Notas iniciais
Aqui está~ Não falta muito para terminar, então talvez eu não dou tempo só de um dia para postar o próximo capítulo.
Qualquer erro, avise-me! Obrigada por ler.

- Não brinque comigo, Kamila. –a olhei, furiosa.

- E por que eu faria uma brincadeira desse tipo em uma situação destas? –ela ficou com raiva.

- Ok... Sem raiva. –suspirei, me acalmando. – Como isso aconteceu?

- Bem... –Kamila mudou rápido de humor. – O corpo estava no local do crime enquanto os detetives buscavam alguma pista, então eles deixaram o corpo lá por um dia e trancaram o local. Os pais não estavam dormindo em casa desde então. Logo no dia seguinte, o corpo tinha desaparecido!

- Isso não é um engano? Não levaram para alguma outra delegacia?

- Nada, já ligamos em todos os lugares.

- Isso é um absurdo... –desviei meus olhos um tanto preocupados.

- É bizarro! O que o assassino quer? E se talvez pegassem o corpo para enterrar em algum lugar e não nos avisaram?

- Eles iriam nos avisar.

- Estamos ficando sem respostas! –Kamila segurou nos meus ombros.

- Eu sei, eu sei... –abaixei a cabeça.

- Acho melhor começarmos com as buscas das pistas.

- Ou colocar como caso não resolvido... –falei baixo, mas o suficiente para Kamila ouvir.

- Eles colocaram o futuro dessa família e da justiça em nossas mãos. Não deixe o fracasso lhe subir a cabeça. –ela me olhou séria, até demais.

- Fracasso? Está me chamando de fracassada? –a encarei.

- Não, mas posso muito bem te chamar de medrosa. Eu sei que não resolvemos o caso de quatro anos atrás, mas não quer dizer que vamos desistir de todos os casos com medo de fracassar de novo. Está com medo, isso sim.

Não podia ficar nervosa ou tentar dizer o contrario, Kamila tinha toda razão. Mesmo sendo infantil, as palavras dela sempre foram sábias.

- E o que vamos fazer? –levantei a cabeça.

- O nosso melhor. –ela sorriu.

- Odeio quando você me da lição de moral.

- Eu adoro! Sinto-me como a líder! –ela riu.

- Não se acostume. –ri também.

- Então, suas ordens são?

- Vamos para casa de Joon procurar pistas, avise os outros para ficarem perto e atentos.

- Essa é minha líder. Entendido!

E assim fizemos, fomos a pé até a casa de Joon. Os policiais ficavam sempre por perto e atentos a qualquer pedido nosso ou qualquer suspeita.

Estávamos andando em direção da casa até que Kamila disse:

- Você conversou com Kanri?

- Sim. É mesmo uma criança tímida, gentil e bem bonita. Deve ter uns oito anos. Ela estava em frente do bosque, apenas observando. Carregava um ursinho remendado em seus braços.

- E o que ela disse?

- Que amava muito Joon. Ela pediu para que eu o ajudasse, fazendo justiça e colocando o assassino na cadeia. Eu tive muita dó dela... Quero ajuda-la.

- Tadinha, ela gostava mesmo dele... –Kamila lamentou. – Claro que vamos ajuda-la!

- Eu quis leva-la para casa dela, mas ela quis ficar lá. Disse também que o gostava do bosque, os pais a levavam lá quando era criança e depois ficava lá sozinha enquanto eles trabalhavam em casa.

- Parece que ela é um pouco solitária...

- Concordo.

Finalmente chegamos ao lugar. Entramos na casa de Joon e começamos a procurar, somente eu e Kamila.

Na cozinha estava tudo em ordem e bem arrumado, apenas alguns copos sujos estavam dentro da pia. Na sala estava tudo arrumado, apenas algumas almofadas dos sofás caídas no chão.

- Aqui também está tudo certo e bem arrumado. Parece que eles arrumaram bem a casa antes de sair. –Kamila disse no quarto dos pais.

- Certo, aqui também.

Fui direto ao quarto de Joon. Na entrada já tinha alguns pingos de sangue e algumas pegadas, já que vários detetives entraram e saíram deste quarto. Bem no centro do quarto havia uma poça enorme de sangue, ao lado havia mais marcas. Parecia que o corpo tinha sido arrastado e, por fim, roubado. Na parede tinha algumas manchas também, indicando que o assassino cortou a vítima e o sangue jorrou para os lados. Eu me sentia um pouco perturbada com isso tudo.

Nos cantos havia alguns brinquedos, alguns com pingos de sangue também. Abri seu guarda-roupa, estava tudo em ordem. Algumas roupas tinham caído dos cabides e as gavetas estavam reviradas também. Talvez ele procurasse alguma roupa.

Percebi um baú no canto do quarto. Fui até ele, um baú azul com alguns desenhos de balões e manchas de tinta, talvez feita até pelo Joon. O abri, tinha alguns brinquedos e bugigangas. Doces, mamadeira, chupeta, brinquedos de bebê e outras coisas.

- É um baú onde ele guarda as coisas passadas dele, como lembrança. Eu mesma tive um e guardo-o até hoje. –Kamila surgiu ao meu lado.

- Desde quando você estava aqui?

- Desculpe, tinha acabado de ver lá em cima e vim te procurar. –ela sorriu. – Não achei nada suspeito, está tudo em ordem.

- Até agora, eu também.

Comecei a revirar o baú até que achei um pequeno pedaço de papel, pegando-o.

- O que é isso? –Kamila olhou curiosa.

- Não sei.

Ele estava meio dobrado e bem amassado. Abri, conseguindo ver um pouco com dificuldade o que estava escrito. Estava bem claro.

- Eu... Eu... – tentava ler.

- Eu te amo. –Kamila conseguiu ler.

Sim, era isso que estava escrito no papel, “Eu te amo”.

- Possivelmente é um bilhete de Kanri para Joon.

- Espera, tem mais um! –Kamila apontou para o baú.

Olhei e vi mais um pequeno pedaço de papel amassado jogado lá. O peguei e dei direto para Kamila, ela lia com mais facilidade.

- Você também me ama? –ela leu.

- Também deve ter sido de Kanri.

- Uau, ela estava levando a sério.

- E Joon não respondeu, por que ela me disse que ele nunca deu uma resposta a ela.

- Crianças... –Kamila riu.

Dei mais uma revirada no baú, achando um pedaço ainda menor de papel.

- Parece que esse papel foi rasgado, aqui só tem uma parte. Está escrito... Vamos ficar. –consegui ler.

- A segunda parte! –Kamila pegou rapidamente o papel do baú antes de mim. – Esse eu não consigo ler...

Peguei o papel da mão dela e puis próximo ao outro.

- Vamos ficar juntos para sempre. –li a frase inteira que formou no papel.

- E Joon deve ter rasgado esse no meio.

- Sim, eu me lembro de que Sra. Sandra disse que ele não gostava de gente insistente.

- E por que jogou ai? Era mais fácil jogar no lixo.

- Isso é um baú de lembranças passadas, certo?

- Sim.

- Talvez ele quisesse guardar como lembrança, mas ele já considerava isso um passado...

- Como assim?

- Ele não queria Kanri para sempre na vida dele.

Kamila me olhou, parecia um pouco surpresa.

- O psicológico dessas crianças me assusta. –ela estremeceu.

Não pude deixar de concordar. Principalmente Kanri, ela não parecia ter pensamento de criança, estava levando a sério demais. Crianças têm seu jeito e personalidade dependendo de como é sua vida em casa, possivelmente o de Kanri deve ter influencia dos pais. Talvez porque ficasse muito sozinha.

- Vamos para casa de Kanri. –me levantei, ordenando.

Kamila balançou a cabeça positivamente e me seguiu.

Acelerei um pouco os meus passos, eu estava curiosa e preocupada. Kamila me acompanhava sem fazer nenhum comentário, estava com uma expressão séria.

Chegando à grande casa de Kanri fomos normalmente recebidos, os pais dela já sabiam que íamos investigar por causa dos outros policais que chegaram antes.

- Obrigada por deixar. –cumprimentei-os.

- Não é nada. Estaremos na sala. –ela sorriu e foi para perto do marido.

Novamente, Kamila e eu nos separamos pela casa, já que era grande. Kamila foi para o andar de cima e eu fiquei no de baixo.

Fiz praticamente a mesma rotatória. Na cozinha,tudo em ordem e bem limpo, na sala estava o casal e tudo arrumado também. Peguei rumo para o quarto de Kanri.

Era incrivelmente belo. As cortinas douradas e o quarto todo arrumado, o carpete vermelho escuro e quadros de... Não sei o que era ao certo, pareciam bonecas. Eram estranhas, senti calafrios passarem pelo meu corpo em certos momentos.

No armário estava tudo arrumado. As roupas eram todas de cores escuras, a maioria eras vestidos. Ela tinha bastantes tiaras vermelhas. Não a duvidas, ela ama vermelho. Percebi que uma gaveta estava um pouco aberta.

Logo que abri a gaveta vi um monte de desenhos de giz. Eram desenhos de paisagens, e eram bem bonitos para uma criança. O que mais me chamou a atenção foi um desenho que havia uma garota e um garoto. Entre eles tinha um coração, os dois o seguravam.

- Representa Joon e Kanri? –Kamila apareceu do meu lado.

- Pare de fazer isso! –me assustei.

- Desculpe. –ela riu. – Já terminei lá em cima, está tudo em ordem também.

- Aqui também, até agora só achei isso.

- Bem... Acho que não podemos afirmar nada sobre isto...

- Talvez consiga perguntar para a própria. –dobrei o desenho e guardei no meu bolso.

Quando sai do quarto percebi que não havia visto um armário próximo da sala. Quando o abri, só havia livros. Possivelmente era uma estante de livros.

- Querida, por favor, ignore a poeira de nossos livros. –a mulher disse direta da sala.

- Sem problemas. –sorri.

- Ei! Acho que conheço esse livro! –Kamila se aproximou de mim, animada. – É muito bom! Vocês já leram?

- Kamila, se acalme... –odiava dar ordens deste tipo á ela.

- Deixe-me ver! –ela pulou pra cima de mim, esticando o braço em direção do livro.

- Kamila, pare! –tentei afasta-la.

Ela bateu a mão no livro, fazendo-o cair. Quando ele caiu no chão, foi aberto. Não era um livro.

De dentro dele caíram vários objetos afiados, pareciam facas de várias formas. Aquilo não era um livro, era uma caixa. Comecei a pegar os outros livros da estante e abri-los, eram todos caixas com facas dentro.

- Interessante... –Kamila disse. – Desculpem pela bagunça!

- Não foi nada. Isso é só uma coleção nossa que meu cunhado nos deu. –a mulher sorriu.

- Entendo.

Peguei a ultima caixa e vi que havia um facão. O facão estava inteiro sujo de sangue junto com a caixa.

- Isso... O que isso faz ai?! –a mulher se levantou e se aproximou de mim, surpresa. – O que é isso?!

- Eu é que te pergunto... –a encarei.

- Eu não faço ideia!

- Uau, isso é interessante... –Kamila disse.

Olhei para ela e vi que estava tirando algumas coisas que estavam escondidas atrás dos livros. Era potes grandes, o suficiente para caber... Um órgão. Kamila olhou para mim, sorrindo confiante.

- Isso faz parte da coleção. –o marido foi até a mulher, sorrindo.

- Peço para que se sentem novamente, logo isso será discutido. –Kamila disse por mim.

- Isso é um absurdo, estão bagunçando minha casa! –a mulher nos olhou furiosa.

- Eu quem dou as ordens aqui, obedeçam-me. –Kamila os fitou com o olhar.

Eles ficaram quietos e se sentaram novamente. Quando Kamila ficava brava ela realmente assustava qualquer um.

Peguei meu celular e disquei o número da delegacia.

- Cerquem a casa de Kanri, imediatamente! –ordenei.

Notas finais
Até mais~