Notas iniciais
Para o início deste capítulo temos a música Mente Mayor, canta por Christopher Uckermann. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=PA10VVC9oDY E para a segunda cena, temos a canção base e título desta história. Se te Olvido, por Kalimba. Aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XdbzkQwevkQ

Christopher

“Pronto llegare a nuestro encuentro, me siento listo ya”

Assim como quando eu fui embora, agora eu tremia, fui manipulado pelos meus tiques que se sobressaiam quando eu estou nervoso. Antes, era um nervosismo e um misto de receio por está me despedindo dela, de não saber como eu seguiria em frente depois de decidir viver sem ela.

Agora era um nervosismo de ansiedade por reencontrá-la, voltei finalmente cedendo à saudade que sentia. Por várias vezes, pensei em voltar. Mas, como voltaria? Sem mais e nem menos, ainda mais de tudo que eu fiz para deixar Ani feliz. Tudo que eu poupei e me privei para a felicidade dela.

Amadurecimento, talvez essa seja a palavra chave, para o meu relacionamento com Ani desse certo. Nós dois precisávamos viver separados e pelo menos alguma vez na vida, saber como era estar sem o outro. Amadurecer sozinhos para poder funcionar juntos. Quando por fim, esse amadurecimento se concretizou no meu caso não perdi tempo e voltei, arriscando, se não conseguisse Ani como mulher que amo, me prometi me contentar com sua amizade.

Desci do Táxi dando uma gorda gorjeta para o taxista, colocando os pés na calçada recebi uma mensagem de Marian revirei os olhos.

“Tem realmente certeza, daquilo que você está fazendo Christopher. Está me trocando por uma mulher que só o fez sofrer. Marian.”

Durante o tempo que estive fora, fiquei peregrinando por vários lugares tive a desculpa perfeita do trabalho, dei assistência musical a diversas bandas e cantores desconhecidos, mas que eu enxergava um potencial, porém Suécia e Espanha foram os lugares onde fiquei grande parte do meu tempo, Suécia por alguns familiares meus viverem lá e Espanha, por que eu conheci Marian ela foi me conquistando aos poucos, tivemos um bom relacionamento, ela era mais velha e experiente. Aprendi muito com ela, mas em tudo o que ela fazia eu buscava Ani.

Nosso namoro ficou cada vez mais desgastado ainda mais com as minhas viagens e quando me reaproximei de Ani. Ela percebeu quanto distante estava dela, até que descobriu minhas mensagens e telefonemas, vi a decepção no seu olhar quando presenciou a intimidade que nunca existiu entre nós dois.

Terminei o nosso namoro apesar de seus protestos depois que lhe confidenciei toda minha versão do meu namoro com Ani.

Ao reler a mensagem neguei a cabeça, não podia voltar com Marian e priva-la de conhecer outros caras que pudessem fazê-la feliz.

Confirmei o endereço que Guilhermo me passou. Difícil foi convencer o porteiro a entrar e sem que ele achasse que eu fosse um assaltante, pior ainda quando implorei para não ser anunciado. Mas, estranhamente Rodrigo me ajudou nesse quesito.

:- Deixa ele entrar, Fernando, a namoradinha dele deve está ansiosa o esperando. – Falou agressivo, me dando as costas não sem antes jogar um olhar de desdém sobre mim.

Então, subi confuso para o andar de Ani, chegando a sua porta. Bati e toquei a campainha, mais nervoso que antes. Os tiques estavam à flor da pele, quem me visse me acharia um louco, pelos movimentos repetitivos. Me sentia pronto para revê-la, da minha maneira é claro.

:- Pelo amor de Deus, Rodrigo, Já chega você não cansa de... – Podia ouvir sua voz irritada de dentro do apartamento. Senti meu coração vibrar abaixo do meu peito. – ela abriu a porta, mas se abaixou sem sequer me olhar. – Não, Ronaldo. Não! – ela tentava conter o cachorro pequeno.

:- Você nunca gostou de Rodrigo, o que te deu Ronaldo? – ela finalmente conseguiu coloca-lo no colo, mas o quase o derrubou quando viu que não Rodrigo e sim eu.

:- Hey, garoto. Como você está? – Antes de cair Ronaldo, foi ligeiro o bastante para pular no meu colo, agora tentava lamber meu rosto. Foi impossível não sorrir, ao menos ele estava feliz ao me ver.

Ani somente me encarava desacreditada, com os olhos arregalados como se visse um fantasma ou uma lembrança. E depois de brincar com Ronaldo o deixei voltar para dentro com o rabo abanando de felicidade.

:- Por Deus, Como você está linda! — Constatei ao vê-la de tão perto.

:- Christopher? O que você faz...? – Ela gaguejou me olhando com a boca aberta.

:- Não está feliz em me rever? – Perguntei inseguro passando a mão pela minha cabeça, não sabia se ela estava feliz por me ver. Talvez conseguisse ouvir meu coração batendo fortemente.

De repente ela desabou a chorar, fiquei assustado, até que ela me abraçou forte. Chorando no meu pescoço. Eu a abracei com um braço e fiz com que entrássemos em seu apartamento com o outro coloquei minha única mala para dentro, fechando a porta com o pé, fiquei preocupado com Ani que não parava de chorar.

:- Ani, Por Deus, me diz por que está chorando? O que aconteceu, vim em má hora? – acariciei seu cabelo e respirava seu perfume que não mudou, como eu esperei por esse instante.

:- Não, não é isso. Eu estou tão feliz por te ver, não sabe como eu senti sua falta, Chris. – Ela se desfez do abraço e colocou suas mãos cercando meu rosto liso, sem barba. – E olha como você mudou e está lindo. Me olhou com os olhos azuis brilhando pelas lágrimas, me admirando.

:- Você também está linda e esses olhos azuis chorões. – Eu sorri de lado, passando o polegar abaixo dos seus olhos limpando ainda as lágrimas.

Ela me abraçou mais uma vez e me puxou para seu sofá, para conversamos. Fui mesmo que confuso pela sua choradeira, contei a ela tudo o que fiz desde que parti e escutei atento tudo que ela fez sobre sua vida. Não falamos nada sobre o sentimento que nos rondava, o amor que sentíamos um pelo o outro, estávamos engatinhando, fortalecendo nossa amizade, intimidade que sempre tivemos, conversamos, rimos por nada. A felicidade era gritante entre nós.

:- Nossa já anoiteceu! – Exclamei olhando para fora. Totalmente escuro. – Tenho que ir.

:- Não, Não, não vai. Fica aqui, mais um pouco. – ela disse manhosa, passando a mão pela minha cabeça, estava deitado no seu colo.

:- Que isso Ani. Não posso. Se bem que eu não avisei ninguém que estou na cidade, nem tenho lugar para dormir. — Eu sentei no sofá.

:- Então mais uma razão, dorme aqui? – A encarei, surpreso pela proposta, ela devolveu o olhar decidido. – Tem um quarto de hóspedes aqui, se quiser ficar a vontade. – completou depois de um momento.

:- Ok. Eu aceito.

Confesso que fiquei tentado com a possibilidade de ficar mais perto dela. Mesmo que separados por paredes, sabia que não aconteceria nada entre nós. Não tão cedo, depois de tanto tempo longe. Ainda mais que aparentemente ainda estava namorando Rodrigo. Tomei banho, jantei com ela e fomos dormi tarde, na hora de nos despedimos ficamos sem graça, como se desejássemos ir além de um simples “boa noite”.

As lembranças do passado e emoções do presente, não me deixaram dormir. Revirei a cama até desistir de cai no sono. Me levantei e andei pelo apartamento, abri uma fresta para ver por dentro do quarto de Ani, ela estava de costas não consegui ver se dormia bem. Desisti e fui em direção à varanda, precisava esfriar a cabeça e as sensações.

:- Não consegue dormi, Chris? – Não esperei que ela aparecesse por ali.

:- Não, desculpe se te acordei.

:- Não se preocupe, não conseguia dormir mesmo.

Ficamos em silêncio, cada um encostado na sacada olhando à vista, quietos. Todas as emoções que tentava afastar voltaram mais fortes derrubando todas minhas barreiras após a chegada de Ani.

…Esa noche blanca y serena que se fue entre tu piel,

talvez ¿A donde fue?...

E impulsivamente me deixei comandar por essas emoções, todas minhas células gritavam de saudade por Ani. E dei ouvidos a elas, me aproximei de Ani a cercando, essa não me recusou, me olhando diferente ela se virou de costas à vista e de frente a mim. Eu a prensei entre a sacada e meu corpo.

Abaixei meu rosto para seu pescoço, voltando respirar seu perfume, eu e Ani mantivemos os olhos fechados, apenas nos sentindo. Passei a ponta do meu nariz subindo pelo seu pescoço, molhei os lábios, contendo o desejo de beijá-la não sabia se podia. Me repreendendo apertei a barra de ferro que formava a grade, da sacada.

:- O que você quer fazer, Chris? – Ani sussurrou ainda com os olhos fechados, parecia adivinhar o que eu desejava. – Talvez, seja o que eu também quero.

:- Eu estou louco para te beijar. – Falei rouco olhando da sua boca para seus olhos abertos agora, trombando nossas respirações me afastei um pouco do seu rosto, para poder decifrá-la.

O azul dos seus olhos tinha um brilho especial, ela subiu as mãos por meus braços e acariciou no meu peito. Antes ela comentou risonha que eu tinha crescido nesse aspecto também, cada vez mais deixava de ser o bebê dela e me tornava um homem. Ela me disse antes com os olhos com misto de admiração e incerteza. Subiu o polegar para o começo das minhas orelhas e os outros dedos em direção a minha nuca.

:- Com certeza, é o que eu também quero. – Ela me respondeu, carinhosa.

Se aproximou tocando meu nariz, meu coração estremeceu ansioso, abri a boca esperando a chegada de seus lábios, deixei minhas mãos parar em sua cintura. Ela contrariando o que esperava não me beijou como desejava. Passou seu nariz do lado esquerdo para o direito, me dava o meu beijo favorito. Urso polar. Nossos lábios se roçavam conforme ela me provocava. Sorri trazendo-a para mais perto, decidido a roubar seu fôlego. A beijei.

Vibrei quando ela se entregou a mim. Nossas línguas se encontravam e matavam a saudade que tinha uma da outra, como esperei tanto para provar do seu gosto de novo, fiquei arrepiado, aprofundei mais o beijo, explorando, reconhecendo. Só parei quando a senti ficar sem ar. Sorri de lado. Missão cumprida.

Ela jogou a cabeça para trás, sorrindo. Acariciava minha cabeça, já que não tinha mais os cachos, raspei o cabelo deixando do jeito que ela gostava.

:- Ani... Sei que você tem Rodrigo, mas eu não me arrependo de tê-la beijado.

Ela riu e voltou a me encarar, me abraçando pelo pescoço.

:- Eu me arrependo menos ainda mais por que, não existe Rodrigo e eu. – ela falou baixo como se confidenciasse o final da frase.

:- Vocês não estão juntos? – Perguntei feliz.

:- Não. Ele me traiu, terminamos hoje. – ela me deu um selinho. — E você?

:- Estou olhando para minha futura namorada.

:- Está querendo dizer que não teve ninguém durante esse tempo todo? – Ela me perguntou desconfiada.

:- Eu não disse isso, tive algumas mulheres, mas só uma namorada. Marian. – fui sincero.

:- Hm, e foi sério? Você gostava dela? – perguntou enciumada.

:- O que interessa saber é que, não podemos namorar uma pessoa gostando de outra. Comodismo estraga com qualquer relacionamento. – Apertei o nosso abraço.

:- Eu também.

:- O que?

:- Namorei Rodrigo amando você. – disse direta.

…Aunque me trague el dolor, y trate de esconder mi amor, aunque me haga fuerte hoy, Te extraño...

:- Está disposta… ou teria coragem de voltar para mim? – Perguntei incerto nas palavras. – Nos dois amadurecemos e mudamos, sei que se nos esforçamos podemos da certo e...

:- Sim.

:- Poderemos finalmente formar uma família, ser feliz. Por que minha felicidade é com você, e sei que sua felicidade é comigo... – O “sim” dela só foi processado, só por isso parei de pronunciar meu discurso.

:- Voltaria a ser minha namorada? – A questionei com os olhos arregalados.

:- Sim! – ela disse sorrindo.

Sorri feliz, meus tiques voltaram, meus olhos piscavam em sequências, Ani ria do meu ataque.

:- Como senti falta, dos seus tiques, Chris olha que antes eu demorei a me acostumar. Não consegui responde-la ela me beijou exigindo que correspondesse.

:- Bebê? – interrompi outro beijo que se iniciava.

…Me quedo ciego, se escapo el color, ya no me toca ahora mas el sol, cada latido decía: Aun te amo!!!

:- Quanto tempo esperei ouvir você me chamar assim! – disse feliz mordendo os lábios agora vermelhos.

Peguei uma de suas mãos e coloquei sobre meu coração que batia rapidamente por ela.

:- Cada batida dele é por você, ele grita dizendo que te ama, Bebê. – disse firme olhando profundamente nos seus olhos, tentando gravar nela minha declaração indireta. O meu castanho se afogava no azul dela.

:- Eu te amo, também bebê. – depois de se aproximar sussurrou com a boca no meu ouvido, me fazendo arrepiar, se separando do meu corpo ela pegou uma das minhas mãos, tremi de ansiedade, fiz uma cara maliciosa achando que ela colocaria minha mão no seu coração também. Ela riu de mim.

Me puxou pela mão para entrarmos no apartamento, fez com que eu a abraçasse por trás.

:- Vem, deixa eu matar a saudade de você por inteiro. Deixa eu te amar, Christopher. Estremeci quando vi que ela me puxava para seu quarto.

Depois de um resto de noite de entrega e redescoberta, dormimos abraçados, acordei com os raios de sol no meu rosto. Suspirei feliz por Ani está acomodada no meu peito. Prometi a ela silenciosamente que a faria feliz, não importava mais nada. Ou quem aparecesse em nossas vidas, eu lutaria por nosso amor e não cederia a minha covardia, indo embora outra vez. Sabia que nosso futuro não seria fácil que poderíamos errar, mas se tivéssemos um ao outro tudo daria certo. Acariciei seu cabelo, eu era bobamente apaixonado por essa mulher desde sempre. Sorri, ao tentar levantar ela me puxou de volta para cama.

:- Hey, não sai daqui não. Fica frio. – abriu os olhos azuis sorrindo, me falando rouca de sono.

:- Eu ia preparar nosso café. – fazia cafuné no seu cabelo.

:- Não, deixa para depois vem me dar bom dia?

:- Bom dia.

Falei deixando meu corpo pesado ficar em cima dela, dei um beijo de urso polar nela, sorrindo me deixando invadir por uma plena felicidade. Voltei para meu antigo lugar na cama, a puxando para ficarmos abraçados, estávamos sorrindo imbecilmente perdidos no nosso silêncio, no nosso mundo, no nosso amor.

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