Schyler

58 Minhas opções


Notas iniciais
Oiii, margaridas Então, tenho uma notícia muito ruim para vocês que amam Schyler: esse é o penúltimo capítulo :( :( bom, na verdade o próximo será o final e depois eu pretendo escrever um epílogo, então digamos que faltam dois capítulos para o fim de Schyler... Espero que vocês tenham gostado dessa fic, ela é muito importante pra mim e, acreditem, deu o maior trabalhão escrever uhsuhsuhs só queria agradecer desde já os comentários, as recomendações e as mensagens, vocês foram os melhores leitores que uma escritora como eu poderia ter

O mundo é uma grande caixinha de surpresas. Não apenas surpresas que o deixam... bom, surpreso. É como acordar em uma manhã de domingo e, ao abrir a janela, uma lufada de vento o mostra a chuva intensa que cai do lado de fora. Você se surpreende, não é? As mesmas coisas acontecem durante uma vida inteira, pois temos surpresas todos os dias desde o momento em que acordamos até o último segundo do dia.

Eu entendi isso quando nosso destino foi meramente traçado, ou pelo menos quando parte dele fora. Lembro-me muito bem de entrelaçar meus dedos aos de Gabriel e senti-lo respirando com uma calma que eu não via há um bom tempo. Era como se, apesar do medo, Gabriel sabia que tudo terminaria bem da mesma forma que senti quando o olhar do menino estava sobre o meu.

Nosso destino foi traçado de uma maneira que eu jamais esperei que fosse ser. Recebemos opções, algo que ainda não consigo compreender apesar de fazer sim algum sentido. Gabriel recebeu o perdão do céu como já havia sido prometido, porém ele teve a opção de retornar como um anjo da guarda e não arcanjo como eu esperei. Entretanto, por um instante, houve um sorriso de dúvida nos lábios de Gabriel antes de ele dizer que não.

Um simples não.

O menino não hesitou em continuar, mesmo que estivesse confuso pela recusa repentina de Gabriel. Ele seguiu para Tristan e Blair, dizendo que ambos estavam isentos de qualquer punição pelo o que estavam envolvidos e que a guerra, seria como se ela jamais tivesse acontecido.

Eu vi Tristan sorrir e Blair chorar.

Já Bastian, o menino não dirigiu tanto a palavra até ele, apenas que deveria se arrepender do que fizera no passado. Eu não entendi logo de cara, mas assim que o menino seguiu com suas ordens, eu finalmente compreendi.

– Cuide dela, há muito por trás da alma dessa garota.

Bastian, primeiramente não se moveu, mas depois um mínimo sorriso surgiu em seus lábios indicando que ele entendera muito bem o aviso. Seus olhos focaram em mim por um mero segundo avaliando minhas reações e se eu entendera da mesma forma que ele. Claro, eu sorri em resposta.

Logo depois do último aviso do menino de olhos dourados, o observei caminhando lentamente na direção de seus arcanjos, Uriel e Raphael, os quais estavam sentados na parte de cima da bancada esperando suas próximas ordens. Raphael tinha uma expressão dura da mesma forma de quando ele chegou no salão, porém agora, a mesma expressão parecia um pouco mais leve como se ele tivesse tirado um enorme peso do peito. Bom, talvez eu soubesse que peso era esse, principalmente depois da troca de olhares entre ele e Gabriel.

Fora como se eu pudesse ouvir o pensamento do arcanjo “Você está livre, irmão.”.

– E quando a você, minha querida Schyler. – ouvi o menino dizer. Agora, ele estava de pé ao lado de Uriel ficando da altura do arcanjo sentado. – Se fosse para seguir minhas regras, eu jamais poderia fazer o que tenho em mente. Todavia, vejo que algumas coisas precisam mudar por aqui. Então, posso lhe dar algumas opções, as quais devem ser muito bem pensadas por você.

A ideia de opções me deixara um pouco preocupada, tanto que mal pude esconder ao me afastar de Gabriel e fitar o menino. Um suspiro abandonou meus pulmões no instante em que dei um passo a frente.

– Alguns acham que anjos são criaturas de luz criadas para serem justos, bondosos e todas as qualidades que humanos, certas vezes não possuem. Bom, essa crença não está totalmente certa. Humanos podem se tornar anjos, assim como Nefilins que apresentam as características contrárias à de seus pais. Você, minha querida Schyler, demonstrou ter as características exatas de um anjo. Você foi justa com as pessoas certas, pregou o bem e nunca escondeu sua vontade quase que insana de ajudar a todos. Você tem as virtudes de um anjo.

Franzi o cenho.

– Mas eu não...

– Você pode se tornar um, — ele sorriu brandamente. – se for isso que deseja. Por ser a chave do que pode ser o futuro do mundo, você poderia realizar sua tarefa muito melhor como um ser celestial. Teria toda a ajuda que precisará. Mas isso cabe a você decidir, se quer se tornar um ser como nós ou continuar humana e ainda assim realizar sua tarefa para com a humanidade.

Não era exatamente a opção mais fácil que alguém poderia receber, afinal, estávamos falando sobre eu me tornar um ser como Gabriel. Por mais que eu quisesse, parecia não estar certo, como se a ideia de eu não ser mais uma quase humana pudesse fazer algum mal em si.

Eu me peguei olhando em volta procurando pela resposta como se ela fosse surgir magicamente nas paredes negras do Salão. Todos tinham total atenção sobre mim, não apenas o menino de olhos dourados que esperava por minha resposta ainda mais paciente do que eu jamais esperaria de alguém.

Eu queria ser um anjo? Queria poder realizar minha tarefa para com a humanidade sendo um ser como Uriel ou Gabriel?

Gabriel. Foi então que me todas as consequências de minha escolha surgiram em minha mente atingindo-me de uma só vez como uma bomba. Se eu escolhesse a primeira opção, teria que abandona-lo, pois ele escolhera ficar na terra ainda como um anjo caído. Ele escolheu aquela vida por mim e eu escolheria a outra e ficaria longe dele. Estava errado. Muito errado.

– Qual será sua escolha, Schyler? – tornou a repetir o menino fitando-me tão intensamente que meu estômago embrulhou.

– Eu... – um longo suspiro escapara de mim mais uma vez. – Eu escolho continuar Nefilim. Foi assim que nasci e assim que enfrentei cada obstáculo de minha vida. Se pretendo realizar minha tarefa para com a humanidade, será como sempre fui.

Até mesmo eu ficara surpresa com o quanto minha voz saíra confiante e decidida.

Com alguns passos para trás, entrelacei meus dedos aos de Gabriel observando-o sorrir de forma satisfeita e mal conseguindo esconder a felicidade por eu não só ter escolhido continuar normal, mas também, escolhera ele.

– Prefere a mim do que se tornar um anjo? – ele sussurrou mesmo que soubesse que todos o ouviam. – Enlouqueceu, Schy?

– Talvez. – num simples movimento, dei de ombros. – Eu escolhi você desde o dia em que trombamos naquele restaurante, renegado.

Gabriel sorriu, porém fora um sorriso diferente de qualquer outro sorriso que ele já dera antes. Foi algo como se todos os problemas do mundo não existissem e tudo o que ele tivesse no peito fosse uma única e pura felicidade apenas por eu ter dito aquelas palavras.

– Que assim seja. – ouvimos o menino dizer depois de algum tempo. Ao contrário do que achei, seu sorriso permanecia em seu lábios, mas agora, havia um ponto de seriedade em sua expressão. – Vocês retornarão a terra, mas lembrem-se, eu sempre estarei vigiando bem de perto. Sejam felizes, meus filhos.

E tudo ficou escuro.

[...]

Minha consciência retornou depois do que se pareceu uma eternidade de escuridão e perguntas mal respondidas. Apesar de ainda estar de olhos fechados, eu ouvia o som leve e delicado do vento balançando o que se pareciam árvores e outras plantas ao meu redor. Sentia o cheiro doce de flores e de terra. Meu corpo estava deitado sobre algo macio, algo que deveriam ser grama e plantas esmagadas por meu corpo. Sentia que as plantas ao redor balançavam com o vento e com isso, faziam cócegas em meus membros, inclusive em meu rosto.

A sensação era tão pura e boa que eu me senti mal apenas por abrir meus olhos.

Primeiro, eu vi o céu azul com apenas alguns pontos do branco das nuvens e alguns pássaros voando em duplas. Tudo parecia harmonioso demais para ser verdade, tanto que eu não queria olhar para baixo e em volta para descobrir onde estava.

– Schy? Você está bem? – a cabeça de Gabriel interrompeu minha visão do céu, fazendo com que seu rosto ficasse a centímetros do meu. Os olhos violeta encaravam-me de forma preocupada como se ele procurasse por qualquer ferimento, talvez um hematoma ou corte na testa.

Em resposta à suas perguntas desesperadas, eu ri e o empurrei para longe de mim para que eu pudesse me levantar. Agora, tinha a visão completa de onde estávamos, um lugar tão bonito que quase perdi o fôlego.

Estávamos sentados sobre um campo gigantesco e repleto de margaridas brancas. Todas balançavam de forma harmoniosa conforme o vento surgia no ar e bagunçava meus cabelos, os quais me impediam de ver tudo e eu era obrigada a afastá-los.

– É lindo, não é? – Gabriel se sentou ao meu lado dobrando as penas em frente ao corpo.

– Onde estamos?

– Em algum lugar nos Estados Unidos. – ele fitava à paisagem como se ela fosse a única coisa que importasse no mundo. – Não tenho certeza.

Aquelas palavras trouxeram-me de volta a realidade e lembrei-me de Bastian, Blair e Tristan, os quais pareciam não estar em lugar nenhum por ali. Desesperada, comecei a procura-los por toda a parte, porém encontrando apenas flores e mais flores.

– Onde eles...?

– Blair e Tristan estão na China. Decidiram que era lá onde queriam morar a partir de agora. Acho que Blair gosta as cerejeiras demais para vê-las apenas uma vez por ano. – Gabriel sorriu. – Fomos mandados para onde mais queríamos estar, Schy. Por isso eles foram para lá e nós ficamos nos Estados Unidos, porque é onde vivemos sempre.

Por mais feliz que eu estivesse por Tristan e Blair, senti um pequeno peso da consciência por nunca ter me despedido. Talvez, no Salão negro fora a última vez que nos veríamos desde então e isso me deixara triste. Tristan sempre foi como meu melhor amigo e Blair, bom, mesmo que eu sempre desconfiara dela, eu estava começando a admirar sua amizade. E agora, eu nunca mais os veria.

– Talvez possamos viajar até a China algumas vezes. – disse Gabriel como se lesse meus pensamentos. – Sabe, não conte para ele, mas eu vou sentir demais a falta daquele anjo tagarela.

Em resposta, comecei a rir ao me lembrar de como Tristan e Gabriel costumavam brigar. porque ele falava demais. Eram boas lembranças, desde o dia em que ambos me contaram sobre toda a verdade até os últimos segundos no Salão negro. Eu também sentiria falta daquele anjo tagarela.

– Mas... e Bastian? – eu me ouvi perguntando.

Lembrar-me de Bastian costumava ser um pouco doloroso, afinal, se ele nunca tivesse me abandonado eu nunca teria passado pelas coisas horríveis com meu padastro. Jamais teria sido chamada de aberração, os maus tratos e muito menos as vezes em que era jogada na escada de incêndio do prédio e trancada para fora.

Porém, se ele nunca tivesse feito isso, eu jamais teria ficado com Carrie, não teria descoberto a força interior que esse ódio por ele me fizera ter. Talvez, eu nunca tivesse nem ao menos ter sido a razão para que Gabriel desistisse da guerra que causara com os demônios. O mundo poderia ter acabado em trevas se ele nunca tivesse se apaixonado por mim.

– Bastian está por ai. – Gabriel entrelaçou nossos dedos em um ato para me acalmar, apesar de eu estar apenas quieta de preocupação com meu... pai. – Eu não ouvi seus pensamentos quando fomos mandados para cá, então não sei onde ele está. Mas... acho que ele preferiu assim, Schy. Bastian sempre viveu sendo um andarilho, talvez voltaremos a vê-lo por ai.

Por mais que estivesse feliz por ele por essa ter sido sua escolha, eu senti que uma lágrima me escapara dos olhos e fazia a curva sinuosa de minha bochecha.

– Espero que ele saiba que eu o perdoo por tudo. – murmurei.

Gabriel passou os braços ao meu redor em um abraço apertado.

– Ele sabe muito bem disso, Schy. Eu tenho certeza.

Ainda que eu estivesse tomada pelo abraço, senti que os braços de Gabriel se soltaram de mim e, ignorando minha expressão confusa, ele se levantou da grama e esticou o braço direito para que eu me levantasse.

– O que você...

– Anda, temos muito o que fazer. – um sorriso maroto surgiu nos lábios dele.

Com a ajuda dele, levantei-me da grama com um certo remorso por ter amaçado diversas margaridas, as quais se levantavam à medida que meu corpo não estivesse mais sobre elas.

– Droga, vai me matar de curiosidade, anjo caído?

Havia uma expressão sedutora no rosto de Gabriel no instante em que senti suas mãos puxando-me firmemente pela cintura em direção a ele. Com os corpos grudados, eu o vi aproximar o rosto em minha direção deixando nossos lábios à milímetros de distância.

– Cuidado, Nefilim, anjos caídos têm fama de serem maus.

Por mais que eu me sentisse tentada com aquela voz baixa e com um maldito tom sedutor, encarei-o fixamente deixando minha expressão irônica tomar conta de meu rosto.

– Se eu tivesse medo de você, renegado, nunca teria me apaixonado.

Notas finais
Schyel é um casal mordível demais pqp HAHAHAHA Ei, espero que vocês comentem, porque a fic está no final e pelo amor né, isso não vai matar vocês ou fazer os dedinhos caírem!!! Beijos, até o próximo :) x