Scars
7 How?
Notas iniciais
Kurt estava em uma sala branca. Se é que aquele lugar podia ser chamado de sala. Era apenas um lugar totalmente branco –que chegava a doer seus olhos- e deserto, sem nenhum objeto ou pessoa.
Eu não acredito em deus, mas, isso é o céu? Ele pensou, caminhando em direção reta.
Então ele viu uma alta mulher, de cabelos loiros, virada de costas. Ela usava um vestido tão branco quanto o lugar, que chegava até seus pés.
Kurt imediatamente a reconheceu. Mas ele ainda não conseguia acreditar em seus olhos.
“M-Mãe?” Ele chamou e Elizabeth Hummel se virou no mesmo segundo, abrindo um grande sorriso e indo em sua direção.
“Senti sua falta, Kurt.” E dizendo assim, ela o abraçou.
“Eu também, mamãe.” Ele a abraçou de volta, da forma mais apertada possível.
Aquilo era tudo muito confuso para Kurt. Sua mãe estava morta, isto significava que ele finalmente tinha conseguido se livrar de sua vida também?
“Mãe?” Ele perguntou, assim que ela o soltou. “Eu estou morto?”
“Não, filho. Você apenas está em coma, e isso tudo é só uma ilusão.”
“Ah...” Ele respondeu, desanimado e decepcionado. “A senhora não vai perguntar porque tentei cometer suicídio?”
Então, Elizabeth parou de sorrir e olhou fixamente nos lindos olhos azuis de Kurt –assim como os seus-.
“Eu não preciso. Sei de tudo que está acontecendo.” O sorriso voltou a seu rosto e ela continuou: “Mas, querido, eu quero que você confie em mim quando eu digo que sua felicidade está mais próxima do que você imagina.”
Aquilo pegou Kurt de surpresa. Ele não achava que seria feliz de novo desde que sua mãe morrera.
“Como você sabe?” Ele perguntou.
“Eu sou sua mãe. Sei de tudo.” Ela disse, lembrando Kurt de uma vez em que ela havia dito o mesmo quando ele tinha cinco anos de idade. “Acho que é hora de você ir.”
“Ir aonde?”
“Você vai saber.” Elizabeth lhe deu um pequeno sorriso, um grande abraço e tudo ficou preto. “Tem alguém o esperando.”
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Blaine nunca havia ficado tão preocupado com alguém como ele estava com Kurt naquele momento. Ele já estava no terceiro horário de aula e ainda não tinha visto ele. Primeiramente, ele pensou que Kurt poderia estar com raiva dele por causa da noite passada naqueles corredores no McKinley. Mas, Kurt havia o beijado de volta... Ele também tentou ligar para ele inúmeras vezes, mas não foi atendido.
Blaine estava almoçando com Mercedes, Santana, Brittany e Mike na mesa em que eles sempre se sentavam, quando avistaram Rachel correndo até eles com um celular na mão e um olhar preocupante.
“Pessoal...” Ela alcançou a mesa, parando e olhando para seus pés. “E-Eu acabei de falar com o pai do Kurt.”
Ninguém respondeu, só olharam para ela esperando uma continuação. O coração de Blaine estava batendo aceleradamente, com medo das notícias que Rachel estava prestes a dar.
Ela respirou fundo, virou seu rosto para Blaine –e ele pôde perceber que ela esteve chorando- e disse:
“K-kurt está em coma. No hospital local.”
Blaine não tinha certeza, mas ele podia jurar que os membros do New Directions começaram a falar algo. Mas, ele não conseguia ouvir nada, não conseguia nem se mexer. Porque ele sabia o motivo exato de Kurt estar no hospital.
“Não.” Ele disse, quase em um sussurro, para si mesmo.
“Rachel, ele já acordou?!”
“Eu não sei! Nem sei o que aconteceu com Kurt para ele estar lá.”
“E-eu tenho que ir.” Blaine disse, desesperado, levantando-se e pegando seus livros.
“Mas, nós temos ensaio agora!” Mercedes o chamou.
“Me desculpem. Eu tenho que vê-lo” Ele gritou, saindo correndo da lanchonete.
No caminho para o hospital de Lima, Blaine não conseguia deixar de imaginar o que levara Kurt a finalmente tentar um suicídio. Ele sabia que Kurt já estava a ponto de desistir de tudo, mas o que o havia feito chegar ao seu grande limite?
Ele não podia fazer nada além de chorar pelo menos algumas lágrimas só de pensar na possibilidade de perder Kurt para sempre.
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Assim que Blaine chegou ao hospital, ele viu um homem que parecia ser o pai de Kurt –pelas fotos que ele tinha visto em sua casa- sentado na frente de uma sala, com o rosto afundado em suas mãos.
“Você é o pai de Kurt? Senhor Hummel?” Ele perguntou, se aproximando devagar.
“Sim, Burt Hummel, e você é...?” Burt disse, levantando-se e encarando Blaine com um olhar curioso estampado em seu rosto.
“Blaine Anderson. Eu sou...” Ele parou para pensar. O que ele era de Kurt depois do que aconteceu após as Seletivas? “Um amigo de Kurt. Estou no coral com ele.”
Mas naquele momento, Burt sabia que ele era mais do que apenas um amigo.
“Ah, sim. Você gostaria de vê-lo, certo?”
“Sim, eu preciso. Mas, antes, o senhor pode me dizer o que aconteceu com ele?” Blaine sabia o que tinha acontecido, mas queria ter a certeza.
Burt deu um longo suspiro e disse, colocando suas mãos nos bolsos:
“Ontem à noite, quando cheguei em casa, achei Kurt inconsciente na sala, ele segurava uma faca em seu pulso e estava sangrando sem parar. Então, pelo que foi dito pelo doutor e visto por mim, Kurt tentou s-se matar.”
Houve um momento de grande silêncio e Blaine percebeu que os dois tinham lágrimas em seus olhos, até que Blaine disse:
“Então, ele já acordou?”
“Não.” Burt respondeu. “Se quiser, pode entrar só para vê-lo.”
“O-Obrigado.” Blaine se dirigiu até a porta, pronto para abri-la, quando ele ouviu a voz de Burt de novo.
“Você se preocupa com Kurt? Digo, de verdade?”
“S-Sim, mais do que o senhor pode imaginar.” Ele respondeu, sem hesitar.
“Ótimo. Sabe, ele nunca teve alguém assim em sua vida desde que Elizabeth morreu."
Blaine deu um pequeno e triste sorriso antes de entrar no quarto.
Seus olhos se encheram de lágrimas assim que ele viu Kurt deitado, com os olhos fechados, dormindo como um anjo, e faixas enroladas em seus dois pulsos , fios ao redor do seu corpo.
Mesmo com a pele super pálida e o cabelo desarrumado, continua perfeito e impecável como sempre. Blaine pensou, aproximando-se e sentando na poltrona do lado direito da cama.
Como eu deixei isso acontecer? Blaine perguntou a si mesmo, o que fez ele se sentir mais culpado do que nunca? Talvez, se ele não tivesse deixado Kurt sozinho depois do beijo deles, isso não teria acontecido.
Então, ele apenas ficou ali, olhando fixamente para os olhos fechados de Kurt e apreciando sua incrível beleza.
“Kurt...” Ele sussurrou, entrelaçando seus dedos com os dedos da mão esquerda de Kurt. “Por favor, acorde. Preciso saber que você está bem.” Sua voz saiu fraca, quebrando-se entre lágrimas, tristeza e sentindo uma ponta de dor por ele. “Por favor. P-Por mim.”
Foi aí que algo totalmente inesperado aconteceu. Ele sentiu um aperto na mão que segurava a de Kurt.
Era como se Kurt estivesse conectado a Blaine e seu toque o fazia melhor. Na verdade, apenas sua presença. Eles eram totalmente conectados.
“Kurt?!” Ele abriu um sorriso e limpou as lágrimas de seus olhos. “Kurt, você está aí?”
Nada. Apenas outro aperto. Mas apenas com aquilo, Blaine pôde sentir que Kurt estava sim lá, por mais difícil que seja de acreditar, ele também pôde sentir as batidas de seu coração por um simples toque de mãos.
“E-eu...” A voz de Kurt murmurou, em um total sussurro, que saiu quase impossível de ouvir. “B-lai-“
“Kurt! Sim? Eu estou aqui.” Ele disse e seus olhos se encheram de lágrimas de novo –dessa vez, lágrimas de alegria e emoção- “Eu sempre vou estar.” Ele sussurrou, sem tirar os olhos do mais velho.
“Blaine.” Kurt disse, claramente e mais alto.
O moreno se levantou da poltrona, ainda segurando a mão de Kurt em sua, e o abraçou. Um abraço não muito forte, para não machucá-lo, mas o suficiente para demonstrar o que ele sentia e que ele precisava mais de Kurt a cada segundo. E, principalmente, que ele não poderia perdê-lo. Nunca.
Assim que Blaine o soltou, os olhos azuis de Kurt já estavam abertos, fracamente, mas estavam. E estavam olhando para ele.
“Eu... Onde...?” Ele disse, olhando ao seu redor, ainda sem se soltar da mão de Blaine.
“Você está no hospital. Não sei se você se lembra, Kurt, mas você tentou se matar na noite passada...”
Claro que Kurt se lembrava. Ele até havia estado em um sonho totalmente surreal com sua mãe morta.
“Ah. Sim, eu me lembro...”
Silêncio por um momento. Nenhum dos garotos sabia o que dizer.
“Você não imagina como estou feliz por você estar aqui.” Blaine disse, após alguns minutos de apenas trocar olhares.
“Não seria eu que deveria dizer isso?” Kurt perguntou, levantando suas sobrancelhas.
“Não.” Ele respondeu e riu um pouco. “Você sabe que eu não aguentaria perder alguém que amo.”
Wow. Kurt não percebeu no momento –nem mesmo Blaine havia percebido-, mas o moreno havia acabado de dizer, indiretamente, que o amava.
Kurt apenas sacudiu a cabeça e disse:
“Nem mesmo agora você me odeia?”
“Eu nunca poderia te odiar. Mas... Porquê você fez isso?” Ele falou, indicando com a cabeça o pulso enfaixado de Kurt. “Eu sei que você já estava chegando ao seu limite, mas, aconteceu a-algo ontem? Sabe, depois que fui embora?”
“Alguns caras do time vieram ‘falar’ comigo bem depois que você saiu, e... Bom, você sabe o resto.” Ele parecia que iria chorar, mas conseguiu segurar as lágrimas. “Blaine, eu sempre soube que chegaria uma hora em que eu não aguentaria mais nada disso tudo. Uma hora em que eu desistiria de absolutamente tudo. Para falar a verdade, sempre soube que seria eu a terminar minha própria vida...Eu só não esperava que fosse tão cedo. Eu não acredito que consegui falhar até nisso.” Disse Kut, se referindo a sua vida. Ele abaixou sua cabeça e deixou as lágrimas escorrerem por sua bochecha. “Eu não entendo o que fiz de errado para todos me odiarem. Além de ser gay, mas, isso não é algo que posso mudar...”
“Eu sei, Kurt. Você não fez absolutamente nada de errado. E se algumas pessoas não entendem que você nasceu assim, são elas que vão perder a oportunidade de te ter na vida delas.” Blaine disse, percebendo que Kurt ainda não estava convencido. Então, ele continuou:
“Kurt, você tem sonhos?”
Pode parecer uma coisa idiota perguntar a alguém que acabou de tentar cometer suicídio, mas às vezes, ajuda fazer alguém se lembrar das únicas coisas boas –ou pelo menos pensamentos bons- em sua vida.
“Eu tinha. Mas percebi que nunca vou ser bom o suficiente para alcançá-los.” Ele respondeu, levantando seu rosto e olhando nos olhos de Blaine.
“Me fale sobre eles.” Blaine disse, apoiando seu rosto em sua mão esquerda e olhando, de um modo adorável, para Kurt.
“São meio ridículos, Blaine.” Kurt riu. “Quer mesmo ouvir sobre esses sonhos?”
“Com toda certeza.” Ele respondeu, sem pensar duas vezes.
“Eu sonhava em estar na Broadway, New York, a faculdade dos meus sonhos... Também amo moda e também penso em ser um desses grandes ícones da moda, sabe?” Ele começou, e Blaine conseguiu ver o brilho que surgia nos olhos de Kurt quando ele falava sobre isso, um brilho que dava a impressão de não ter aparecido naqueles olhos há muito tempo. “Principalmente Broadway, meu papel dos sonhos sempre foi Mark, de RENT. Ele é daqueles personagens que passa meio despercebido... Sabe, sempre com uma câmera por perto...”
“E você se identifica? Você realmente acha que passa despercebido pela sociedade?”
“Totalmente.” Ele concordou com a cabeça.
“Bem, então você está super errado. Porque a primeira coisa que eu, Blaine Anderson, noto nos corredores do McKinley, é você.” Blaine disse, e conseguiu ver Kurt ficando vermelho.
“Só você mesmo.” Ele riu. “De qualquer jeito, eu tenho essa fascinação por este personagem de RENT e estes são meus sonhos.”
“Kurt, eu quero que você me faça dois favores.” Blaine falou, olhando para ele, como se Kurt fosse a coisa mais linda no universo –bem, de acordo com Blaine, ele era a coisa mais linda no universo-.
Kurt concordou com a cabeça, devagar, e olhou para ele com um olhar intrigante.
“Primeiro, quero que você acredite nesses sonhos. Mesmo que qualquer pessoa tente te derrubar ou te dizer que isso nunca acontecerá. Acredite em si mesmo, mesmo que seja difícil de fazer isso. De qualquer jeito, eu acredito em você. Sempre se lembre disso.” Ele deu um leve e agradável aperto na mão de Kurt, que ainda estava na sua. “Segundo, você tem que prometer que vai me dar ingressos para a primeira fileira de sua estreia na Broadway.”
Kurt olhou para ele por alguns segundos, sorrindo como nunca antes. Então, ele se inclinou, e por mais que causasse dor em seu corpo, ele usou uma de suas mãos para pegar no rosto de Blaine e juntar seus lábios com os dele.
Foi um beijo suave, ainda mais do que o que ele havia dado em Blaine um dia antes. Não teve língua, não teve nenhuma necessidade. Foi apenas Kurt e Blaine, compartilhando algo que fazia os dois se sentirem bem com eles mesmos. Mas, claro, como sempre, o coração dos dois sempre batia super aceleradamente durante momentos como aquele.
“Como você consegue?” Kurt perguntou, em um sussurro, assim que se soltaram.
“Consigo o que?” Blaine sorriu para ele.
“Me fazer tão bem.”
E aquela era uma pergunta que, nem Kurt, nem Blaine conseguiam responder.
Notas finais
P.S.: Gostaria de dedicar tudo aquilo que o Blaine disse nesse capítulo a aqueles que já pensaram ou já tentaram desistir de tudo em suas vidas. Sempre se lembrem que amo vocês! :D yaaay , até o próximo.
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