Scorose- I Will Love You
36 What Have I Done?
Notas iniciais

Seus lábios eram os mesmo de dez anos atrás. Tudo ao meu redor pareceu desaparecer, e existíamos apenas nós dois naquela salinha no quinto ano, nos beijando como se o mundo dependesse disso.
Ao que parece, o meu dependia mesmo. E o sentimento era mútuo.
Scorpius me beijava transmitindo toda a saudade e desejo acumulados nos dez anos que se passaram sem que nos víssemos sequer uma vez. Nesse sentido, não era mais como Hogwarts. Ele estava mais experiente, mais voraz do que eu me lembrava. E todos os nossos beijos ainda estavam marcados a fogo em minha memória.
Sua mão direita vagava pela minha cintura, apertando-a, como se quisesse ter certeza que eu estava mesmo ali e não fugiria, enquanto a esquerda acariciava meus cabelos. Ondas de arrepios de ambos os locais desciam por todo o meu corpo.
Depois do que poderia ter sido uma eternidade ou apenas segundos, não consegui distinguir, separamos nossos lábios milimetricamente, com as testas coladas. Suas pupilas estavam totalmente dilatadas, e o cinza escuro mal era visível atrás daquela negritude. Ambos estávamos ofegantes.
– Você confia em mim? – ele sussurrou quase inaudivelmente, como se qualquer palavra mais alta fosse me mandar para longe novamente. Bem, elas pelo menos não ajudaram a tirar meu cérebro do torpor em que se encontrava. Acho que nem sequer pensei na resposta. Ela simplesmente pulou para os meus lábios.
– Sim. – ele pôs ambas as mãos na minha cintura e uma sensação estranha me envolveu. Por um segundo, parecia que havia um anzol puxando o meu umbigo, então apareci em um pequeno apartamento no que me parecia a Londres trouxa.
Estávamos na sala, onde havia um sofá verde escuro e um raque com um home theater e tudo o que podia se imaginar. Uma porta lateral estava aberta e eu podia ver uma bancada de mármore negro. Cozinha. A porta do banheiro também estava aberta, assim como a do quarto, onde apenas se via uma cama de casal que ficava a altura dos joelhos do Scorpius.
– Mi casa es su casa. – ele disse aproximando-se novamente. Uma parte minúscula do meu cérebro tentava me lembrar de algo importante... Uma palavra com “c”... Alguém com o nome iniciado em “A”, mas o torpor da bebida atrasava os meus pensamentos, e os lábios de Scorpius tão próximos depois de tanto tempo...
Se eu não conseguia lembrar, não deveria ser importante, certo?
Varrendo aquilo da minha cabeça, entreguei-me a outro beijo voraz. Era tão bom, depois de tanto tempo, que chegava a doer. A saudade me abandonava e parecia que um peso enorme havia sido tirado das minhas costas. Um peso tão antigo que eu havia até me acostumado.
As mãos do Malfoy, inicialmente na cintura, começara a vagar por outras partes do meu corpo e ele me guiou para frente (eu estava andando de costas, ele, de frente) até que minhas costas chocaram-se com uma parede.
Não sei como nem quando, mas em um momento, estamos nos amassando colados em uma parede, e, no outro, minhas pernas encontravam-se ao redor da cintura de Scorpius e os beijos estavam milhares de vezes mais vorazes.
Ele caminhou por mais alguns metros e logo estávamos deitados em sua cama, ele por cima de mim, distribuindo beijos pela minha clavícula e pescoço. Arrepios atravessavam até a minha alma.
Arranquei sua camisa com um puxão e logo meu vestido se fora também. Ao contrário de Hogwarts, eu estava pronta naquele momento. Afinal, já era uma mulher crescida e sabia o que viria a seguir.
Mas nada havia me preparado para o olhar voraz de Scorpius. Ele devorava cada pedaço de pele exposta como se fosse a coisa mais linda que já vida e sua vida dependesse disso. Súbita e violentamente, ele tomou meus lábios novamente.
~*~
Puxei mais o corpo de Aidan para mim. A manhã estava fria e minha cabeça martelava. Os olhos doíam devido à cortina que eu esquecera de fechar novamente. Inalei o ar pesadamente tentando encontrar forçar para abrir as pálpebras e enfrentar mais um dia.
Mas o cheiro que entrou pelas minhas narinas não era o de Aidan. E, pensando agora, o corpo que eu abraçava era esguio demais, visto que Aidan malhava e tinha músculos bem definidos.
As lembranças da noite anterior pularam para a minha mente, um pouco embaralhadas, mas ainda assim letais. O bar. A bebida. A conversa. Scorpius. O apartamento. Nós.
Abri os olhos, não mais preocupada com a luminosidade excessiva ou com a ressaca monumental. O loiro ainda dormia, um dos braços descansando no peito ao lado de onde minha cabeça repoisava segundos antes e a outra por baixo da minha cintura.
Meu corpo estava coberto apenas por um fino lençol e o vento que entrava pela janela sequer me incomodava. O que mais pesava era a culpa. Ela estava corroendo minha alma, pesando a consciência.
Eu havia traído Aidan. Traíra o cara mais perfeito que conhecera na minha vida. O único que me ajudara quando cheguei em Beauxbatons desolada, pensando que Scorpius havia feito a mesma coisa comigo.
Me sentia a pior bruxa da história.
Ajuntei as minhas peças de roupa espalhadas pelo quarto e vesti-as rapidamente, não aguentando mais estar naquele lugar. Tinha vontade de chorar.
– Rose? – a voz de Scorpius soava tão grogue quanto ele deveria estar e um pouquinho incrédula, como de ainda não pudesse acreditar que eu estivesse mesmo ali. Não consegui forças para responder. Ouvi as cobertas farfalhando, sinal de que ele havia sentado. Alguns segundos se passaram, e uma mão tocou o meu ombro. Não virei a cabeça. – O que aconteceu?
– O que aconteceu? – minha voz estava trêmula. As lágrimas agora rolavam pelas bochechas. – Eu traí o Aidan. Traí o cara que me ajudou quando eu me mudei pra uma escola totalmente desconhecida, em um país estranho, totalmente destruída porque o meu namorado havia feito exatamente a mesma coisa comigo. A diferença é que o suposto você não tinha transado com aquela menina. – meus joelhos cederam e eu desabei, ou pelo menos quase, pois meus cotovelos foram segurados pelo loiro antes que pudesse bater no chão.
– Rose... – ele parecia desolado. Ajoelhou-se na minha frente e encarou-me com aquelas orbes tempestuosas.
– Não me toque, Scorpius. – fiz uma pausa. Aquelas palavras, mesmo sendo as corretas, pareciam extremamente erradas e doíam ao sair da minha boca. – Eu tenho que ir agora. Sabe que tenho. Vou me casar amanhã e já fiz muitas coisas erradas. – Falei em meio às lágrimas. No momento em que fui apoiar a mão no chão para pegar impulso e levantar, vi o meu anel de noivado. Foi demais para o meu emocional já abalado. Lembrei-me do pedido de Aidan e de seu pedido. E do jeito que lembrei do Malfoy enquanto ele falava. – Eu sequer o mereço... – sussurrei para mim mesma, mas o loiro ouviu.
– Ross, nenhum homem vivo merece você. Você é simplesmente a mulher mais incrível e perfeita que já existiu. O que aconteceu ontem pode parecer errado, mas nada nunca pareceu tão certo para mim.
Não aguentando mais aquela situação, aparatei sem falar mais nenhuma palavra.
Apareci na sala do meu apartamento. Violet estava sentada no sofá, tagarelando ao celular. Ela desligou assim que me viu sem sequer dar tchau. Provavelmente estava falando com o Albus.
– Rose Jane Granger Weasley! Onde você passou a noite? – a loira estava quase tendo um ataque, porém parou de dar uma de louca assim que viu minhas lágrimas. – O que aconteceu? – perguntou já me puxando para o sofá.
– O Scorpius apareceu lá e eu estava bêbada... Nós aparatamos pro apartamento dele e... – eu não conseguia continuar. Cada palavra me remetia às cenas da noite anterior e a culpa sugava minha energia vital como se uma ferida tivesse sido aberta a facadas na minha alma. Ao que parece, o que eu disse foi o suficiente para Violet entender a situação toda.
– Meu Merlin... Rose... – ela simplesmente me abraçou e esperou até que as lágrimas parassem, algo que demorou uma eternidade para acontecer. Tentei acalmar meus pensamentos, mas, em algum ponto desse processo, acabei caindo no sono.
~*~
Acordei no sofá com a cabeça no colo de Violet, a mesma posição em que eu havia pegado no sono.
Agora mais calma, fui até a cozinha e preparei um chá. Tinha de refletir sobre o que eu havia feito. Era óbvio que ainda amava o Scorpius, afinal, mesmo bêbada, eu nunca seria capaz de trair Aidan daquela forma. Ele não merecia ser tratado daquela maneira.
Não sei quanto tempo fiquei sentada naquela cadeira da cozinha, mas quando acordei de meus pensamentos, o chá estava frio e Violet me encarava do outro lado do cômodo.
– Já decidiu o que vai fazer da vida? – perguntou mansamente. Ela devia entender que eu estava em uma situação delicada.
– Eu não posso contar para o Aidan. Não é justo com ele, mas não sei qual seria sua reação, e o que os olhos não veem, o coração não sente. – ela assentiu. Dava pra ver que esperava que eu dissesse que amo o Malfoy e que desistia do Aidan pra seguir meu coração. Mas não ia acontecer. Aidan fora bom demais para mim nesses anos em que estivemos juntos de um jeito que o Scorpius nunca foi e ele não merecia ser trocado desse jeito, simplesmente por caprichos do meu coração indeciso.
Eu ficaria com ele, nem que isso custasse o meu amor.
– Desculpe, Scorpius, mas eu desisto de você. — sussurrei para mim mesma. Era o nosso fim.
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