Say When...
24 Sagashimono
Notas iniciais
Musica do capitulo: Sagashimono - ON/OFF (http://www.youtube.com/watch?v=MWermnsh320)
P.D.V Nico Di Ângelo
Demorei a dormir depois que entramos no trem. Também, não é todo dia que aquele tipo de pessoa vem “falar” com você. Sério, eu to confuso até agora. Não que eu tenha ficado assustado nem nada (N/A: cof, cof, Mentira, cof, cof), só que não andar mais sozinho por ai seria bom.
Sei que assim que caí no sono, dormi feito uma pedra. Acordei algum tempo depois e peguei uma parte da conversa do Percy e da Gabriela.
-Algumas realmente falam, outras se adaptam. Mas eu e Ashley entramos bem recentemente na caçada, diria que não faz 20 anos.
-E 20 anos lá é recente?
-Acordou Nico – falou Percy.
-Obrigado capitão óbvio, achei que era sonâmbulo.
-Educação mandou lembranças.
-Não enche, cara.
-Vocês são mesmo adultos? – Gabriela reclamou.
-Tecnicamente sim, somos maiores de idade – Percy disse.
Permanecemos em silencio durante alguns segundos.
-Percy, se você se tornou um deus, por que continua usando seu sobrenome? – perguntei.
-É como uma lembrança.
-Lembrança? – ela perguntou.
-Sim. Me lembra de onde eu vim, quem eu sou. E também é um modo de conservar a memória da minha mãe.
-O que aconteceu com ela?
-Faleceu. Câncer.
-Sinto muito, cara – falei.
-Me desculpe por ter perguntado, Percy.
-Não, tudo bem. Vocês não sabiam. E também não é sua culpa. Não é culpa de ninguém.
-O carro também é uma lembrança, não é?
-É sim, Gabbe. Ela me deu de aniversario de 18 anos. Sua carreira como escritora tinha começado a subir e, então, ela descobriu que estava doente – ele fez uma pausa. Percy é um cara forte, tenho ele como um exemplo, como um irmão mais velho (mesmo que nós nos víssemos raramente agora), mas isso era demais até para ele. Ele encarou a janela e continuou. – Não se passaram nem dois anos e o câncer a levou de mim.
-Descanse, logo chegaremos a Toronto – Gabriela disse. Ele se se encostou ao banco e fechou os olhos.
-Toronto? Já estamos no Canadá?
-Sim, você até que dormiu bastante considerando a hora em que acordou.
-Vocês que acordam muito cedo, mal tive tempo pra dormir naquele hotel.
-Ficou acordado até tarde Nico?
-Estava pensando.
-Pensando em que? Ou melhor, em quem?
-O que te faz pensar que eu estava pensando em alguém?
-Sei lá, alguém comentou algo comigo.
-Ta bom, oh espertinha. Então me diga, em quem eu estava supostamente pensando?
Sim, ela estava certa. Eu estava pensando em alguém, mas não ia dizer isso.
-Não tenho certeza. Talvez numa garota baixinha de olhos lilases, conhece? Acho que o nome dela é Ashley.
Três palavras. Como ela sabe?
-Há, há. Acho melhor você descansar um pouco, está começando a delirar.
-Nico, por que não admite? Eu percebi que rola um clima entre vocês.
-Onde? E pelo que eu sei, aquela baixinha me odeia.
-Mas você não a odeia, não é?
Ela continuou me olhando com aquele olhar inquisitivo e isso começou a me pressionar um pouco.
-Ta, ok. Talvez eu esteja um pouco a fim dela, e daí? E como você percebeu?
-Já tive um irmão mais velho, sabia?
-Não, mas o que isso tem a ver?
-Ele era a fim de uma garota no colégio, mas eles viviam brigando. Eu não entendia o porquê dele sempre a irritar se ele gostava dela. Um dia perguntei, adivinha qual foi a resposta.
-Não faço a mínima idéia, e ainda não entendi o que isso tem a ver.
-Ele disse que fazia isso pra chamar a atenção dela, pra fazer com que ela prestasse atenção nele. Parece familiar?
P.D.V Ashley Scott
-Era sim Sophie, mas continuando. Quando minha mãe adotiva resolveu prestar atenção em mim já era tarde demais. Eu fugi de casa, não tinha um plano, dinheiro ou lugar para ir. Na verdade, acho que eu só queria andar até qualquer lugar, desde que fosse longe dali. Quatro dias depois me encontrei perdida no meio de uma floresta qualquer, a beira da morte.
-Quatro dias sem água ou comida? – Sophie me perguntou.
-Sim. Dias difíceis, nem sei como sobrevivi.
-Você não pensou em parar em alguma lanchonete ou coisa assim, ou quem sabe roubar comida, sei lá.
-Eu não me importava. Posso continuar?
Antes que ela pudesse responder uma garçonete veio e entregou o nosso pedido.
-Até que enfim – Thalia comemorou.
-Tomara que a espera tenha valido a pena – disse Annabeth.
-A espera e aquele idiota intrometido – a filha de Zeus falou com a boca cheia.
-Thalia, modos à mesa – censurei-a.
-Não enche Ash. Continua a história ai.
Revirei os olhos e continuei.
-Achei que era meu fim, então Lady e as garotas me encontraram. Foram minha salvação, literalmente. Entrei para a caçada, me tornei amiga de Gabriela, ganhei irmãs, uma mãe. Ganhei uma família – terminei sorrindo.
-É uma história bem interessante – Sophie disse. – Quer dizer, menos a parte do tal Jeff e você quase morrer, mas é uma história bem legal.
Ri do jeito que ela disse as coisas. Apesar de Sophie ser uma deusa do amor e eu não me relacionar bem com ele, ela é bem divertida e agradável. Talvez seja impossível não se encantar com ela.
-Annabeth, por que você não conta uma de suas aventuras no Acampamento? – lá vai ela de novo.
-Você gosta de histórias, não é? – disse a loira. – Já não ouviu essas histórias algumas dezenas de vezes?
-Sim, é bom para passar o tempo. Já, mas nunca pelo seu ponto de vista.
-Acho que você vai ter que deixar essas histórias para outro dia Sophie, nós temos um missão a cumprir – falei.
-Ash tem razão. Podemos começar hoje ainda – Thalia falou.
Terminamos de comer e saímos do restaurante. De acordo com Annabeth, deveríamos procurar em algumas reservas florestais nas redondezas (não que tenham muitas, mas não é uma área exatamente restrita).
-Tem uma reserva a noroeste daqui. Podemos pegar um táxi.
-Então o que estamos esperando loira? — depois de dizer isso Thalia chamou um táxi e entrou. – Vocês não vem?
Thalia é uma pessoa estranha, mas nem por isso deixa de ser uma boa amiga.
Depois de meia hora apenas jogando conversa fora apertadas naquele táxi (frase estranha. Mas tenta entrar em quatro no banco de trás de um Ford Crown) finalmente chegamos a Reserva Florestal do Maine (N/A: É um nome fictício, talvez até haja uma, mas não é essa em questão).
Pagamos o táxi e saímos.
-Não deveríamos entrar e pedir um guia? – Sophie disse.
-E dizer o que para ele? “Ah, nós estamos procurando uma caverna mística contendo um cristal mágico que nós usaremos para recuperar os objetos dos deuses e provavelmente salvar todos vocês, sabe onde posso encontrar”?
-Até que não é má idéia Annabeth.
-Thalia, você tem problemas – falei.
-Não, é serio. Nós podemos entrar lá, falar isso com jeitinho e depois é só meter névoa no cara.
-Eu ainda prefiro invadir isso e procurar.
-E eu to com você, vai ser mais rápido – concordei com Annabeth.
Fomos entrando (lê-se: pulando a cerca) e Thalia veio atrás. Sophie também, mesmo que um pouco relutante.
-Não vai ser difícil. Nós somos caçadoras, sabemos andar por florestas – falei.
-É, mas a coisa muda um pouco quando é uma floresta que fica quase na fronteira com o Canadá.
-Não se preocupe, iremos sobreviver Sophie – Annabeth a confortou. – Eu acho.
-Obrigada, me sinto bem melhor agora – ela respondeu com um tom óbvio de sarcasmo.
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