Scarloon Leandro II - Tosse
5 ARMADILHA
18 de novembro de 1810
Depois de anos treinando — dez, pra ser exato — eu já tinha eliminado mais de mil demônios. E, com o tempo, eles só ficaram mais violentos. Foi aí que aconteceu:
Vinte deles me cercaram de uma vez.
— Esse Scar tá atrapalhando nossa caça… já matou vários! Vamos com tudo!
Então era isso… algum Mada tinha mandado eles. Pelo visto, fiquei famoso por aqui.
Cinco avançaram primeiro. Já preparei meu muco. Um deles começou a soltar faíscas — já sabia o que vinha.
Raios.
Desviei por pouco, com o braço coberto de muco endurecido, e avancei direto nele.
Um soco só bastou pra esmagar o rosto do demônio do raio e lançar ele longe.
Mas não deu tempo de comemorar. Fui cercado. Cordas prenderam minhas mãos enquanto o chão se abria sob meus pés. Dois Scars surgiram à frente, usando seus impares — pedra e fogo, um ataque combinado.
Fácil demais.
Usei a tosse como um impacto bruto, quase um grito comprimido. Eles foram arremessados pra trás. Olhei pro buraco… uma esfera roxa lá embaixo me puxava. E no fundo, espinhos de gelo.
No mesmo instante, cortaram as cordas. A gravidade fez o resto.
Eles achavam que eu ia cair e morrer ali.
Idiotas.
[Febre… 45º]
Meu corpo disparou pra cima, e eu mergulhei direto em dois deles — o das cordas e o que abriu o buraco. Ele tentou me prender de novo, mas desviei.
[Gripe + DDC = Balas mucosas]
DDC é dor de cabeça, caso alguém não tenha entendido.
POW. POW.
Atravessou as cabeças dos dois.
BOOM. BOOM.
Explodiu no impacto. Três já tinham ido.
Um outro veio pra cima. Preparei outro ataque e sorri.
— Isso aqui não vai ser uma batalha… vai ser um massacre.
E foi.
Um por um, eles caíam. Quando percebi, só restavam sete.
Subi para as árvores para despistar.
— Droga! Ele tá fugindo! Não deixem ele escapar!
Eles realmente acreditaram nisso… perfeito.
Saltei de volta, no meio deles. Um usou seu Impar de corte e conseguiu — arrancou minha cabeça.
— Acertei!
Mas quando a lua iluminou melhor… perceberam. Era só uma estátua de muco endurecido.
— Hã? Ele enganou a gente, ele deve estar—
Nem terminou.
A estátua brilhou.
BOOM.
Explodiu em lâminas de muco pra todos os lados. Todos foram perfurados. Dois já feridos caíram mortos na hora.
Restaram cinco.
Agora eu entrei de verdade.
[Febre… 50º]
Meu corpo fervia como nunca. Virei um borrão. Apareci na frente deles e comecei. Golpes rápidos, quentes, queimando e destruindo.
Um caiu com um soco no rosto. Outro com o punho atravessando o corpo. Um terceiro perdeu a cabeça com um chute. O quarto voou contra uma rocha.
Sobrou só um. Paralisado.
Ele tentou usar o Impar… tarde demais. Segurei sua cabeça.
BOOM.
Silêncio.
Com aquela pilha de corpos aos meus pés, senti algo diferente.
Algo que eu já tinha percebido antes… em 1805. Um chamado. Ignorei na época — precisava ficar mais forte pra enfrentar a Rainha do Sangue. Mas agora… eu vinha seguindo isso.
E finalmente cheguei.
Uma planície. No centro, uma construção enorme.
Um coliseu.
Sustentado por mãos gigantes com garras, como se segurassem aquilo no lugar.
O que quer que esteja ali dentro…
É o que está me chamando.
E, perigoso ou não… eu vou descobrir.
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