Scorose- I Will Love You
35 10 Years Later
Notas iniciais

Passei na casa dos Malfoy e peguei minhas coisas antes de ir para o aeroporto. Astoria ficou em um estado entre tristeza e felicidade, triste por eu estar indo para a França e feliz pela minha milagrosa reconciliação. Não tive coragem suficiente para falar o que havia acontecido com Scorpius, então quando a patriarca Malfoy perguntou, eu disse que estávamos bem.
~*~
Já tinham se passado dez anos. Isso mesmo, dez fucking anos desde que eu saíra de Hogwarts. Poderia dizer que passaram voando, mas seria uma mentira maior do que as contadas no Profeta Diário.
Foi difícil me acostumar com a rotina, as aulas, professores e alunos de Beauxbatons, principalmente levando em consideração que o meu francês estava um lixo na época. Fui parar na Persévérer, a Casa que Violet mais odiava. Detalhes. De qualquer modo, o fato de ter parado na Casa mais caótica e louca da escola ajudou um pouco na adaptação, afinal, era um tanto semelhante com a Toca no Natal.
Falando nos Weasleys, eu voltava para casa em todos os feriados. Papai e eu nunca mais havíamos brigado como ant4es, apenas discussões bobas e rotineiras. Ele podia ser uma pessoa decente no fim das contas. Mamãe ficou um pouco horrorizada quando Fleur explicou como eram as coisas na minha nova Casa escolar, mas não levantou objeções. Conversávamos muito sobre livros e as matérias da escola e acabei descobrindo que o francês de Hermione não era nada ruim.
Hugo e Lily estavam namorando firmemente desde o sétimo ano de Hogwarts, para o desgosto dos Potters em geral. Al E Violet ainda estavam em seu romance de novela. Ele, no ano passado, conseguiu uma posição como apanhador no Chudley Cannons e conseguiu fazer o time ir para o primeiro lugar em todos os campeonatos disputados.
A loira estava trabalhando para o Profeta, tentando fazer daquele jornal decadente algo menos idiota. Ao que parece, Violet tinha o dom para escrita, pois as vendas já tinham aumentado em 88%.
Nunca mais tive notícias do resto de aborto (vulgo Zabini), graças a Merlin e todos os deuses nórdicos.
No meu segundo ano em Beauxbatons, conheci Aidan Rosier, um sangue-puro da Persévérer, começou a andar comigo. Ele tinha cabelos loiro-doirado e olhos verdes que sempre carregavam um quê de malícia. Em um ano, começamos a namorar.
Ele era conhecido em toda a escola por suas pegadinhas legendárias e personalidade difícil, mas, ao que parecia, éramos iguais demais para ficarmos separados. Enquanto ele mostrava carrancas e xingamentos para os outros, direcionava a mim olhares cúmplices e carícias.
Na véspera da nossa formatura, já com dezessete anos, ele me chamou até os jardins frondosos da escola e entregou-me um anel de compromisso prateado com uma granada vermelha e reluzente.
Nos formamos juntos e logo depois da festa, encaminhamo-nos para o meu presente de graduação: um apartamento na parte nobre da França bruxa. Lá, tive a minha primeira vez.
Eu tinha decidido utilizar o cartão que ganhara no aniversário de Scorpius, no quinto ano de Hogwarts, e arrisquei uma carreira de cantora. O resultado foi milhares de vezes melhor do que o esperado: Em um ano, já tinha feito duas turnês e meu primeiro álbum tinha ultrapassado As Esquisitonas.
Patrick, meu agente americano, deu a ideia de lançar as músicas para o mundo trouxa também e eu ainda não acreditava com o sucesso repentino. Minhas músicas estavam em primeiro lugar tanto nas paradas bruxas quanto nas trouxas, e eu mal tinha tempo de respirar.
Aidan largou sua carreira de medibruxo apenas para virar meu guitarrista e poder acompanhar todas as viagens que a profissão nos obrigava a fazer. Mas não posso reclamar de todos os lugares incríveis que conhecemos no tempo livre, nem do tempo que passamos juntos.
No meu aniversário de vinte e quatro anos, eu estava em um show em Londres bruxa, minha casa, quando Aidan simplesmente subiu no palco, se ajoelhou, tirou uma caixinha do bolso e disse em um microfone:
– Rose Weasley, você é o amor da minha vida. Descobri isso no dia que você chegou em Beauxbatons com aquele vestido azul, o cabelo meio desarrumado e os olhos vermelhos. Você roubou o meu coração naquele dia e eu nunca mais o peguei de volta. Nem quero. Rose, a minha vida só existe por sua causa, e, por isso, um simples pedido não seria suficiente. Então, você quer me dar a honra e o prazer indescritível de ser seu marido? – não pude deixar de lembrar das palavras de Scorpius Malfoy, nove anos antes, quando ele tinha me pedido em namoro na frente de toda Hogwarts. Horas antes de me trair com aquela morena X. Toquei inconscientemente o camafeu de rosa que havia ganhado do dono daqueles olhos tão tempestuosos que nunca tive coragem de abandonar. Parecia que se eu tirasse aquele colar, uma parte importante da minha alma partiria junto. Uma parte que eu ainda não estava pronta para abandonar.
– Eu... Aidan, seu idiota, levanta! É claro que sim! – eu tinha amado Scorpius Malfoy. Aquele sentimento me consumiu por um ano e meio, tirando a minha força vital, um machucado que reabria e sangrava todo santo dia. Ele não escrevera nenhuma carta em nove anos. Não mandara nenhuma mensagem, recado, nada. Apenas silêncio. Acho que se Aidan não tivesse aparecido, eu teria ficado louca. Ele me ajudou a lembrar que o mundo ainda era bom e ensinou-me que podemos amar mais de uma vez na vida.
~*~
– Ainda não acredito que você se casa amanhã, Ross. – Violet arrumava os cachos loiros enquanto eu terminava de passar o batom. – E que o marido não é o Scorpius... – lancei um olhar severo a ela. Sua aliança de ouro brilhava na mão. Ela e Al tinham acabado de voltar da lua de mel no Caribe.
– Violet, minha maldita flor de cacto, você está atrasada em dez anos. Porque esse é o tempo em que eu e o Malfoy não nos falamos. Dez anos. Supera. Eu já fiz isso. – disse tentando não deixar transparecer a pontada que aquelas palavras lançavam no meu peito.
– Porque você é uma chata orgulhosa que não vai atrás dele. – ela retrucou.
– Ele me traiu, Violet, e sequer tentou se explicar. Não vou atrás dele nem que me paguem.
– Ele não te traiu, Rose. Eu já expliquei. O resto de aborto tomou uma poção polissuco com um fio de cabelo que encontrou na sala que eu prendi vocês dois no quinto ano. O Scorps não foi falar com você porque respeitou o que você falou da última vez que se viram.
– E como você sabe disso mesmo? – questionei. Ela olhou de modo sonhador para o anel e deu um sorrisinho.
– Segredo.
– Enfim, você me obrigou a entrar nesse vestido de festa dois dias antes do meu casamento para uma despedida de solteira, então cala a boca, para de se embonecar e vamos para aquele bar de uma vez.
Violet insistiu para que a despedida fosse dois dias antes do casamento, assim eu estaria curada da ressaca e de qualquer coisa que me acontecesse até a cerimônia.
Juntas, aparatamos para o Northen Lights Bar em Iceland. Como já era noite, podíamos ver o céu estrelado pelos vidros do lugar e a aurora boreal brilhava no céu. Estava tudo perfeito. As convidadas já tinham chegado, então tudo que restava fazer era beber e comemorar o meu iminente casamento.
~*~
Eu já devia ter bebido umas duas garrafas de whisky quando em afastei do resto do grupo (todas também completamente bêbadas) e sentei em um banquinho em frente ao bar. Estava agora com uma cartolinha ridícula trazida por uma das meninas e uma máscara que escondia meu rosto.
Apoiei a cabeça no balcão e simplesmente fiquei lá parada pensando em nada até que uma voz masculina se fez ouvir.
– Dia ruim? – perguntou. Aquele timbre era vagamente familiar.
– Minha despedida de solteira, mas acho que bebi demais. – falei me atrapalhado um pouco com as palavras.
– Acha? – perguntou. Dei uma risadinha.
– Eu amo o Aidan. Sabe, ele me ajudou muito quando mudei de escola depois de descobrir que o amor da minha vida me traiu. Mas lá no fundo... Beeeeeeeeeeeeeem lá no fundo, eu aho que ainda amo ele. – disse. Estava me sentindo estranhamente emocional, e o álcool não me ajudava muito. Percebi uma garrafa de fire whiskey na frente do homem com quem estava dialogando. Claro, era um bar bruxo. Era meio óbvio que ele seria um bruxo.
– Eu também perdi o amor da minha vida. Mas eu sequer fiz nada de errado. Um babaca usou uma poção polissuco para se passar por mim e beijou uma garota na frente dela... Ela me disse que não queria mais ouvir nenhuma palavra minha e, pelo tom, deixava claro que não queria mais ver a minha cara também, então deixei quieto, mas nunca consegui esquecê-la. – ele disse. Tive de virar para encará-lo, pois as semelhanças com a suposta história de Scorpius era muita. Ele tinha cabelos platinados e olhos tempestuosos. Além de um colar as Slytherin que eu havia dado a ele de presente de Natal dez anos antes.
Percebi quando seus olhos desceram até o meu pescoço acompanhando o movimento da minha mão, que tocou o camafeu de rosa que havia ganhado dele. Seus olhos se arregalaram e pronunciaram apenas uma palavra antes de alcançarem os meus:
– Rose.
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