Scarllet
2 Correr da policia é divertido até você cair de cara no X
Notas iniciais
2:30 AM, New York
– Scarllet, essa já é a terceira vez que você vem parar nessa delegacia essa semana. Custa dar um tempo pra essa sua vida? Eu vou ter que ligar pro seus pais. — Quanto mais ela falava, mais eu revirava os olhos e desejava sumir naquele momento por ter que aguentar mais uma vez aquela mulher chata falando. Que a propósito se chama Ann e sério, quem dá o nome de Ann pra uma filha? Deve ter sido tipo "Que linda vai se chamar Annnnnnnn" A mulher devia estar gemendo na hora ou então usou muitas drogas. Mas enfim. Se ela acha que eu vou deixar ela me encrencar, ela errou. — Quer parar em um reformatório? Pirralhas como você deviam parar lá. — Escrota você, querida. — Anda me diz o numero.
Reviro os olhos. Ei, acabei de ter uma ideia.
– É três dois cinco, seis quatro sete nove — Eu não vou dar o numero verdadeiro. Acha que eu sou boba? Eu só queria roubar umas latas de Pringles e essa velha me enfia em uma delegacia. Eu mereço? Sorrio forçado pra ela quando na verdade eu queria mandar um belo dedo do meio.
– Pode se retirar agora. Senta ali — Ela aponta pra umas coisas que eu acho que eram bancos. Mas estavam mais para cadeiras da dor.
Levanto e pego minha bolsa do chão. Finjo que vou sentar e PUFT! Disparo em direção a porta da delegacia. Minha ficha lá já não tava boa. Tava na hora de parar um pouco com essa vida de louca, antes que eu pare em um reformatório. — Sério. — Escuto a mulher-gemido-chata-velha-e-feia gritar "PEGUEM AQUELA PIRRALHA" Ou então "SEGUREM AQUELA COISA RUIVA" Quando saio da delegacia saio correndo em direção à um beco que eu costumo me enfiar quando fujo de algo. Corro gargalhando e entro no mesmo. Pulo o muro e paro em outro beco. Descanso um pouco, mas logo percebo que há carros de policia atrás de "uma criança ruiva delinquente" nas ruas de NY.
Saio correndo do beco e logo avisto um outro menor logo a frente. Entro no mesmo ofegante e há uma porta pequena com musica alta saindo de dentro do lugar. Abro a porta e me enfio o mais rápido que posso lá dentro. Logo que entro percebo que é um lugar com concurso de dança ou algo do tipo, mas logo a frente tem uma outra porta em direção á uma rua principal que é perto da minha casa. Por que não? Corro em direção a porta totalmente perdida no lugar e bam! Scarllet vai ao chão. — Quem foi o estúpido que não me viu? E o estupido ainda tem amigos idiotas rindo de mim. Filhos de umas putas!
– Com licença, mas será que você não me viu? — Pergunto sendo rispida. Não tô com paciência agora já que fiquei sem meus Pringles. Vejo o garoto estender uma mão pra mim e logo eu aceito a ajuda. Levanto a cabeça e vejo quem é. É o garoto do qual eu gosto. É o X — Só o chamo assim porque toda vez que vou descobrir o nome dele, algo me impede — Os cabelos negros caindo sob os olhos azuis dele o tornam lindo. Ele usa um boné roxo e pronto, já posso morrer. — ESPERA, EU GRITEI COM ELE? DEUS ME MATE — Ele sorri totalmente corado pra mim e eu retribuo o sorrido corada também. Sinto minhas bochechas avermelharem de tanta vergonha.
– M-m-m-me desculpa — Ele me levanta. Logo que a minha mão entra em contato com a dele eu sinto um choque correr pelo meu corpo.
– Não foi nada, mas me diz. É verdade que aquela porta dá pra uma saída ou algo assim? — Pergunto. Não custa perguntar, mas na verdade não sei de onde tirei a coragem para perguntar. Eu ainda nem sei o nome dele.
– Sim — Ele sorri — Já vai?
– Já x — Ops, falei demais. Vejo ele fazer uma careta com o que eu falei — Quer dizer... Já — Ele olha para baixo. — Realmente tenho que ir. Tchau.
Eu saio correndo dali em seguida e meu Deus. De onde eu tirei coragem pra isso? E eu ainda não sei o nome dele. — Merda — E meu Deus a mulher — A gemido policial — tinha que tentar me ferrar só porque eu ia roubar uma lata de Pringles do supermercado? Ele nem precisava. Tinha tantas lá que nem ia fazer falta. E eu só não engordo porque no passado tive com problemas com comida então eu não tenho tendência a engordar — Amém
**
Acordo com o barulho infernal do despertador tocando ao meu lado. Tateio em busca do mesmo e quando o acho, o jogo contra a parede. Ouço uma voz masculina ecoar no meu quarto e eu me assusto. — E que susto — E com o susto eu caio da cama.
– Precisava mesmo quebrar o despertador capetinha? — Eu reconheço a voz. Levanto mais rápido que posso e saio correndo em direção ao dono da voz.
– CHAZZ! — É o meu irmão. Ele havia sumido fazia umas três semanas. E só pra deixar claro, ele é meu irmão de criação. — SEU IDIOTA. ONDE VOCÊ TAVA? — Empurro ele depois de abraçar o mesmo.
Ele da uma gargalhada gostosa e me puxa pra outro abraço.
– Isso tudo é saudade? Mas para, ok? Não precisa me espancar. — Eu reviro os olhos e sorrio. Os olhos castanhos dele que chegavam á ser verdes estavam bem claros — E com um certo brilho — E os cabelos loiros dele estavam repicados. Esse menino some de um jeito e reaparece de outro.
– Onde você esteve? — Aperto ele ainda mais contra meu corpo e afundo minha cabeça na curva de seu pescoço de modo que me faz sentir o perfume forte dele. Meu irmão voltou. Porra, ele voltou. — Me responde logo, garoto.
Ele sorri e me solta.
– Eu tive que sumir um tempo. — Tem coisa por ai... — Mas eu voltei não voltei?
– E vai sumir de novo.. — Murmuro triste
– Não, não vou minha baixinha. — Ele me puxa para um novo abraço, mas eu recuo.
– Chazz, me faz café da manhã do jeito que só você sabe fazer já que mamãe e papai nem dão as caras por aqui? — Meus pais estavam em briga. Chazz era meu ponto de paz. — Por favor — Faço biquinho e ele sorri.
– Tá bom, pequena. — Ele me puxa pra um abraço. Esse eu não consegui recuar. — Eu senti sua falta, capeta.
Sorrio.
– Eu também maninho, eu também.
**
– Tchau maninha. Beijos e prometo não sumir — Meu irmão se despede depois de me deixar na escola. Sorrio e mando um beijo pra ele. — E vê se essa sua roupa não vai provocar ninguém. — Ele faz um bico de raiva. Sorrio. Ai ai esses ciúmes de irmão... — Tchau — E ele some em meio aos outros carros. Ele estuda em outra escola. Infelizmente.
Pronto. Cheguei ao inferno. Sinto duas mãos grandes taparem meus olhos e logo em seguida uma voz masculina.
– Adivinha quem é?
– Ryan, da pra me largar querido? — É o idiota do meu melhor amigo. Ele gargalha e me puxa pela cintura pra perto dele.
– Ruivinha, andou aprontando ontem, né? — Ele sorri
– Não meu amor. — Sinta a ironia — Eu fiquei em casa dormindo.
Ele gargalha de novo e eu semicerro os olhos pra ele que na hora faz ele parar de gargalhar.
– Me engana que eu gosto.
– Bom saber, Ryan, bom saber. — Sorrio dando um beijo na bochecha dele.
– Obrigada Scarllet. — Ele sorri. Ele não é safado como os outros garotos dessa escola. Ele é só o meu Ryan. Meu melhor amigo que cresceu ao meu lado.
– Argh, que nojo Falo enquanto assisto a cena que rolava na minha frente. ...
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