Scars

6 The first attempt


Notas iniciais
Olá pessoal! Eternas desculpas pela demora do capítulo. Me desculpem mesmo, eu estava em semana de provas... :(

Era finalmente o dia das Seletivas. O New Directions estava se preparando na sala do coral. Eles seriam os terceiros a se apresentar. Kurt e Blaine ainda não tinham se falado desde a noite passada, na qual Kurt acabou adormecendo, durante a chamada que eles haviam feito.

Quando todos estavam atrás da cortina, se preparando para se apresentar, Blaine se aproximou de Kurt, sussurrando:

“Como você se sente?”

“Horrível.” Ele respondeu, se afastando para se posicionar. Então, a cortina subiu alguns segundos depois.

Aquele era seu momento. Mesmo Kurt sendo tímido e se sentindo super mal pela noite passada, era a hora de ele se expressar, a hora de ele fazer algo de que ele realmente gostava, que não o machucasse.

Ele tinha que cantar apenas uma pequena parte da primeira música. Na hora em que sua voz começou a ecoar sozinha no auditório, ele correu seus olhos pela plateia.

Haviam várias pessoas desconhecidas sorrindo; juízes, os outros corais que tinham cantado antes e... atletas do McKinley? Ele pensou, tremendo e terminando de cantar sua última linha da música e começando a cantar em coro com o New Directions. O que eles estão fazendo assistindo ao “coral dos perdedores” competir?

Blaine, do outro lado do palco, ouvia a voz de Kurt, sorrindo. Ele parecia tão feliz no momento. Realmente feliz.

No final das contas, eles ganharam e se classificaram para as Regionais. No momento em que Blaine ouviu o nome do New Directions em primeiro lugar, ele avistou Kurt. Ele estava com um sorriso no rosto, o sorriso mais verdadeiro que ele já vira Kurt dar.

Aquilo o fez sorrir também. A alegria de Kurt o fazia sorrir. Saber que por pelo menos alguns segundos, ele não se sentia triste, mal ou odiado. Ele estava cercado de pessoas que gostavam dele como ele era e que apreciavam sua presença e talento.

Claro, ninguém lá além de Blaine sabia que ele se machucava.

Ainda bem. Pensou Kurt. Ele já ouvira Santana falar sobre auto-mutilação com Brittany no fundo da sala do coral e não era uma conversa que ele gostava de lembrar.

“Você não odeia quem se corta?” Ela havia perguntado, sem motivos para tal.

Brittany pareceu confusa, como se não soubesse o que significava.

“Por que alguém se cortaria?” A loira perguntou. “Não dói muito?”

“Exatamente, Britt. Quem faz isso é problemático.” Santana tinha respondido.

Aquilo havia o afetado. Dói muito saber que as únicas pessoas que realmente gostam e se importam –pelo menos parecem se importar- com você, independentemente de quem você é ou o que você faz, te odiariam se soubessem de seus segredos.

Mas, alí ele estava, ainda em um estado de choque e alegria no palco do auditório do McKinley High School, com centenas de pessoas os aplaudindo, incluindo... os atletas de lá. Por que eles ainda estão aqui? Kurt pensou. Ele reparou que eles eram os únicos que não aplaudiam.

Então, Blaine o abraçou por trás. Um abraço bem apertado, um abraço de vitória.

Assim que o auditório se esvaziou e McKinley estava quase deserto naquela noite, Kurt resolveu passar em seu armário para pegar os materiais das aulas do dia seguinte. Ele não percebeu Blaine parando ao seu lado, sorrindo como se aquele fosse o dia mais feliz de sua vida.

“Você sabe que foi incrível naquele palco, certo?” Ele perguntou. Mesmo não demonstrando, Kurt adorava quando Blaine o elogiava deste jeito. Ele apenas deu um pequeno sorriso, e fechando seu armário, falou:

“Por que você não está com raiva de mim neste exato momento?” Ele se virou, para que assim, pudesse olhar para Blaine ao falar.

“E porque eu estaria?”

“Porque eu te decepcionei. Eu menti para você, Blaine. E-eu nem tentei...”

Blaine não disse nada por um momento. Então, ele pegou a mão de Kurt nas dele.

“Eu nunca poderia ficar com raiva de você.” Ele disse com a voz mais doce e suave possível. “Ainda mais quando você canta daquele jeito.” Ele estava se aproximando, o que fez Kurt dar um passo para trás, se deparando com um armário encostando em suas costas.

“Kurt?” Blaine o chamou, fazendo Kurt perceber que ele estava totalmente perdido nos olhos do moreno. “Você está bem?”

“E-eu não sei.” Ele gaguejou. Às vezes, Blaine o fazia ficar tão nervoso. Nervoso no sentido bom. “Nós ganhamos e você não me odeia... Tudo parece bom até demais.”

Blaine riu. “Exatamente.” Então, antes que ele pudesse impedir seus olhos, ele estava olhando fixamente para os lábios de Kurt.

Não, Blaine. Sua cabeça o dizia. Não faça isso. Kurt só precisa de um amigo. Você vai deixá-lo confuso.

Mas ele não escutou. Ele deu mais um passo para frente, deixando apenas um espaço –que pareciam menos de dez centímetros- entre eles. Aquele era um daqueles momentos em que um segundo é capaz de mudar tudo.

Kurt pôde jurar que seu coração havia parado no segundo em que Blaine fez isso, fechando o pequeno espaço entre eles e juntando seus lábios com os de Kurt. Ele não se mexeu durante o beijo. Não que ele não quisesse beijá-lo de volta, mas porque ele estava em um estado de choque muito grande para conseguir pensar ou fazer qualquer coisa.

Então Blaine o soltou, fazendo Kurt desejar que eles pudessem ficar daquele jeito para sempre, apenas para que ele não tivesse que voltar à realidade. Ele ainda estava segurando a mão de Kurt, e com a outra mão em seu ombro direito.

“M-me desculpe, Kurt.” Blaine disse, se contendo para não entrar em pânico diante da situação.

E antes que ele pudesse pensar em outra coisa, Kurt estava o beijando. Kurt o estava beijando de uma forma como se ele precisasse mais de Blaine a cada segundo daquela vida.

O tempo foi passando, e eles não conseguiam se soltar um do outro de novo. Porque os dois queriam sentir aquela sensação para sempre. A sensação do frio na barriga e dos dois corações batendo aceleradamente, um contra o outro.

Mas, como sempre, aquela hora em que eles teriam que se separar chegou.

“E-eu tenho q-que ir.” Blaine falou, nervoso, dando alguns passos para trás e fazendo Kurt rir. “Te vejo amanhã.” Ele sorriu rapidamente e se virou, correndo pelos corredores.

Ele nunca nem pensou na possibilidade de que talvez ele nunca mais visse Kurt de novo.

Kurt não podia fazer nada além de sorrir para si mesmo e dar um longo suspiro. Mas,ele não percebeu os atletas do time de futebol virando o corredor, vindo em sua direção.

“Ei, Homo.” Ele ouviu Karofsky dizer e começou a tremer –,de novo. Ele não entendia porque ele não podia agir normalmente perto de bullies. Kurt também não entendia porque essas coisas tinham que acontecer quando sua vida estava indo tão bem. — "Quem te disse que tu poderias ficar se agarrando nos corredores com o Anderson?"

“E-eu...” Ele decidiu não responder, pois fazer isto já havia o trazido problemas. Em vez disto, Kurt fechou seus olhos e apenas ouviu tudo que diziam, tentando não chorar. Ele estava tão cansado disto. Cansado de todo santo dia, desabar em lágrimas.

“Não entendo como aquele coral ridículo ganhou com a sua voz de bicha.” Um deles havia falado, fazendo todos rirem.

“Por que você não para de ser tão gay?” Azimio disse , e todos riram mais ainda.

Kurt ouvira milhares de insultos em toda sua vida, mas aqueles pareciam ser os que mais doíam. E pareciam não acabar nunca.

Ele tentou respirar fundo e se acalmar, mas não conseguiu se conter.

“Por que vocês me odeiam tanto?!” Kurt gritou, cobrindo sua boca na mesma hora.

Todos eles se aproximaram mais dele, deixando Karofsky falar:

“Olhe para você. Tu és só uma bichinha ridícula. Por que alguém não te odiaria?” E dizendo assim, todos o empurraram contra os armários, com a maior força possível.

“Você é tão estranho.” Um deles havia dito, antes de deixá-lo sozinho. “Por que você não se mata?”

Kurt não havia deixado nenhuma lágrima cair de seu olho desde a noite passada. Até aquela hora. Ele havia chegado em seu limite.

Ele segurou firme sua mochila e saiu correndo para o estacionamento escuro e deserto, entrando em seu carro.

Antes de dar a partida, Kurt se olhou no espelho do retrovisor do carro. Ele só viu dor em seu rosto vermelho.

No fim das contas, ele estava bem. Ele estava bem porque ele tinha um plano. Um plano que daria fim a toda aquela maldita dor: Kurt iria se matar.

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Eram 19h e Kurt havia acabado de chegar em casa, que estava vazia. Exatamente como ele tinha planejado.

Kurt caminhou até a cozinha da casa, chegando e abrindo várias gavetas ao mesmo tempo, para achar diferentes talheres. Ele escolheu a faca mais afiada que conseguiu achar e a segurou, olhando fixamente para seu reflexo nela.

Mas, antes de acabar com sua vida, ele tinha algo a fazer. Ele se dirigiu a sua mochila, na sala de estar, abrindo um caderno na última página e tirando uma caneta do bolso de fora. Então ele escreveu a primeira coisa que veio a sua cabeça no momento. Uma coisa que ele sabia que, eventualmente, acabaria escrevendo -não tão cedo, mas ele escreveria-. Não o nome de Blaine, não o amor que ele sentia por Blaine, mas sim, uma carta suicida. Uma carta que, se tudo desse certo, ele pretendia não mostrar a ninguém.

Após terminar de escrever tudo que sentia e tudo que gostaria de deixar ao mundo, ele deixou seu caderno aberto em outra página, usando para apoiar o braço que ele pretendia cortar.

Um corte transversal no pulso e todos seus problemas irão embora. Um corte dado com vontade e ódio e esse inferno chamado vida acabará. Seus monstros interiores diziam.

E naquele momento, Kurt não pensou em Blaine, nem no New Directions ou em seu pai. Ele apenas se concentrou em fazer aquele maldito corte no lugar certo.

Kurt posicionou a lâmina da faca transversalmente em seu pulso esquerdo e se encostou no sofá, deixando todo o sangue escorrer para a folha de seu caderno, porque naquela hora, ele não achou que poderia alcançar seu celular.

Sua visão ficou completamente preta e, aos poucos, mais e mais sangue preencheu a folha de papel e a dor em seu pulso cresceu mais a cada segundo.

Até que ele parou de senti-la.

Notas finais
Muitos de vocês provavelmente vão querer me dar um tiro depois do final do capítulo, maaaaaaasss, realaxem, tudo vai ficar bem. :) Até o próximo capítulo. P.S.: Só dizendo que AMO ler cada comentário de vocês! Sinceramente, cada comentário faz o meu dia mais feliz.