Scorose- I Will Love You

25 A Nightmare. And Scorpius.


Notas iniciais
Heyyyyyyyyy! Voltei e nem faz um mês desde o último cap! Avanço! Espero que gostem, eu tirei algumas coisas desse cap da minha vida (de novo) e outras eu inventei como sempre, até porque nem todas temos a chance de morar em uma mansão e de ter um Scorpius apaixonado por você... W.S.

As criaturas ficaram no meu quarto até uma da madrugada. Graças a Merlin não ficaram pressionando para saber o que realmente tinha acontecido (estava na cara que não acreditavam na minha história). Tudo o que fizeram foi tentar me animar falando idiotices e zoando.

Depois de encostar a porta, deitei-me na minha cama e adormeci.

***

– Isso, Rose! Muito bem! – eu estava sentada na sala da nossa antiga casa. Sentia os cabelos ainda ralos caindo sobre meu rosto e montava um quebra-cabeça da Babbitty, a Coelha. Havia acabado de completa-lo e a voz do meu pai, que estava sentado ao meu lado, soava. Olhei para a sua face e vi orgulho estampado nela.

Apontei meu dedinho gorducho e pueril para a imagem no chão em minha frente e falei com a voz de uma criança de três anos:

– Babbitty. – ele assentiu e eu comecei a rir. Repentinamente, Hermione apareceu na sala com a barriga enorme de uma mulher grávida. Sua face era de extrema urgência.

– A bolsa estourou Ronald. – ele levantou-se de súbito e pegou a bolsa que deixavam perto da porta. Segurou o braço da esposa e aparatou com ela.

Comecei a chorar ao perceber que estava sozinha. Algum tempo depois (ainda não tinha noção de tempo na época) tio Harry apareceu na sala e pegou-me no colo, cessando minhas lágrimas. Daquele dia em diante, minha vida nunca mais foi a mesma. Não depois do nascimento do Hugo.

***

Eu havia acabado de montar um quebra-cabeça de cem peças com a paisagem de Hogwarts e estava transbordando de orgulho de mim mesma. Tinha sete anos na época.

– Papai! – chamei. Ele apareceu na porta para ver o que estava acontecendo. – Terminei o quebra-cabeça da tia Luna! – ele deu um sorriso e ia falar alguma coisa quando Hugo o chamou também. O menino tinha cinco anos na época.

– Papi, terminei o quebra-cabeça também! – ele apontava para a imagem da Babbitty que eu havia montado sozinha pela primeira vez aos três anos. Era o primeiro quebra-cabeça que ele conseguia montar sem ajuda. Ronald foi até ele e pegou-o no colo.

– Parabéns, filho! Ficou lindo! Nunca vi uma criança mais inteligente! – simplesmente abaixei a cabeça e comecei a embaralhar as peças novamente.

***

Nove anos. Estávamos nos arrumando para a festa de Halloween que o tio Harry estava dando. Ronald estava falando com alguém no jardim e mamãe estava ajudando Hugo com a sua fantasia de Dobby. Eu estava vestida de Rowena Ravenclaw.

– Mamãe, me ajuda a fechar atrás do vestido? – perguntei. Ela virou a cabeça rapidamente e voltou a ajeitar Hugo.

– Estou meio ocupada agora, querida. Tente fechar sozinha, estamos atrasados.

***

Acordei de súbito e sentei-me na cama. Sentia o rosto úmido. Passei a mão por ele violentamente, brava comigo mesma por acordar chorando por um sonho tão bobo. E, sim, era bobo.

Eu já deveria ter esquecido essas lembranças a muito tempo. Deuses, a primeira foi quando eu tinha três fucking years! Mas essas malditas em particular estavam me atazanando o sono de vez em quando.

Fui até banheiro e limpei o rosto, ainda estranhamente fragilizada. A cena da última noite veio à minha cabeça e tudo o que eu quis fazer foi me enfiar na cama e chorar como uma criancinha.

Voltei para o quarto e peguei a caixinha que estava na última gaveta do meu criado mudo. Com a chave que escondia no travesseiro, abri o cadeado que a trancava e peguei dois comprimidos da cartela. Coloquei as coisas no lugar e apoiei os comprimidos no bolso do pijama enquanto saía do quarto.

Assustei-me ao chegar na porta da cozinha e notar a luz acesa. Scorpius estava sentado em uma cadeira e encarava o nada. Seus pensamentos pareciam estar longe. Fui até o armário e peguei um copo. Estava levantando quando ouvi meu nome ser chamado.

– Rose?- virei-me e vi Scorpius me encarando com preocupação.

– Oi. – eu disse fracamente e virei-me par pegar a água. Não confiava na minha voz tão pouco tempo depois de ter chorado.

– O que aconteceu? – ele perguntou.

– Nada. Só fiquei sem sono. – respondi. O copo terminou de encher e eu virei-me de costas para o Malfoy. Peguei os remédios e coloquei-os na boca. Um deles era apenas um calmante, mas o outro...

– O que você está tomando? – o loiro se meteu. Agora ele estava parado ao meu lado e me encarava inquisitorialmente.

– Vamos colocar desse jeito: meu cérebro tem probleminhas que ficam calmos sempre, menos quando alguma coisa acontece. Então eu preciso da ajuda desses coleguinhas que eu odeio pra voltar a ser uma pessoa normal. – uma das merdas da minha doença era a bipolaridade. Em uma hora eu estava triste e chorando e na outra estava tratando meu melhor amigo como se ele fosse uma criancinha.

– O que você tem, Rose? – ele estava realmente preocupado agora. Senti o efeito dos remédios começando a me trazer de volta para a realidade e minha raiva momentânea evaporou. Voltei a ser a menina quebrada que eu me sentia.

– Não é da sua conta. – eu não queria falar sobre aquilo e já estava indo da cozinha quando Scorpius segurou meu pulso.

– Vamos, Rose. Você está morando na minha casa, é minha melhor amiga e a pessoa em que eu mais confio! Você deveria confiar em mim também. – seu olhar era ferido. Meu coração apertou-se.

– Eu só não quero falar nisso. Dói, Scorpius. – eu disse e fiz biquinho. Ele suspirou.

– Pelo menos deixa ir com você até o seu quarto. – e assim subimos. O silêncio reinava entre nós. Eu sabia que ele estava se roendo de curiosidade, era visível até mesmo pelo seu modo de andar. Paramos entre a porta do seu quarto e do meu e nos encaramos. – Boa noite, Rose. – ele estava virando para entrar em seu quarto quando eu chamei-o.

– E você, por que estava lá em baixo? Acabei não perguntando.

– Preocupação. – pelo seu olhar eu já sabia quem era o alvo de tal sentimento.

– Certo, eu conto. Mas se você começar a me tratar como uma boneca de porcelana eu juro que te lanço um Crucio! – seus olhos brilharam de excitação. – Mas eu não vou falar aqui. O quarto da Violet é próximo e eu não quero que ela ouça. – ele assentiu e abriu a porta do próprio quarto. Entramos e eu sentei em sua cama.

Sim, eu estava sentada na cama do quarto de um cara que já confessou me amar e que já tinha ficado comigo zilhões de vezes usando um shortinho curto e regata. Meu cérebro realmente ficava exaltado nas crises. Scorpius sentou-se ao meu lado e eu comecei a falar.

– Quando eu era pequena os meus pais realmente me tratavam bem. Eu não tenho muitas lembranças daquela época, mas sei que foi a melhor da minha vida. Até que o Hugo nasceu. O esperado era que as atenções se dividissem metade do tempo deles com o Hugo e metade comigo, mas... Eles basicamente me esqueceram. Tudo era para ele. Se ele fazia uma coisa, ganhava parabéns e prêmios. Se eu fizesse a mesma coisa... Nada. É duro para uma criança se sentir excluída depois de saber o que é ser amada. Através dos anos eu fui adquirindo uma depressão forte. Eu já nasci com os distúrbios, mas era tão mimada, paparicada e tão nova que não detectaram os sintomas. E, como eu já disse, depois que o meu irmão nasceu... Agora eu tenho depressão nervosa. Ela só me ataca quando tenho fortes sentimentos ruins como o que aconteceu hoje. Preciso do remédio para voltar ao normal quando ela ataca assim. O outro comprimido era pra dormir, porque a depressão também causa insônia.- despejei tudo de uma vez. – O problema é que o remédio só concerta a parte medicinal. O psicológico não é afeado. As feridas doem, Scorpius. Dói cada vez que ele me xinga, me despreza, me... – e eu estava voltando a chorar. O loiro passou os braços pela minha cintura e puxou-me para perto.

– Rose... Se eu pudesse, pegaria cada caco e cada rachadura do seu coração e colaria com o maior carinho. Eu não posso fazer isso, mas juro que vou tentar até o último dos meus dias. – eu simplesmente quebrei com aquilo. Ele era tão doce, gentil, carinhoso, sabia exatamente o que fazer e falar e ainda me amava! Ele me amava e eu nunca fazia nada decente pra retribuir tudo o que ele me dava... Eu sequer o amava do mesmo jeito.

Abracei-o com força e cravei minha face em seu peito. Ele forçou o abraço e apoiou o queixo na minha cabeça. Ele fazia leves carícias nas minhas costas e eu apenas chorava. Chorava por tudo que me afligia. Chorava por ele. Pelo meu pai. Pela minha mãe. Chorava pelas idiotices que havia feito. Pela infância maldita. Pela depressão.

Ele soltou-se delicadamente do meu abraço e me fez levantar, ainda segurando-me. Afastou as cobertas ainda arrumadas e ajudou-me a deitar. Eu estava tão acabada que não fazia nada além de obedecer-lhe. Ele tampou-me e deitou-se ao meu lado. Eu podia sentir sua barriga dura em minhas costas e seu braço em minha cintura. Ele beijou o topo da minha cabeça novamente e arrumou o queixo sobre a minha cabeça.

– Tudo vai ficar bem, pequena. – o cheiro de menta de sua cama era tão tranquilizador quanto seu corpo atrás de mim. Adormeci antes que o calmante tivesse tempo de fazer efeito.

Notas finais
COMENTEM! Eu percebi que ninguém comentou nada sobre o comentário dela sobre problemas e remédios e tals, mas mesmo assim espero que o cap tenha sido interessante... Passei um bom tempo planejando ele e acho que merece comentários... W.S.