Schools Carnage

2 Capítulo 1: Bitter dreams, sweet reality


Abri meus olhos lentamente. A claridade fornecida pela janela aberta era o suficiente para me impedir de abrir os olhos sem incomodá-los. Olhei a hora em meu celular que estava no chão, ao lado de minha cama. Olhei para o visor esperando que fosse no máximo a hora do almoço. Mas logo me assustei ao perceber que já eram 17;30, o que significava que estava mais do na hora de me aprontar para ir para escola!

Tomei banho tentando superar o fato de que havia perdido o dia inteiro. Imagino que acordei a essa hora por ter ido dormir tarde demais na madrugada anterior. Ainda assim me surpreendi com o tamanho de meu próprio sono. Eu perdi o dia inteiro! Pretendia fazer um trabalho atrasado aquela tarde, mas pelo visto não conseguirei entrega-lo a tempo, já que hoje era o último dia para a entrega.

Antes de ir para o ponto de ônibus, me olhei no espelho e vi que minha “cara de sono” ainda persistia. Lavei o rosto mais uma a vez e disse para mim mesmo

— Vamos lá, Daniel! Coragem!

E então parti para a escola.

♦♦♦

Quinta feira, 18; 35. Já estou na frente da escola à espera de meus amigos no local de costume.

A escola na qual eu estudo, é ampla, e se localiza em um lugar um tanto quanto desabitado, e com acesso um pouco complicado. Posso dizer que é uma região “distante” do restante da cidade. A escola é cercada por um antigo centro comercial falido, aonde hoje dia apenas as velhas lojas fechadas e empoeiradas restaram.

O grande prédio aonde eu completara praticamente todo meu ensino e aonde atualmente curso o 2º ano.

Não demorou tanto para que meus amigos começassem a chegar. Logo estava cercado por eles.

Realmente não sou o tipo de pessoa que possui milhares de amigos. Mas os que tenho me são suficientemente bons e fiéis.

Ianka, Vinicius, Gabriela, Igor, João. São os com quem mais convivo e os com quem mais tenho intimidade.

Nós geralmente conversamos do lado de fora da escola até que o 1º sinal soe, mas hoje, por alguma razão, todos tinham assuntos pendentes dentro da escola, e que tinham de resolver antes que o sinal soasse.

A escola estava com o nível normal de alunos, hoje provavelmente seria mais um dia comum sem agitações fora do normal.

Segui meus amigos até o portão, até que ouvi meu nome sendo gritado por alguma voz conhecida. Virei-me rapidamente e vi que era Vinicius, que chegara mais atrasado do que o comum e estava a alguns metros do resto de nós.

Deixei meus amigos irem a frente, e esperei que Vinicius me alcançasse.

- E aí? – cumprimentei – Tá mais atrasado que o normal.

- Meu ônibus resolveu passar mais cedo hoje. – disse Vinicius com pouco fôlego, podia apostar que graças a seu ônibus, ele viera correndo de sua casa até a escola. – Vim correndo! – Acertei, pensei comigo mesmo.

- Não vai entrar? – perguntei ao ver que Vinicius tomava direção diferente da do portão da escola. – Vou. Mas preciso comer algo antes. Me comigo?

- Ok.

Fomos até uma lanchonete próxima a escola, — na verdade, a lanchonete ficava do outro lado da rua — o único estabelecimento ainda aberto nas redondezas, e que fecharia nesta sexta feira.

- Não é triste saber que isso aqui vai fechar essa semana? – perguntou Vinicius, olhando em volta.

- É? – perguntei. – Quer dizer, a gente comeu nesse lugar nos últimos 5 anos, mas... Sinceramente acho que vão abrir outra lanchonete neste ponto mesmo.

Deixei que Vinicius terminasse de comer seus salgados em silêncio, assim que ele terminou, foi até o balcão, e enquanto pagava o que devia disse:

- Tive um sonho estranho hoje.

- Jura? – Vinicius sempre me fazia rir com seus sonhos malucos, eles sempre envolviam aliens, apocalipse e ele se dando bem com alguma garota. – O que foi dessa vez? Aliens ou apocalipse zumbi?

- Nenhum dos dois! – Vinicius terminou de pagar, agora estávamos andando até o portão da escola. – Isso é o mais incrível! Meus sonhos sempre têm a ver com isso, mas dessa vez, sei lá, pareceu mais real. Mais desesperador.

- Sério. Isso é uma novidade. Como foi?

- Foi confuso! Tinha uma garota perseguindo um garoto com o facão, tentando matar ele! Parecia que o lugar onde eles estavam ia explodir, então nos últimos momentos, o garoto se deixou ser furado pela garota, então ele a abraçou e a beijou... No final, ambos morreram, por que o prédio que eles estavam desmoronou! – terminou de contar exasperado.

- Uou! Um sonho romântico, uma novidade! – disse zombando.

- É sério. Foi horrível na verdade!

- Enfim... Conhecia as pessoas do sonho?

- Não. Nenhum dos dois.

Entramos em silêncio na escola, conversamos um pouco com os outros, logo o sinal soou, a aula estava começando.

♦♦♦

As primeiras aulas de segunda-feira eram entediantes, alguns alunos dormiam durante seu percorrer.

Eu era da mesmo sala de Gabriela e Vinicius, e nos sentávamos muito próximos uns do outros, logo passávamos muito tempo juntos, devido aos trabalhos que sempre fazíamos junto.

Nada demais aconteceu mesmo naquele dia.

Aulas normais, intervalo normal, conversas normais. Ou seja, um dia mais que comum.

A única coisa relativamente estranha ocorreu na última aula da noite.

Um professor novo entrou na sala, não novo no sentido de idade, mas sim no sentido de “nós nunca tivemos aula nenhuma com esse professor”.

O professor entrou na sala em silêncio, apenas nos desejou uma “boa noite” com uma voz descontraída e voltou a ficar em silêncio. Sentado à mesa do professor. Provavelmente aquele era um professor eventual, que estava ali apenas para nos monitorar.

A sala não excedeu seu nível de bagunça usual, em geral tudo ficou em ordem.

A parte estranha, é que o professor olhava todos os alunos da sala com uma expressão analítica. Como se tentasse conhecer casa um melhor apenas com o olhar.

Depois de certo tempo, reparei que ele começou a olhar grupos específicos de que alunos, entre eles o meu. Composto por Gabriela, Vinicius e eu.

Antes de a aula terminar, perdi as contas de quantas vezes peguei aquele professor nos vigiando, e duvido que fosse devido à bagunça. Já que não éramos nem de longe o grupo mais bagunceiro da sala.

No fundo não me surpreendi muito com aquele professor, afinal, aquele ano várias pessoas estranhas haviam sido incluídas no corpo docente – a maioria para exercer a função de professor eventual –. Pensando bem, acho que já havia visto aquele professor percorrendo os corredores... E sempre encarando os alunos com o mesmo olhar analítico e profundo;

Muitas mudanças ocorreram este ano, muitos professores novos foram contratados. Até mesmo nosso diretor havia mudado. Este era bem mais presente que os anteriores – que apreciam na escola uma vez por semana, para algum tipo de vistoria –. Este estava na escola todos os dias. Ficava geralmente no observando como uma estátua durante o intervalo. Era um homem estranho... Não sei explicar como. Era como se ele emanasse uma aura diferente do restante das pessoas. Uma aura que fazia com que eu me sentisse pesado em sua presença. Tinha o cabelo preto, rigorosamente penteados para trás com muito gel, com algumas mechas já grisalhas na lateral da cabeça. Usava sempre ternos sofisticados com detalhes cor de vinho. Tinha um olhar desafiador e sarcástico, seus olhos pretos eram profundo, aquele tipo de olho nos qual você poderia muito bem se perder se os encarece por muito tempo. Seu rosto não tinha tantas rugas para um homem que aparentava ter entre 45/50 anos, imagino que o fato de ele quase nunca usar alguma expressão brusca no rosto.

Na hora da saída daquele mesmo dia, ele estava lá. Encostado à pilastra principal da escola, que se encontrava no centro do grande pátio. Ele nos encarava. Sua postura com os braços para trás e peito estufado espirava a superioridade de um general. O típico diretor que ninguém ousaria desafiar.

O professor eventual que nos dera a última aula chegou logo perto dele com uma lista em mãos. E começou a cochichar em seu ouvido algo que não conseguia decifrar aquela distância. Mas pude ler algumas palavras através de seus lábios.

“Já tenho os 5 alunos da classe C selecionados. Aqui estão seus nomes.”

O professor apontava para a folha em sua mão.

A lista era na verdade a nossa lista de chamada, aonde eu pude ver de relance, cinco nomes marcados com vários “X” vermelhos. Entre eles, o meu.