Second Chance

11 Capítulo 10 – A felicidade nem sempre dura


Notas iniciais
Bom gente, quarta feira e um capítulo novinho para vocês Como eu disse antes (e acho que dá pra perceber pelo título do cap) é agora que os problemas realmente vão começar a acontecer... E tentem não me matar pelos acontecimentos. Espero que gostem E nos vemos lá embaixo nas notas finais.

Seis meses depois

– Será que ainda vai demorar muito...? – Elena olhava para o relógio do celular a cada cinco minutos, conheço minha melhor amiga bem o suficiente para saber que ela deve ter alguma coisa para fazer depois daqui.

– Doutora Benson é a melhor obstetra da região – lembrei – Tenho sorte de conseguir fazer o meu pré-natal com ela, esperarei horas por uma consulta se for preciso.

Ela apenas soltou um longo suspiro e ficou encarando a parede a sua frente.

– Se você precisar, pode ir embora – avisei – Sou totalmente capaz ir a consulta sozinha.

– De maneira nenhuma, vou ficar com você até o final da consulta – garantiu enquanto colocava a mão sob a minha – O Stefan não pode estar aqui com você meio que por minha culpa e o que eu puder fazer para reparar isso, eu farei.

Dei um fraco sorriso. Sim eu queria ter meu namorado ao meu lado nesse momento, mas nem sempre nós temos aquilo que queremos.

– Obrigada, Lena, o seu apoio é muito importante para mim – completei, por fim – E tenho certeza de que para o Stefan também.

A porta da entrada foi aberta mais uma vez e uma mulher entrou, ela já parecia estar no final da gestação.

– Só queria que não tivesse tantas mulheres grávidas aqui – Elena sussurrou de modo que apenas eu ouvisse – Elas me dão um pouco de agonia, sei lá... Saber que tem outro ser-humano dentro delas e tão estranho.

– É muita sensibilidade da sua parte falar isso para a sua amiga grávida – me fingi de magoada – Muito obrigada, Lena...

– Não estava falando de você, Care... – tentou se corrigir – Acho que vou perguntar para a recepcionista se ainda vão demorar muito para te atender – parecia bem feliz em se levantar e se afastar de mim.

Depois que ela se afastou eu me peguei colocando a mão sob a barriga, algo que tenho feito com bastante frequência de uma semana para cá. Agora com 4 meses já consigo perceber uma pequena bolinha por debaixo da minha blusa, mas com sorte eu ainda consigo disfarçar com roupas largas; o que é um alívio já que as única pessoas que sabem da minha gravidez até agora são Stefan e Elena.

– A recepcionista disse que a médica deve te chamar em cinco minutos – minha amiga voltou a se sentar ao meu lado – Acho que o jeito é mesmo esperar.

– Será que essa sua pressa em ir embora tem alguma coisa a ver com algum encontro secreto com o Enzo? – decidi perguntar, isso explicaria totalmente os motivos para ela estar tão inquieta hoje, já que foi a própria Elena quem se ofereceu para vir comigo ao médico.

– Bem que eu queria, mas não é isso – negou com a cabeça – Para falar a verdade, Enzo e eu terminamos.

Por essa eu realmente não esperava... Em Janeiro Stefan e eu tivemos uma espécie de encontro duplo com Enzo e Elena, os dois pareciam tão apaixonados, realmente pensei que eles fossem ficar juntos por bastante tempo.

– Sinto muito, Lena – disse – Eu realmente não tinha ideia... Quanto tempo faz?

– Umas três semanas, eu acho – deu de ombros fingindo não se importar, mas dava para ver o quanto ela estava abalada com toda aquela situação.

– Por que você não me contou antes? – quis saber – Você está sempre aqui me apoiando, gostaria de ter te ajudado nesse momento difícil também.

– Você está tão feliz e empolgada com o bebê, não quis te arrastar para os meus problemas – explicou, embora aquela desculpa não estivesse exatamente me convencendo.

– Lena, você é minha melhor amiga, desabafar sobre o fim do seu namoro não me arrastar para os seus problemas – garanti – E o Stefan? Ele já sabe disso?

Ela balançou a cabeça afirmativamente.

– Cheguei em casa triste, o Stefan percebeu e não tive como mentir – respondeu – E antes que você pergunte, fui eu quem pedi para ele não te contar nada.

– Bom, se quer saber a minha opinião, o Enzo é quem estar perdendo – continuei – Tenho certeza de que logo você vai encontrar alguém que te ame e te valorize muito mais do que ele.

– Pois eu acho totalmente difícil que algo assim aconteça – soltou um longo suspiro – Qualquer namorado meu teria que aceitar o fato de que ele sempre vai ser o outro na minha vida e que pelo menos por agora eu não posso assumi-lo em publico. Duvido que exista qualquer outro cara nesse mundo que aceite esses termos.

Não tinha nenhum argumento contra isso. Existem momentos em que eu mesma não sei porque concordei com esse arranjo, mas então eu olho para o Stefan e lembro exatamente da reposta, nem mesmo se eu quisesse iria conseguir fugir disso agora.

– Bom, espero que você resolva esse problema de alguma maneira – decidi mudar de assunto; afinal, sei que esse não é um assunto delicado apenas para mim, mas para ela também, e esse não é o momento para se falar sobre isso – Afinal, esse garotinho ou essa garotinha aqui não pode ter só uma madrinha, precisa de um padrinho também.

– Você está mesmo falando sério? – pareceu surpresa com o meu convite, mas isso não significava que não parecia animada – Está mesmo me convidando para ser madrinha do bebê?

– Ainda não falei com o Stefan sobre isso, mas tenho certeza de que ele vai concordar – continuei – Você é minha melhor amiga, não poderia pensar em ninguém melhor para ser a madrinha do meu primeiro filho. Isso, é claro, se você aceitar.

– É claro que eu aceito – responde sem nem pensar duas vezes.

Meu telefone tocou dentro da bolsa interrompendo a nossa conversa. Quando o peguei vi que era uma mensagem que tinha acabado de chegar.

Mãe: Caroline, tentei ligar para a sua casa, mas como ninguém atende imagino que você tenha saído.Como tenho muita coisa para fazer na delegacia vou precisar voltar para Mystic Falls amanhã, então vamos marcar de almoçar o jantarmos juntas hoje, já que você não quis sair para comemorar ontem depois da formatura; como você sabe, temos muita coisa para conversarmos.

– Deixe-me imaginar: é o Stefan querendo saber se está tudo bem e se eu estou cuidando bem de você e do meu afilhado ou da minha afilhada? – Elena quis saber apenas alguns segundos depois.

– Na verdade era a minha mãe – expliquei – Ela ainda quer saber o porquê de eu não aceitar a bolsa Mikaelson – revirei os olhos.

No inicio da semana passada eu recebi um e-mail avisando que eu tinha sido uma dos dez estudantes a ser contemplado com a bolsa Mikaelson.Isso era meso motivo de felicidade, afinal sei que mais da metade da minha turma da faculdade se inscreveu e fui a única a ter sorte de conseguir.

Infelizmente, apesar da minha vontade de arrumar as malas e pegar o primeiro avião rumo a Londres, eu tenho dois grandes motivos para não aceitar essa bolsa. Eu mantive a minha decisão escondida dos pais até ontem a noite na formatura.

*Flashback*

Assim que a cerimônia acabou, todos os formando saíram rapidamente do palco para poderem falar e para serem parabenizados por seus amigos e parentes. Eu esperei um pouco para fazer o mesmo, assim poderia procurar por um par de olhos verdes no meio da multidão, mas eu não tive sucesso, provavelmente ele já tinha ido embora.

– Consegui avistar meus pais e Steven quase na saída do auditório e decidi ir até ele.

– E aí está ela! – assim que eu me aproximei, meu padrasto me abraçou com bastante força – Nossa linda e brilhante formando! Não tem ideia do quanto eu estamos orgulhosos de você...

– O Steven tem razão minha filha, estamos muito orgulhosos de você – foi a vez da minha mãe falar – E você ainda conseguiu aquela bolsa sobre a qual falamos no seu aniversário. Aposto que deve estar muito orgulhosa de si mesma.

– Nem eu estava sabendo disso – meu pai comentou – Por que não nos contou sobre a bolsa? Isso com certeza é motivo para comemorarmos.

Não era uma coisa tão simples assim, eu ainda estava treinando o meu discurso de “sim, eu ganhei a bolsa, mas não quero nem vou me mudar para Londres, por favor, entendam isso”, por esse motivo ainda não tinha contado nada para os meus pais. Infelizmente esqueci que como tinha sido nomeada oradora da turma, eles iriam anunciar a minha grande conquista quando eu fosse chamada na hora de fazer o discurso.

– Isso não é tão importante assim – dei de ombros – Para falar a verdade, eu não vou aceitar bolsa, então...

– Como assim não vai aceitar a bolsa? – os três perguntaram exatamente ao mesmo tempo, interrompendo a minha explicação.

– Esse não é o melhor momento para falarmos sobre isso – lembrei – Mas eu prometo que tenho uma boa explicação para eu ter tomado essa decisão.

Claro que o meu grande motivo não é exatamente “grande”. Ele ou ela nesse momento é um pouco maior que uma azeitona e está crescendo dentro de mim e está causando uma grande revolução no meu corpo e nos meus hormônios; quem diria que um ser-humano tão pequeno podia causar tantos estragos assim.

– Mas você estava tão empolgada quando se inscreveu para essa bolsa – meu pai insistiu – O que aconteceu de tão importante assim nos últimos meses que te fez mudar de ideia assim?

Ele me olhou de cima a baixo algumas vezes. Será que ele está desconfiando de alguma coisa? Engulo em seco só de pensar na possibilidade.

– Só não me diga que você mudou de ideia por nossa causa? – minha mãe sugeriu – Porque você não precisa desistir do seu sonho por nossa causa, vamos ficar bem se você estiver feliz.

– Não é por isso, mãe, sério – garanti – Mas vamos falar de outra coisa. Onde é que está a Elena? Nem tive tempo de conversar com ela depois da cerimônia.

– A Elena teve que ir embora logo depois da entrega dos diplomas – respondeu – Mas ela pediu para te dizer que te liga amanhã.

Na verdade eu já sabia disso. Foi o nosso acordo, Lena ficaria junto com a minha família na formatura e depois sairia para poder levar o Stefan, que ficou escondido durante toda a cerimônia, para o apartamento.

– Oi, Caroline... – me virei a tempo de encontrar Matt há poucos metros de mim – Só queria te parabenizar pelo seu discurso, foi realmente inspirador.

– Obrigada, Matt! – disse enquanto dava um fraco sorriso – Deixe-me apresentá-lo: esses são meus pais, Bill e Liz, e meu padrasto, Steven.

– Prazer em conhecê-los – apertou a mão de cada um deles e cumprimento.

– O Matt era da minha turma da faculdade e nos conhecemos desde o primeiro semestre – continuei – Não é isso mesmo, Matt?

– Exatamente... – concordou com a cabeça – E agora você está indo para Londres, isso é incrível, meus parabéns! Eu também me inscrevi para a bolsa Mikaelson, mas não tive tanta sorte.

– Sinceramente, não estava acreditando muito que isso pudesse acontecer, mas estou bem empolgada – foi tudo que eu disse.

– Bom, só vim aqui mesmo falar com você, minha família está esperando para irmos comemorar a formatura – avisou – E vamos manter contato, Caroline, não é só porque você vai para Londres que pode esquecer dos amigos.

– Claro – garanti – Vamos continuar a manter contato.

Ele deu um beijo no rosto antes de se afastar. Apesar de todos os sentimentos mal resolvidos pelo lado dele, vou sentir falta de ver o Matt todos os dias na aula.

– Ele é um gato... – minha mãe colocou o braço em volta dos meus ombros enquanto falava – Você tem certeza de que é só um amigo?

– Certeza absoluta – respondi sem nem mesmo pensar duas vezes – Matt é um bom amigo e sou grata por ter tido ele ao meu lado nesses quatro anos de faculdade, mas é só isso.

– É mesmo uma pena – meu pai lamentou – Já faz oito meses desde... você sabe. Está na hora de encontrar um cara legal e que te faça feliz de verdade.

Desde que eu e Stefan “terminamos”, meus pais me incentivam a sair e procurar alguém novo. Ainda consigo usar a desculpa de que foi um fim de relacionamento muito ruim para mim e que preciso de um tempo para embarcar e outra, mas não quanto mais isso vai funcionar.

– O que acha de irmos embora? – para meu alívio Steven interrompeu aquele momento constrangedor – Deixei o nosso jantar de comemoração encaminhado na delicatessen. Mandei prepararem o seu prato favorito, Caroline.

– Na verdade eu estava pensando em ir para casa, foi uma semana cansativa por causa da formatura e eu estou exausta – isso era mesmo verdade, umas das terríveis consequências da gravidez, o cansaço – E acreditem, eu não falando isso só para não ter que explicar a história da bolsa, é que eu realmente preciso muito da minha cama nesse momento.

Ainda levei uns cinco minutos para convencê-los e finalmente conseguir sair sozinha daquele auditório. Detesto mentir para a minha família dessa maneira, mas Stefan já deve estar esperando para a nossa comemoração particular.

*Fim do Flashback*

Caroline: Estou com a Elena e provavelmente vamos almoçar juntas. Posso te ligar mais tarde?

Assim que enviei a mensagem para a minha mãe, eu celular voltou a tocar, dessa vez era uma ligação do meu pai. Apertei o botão rejeitar e joguei o telefone dentro da bolsa.

Pelo jeito não é só a minha mãe que está querendo algumas respostas – reclamei enquanto revirava os olhos.

– Talvez fosse melhor você contar a verdade para os seus pais – sugeriu.

– Contar para os meus pais que eu estou grávida de quatro meses e o pai do bebê é um cara com quem eu teoricamente terminei há oito? – olhei para a minha amiga, como se aquilo que ela estava propondo fosse o maior absurdo do mundo – As coisas não são tão simples assim. Meu pai até hoje não me perdoou por eu ter voltado a ser sua amiga, imagina se ele souber que eu e o Stefan ainda estamos juntos?

– Uma hora você vai ter que contar a verdade a eles – lembrou – Ainda está dando para disfarçar, mas logo a barriga vai começar a aparecer, sem contar que você não ficar grávida para sempre, uma hora esse bebê vai nascer e ele ou ela terá que ter um pai, não vai dar para dizer que você foi abduzida e inseminada por alienígenas.

– Eu sei disso isso, Lena – garanti, elevando um pouco o meu tom de voz – Vou contar a verdade para os meus pais, só não sei ainda como vou fazer isso, mas eu prometo que será antes do bebê nascer.

Não vou mentir, pensei que em algum momento Stefan ficaria tão empolgado com gravidez que iria terminar com toda essa farsa e assumir o nosso namoro em público. Isso ainda não aconteceu, mas eu ainda tenho cinco meses e muitas esperanças.

– Se você diz – minha amiga apenas deu de ombros.

– Com licença, senhorita Forbes – a recepcionista me chamou, fazendo com que eu me virasse na sua direção – A doutora Benson vai atendê-la em alguns minutos, você já pode entrar.

– Obrigada... – disse enquanto me levantava e em seguida me virei na direção a minha amiga – Você vai entrar comigo, Lena?

– Claro! – concordou enquanto se levantava – Vamos lá.

***

A doutora Benson não estava no escritório quando entramos, ela provavelmente foi resolver algum problema com outra paciente antes de me atender.

Foi inevitável não me lembrar da primeira vez que estive naquele consultório, pouco mais de dois meses atrás. Depois de três ou quatro dias de enjoos matinais e cansaço em excesso estava começando a ficar preocupada que poderia estar com algum problema sério, claro que eu não desconfiei que poderia estar grávida até ver que minha menstruação estava atrasada e foi quando a obstetra confirmou.

No primeiro momento em que eu vi o resultado positivo eu fiquei realmente apavorada, essa não é nem de longe a melhor época para eu ter um filho e não vou mentir, eu realmente pensei em tirar o meu bebê. Mas então eu tive uma longa conversa com o Stefan e ele prometeu me dar todo o apoio, logo estávamos ambos totalmente empolgados com a ideia de sermos pais.

– Pensei que fosse hoje que você disse que talvez fosse dar para ver se o bebê é menino ou menina – Elena comentou, me tirado dos meus devaneios – Mas aqui não tem nenhum aparelho daqueles de ultrassonografia.

– É que a ultrassonografia não é aqui, é em outra sala – respondi – A doutora Benson vai me examinar e depois vai me encaminhar para fazer a ultrassonografia; eu já fiz isso antes.

Foi nesse instante que a porta do consultório foi aberta. A doutora Benson não era muito mais velha eu, devia ter nos máximo uns trinta anos, seu cabelo era em um tom um pouco mais escuro que o meu e cortando um pouco acima do ombro.

– Caroline... – ela me cumprimentou assim que entrou no local – Como é que você está hoje?

– Estou bem, ou melhor, estamos bem – respondi enquanto passava a mão pela barriga — Apesar desse bebezinho aqui estar deixando a mãe dele muito cansada.

– Isso é totalmente normal – garantiu – E quanto aos enjoos? Ainda está sentindo ou já passaram?

– Já passaram – afirmei – Embora eu tenha sentido um pouco de tontura nos últimos dias e também dor de cabeça.

– Vamos verificar isso – avisou antes de se virar na direção da Lena – E você é?

– Essa é a Elena, minha melhor amiga e futura madrinha do bebê – disse – Ela veio me fazer companhia hoje na consulta já que meu namorado não pode vir novamente.

– É mesmo uma pena que ele não pode vir – lamentou – Estou muito curiosa para conhecer o seu namorado.

– Ele anda bem ocupado com o trabalho e tudo mais – dei de ombros – Mas pode ter certeza de que você irá conhecê-lo antes do bebê nascer.

– Então está bem – continuou – Bom..., agora vamos começar logo esses exames. Troque de roupa e vá deitar na cama.

***

Pelos primeiros exames ginecológicos estava tudo bem comigo e estava indo tudo bem com a gravidez. O grande problema foi quando ela mediu a minha pressão, a doutora Benson demorou mais tempo nisso do que das outras vezes.

– Caroline, a sua pressão está um pouquinho alta... – avisou enquanto retirava o aparelho do meu braço – O que deve explicar a dor de cabeça e até a tontura que você tem sentido.

– Pressão alta? – Elena, que estava sentada na cadeira observando tudo – Minha mãe teve isso quando estava grávida do meu irmão e o médico precisou antecipar o parto por os dois corriam risco. Meu irmão nasceu de sete meses e precisou ficar mais de um mês na incubadora, mas no final acabou ficando tudo bem.

Senti um ligeiro aperto no coração quando ouvi minha amiga falando isso. Sei que Jeremy leva uma vida normal e aparentemente não ficou com nenhuma sequela do parto prematuro e pelo fato da mãe ter tido pressão alta na gravidez; mas impossível não me preocupar.

– Doutora Benson, eu ou o meu bebê corremos algum tipo de perigo? – decidi perguntar logo de uma vez.

– Sua pressão está 13 por 10, é alta, mas não o suficiente para te colocar em um quadro de pré-eclampsia, você e o bebê estão bem – garantiu e eu soltei um suspiro de alívio – Claro que é preciso ficar atentos a partir de agora: quero que você marque uma consulta para daqui a quinze dias para eu poder medir a sua pressão novamente, tente comer o mínimo de sal possível, continue tomando as vitaminas e evite sofrer fortes emoções ou se estressar; se você seguir todos esses conselhos vai ficar muito bem e logo esse bebezinho vai estar ai te dando todo o trabalho do mundo.

– Obrigada, doutora... – disse, por fim.

– Vou escrever novas recomendações para você e também uma solicitação para a ultrassonografia – avisou enquanto se estava da maca e ia na direção da mesa – Você já pode trocar de roupa e vá para a sala de espera que logo vão te chamar. Imagino que você esteja curiosa para saber se vai ter um menino ou uma menina.

– Pode ter certeza de que eu estou – afirmei antes de me levantar da maca e ir até o banheiro.

***

Pouco mais de meia hora depois eu e Elena estávamos saindo do consultório médico. Quando deixei minha amiga em casa, Stefan já estava esperando na entrada do prédio, nós dois íamos almoçar juntos e eu ia atualizá-lo sobre tudo que aconteceu na consulta.

Obviamente eu ocultei a história da pressão alta para não deixá-lo preocupado, apenas disse que estava tudo bem comigo e com o bebê, o que era mesmo verdade. E quando eu contei que tinha descoberto o sexo do bebê meu namorado ficou totalmente curioso na mesma hora, mas eu insisti que só iria contar quando chegássemos ao meu apartamento.

– Pronto, nós estamos aqui – ele falou no momento em que eu abri a porta da sala – Você já pode me contar: vamos ter um menino ou uma menina?

Não tão rápido, senhor Salvatore... – coloquei os braços em volta do seu pescoço – Antes de mais nada eu vou até o meu quarto pegar uma coisa e você vai esperar bem aqui.

– Sério? – balancei a cabeça afirmativamente – Isso é mesmo necessário, Care?

– Totalmente necessário... – sussurrei – E aprenda a não discutir com uma mulher grávida.

Dei um selinho nele antes de me afastar, indo até o meu quarto. Dentro do meu armário tinha duas caixinhas aparentemente iguais, mas tinham uma pequena diferença e eu sabia exatamente qual pegar.

Retornei a sala e Stefan tinha se sentado no sofá. Eu me sentei ao seu lado e coloquei a caixinha na sua mão.

– O que é isso? – quis saber imediatamente.

– Logo que eu descobri que estava grávida fui a uma loja e comprei dois pares de sapatinho: um azul e um rosa – disse – Queria te conta sobre o sexo do bebê de uma maneira diferente, então eu os guardei eu te entregaria uma das duas caixinhas; rosa se fosse menina e azul se fosse menino.

– Então aqui dentro está resposta? – ficou encarando a caixinha entre seus dedos por alguns segundos.

– Por que você não abre logo? – sugeri – Pensei que você estivesse curioso para saber o sexo do nosso bebê.

E foi o que ele fez. Abriu a caixa com todo o cuidado, revelando um par de sapatinhos em um tom bem clarinho de rosa.

– Menina... – um sorriso bobo escapou dos seus lábios – Vamos ter uma menina! Isso é sério?

– A enfermeira disse enquanto fazia ultrassonografia e a minha médica confirmou – abri a bolsa para pegar as “fotos” da nossa filha – Aqui! Eu não entendo muito coisa disso, mas aqui está ela.

– Também não entendo absolutamente nada... – franziu o cenho enquanto observava – Sinceramente, para mim é apenas um borrão azul.

– Um borrão azul lindo, você precisa admitir – completei.

– Sim, um borrão azul lindo – deitei a cabeça no seu ombro e ele deu um beijo no topo da minha cabeça – Mas como é uma menina, o borrão não deveria ser rosa?

– Seu bobo... – dei um tapa de leve no seu braço.

Stefan se inclinou para poder me beijar e ao mesmo tempo que ele encostava os lábios nos meus, também colocou a mão sob a minha barriga.

– Eu quero te fazer uma promessa, aqui e agora – sussurrou enquanto encostava a testa na minha – Não importa o que aconteça, eu sempre estarei aqui, para você e para a nossa filha.

Aquela conversa estava um pouco estranha, o que ele quis dizer com “não importa o que aconteça”? Decidi não pensar nisso agora, esse é o momento para curtir, não para me preocupar.

– Aposto que vocês duas estão com fome – mudou de assunto – O que acha de pedirmos logo o nosso almoço?

– Sim, é mesmo uma excelente ideia – concordei – O que você acha de pedirmos comida chinesa?

– Você quem manda... – respondeu.

***

– Por favor, Care, deixa um rolinho primavera para mim... – Stefan pediu; aquele era o terceiro rolinho primavera que eu comia, sem contar a caixinha de Yakisoba que eu também já tinha acabado. Sei que a doutora Benson pediu para que eu comesse menos sal, mas acho que eu posso me despedir.

– Eu ainda estou com fome – dei de ombros – A não ser, é claro que você queira que a sua filha nasça com cara de rolinho primavera.

– Decididamente eu não quero isso – fez uma careta – Mas pelo menos um, deixa de ser egoísta.

– Tudo bem, mas só um – avisei – E fique sabendo que se você contrariar ou tentar roubar a comida de uma mulher grávida você vai acabar com um tersol.

– Não está mais aqui quem falou – levantou as duas mãos em sinal de rendição – Já que estamos aqui, o que você acha de escolhermos o nome dela?

– O nome? Sério? – eu me ajeitei melhor no sofá para poder ficar de frente para ele – Nós ainda temos cinco meses.

– Mas já podemos começar a pensar, só para ter uma ideia – sugeriu – Pensei em chamarmos ela de Lilian, era o nome da minha mãe.

– É bonito... – afirmei – Mas acho que a minha pode ficar com ciúmes caso a gente homenageie só a sua.

– Podemos dar o nome das duas então – prosseguiu – Lilian Elizabeth Salvatore! O que acha?

Apenas fiz uma careta e balancei a cabeça afirmativamente.

– Certo senhorita, não gosto de nenhum nome – revirou os olhos – O que você sugere.

– Eu gosto de Charlotte ou Julie – disse – Talvez Emma.

– Emma... Eu gostei! – me interrompeu – Está decidida, vamos chamá-la de Emma – voltou a colocar a mão na minha barriga – O que você acha princesinha? Gostou do seu nome?

– Sim, papai! – imitei uma voz de criança – Você e a mamãe tem mesmo um ótimo gosto!

Ele sorriu antes de dar um beijo um pouco acima do meu umbigo. Tenho quase certeza de que senti um pequeno formigamento na região, claro que pode ter sido apenas minha imaginação.

– Stef..., nós precisamos conversar – decidi falar; estamos aqui em um clima tão legal, talvez seja hora perfeita para tocar no assunto.

– Pensei que já estivéssemos fazendo isso – brincou, mas eu permaneci séria – Tudo bem, você está oficialmente me assustando, o que foi que aconteceu.

– Já faz oito meses que estamos juntos – continuei – Eu te disse que não me importava em ficar nesse esquema de namorarmos escondido, mas as coisas mudaram agora com o bebê.

– Care... eu... – estava encarando as próprias mãos sob o colo – Por que tocar nesse assunto agora?

– Você parece tão empolgado com a ideia do bebê e hoje a Elena me disse que terminou com o Enzo – lembrei – Pensei que essa é o melhor momento para vocês abrirem o jogo sobre o namoro falso; sei que o maior medo da Elena era precisar apresentar o Enzo como seu namorado para a família, pois sabia que o pai não iria aprovar, mas agora ela está solteira e...

– As coisas não são tão simples assim, Caroline – me interrompeu.

– Claro que são simples, Stefan – insisti – Eu já estou com quatro meses, mais cedo ou mais tarde vou precisar contar a verdade para os meus, mas não posso fazer isso sem poder abrir jogo sobre quem é o pai do bebê. Caso você e a Elena “terminem” estaremos livres para assumir o nosso namoro.

Esperei que Stefan falasse alguma coisa, mas ele permaneceu quieto. Além disso, estava olhando para todos os cantos da sala, menos para o meu rosto, algo que não é um bom sinal.

– Você está escondendo alguma coisa de mim, agora eu tenho certeza – segurei o seu rosto para fazê-lo me olhar – E é bom você me contar logo o que o que é ou vou ficar muito irritada.

– Tudo bem, Care, eu conto – soltou um longo suspiro antes de continuar – Estava evitando te falar isso por causa do bebê, mas é melhor você saber por mim do que por outro meio como foi com o jantar, ou as coisas vão ser muito piores.

– Pois fale... – pedi.

– Tem um motivo para a Elena e o Enzo terem terminado e foi exatamente por isso que eu pedi para que ela não te falasse nada – segurou a minha mão entrelaçando os nossos dedos – A verdade é que eu e a Elena vamos nos casar.

Soltei a mão dele quase que imediatamente...

– Casar...? – minha voz saiu em um sussurro – Você quer dizer, casar de verdade? Na igreja e de véu e grinalda?

– O senhor Gilbert acha que pode ser legal que a gente esteja casado quando a minha candidatura ao congresso for lançada, uma imagem de homem de família vende muito melhor para os eleitores – explicou – Elena insistiu com o pai que é muito nova para casar e que nós não temos tanto tempo de “namoro” assim, mas não adiantou nada. Uma festa de noivado está sendo feita, inclusive.

– E há quanto tempo você sabe disso? – quis saber.

– Há dois meses, apenas alguns dias antes de você vir me contar que estava grávida – respondeu – Depois de esgotarmos todas as formas possíveis desse casamento não acontecer, Elena decidiu falar com o Enzo e por mais que ele goste muito dela não conseguiu aceitar essa nova situação.

– Não posso culpá-lo, ele está totalmente certo – dei de ombros – Mas existe uma solução: é só você dizer ao senhor Gilbert que estamos juntos e eu estou grávida de um filho seu, por isso não pode se casar com a Elena.

– E assim eu perco o meu apoio dele e nunca vou conseguir entrar para o congresso – lembrou – Se em algum momento em que o senador Gilbert fosse aceitar isso caso eu não ficasse com a filha dele, ela acabou no momento em que o casamento entrou no acordo.

– Então é isso? Você vai escolher a sua carreira política em vez de mim? – sentia os meus olhos queimarem, mas eu não podia chorar agora, não na frente dele – Pensei que o nosso amor fosse mais forte que isso.

– E ele é, claro que eu não estou escolhendo a minha carreira política em vez de você, nunca faria isso – garantiu – Eu te amo e amo a nossa filha, não importa o que aconteça, eu estarei sempre ai para vocês... Lembra?

Agora aquele discurso dele mais cedo faria todo o sentido.

– Estou começando a entender tudo... – soltei uma risada nervosa – Você quer se casar com a Elena, conseguir o seu apoio político, entrar no congresso e enquanto isso eu serei a sua amante. Não é isso?

– De certa forma – disse – Mas do jeito que você fala parece uma coisa ruim.

– Existe alguma maneira de isso ser uma coisa boa? – elevei o meu tom de voz mais alto do que estava planejando – Ah sim, claro! Você terá a sua esposinha de fachada e enquanto isso você pode vir aqui me encontrar para transarmos sempre que quiser. Estou desconfiando que só você vai se beneficiado nessa história!

– Care... – deu olhar era uma mistura de preocupação e tristeza – Você está com raiva e um pouco magoada, talvez fosse melhor conversamos uma outra hora.

– Será que eu vou ser convidada para o jantar de noivado? Quero muito ser convidada para madrinha, afinal, sou a melhor amiga da noiva – prossegui, ignorando totalmente o seu pedido – Já sei, hoje eu convidei a Elena para ser madrinha da Emma, já que vão se casar, você pode ser o padrinho dela. Minha filha! Só minha! Com um pai desconhecido, como vai estar na certidão de nascimento dela; já que o homem que me ajudou a fazê-la é covarde demais para assumir as responsabilidades!

– Tenho certeza de que são os hormônios falando, então vou dar um desconto – insistiu – Você não deve pensar nada disso de verdade.

– Vai embora, Stefan – no momento em que eu me levantei senti uma pequena pontada na barriga, mas consegui disfarçar – Quero ficar sozinha!

Sem olhar para trás eu caminhei em direção a cozinha; eu estava tremendo e com uma pequena dor de cabeça também. Fui até a geladeira e peguei um copo d’água com a intenção de me acalmar.

Ouvi o barulho da porta batendo e quando me virei na direção da sala Stefan não estava mais lá. É melhor assim.

***

Não gosto de demonstrar fraqueza, mas a verdade é que eu passei as duas horas seguinte chorando sem parar no meu quarto; chorando de raiva... E para piorar a dor de cabeça tinha ficado pior e não podia nem mesmo tomar nenhum remédio por causa do bebê.

Simplesmente não acredito que isso está acontecendo. Eu perdoei o Stefan depois de saber a respeito do namoro falso dele e da Elena, aceitei que namorássemos escondidos, tudo isso na esperanças de que um dia as coisas poderiam ser normais para nós, mas a verdade é que ele nunca teve essa intenção, eu seria eternamente a outra e teria que aceitar isso.

Ainda não acredito que rejeitei a bolsa Mikaelson e o estágio em Londres por causa dele. Abri mão do meu maior sonho por amor, mas infelizmente Stefan não foi capaz de fazer a mesma coisa por mim.

– Tudo bem, Caroline, chega de chorar por quem não te merece... – minha voz saiu ligeiramente anazalada por causa do choro – Você tem que começar a pensar mais em você e na sua filha. É só isso que importa.

Quando me sentei voltei a sentir aquela mesma pontada na barriga que tinha sentido mais cedo, só que dessa vez com uma intensidade maior que antes. Senti algo gelado descendo pelas minhas pernas e como estava de short pude ser o sangue sujando toda a parte interna das minhas coxas; o desespero tomou conta de mim na mesma hora, será que eu estou perdendo o meu bebê? Isso não pode estar acontecendo!

– Fica calma, minha princesinha – disse enquanto passava a mão pela minha barriga – Mamãe não vai deixar nada acontecer com você, eu prometo.

Meu celular começou a tocar e eu o peguei em cima da mesinha, era a minha mãe. Ela já tinha ligado outras vezes nas últimas horas, só que eu preferi ignorá-la, mas agora atendê-la era basicamente uma questão de vida ou morte.

– Alô! – falei no momento em que coloquei o telefone no ouvido.

– Oi, minha filha! – parecia aliviada por ouvir a minha voz – Finalmente você atendeu, estava ficando preocupada por você não dar notícias. Como foi o almoço com a Elena?

– Mãe, preciso que você venha para cá agora! – pedi, as lágrimas já voltavam a escorrer dos meus olhos – Acho que estou perdendo o meu bebê!

Notas finais
Pois é, meu povo, a Caroline finalmente caiu na real e ganhou um belo de choque de realidade. Por mais que o Stefan a ame ela nunca vai ser mais importante que a carreira política dele (pelo menos não nesse momento). E será que a Care vai perder o bebê? E agora a mãe dela já sabe da gravidez, será que o pai dela também vai descobrir? *** A primeira fase da fic está quase acabando, mas eu ainda prometo fortes emoções para os próximos caps. *** E é isso Comentem e digam o que estão achando. Ainda estou esperando pela primeira recomendação... :'(