Notas iniciais
oláa, sejam bem vindes a seaside e espero que gostem da história!

essa fic foi feita para eu poder fingir que jiara é end game enquanto a netflix não lança a segunda temporada de obx rs
boa leitura! :)

i feel in love in the seaside

part. I



Mesmo que de longe, Kiara poderia jurar ouvir o barulho das ondas quebrando enquanto repousava a cabeça no travesseiro. Seus olhos estavam cansados quase se fechando por conta do sono, os últimos dias andavam sendo bem desgastantes e ela mal tinha tempo para poder se recuperar de toda a carga que estava em seus ombros. Nada parecia ser a mesma coisa do que era antes sem John B e Sarah Cameron por perto, era como se uma parte essencial dos Pogues estivesse faltando. Agora eles eram apenas um caos generalizado, sem saber para onde ir, o que fazer.

Um suspiro escapou de seus lábios. Já estava cansada de ouvir que a polícia iria tomar conta daquela situação, mas como eles poderiam confiar nos policiais depois de tudo o que havia acontecido? Como eles poderiam continuar seguindo em frente sabendo que a soberba do Sr. Cameron havia matado sua filha e John B?

Estavam sem saída.

Revirou-se na cama, os pensamentos ruidosos o suficiente para afastar o sono. Kiara conhecia a sensação, suas noites de sono eram sempre mal dormidas e normalmente repletas de pesadelos. Queria gritar, poder fazer justiça com as suas próprias mãos, contar toda a verdade, mas aquilo estava fora de suas mãos, e as consequências de um ato impensado… Ela sequer queria pensar naquela possibilidade.

Desistindo de dormir, ela sentou-se no colchão. Os lençóis recém lavados estavam bagunçados de tanto que ela se remexeu ali, seus cabelos eram um bagunça de cachos e os olhos castanhos estavam perdidos em algum lugar. Por um momento, desviou seu olhar para o celular sobre a mesinha de cabeceira, desejou poder ligar para Pope… Todavia, a ideia logo lhe fugiu da mente. Desde que Jonh B fora dado como morto e todas as possibilidades esvaíram de suas mãos, Pope havia ficado… distante. Aquele verão tornou as coisas entre eles mais complicadas, e por algum motivo Kiara se via com medo de pisar em cacos de vidro, ela odiou isso. Antigamente, poderia discar o número de Pope ou qualquer um dos meninos tarde noite, passaria bons tempos conversando no telefone enquanto o trio de patetas a distraía de seus pensamentos ruidosos. Aquela era a dinâmica dos Pogues, enquanto os rapazes eram engraçadinhos e insensatos — na grande maioria das vezes -, Kiara era como a cabeça do grupo, alguém com a cabeça no lugar para poder freá-los e dar suporte quando necessário. Só que nunca lhe ocorreu que talvez, dessa vez, ela fosse a Pogue precisando de apoio.

Encolheu seu corpo na cama, abraçando suas pernas enquanto apoiava a cabeça nos joelhos. Não sabia mais dizer o que era luto e o que era a sua personalidade.

Um vibe fez com que sua atenção dispersasse dos pensamentos conflituosos. Kiera murmurou uma exclamação surpresa quando percebeu que JJ a ligava no meio da noite. Ela o atendeu sem pensar duas vezes.

― Kie? ― algo na voz dele do outro lado da linha não parecia certo. ― Me desculpe, eu-

― JJ, ― ela começou a falar, a voz grave por conta do sono ― o que aconteceu?

Para ela, não era difícil saber quando havia algo errado com o loiro. JJ não costumava expressar seus sentimentos explicitamente por palavras, e sim por ações. Bastava apenas o tom da voz dele para que ela soubesse que algo estava errado.

Ele respirou fundo do outro lado da linha. Kiara não saberia dizer se ele estava bêbado ou simplesmente chorando. Seu coração se apertou ao pensar na segunda opção.

― Me desculpe por ligar para você a essa hora. Eu… eu tentei falar com o Pope mas a mãe dele não quer que eu pise na casa dele. E eu… ― sua voz estava tão abafada que ela mal conseguiu ouvir direto o que ele dizia ― não posso… eu preciso sair de casa. Só por hoje.

Milhares de pensamentos cruzaram a mente de Kiara enquanto seu coração palpitava de medo, ela já havia visto JJ nesse estado antes e não fora por um motivo bom. Que se foda o fato de seus pais não permitirem que os meninos passassem a noite em sua casa, JJ precisava dela e naquele momento, aquela era a única coisa que importava.

― Você pode ficar aqui. ― sussurrou.

JJ fungou.

― Valeu Kie, estou dirigindo para aí.

― Estacione pelo menos uma quadra da minha casa e venha andando, acho que você consegue pular a minha janela.

― Ok.

Quando o loiro desligou a ligação, Kiara foi deixada no silêncio repleto de preocupação. Sentiu-se culpada por não ter pensado que as coisas poderiam ficar tenebrosas para o Maybank, JJ e luto era uma combinação destrutiva. Ficou bons minutos sentada na ponta da cama com o celular na mão, o estômago revirado.

Assim que ouviu o estalar de um galho, ela correu em direção até a janela de seu quarto. Mesmo no escuro era possível ver o loiro tentando escalar as paredes.

― Sobe pela lixeira. ― ela sussurrou enquanto colocava a cabeça para fora da janela.

Ele assentiu, tentando não fazer barulho enquanto subia na lixeira dos Carrera, logo em seguida agarrou a mão que Kiara lhe estendeu e impulsionou seu corpo para cima. Sentou-se no chão do quarto de Kiara e pendeu a cabeça para trás, de forma que ele encostasse na parede, enquanto tentava não gemer de dor.

― Merda, merda. ― foi tudo o que saiu dos lábios dela ao perceber que um dos olhos do Maybank estava vermelho e que havia sangue na regata cinza dele.

Kiara colocou-se de pé e com agilidade foi até o banheiro mais próximo pegar o kit de primeiros socorros, quando retornou para o seu quarto, trancou a porta e acendeu uma lamparina a fim de visualizar a situação melhor. Os cabelos loiros de JJ eram um bagunça — como sempre foram -, os olhos azul oceano dele estavam avermelhados e os machucados em seu rosto… Ela sentia que havia falhado com ele por não ter conseguido ajudar antes, por não ter impedido que aquilo acontecesse. Não era necessário uma palavra por parte do Maybank para que Kiara soubesse que o culpado era seu pai.

― Desculpa, Kie.

A garota balançou sua cabeça em sinal de negação, o fato de JJ estar pedindo desculpas por ter pedido ajuda… Procurou despistar as lágrimas enquanto puxava a regata dele para cima, para seu alívio, ele não estava tão machucado quanto estava na noite em que ela o encontrou na jacuzzi. Mesmo assim, limpou as feridas dele em silêncio enquanto o garoto apertava os olhos, procurando não chorar. Tudo o que ela queria era ajudá-lo, poder fazer alguma coisa para que aquilo parasse.

― JJ tem que ter algo que nós possamos fazer…

Ele não falou nada, estava muito cansado de apanhar, cansado de discutir e pensar. Tudo o que JJ queria para aquela noite, era a certeza de que poderia dormir em paz, a certeza de que estaria protegido. Apenas fechou seus olhos, sentindo-se mais tranquilo na presença dela.

A Carrera suspirou e quando finalmente terminou de cuidar dos ferimentos de JJ, ajudou-o a levantar- se e sentar-se em sua cama. O loiro sempre fora mais alto que ela, mas ali, daquela forma, ele parecia apenas um garotinho assustado.

― Eu só queria poder conseguir fechar os meus olhos e dormir. ― a voz dele permanecia embargada ― Só quero conseguir dormir.

Havia tormento nos olhos dele. Era fato de que JJ era naturalmente errático, mas Kiara nunca o viu tão instável como naquela noite.

― Você pode dormir aqui JJ. ― respondeu em um tom sério ― Está protegido aqui.

― Mas os pesadelos…

― Estarei aqui quando você acordar. ― ela disse de forma suave.

Não havia malícia na forma em que JJ deitou na cama de Kiara, aninhando-se ao corpo da amiga. Ele repousou sua cabeça na barriga dela, começando a sentir-se mais tranquilo com a sensação de ter os dedos dela passeando por seus fios loiros, como se aqueles mesmos dedos estivessem dedilhando uma nova melodia ainda desconhecida no braço de um violão.

― Sei que você e o Pope não estão bem, por isso andam tão distantes… Eu só queria poder continuar sendo a pessoa que conseguiria fazer as coisas serem normais novamente. ― desabafou cabisbaixo, sem ousar olhar nos olhos dela.

Kiara surpreendeu-se com aquela fala, não passou por sua cabeça que JJ havia percebido que a perda de John B e de Sarah, ainda mais quando as duas haviam acabado de retomar a amizade, havia a devastado tanto.

― Está tudo bem, JJ.

― Te amo Kie. ― Maybank murmurou depois de algum tempo em silêncio, e antes que Kiara pudesse sequer reagir aquela fala inesperada, ele mergulhou no mundo dos sonhos.





Na manhã seguinte, Kiara acordou sentindo seu corpo mole. Era a primeira vez em semanas que ela conseguiu ter uma noite inteira de sono completa. Conforme seus olhos começavam a se entreabrir, um cheiro característico invadiu as suas narinas.

― JJ? ― resmungou, ainda grogue.

Ninguém a respondeu.

Sobressaltou-se, levantando seu corpo da cama em um salto. Um xingamento escapou de sua boca quando percebeu que o loiro havia ido embora sem avisá-la, a única coisa que JJ deixou para trás fora o seu perfume impregnado em seu travesseiro.

Kiara sentou-se na cama, levando a mão aos olhos, tentando não ficar preocupada. O Maybank era como um gato vadio, que às vezes aparecia machucado na frente de sua casa, e apesar de ela querer ajudá-lo, aquilo era algo que dependia dele. Somente JJ poderia pegar os pedaços que sobraram de si.

Tentando não pensar muito, Kiara arrastou-se para o chuveiro. Tinha planos de passar o dia inteiro trabalhando no restaurante dos pais, o The Wreck, dessa forma conseguiria ocupar sua mente.





Já eram quase quatro horas da tarde quando Kiara terminou o expediente, ela colocou um biquíni por baixo da regata cropped preta e o short jeans branco gasto. Havia decidido caminhar na beira do mar, porque aquela seria a única forma de conseguir colocar a sua cabeça no lugar; entrando em contato com a natureza.

Seus pés se afundavam na areia molhada enquanto ela caminhava em um ritmo lento, a sensação da areia fugindo das dobras de seus dedos quando a água puxava os grãos de volta era reconfortante. Ela se viu sorrindo entristecida, aquela era Outer Banks, e porra, Kiara amava aquela cidade.

Conseguia se lembrar facilmente do dia em que os rapazes resolveram reunir os Pogues em uma espécie de luau — que acabou não dando muito certo -, todos combinaram de levar alguns alimentos e Kiara prometeu trazer seu violão para que eles puxassem um som na praia. JJ ficou responsável por levar chocolate, o que não aconteceu, o loiro chegou no luau com um sorriso de quem havia acabado de aprontar. Admitiu estar com uma “larica fodida” e acabou comendo os doces sozinhos, mas ao menos conseguiu trazer maconha o suficiente para o resto da noite.

Não era incomum que os Pogues terminassem seus rolês rindo completamente bêbados ou chapados. Kiara lembrava-se de uma vez em específico, em que Jonh B roubou uma garrafa de cerveja de sua mão. “Fique longe dessa cerveja Kiara, da última vez que você bebeu eu tive que escutar por pelo menos meia hora sobre a revolução do proletariado e a abstinência programada.” Pope deu risada e concordou com o Routledge, ele sempre fora cético sobre Kiara ser uma Kook e mesmo assim falar sobre movimentos socialistas.

“Primeiro, é obsolescência programada seu idiota, e segundo, cale a sua boca e me passe a cerveja John B.” Ela havia respondido de cara feia, porém os dois apenas deram risada.

O mais engraçado daquela situação, era que JJ normalmente seria a pessoa que iria escutar ela divagar sobre suas ideias políticas ou simplesmente sobre o como as tartarugas marinhas estavam morrendo antes mesmo de conseguirem alcançar o mar, logo após nascerem. Ele sempre fora o tipo de cara que trocaria ideia sobre qualquer coisa, com qualquer um.

“Te amo, Kie” as palavras que ele proferiu na noite passada ainda a atormentavam. Kiara fechou seus olhos com força, tentando lutar para que aquele pensamento sumisse o mais rápido possível. Ela não queria pensar naquilo, não queria pensar em JJ dessa forma porque…

Kiara parou de caminhar, apenas deixou que o vento soprasse sobre seus cabelos castanhos e o sol iluminasse sua pele negra. Ela piscou para poder proteger seus olhos da luz solar quando a alguns metros de distância conseguiu ver um certo loiro surfando. Ficou ali, apenas olhando JJ se entender sozinho com seus sentimentos em meio ao mar e com uma prancha em mãos.

JJ Maybank ofereceu um sorriso torto em sua direção e então tornou a surfar, como se o mar fosse lavar todo a dor que havia dentro de si.

Pela primeira vez em tempos, Carrera apenas parou ali, sentindo a areia escoar sobre seus pés enquanto assistia JJ fazer uma das poucas coisas que o deixava genuinamente feliz. Era uma vista muito bonita e rara para ser desprezada.

Ficaria tudo bem, eles iriam conseguir lidar com tudo aquilo. Era o que ela queria acreditar, e também era a mensagem que o sorriso de JJ lhe passava. Eles só precisavam de tempo para se reerguer.

― Você tem uma segunda prancha? ― ela gritou.

― A seu dispor madame.



...



Kiara e JJ estavam sentados sob suas pranchas que boiavam conforme o ritmo do mar, o loiro segurava um cigarro em suas mãos enquanto a garota olhava distraidamente para o pôr do sol atrás deles. Era algo que preenchia o coração de Kiara, ter passado aquele fim de tarde com o Maybank como nos velhos tempos, surfando, rindo e fumando. Aquela era a vida de Pogue que queria para si. Estava contente em pensar que apesar de tudo o que aconteceu, eles ainda eram amigos.

Era uma pena não ter John B e Pope por perto naquele momento.

Desviou o pensamento enquanto observava a fumaça escapar dos lábios do Maybank e logo em seguida desviou o olhar, sentindo-se subitamente acuada. Eram um dos raros momentos em que se deixava levar, esquecia do mantra que proferia constantemente e se deixava levar pela expressão leve no rosto de JJ a ponto de se tornar quase impossível parar de olhá-lo. Se o amigo percebia as olhadas que ela direcionava para si, não costumava falar nada a respeito.

Era uma situação de merda, ela tinha que admitir. Tinha feito JJ guardar um segredo, sendo que um ano depois beijara Pope na sua frente. Não conseguia imaginar o que se passava na mente dele, mas ao menos ficava contente por não ter ocasionado em uma briga. Aquela talvez fosse uma das coisas que mais admirava em JJ, além do fato de ele conseguir ser um puta de um surfista, era sua capacidade de lhe dar o espaço que precisava, nunca questionando suas atitudes. JJ nunca fez com que ela se sentisse sufocada, e às vezes, poderia jurar ver um vislumbre de decepção em seu olhar, embora o loiro sempre desse o seu melhor para apoiá-la, mesmo que aquilo doesse.

Kiara sempre se negou a ficar com outro Pogue, todavia desde que John B interpretou mal suas reações e lhe roubou um beijo… bem, tudo foi por água abaixo.

Quando parava para pensar e lembrava de ter beijado Pope na frente de JJ, Kiara não podia evitar se sentir mal. Os Pogues eram tudo o que ela queria e precisava no momento certo de sua vida, amigos. Ela odiava se sentir sozinha, uma pária ao lado daquelas crianças Kook, e os rapazes sempre viveram livremente sem terem de se preocupar com as festas e as etiquetas. Kiara os invejava e eventualmente se sentiu honrada por fazer parte do grupo deles, porque havia acabado de perder a amizade que cultivou com Sarah Cameron e estava terrivelmente sozinha.

Havia dito para si mesma que jamais iria deixar o que quer que fosse abalar o porto seguro que conseguiu construir: sua amizade com os Pogues. E agora o que lhe era extremamente precioso, estavam morrendo.

“Você realmente não se importa de ser vista com a gente? Quero dizer, até um tempo atrás você andava com a princesinha dos Kook” o tom sincero e inconscientemente acusatório de JJ veio a sua mente, ele havia lhe dito aquilo na primeira festa em que Kiara aparecera publicamente com os Pogues. Tornou-se oficial: Kiara Carrera estava andando com os surfistas pobres de Outer Banks.

“Por que a pergunta? Você quer que eu vá para o outro lado da praia me juntar aos Kooks?” ela perguntou em tom irônico, com um sorriso no canto do rosto. O sorriso para qual JJ não conseguia parar de olhar.

Era tão humilhante e embaraçoso, a forma óbvia em que ele se atraiu por Kiara no exato momento em que ela entrou para o grupo dos Pogues. A cada palavra que saía da boca dela, a cada discussão que ela ganhava de John B, ele não conseguia evitar pensar que ela era A garota.

“Claro que não madame, apenas queria ter certeza de que você tem em mente que-”

“Uma vez Pogue, sempre Pogue. Acho que eu ainda me lembro o lema perfeitamente.”

Um sorriso abriu-se lentamente nos lábios de JJ, e por todas as entidades superiores do universo, Kiara estava apostando em todo o seu autocontrole para não se deixar levar por aquela visão. Ela queria amigos, uma âncora, e JJ Maybank era perfeitamente errado para ela. Todavia, Kiara falhou uma única vez, permitindo que seus olhos vislumbraram aqueles lábios avermelhados se retorcerem de uma forma adoravelmente sarcástica.

Estavam em um canto escuro na beira da praia, John B e Pope estavam mais à frente procurando por cerveja. Distraídos demais para perceber o que estava acontecendo atrás deles.

Tudo aconteceu muito rápido, a mão de JJ agarrou sua nuca e em outro momento seus lábios estavam juntos. Ele tinha gosto de liquor e maconha, era uma combinação estranha mas quando a língua dele estava em contato com a dela… Aquilo parecia o gosto do paraíso. Kiara poderia perder-se ali, estragar tudo o que havia lutado e ansiado por conseguir, deixar-se levar por JJ Maybank, ser mais uma garota que ele levaria para a cama e então destruir a amizade que tinha construído com os outros garotos. A ideia de ter aquilo só por aquela noite e nunca mais…

Não.

Afastou JJ com a palma da mão, os olhos azuis dele tremeluziam, confusos e magoados.

Kiara se odiou por ser o motivo daquele olhar perdido, se odiou mais ainda quando lhe disse que Pogues não podiam ficar com Pogues.

Ela era uma mentirosa, e o pior tipo de mentirosa possível. Porque era hipócrita e mesmo assim JJ nunca jogou aquilo contra ela, nunca a puxou pelo braço e gritou, como uma tentativa de vomitar seus sentimentos frustrados.

Não podia evitar se fazer distante, e foi o que ela fez durante todo esse tempo.

Te amo Kie”.

A garota facilmente poderia ser pintada como um monstro caso não retribuísse os sentimentos de JJ, mas… seria pior ainda caso ela de fato, sentisse a mesma coisa. E se ele ao menos soubesse, que no fundo dos pensamentos do morena, Kiara ainda possuía aquela memória guardada consigo, que ela tentava — sem obter sucesso algum — encontrar em outros lábios o que ela encontrara em JJ; um melhor amigo e algo a mais.

Algo no qual ela temia arriscar o que já havia conquistado.

Piscou.

Estava de volta para a praia, boiando em cima da prancha enquanto JJ sorria torto em sua direção.

― Que brisa intensa, você ficou olhando para o horizonte, estática, por uns dez minutos.

Kiara revirou os olhos.

― Só estava pensando.

Quando voltou a olhar para o loiro, percebeu que ele estava contendo uma risada. Prontamente Kiara ergueu uma sobrancelha, e o simples gesto foi o suficiente para que ele cedesse seu pensamento.

― Só estava lembrando que o primeiro apelido que John B te deu foi Hannah Montana.

Os olhos castanhos reviraram-se, ela tentou conter um sorriso.

― Porque eu tenho passagem para o melhor dos dois mundos. ― Kiara balançou a cabeça negativamente enquanto os cabelos molhados se moviam junto.

O loiro apoiou seu braço nas bordas da prancha enquanto relaxava o corpo, ainda haviam rastros dos machucados da noite anterior em sua pele. Da mesma forma em que seu pescoço e suas costas estavam marcados por arranhões de algumas noites atrás, marcas que Kiara também buscava ignorar, porque sabia que alguma outra garota havia sido responsável por aquelas marcas.

― JJ, eu sei que quando John B estava por perto, ― ela não ousou pronunciar a palavra “morto”, jamais conseguiria ― você costumava passar as noites na casa dele. Bem, meus pais vão surtar se te encontrar lá em casa… mas saiba que você é bem vindo para ficar.

Durante um breve momento, JJ esticou seus lábios em um meio sorriso surpreso.

― Você não precisa fazer isso Kie.

― Bom, mas eu estou fazendo.

Ele ergueu as sobrancelhas.

― Bem mandona, gosto de você assim. ― o típico sorriso malicioso brincou em seu rosto, e que inferno, aquilo fora o suficiente para desfazer a expressão séria no rosto de Kiara. Naturalmente ela daria um tapa no braço do Maybank, numa forma de despistar a tensão sexual que sempre espreitava quando as conversas dos dois seguia para aquele rumo, todavia acabou se deixando levar.

― Não sabia que você gostava de garotas mandonas.

― Vou te poupar dos meus pensamentos sobre esse tema. ― JJ piscou de forma descarada em sua direção e dessa vez, mesmo quando Kiara estreitou os olhos para ele, o Maybank apenas riu e não falou nada.