler essa mensagem do Damon só vai chateá-lo, por isso decidi apagá-la.

O barulho de água parou, Stef deve ter terminado o banho. Rapidamente me levantei, peguei as minhas coisas espalhadas no chão antes que ele aparecesse.

***

Meus pais e Jeremy já estavam na mesa do café da manhã quando cheguei.

– Bom dia, família! – acenei totalmente animada antes de me sentar ao lado do meu irmão.

– Você parece estar de bom humor hoje, minha filha – minha mãe comentou – Isso é mesmo muito bom.

– Não tem porque eu não estar de bom humor – disse enquanto colocava um pouco de café e um pouco de leite na minha xícara – O dia de hoje está lindo, minha família está toda reunida para esse café da manhã e eu vou me casar em seis meses... As coisas não poderiam estar mais perfeitas.

– E isso é um código para: “eu transei loucamente com o meu namorado ontem a noite” – Jeremy decidiu me provocar – Uma dica, Lena, da próxima vez usem o seu quarto que é mais longe do meu e assim eu não escuto nada. É sério, foi difícil dormir ontem a noite com os gemidos de vocês.

– Jer... – tentei chutá-lo, mas foi difícil por estarmos lado a lado, ele riu e eu tinha certeza de que meu rosto estava totalmente vermelho nesse momento.

– Não vejo problema algum... – foi uma surpresa quando o meu pai falar – Como a Elena lembrou: eles vão se casar em seis meses e moram na mesma casa há quase um ano, seria estranho se eles não estivessem fazendo nada.

Aquela era mesmo uma grande mudança de comportamento para o senador Gilbert. Só porque é o Stefan, pois duvido que ele tivesse esse mesmo discurso se fosse qualquer um dos outros namorados que eu já tive.

– Só quero ver se as coisas vão ser assim quando for a minha vez – Jer reclamou.

Ouvimos passos de alguém se aproximando da sala de jantar e todos nos viramos ao mesmo, era o Stefan.

– Bom dia para todos! – começou com os comprimentos enquanto se aproximava da mesa – Bom dia, Lena!

– Bom dia, Stefan... – mexi discretamente no cabelo enquanto respondia.

E em seguida veio a segunda surpresa do dia, Stefan me deu um selinho antes de ir se sentar em frente a mim. Claro que desde que começamos o nosso falso namoro ele costumava dar beijos na minha cabeça e dávamos as mãos regularmente, mas ele nunca tinha me dado um selinho.

– Jeremy, querido, você tem mesmo que ir embora amanhã? – minha mãe decidiu preencher o silêncio depois de alguns minutos – As suas aulas só começam na semana que vem, não é mesmo? Bem que você podia ficar mais um pouco aqui conosco.

– Eu bem que queria, mãe, mas apesar de ainda estar de férias na faculdade, o meu estágio já vai começar, por isso preciso estar em Harvard na segunda-feira – explicou – Só vim mesmo para o noivado da Elena e do Stefan.

– É mesmo uma pena – lamentou – Na época do casamento, por favor, programe-se para ficar aqui por mais tempo.

– Pode deixar – garantiu.

– Elena, querida, o que você vai fazer hoje? – virou-se para mim enquanto perguntava.

– Na verdade, eu preciso dar uma passada na faculdade para levar alguns documentos – respondi – Já era para ter ido antes, mas a preparação para o jantar de noivado me atrapalhou um pouco e hoje é o último dia.

– Bom, isso é uma pena – disse – Pensei que poderíamos começar a resolver algumas questões a respeito do casamento, hoje.

– Você já quer começar a resolver as coisas do casamento? – Jeremy pareceu espantado – Mas ainda falta seis meses?

– O que não é nada, meu filho – ela explicou – Quanto mais cedo começarmos os planejamentos, melhor.

– Eu não devo demorar muito lá na faculdade – avisei – Podemos ver isso depois que eu resolver isso.

Passar o dia decidindo a cor da toalha de mesa e esses outros detalhes não era exatamente como eu queria passar o meu sábado, mas pelo menos eu estaria com a cabeça ocupada e não pensaria nos acontecimentos de ontem a noite.

– Parece perfeito para mim – concordou.

– Porque o Stefan não leva você até a faculdade? – meu pai sugeriu – Tenho certeza de que será mais rápido ainda.

– Ora não precisa – garanti – Não quero dar trabalho para ele.

– Não será trabalho nenhum, Lena – foi Stefan quem respondeu – Será um prazer levar você até a faculdade.

– Posso muito bem ir sozinha, Stef – continuei – Mas muito obrigada, de qualquer maneira.

Continuamos a conversar durante o restante do café da manhã, mas para o meu alívio foram apenas amenidades. Meu noivo passou toda a refeição me olhando atentamente.

***

Quando voltei ao meu quarto troquei rapidamente de roupa, então peguei minha bolsa e minha pasta com documentos para poder ir logo para a faculdade.

– Finalmente consegui te encontrar sozinha – Stefan entrou no elevador segundos antes da porta se fechar – Agora não tem como você fugir de mim.

– Tudo bem, o que você quer, Stefan? – cruzei os braços e me encostei na parede.

– Quero falar sobre ontem a noite – disse – Pareceu que estava tudo bem, então você começa a me tratar friamente hoje de manhã. Sinceramente eu não sei o que pensar.

– Não estou te tratando friamente, Stefan – pelo menos não era a minha intenção – Eu só...

– Você não gostou? – aparentava estar mais preocupado agora – É isso, você não gostou de transar comigo?

– Não é isso, Stefan, é claro que eu gostei – obviamente não teve nenhum tipo de sentimento envolvido, mas sim, foi muito prazeroso – Mas eu só não posso deixar de me sentir culpada, por tudo que aconteceu.

– Lena... – segurou o meu queixo fazendo com que eu o encarasse – Você ainda está pensando na Care, porque eu já te disse, ela não é importante, não mais.

– Não é na Caroline que eu estou pensando, é no Enzo – admiti – Sei que eu disse que quero investir nesse casamento, formar uma família com você e termos a nossa própria história, mas a verdade é que eu ainda amo o Enzo e não sei se serei capaz de esquecê-lo algum dia. E não sei se é justo estar com você e pensando nele.

Nesse momento o elevador chegou a garagem e passei por ele para poder caminhar apressadamente na direção do meu carro.

– Lena, espera – segurou o meu braço me impedindo de continuar a caminhar – Você não me deixou argumentar.

– Não tem o que argumentar, Stefan – insisti – É melhor ficarmos com o casamento de fachada que já tínhamos planejado antes do Enzo e da Care terminarem conosco. Seremos amigos e fingimos que estamos juntos para os meus pais, exatamente como já estamos fazendo há vários meses.

– Mesmo que a gente viva como um casal, o nosso casamento ainda seria de fachada – lembrou – Sei que você não me ama, eu também não te amo; talvez a gente nunca sinta um pelo outro o que você sente pelo Enzo ou eu pela Caroline, mas é inegável que sentimos uma atração muito forte um pelo outro ontem a noite e essa pode ser uma base para criarmos alguma coisa juntos. Por favor, Lena, me permita te fazer feliz, mesmo que seja apenas de uma maneira carnal.

Ela sem dúvida foi a proposta mais estranha que eu já ouvi em toda a minha vida, mas Stefan tinha toda razão: por mais que eu não consiga deixar de pensar no meu ex-namorado, ele exerce sim alguma coisa sobre mim e não é algo que tenha como eu negar. Dei uma rápida olhada para os seus lábios, totalmente convidativos e apenas para mim.

– Por favor, Lena... — voltou a insistir, sussurrando.

– Tudo bem – respondi, por fim – Pode ser que eu me arrependa disso novamente, mas no momento, tudo que eu quero é fazer isso...

Coloquei os braços em volta do seu pescoço e fiquei na ponta do pé para beijá-lo. Stefan começou a caminhar até me imprensar contra a porta do quarto, seu corpo estava totalmente encostado no meu e pude ver o quanto ele estava animado, infelizmente não é nem a hora nem o local para isso.

– Stef..., eu realmente preciso ir – lembrei tentando empurrá-lo delicadamente para longe.

– Tem razão – passou a mão nervosamente pelo cabelo e se afastou para poder abrir a porta do motorista para mim – Divirta-se indo levar os documentos para a faculdade.

– Acredite, não tem nada de divertido nisso – revirei os olhos – Tenho uma ideia, por que você não comigo?

– Tem certeza? – quis saber – Na hora do café você estava rejeitando de qualquer jeito a minha companhia.

– Mudei de ideia – dei ombros – Talvez a gente faça um desvio na ida ou na volta...

Notas finais
Bom gente, como eu disse no outro capítulo, da mesma maneira que a Caroline está seguindo em frente com o Klaus, o Stefan também está seguindo em frente com a Elena e isso tudo é totalmente necessário. E vamos esclarecer algumas coisas aqui: o Stefan está afirmando com todas as letras que ele não se importa com a Caroline, que foi ela quem quis largar ele e coisa tal, mas isso não significa que ela não vai atormentar os sonhos dele durante esses cinco anos e com certeza ele vai ficar bem claro quando os dois finalmente se reencontrarem. Agora, a respeito da Elena, ela realmente está confusa com essa história de casamento e por mais que ela queira fazer o que o pai dela quer, ela ainda ama o Enzo e queria formar uma família com ele, algo que acabou não acontecendo e agora ela está ela está sendo forçada a se casar com o Stefan e por mais que ela se sinta atraída por ele (e ele por ela) ela sabe que os dois nunca vão se amar, já em relação a amizade dela e da Care, ela realmente está fazendo de tudo para protegê-la (da mesma maneira que tentou proteger o Stefan apagando aquela mensagem do celular), mesmo que acabe por magoá-la no processo. *** Bom gente é isso, no próximo cap finalmente teremos o salto de cinco anos na fic, conheceremos a Libby e vamos ver como está a vida da Care (e do Klaus) em Londres. E agora vocês comentem e digam o que estão achando.