Scenes Of Our Lives
79 Gina
Notas iniciais
– Eu vou primeiro!
– Não vai não! Nós que vamos!
– Eu sou o mais velho, então eu é que vou!
– Acho que devíamos fazer um fila...
– Fica quieto, Perce!
– É, Percy. – Charlie concordou. – Todo mundo sabe que uma fila não vai dar certo.
– Nós nunca fomos primeiro! – George argumentou.
– Mentira! Foram primeiro da ultima vez... – Bill lembrou.
– Você foi primeiro varias vezes, Bill.
– O Ron ainda não foi.
– Ele está dormindo. Está fora da competição. – Charlie falou apontando para a pequena criança dormindo no sofá, a boca meio aberta.
– Podemos ir todos juntos.
– Fica quieto, Percy! – Os outros quatro exclamaram juntos.
– Olha, eu acho que devíamos fazer assim. Quem for lá fora e pegar mais gnomos vai primeiro.
– Não! Vocês dois sempre pegam mais gnomos, Fred.
– Não é nossa culpa se vocês são ruins. E eu sou o George!
Os cinco irmãos começaram a falar todos ao mesmo tempo, em voz alta. Ron acordou e ficou sentado no sofá olhando curioso para os irmãos mais velhos, que pareciam prestes a se estapearem. A discussão só parou quando Arthur Weasley desceu as escadas, sorridente e disse, se sobrepondo ao barulho:
– Vocês já podem subir. Esperem na porta por mim.
Os cinco meninos passaram correndo por ele escada acima. Ron desceu desajeitado do sofá, caminhou inseguro até o pai, que segurou sua mão pequena e o auxiliou a subir devagar cada degrau. Os outros estavam se empurrando para ficar mais próximo a porta fechada, as fisionomias sugeriam que estavam se preparando para uma corrida de longa distancia.
– Ok. Vocês tem que prometer que vão se comportar.
Eles concordaram, ansiosos.
– Sem fazer muito barulho.
Mais uma vez balançaram as cabeças. Charlie pulava no lugar.
– Sem correr, gritar ou pular por ai.
Mais acenos de cabeça. Os sorrisos ansiosos cresciam. Percy roía as unhas.
– A mamãe está cansada. Sem bagunça. – Arthur continuou, ainda segurando a mão do filho mais novo. – E se forem mal comportados vão acabar assustando a irmãzinha de vocês.
– É uma menina? – Bill exclamou de olhos arregalados.
– Sim. – O pai sorriu.
Os garotos soltaram mais exclamações de alegria e acompanharam com expectativa a mão do pai passar por cima deles e girar a maçaneta da porta. Eles entraram apressados no pequeno quarto e se amontoaram em volta da cama, onde Molly estava, com um embrulho de panos em seus braços.
Do meio dos panos saía uma pequena mão, que apertava o dedo da mãe, e um rosto redondo e já com algumas sardas, encimado por uma considerável quantidade de cabelo bem ruivo. A menininha dormia pacificamente.
– Legal! Agora a gente tem uma menina! – Charlie exclamou.
– Você não vai encher ela de lacinhos, vai mamãe? Eu não gosto. – Fred perguntou.
– Ela vai poder ir lá no quintal caçar gnomos com a gente? – Bill questionou, sem tirar os olhos da irmã. – Quando ela for mais velha, claro.
Ron se apoiou no ombro da mãe, ficando em pé na cama e se inclinou para ver a irmã.
– Ruiva. – Disse em voz baixa.
– É claro que ela é ruiva, Roniquinho. – George revirou os olhos. – Todos nós somos.
– Não implique com ele, Georgie. – Molly repreendeu, embora sorrindo e com a voz doce. – Ele é pequeno.
– Não é mais o menorzinho. – Percy notou.
– Mas ainda é pequeno. – Arthur argumentou.
– Qual vai ser o nome dela? – Bill perguntou, seguindo uma linha de pensamento diferente.
– Papai e eu pensamos que vocês poderiam ajudar a gente. – A mãe respondeu, fazendo carinho na mão da filha.
– Legal!
Os meninos começaram a fazer barulho mais uma vez, ainda que um pouco mais controlados. E logo a menininha nos cobertores se moveu um pouco incomodada nos braços da mãe e acordando para revelar brilhantes olhos castanhos.
– Ela tem os olhos da mesma cor que os da mamãe. Tem que chamar Molly. – Percy falou.
– Bom... – Começou Arthur. – Já decidimos que o segundo nome dela vai ser Molly, meninos.
– Temos que decidir o primeiro agora. – Molly explicou olhando para os filhos a cercando.
– Morgana!
– Não, Fred. Não Morgana.
– Mas...
– Não queremos Morgana, querido.
– Ok. – Ele se conformou, resignado.
– Mary.
– Já existem muitas Marys, Charlie. – Arthur falou.
– Amanda. – Bill sugeriu.
– Não. – Molly balançou a cabeça. – Seu pai namorou uma Amanda em Hogwarts.
Os meninos deram risadinhas silenciosas.
– O que você sugere, Ron? – Molly perguntou.
– Ele nem sabe falar direito, mamãe. – Percy argumentou. – Não é justo ele escolher.
– Deixa ele dar uma sugestão. – Molly insistiu. – Que nome acha que sua irmã devia ter?
– Ruiva. – O menino disse mais uma vez.
– Ela não pode se chamar ruiva! – Percy protestou.
– Concordo com você, Perce. – A mãe falou, sorrindo.
– Babbitty, a Coelha! – Fred exclamou levantando a mão.
– Ela definitivamente não pode se chamar Babbity, a Coelha. – Arthur riu.
– Mas nós gostamos dessa história! – George afirmou.
– Ela não vai se chamar assim, meninos. – Molly fechou a discussão.
Nomes mais e mais esdrúxulos foram surgindo da boca dos meninos, a decisão importante acabou se tornando uma brincadeira e logo as crianças começaram algo que parecia mais uma competição de “vamos ver quem acha o nome mais estranho do mundo”. Eles riam a cada nome, falavam ao mesmo tempo, cada vez mais alto.
– Ok, já chega. – Molly falou, rindo um pouco, quando a bebê mais uma vez resmungou no seu colo. – Vamos voltar a procurar um nome de verdade.
– Ioguenda é um nome de verdade, mamãe! – Fred defendeu.
– É mesmo. – Charlie completou. – Tem uma menina na vila que chama assim.
– Não vamos chama-la de Ioguenda. – Arthur findou.
– Eu gosto de Ginevra. – Molly anunciou, olhando para a menininha.
– Isso não é justo, mamãe, você nos disse para parar com nomes estranhos e continua. – Bill falou.
– Mas eu realmente gosto de Ginevra! – Ela afirmou olhando para os meninos, que milagrosamente ficaram em silencio.
– Mesmo? – Charlie perguntou, franzindo o cenho.
– Mesmo. É único. O que vocês acham?
– Eu... eu gostei! – George falou animado. – É legal!
– É! O som é legal!
– Ginevra! É, o som é legal mesmo... – Bill disse, pensativo.
– O que acha, Arthur? – A mulher se virou para o marido, sentado ao seu lado na cama.
– Eu gostei. – Ele sorriu. – Eu realmente gostei. Vamos testar. – Ele aproximou a cabeça da filha e disse: — Ginevra.
A garotinha instantaneamente desviou o olhar de George, que fazia caretas e olhou para o pai.
– Acho que ela gostou também. – Molly sorriu. – E você, o que acha, Ron?
– Ruiva. – Falou outra vez, apontando para a bebê.
– Não é ruiva, Ron! É Ginevra! –Percy corrigiu.
– Vamos, querido, você consegue falar. – A mãe incentivou. – Gi-ne-vra.
– Gi-ne-vra. – Os irmãos fizeram coro, se aproximando do irmão menor.
– Givra. – Ron tentou.
– Não! Ginevra. Gi-ne-vra.
– Gieva.
– Gi-ne-vra.
– Giva!
– Ele vai acabar aprendendo. – Arthur riu.
– Deixa eu tentar mais uma vez. – Bill falou, se inclinando para apoiar-se nos joelhos e ficar da altura do irmão, sentado na cama. – Vou falar bem devagar tudo bem, Ron? Vamos lá, você consegue. Gi-ne-vra...
– Gina!
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