Notas iniciais
Boa Leitura.
Música do capítulo: 21 Guns - Greenday
http://www.vagalume.com.br/green-day/21-guns-traducao.html

Point of View Chris Rodriguez

Depois que encontrei Clarisse, corri para abraçá-la, mas na verdade quase a sufoquei no abraço, de tanta preocupação que sentia por ela ter arriscado a vida dela e a do nosso filho. Na verdade, eu queria dar um belo sermão nela, mas não ia ficar muito bom para meu lado, por que ela estava com Quíron, e Rachel, o oráculo.

— Clarisse, sua louca, você quase me mata do coração! Como você está? Teve um ataque?

— Eu estou bem, mamãe. — ela disse com uma expressão raivosa. — Foi ela quem me pediu para vir, você sabe disso. — apontou para Rachel.

— E você veio. Não poderia ter dito que estava grávida, quase com nove meses?

— Sim, mas... — ela não queria ceder nem reconhecer que estava errada em vir para cá.

— E o ataque, teve algum?

— N... NÃO! Pare de perguntar sobre isso, caramba! — acho que vamos ter uma pequena discussão.

— Está bem. Onde está minha arma? Mesmo eu controlando a névoa lá na delegacia, não vai ficar bom eu ter sumido uma arma.

— Mas ela não é uma extra? — sim. Eu sei que era. Só queria ver se Clarisse a havia usado. Droga, ela era muito experta.

— Sim. Ande logo, me entregue. Não quero ter que fazer você ficar com raiva e acabar atirando em mim. — ela respirou fundo.

— Tudo bem. Aqui está. — e me estendeu.

Segurei a arma, verifiquei as balas, e percebi que não tinha nenhuma. Mesmo Clarisse estando bem, e eu tendo provas disso por que ela estava na minha frente, eu fiquei tremendo, só de imaginá-la usando a arma, e estando grávida.

— Você. Foi. Atacada.

— Sim. Eu sou uma semideusa, Chris, você sabe disso. E filha de Ares. Um dos deuses mais importantes. Isso significa que tenho um cheiro forte, e ainda por cima estou grávida, o que faz meu cheiro aumentar muito a sua intensidade. — ela disse na maior inocência.

— Chega disso, vamos encerrar o assunto. O importante é que você está bem... — Não sei de onde tirei tanta calma para isso.

— Ainda bem! Já estava ficando cansada de tanta preocupações! — ela disse. Enquanto discutíamos, percebi que nem Rachel nem Quíron diziam algo. Isso foi algo bom, porque imagina se Clarisse tem um ataque?

— Ótimo. Agora vamos para casa. Aqui não é mais seguro. — Quíron assentiu.

— Mas já que eu estou aqui, quero participar do conselho, oras. — a teimosa da minha esposa arriscava demais. Se levantou. — Se tiver um ataque, posso ficar aqui dentro. Temos muitos campistas agora, não é?

— Temos. — Quíron assentiu.

— Eles vão dar conta de proteger o acampamento, sem mim. Então vamos ficar! — Não tive como argumentar contra. Que os deuses nos livrem, mas se algo ruim acontecer, eu quero muito ter que dizer: “Eu avisei!”

Então ficamos conversando um pouco, acerca do acampamento, como ele estava, como tinha funcionado nesses anos... Ficamos caminhando um pouco pelo lugar ensolarado, sem monstros, por enquanto... Até que algo interrompe a nossa paz.

— E quando é que será o conselho? — Clarisse falou. — Terá uma missão?

— Se tiver, você não vai! — disse antes que ela resolvesse querer se candidatar. Eu sei que ela poderia não querer ir, mas não conheço o completo orgulho de minha esposa.

— Claro que eu não iria! Só perguntei. Perguntar arranca pedaço por acaso? — ela balançou a cabeça em negação, olhando para mim. Percebi que essa era uma das características que mais admirava em minha esposa. Não, não é o orgulho, e sim a coragem. — Então, Quíron?

— Vai ter um conselho, mas não sei se arriscaremos mais campistas em outra missão.

— Outra? — perguntei.

— Sim. Já temos uma missão que está acontecendo agora. Afinal não estou tendo notícias... — coçou a cabeça. — Você vê algo Rachel?

— Não.

— Mas do meu filho você viu não é? — Clarisse disse parecendo que ia arrancar a cabeça de Rachel.

— É que eu não controlo minhas visões. Por exemplo, sei que seu filho andará aos...

— Rachel! —Clarisse gritou. — Dá para parar?

— Sim, mas o que tem de errado se eu disser que se chamará... — e vi minha esposa pegar uma adaga e lançá-la na direção de Rachel. A arma a acertou, fazendo-a cair. Olhei para Clarisse.

— Como você fez isso? Ela só falaria o nome! E você a matou? — Não consegui acreditar que Clarisse era uma assassina a sangue frio. Ela apenas riu.

— A adaga era de bronze celestial. — Clarisse disse.

— É verdade. — o oráculo se levantou passando a mão na cabeça.

A observei e vi que tinha um pequeno corte em seu vestido, mas nada de sangue. A adaga se encontrava caída.

— Era para você calar a boca.

— Ok. Parei. — e as duas voltaram a conversar amigavelmente. Mulheres...

Na conversa, chegamos ao assunto de quem seria o conselheiro sênior do chalé de Ares.

— Ah, deixe-me lembrar... — Quíron pensou. Sinceramente, acho que de tanto treinar heróis, ele está ficando caduco. — Ah, é o Samuel Muniz.

— O pacífico? — Clarisse gritou encabulada. — Como é que o chalé de Ares vai ter um vegetariano como líder! O que fiz para merecer isso? — ela reclamou olhando para os céus.

Foi orgulhosa! Quis dizer.

...XXX...

Point of View Samuel Muniz

Quando acordei, me chamaram na casa grande. Bem, vou resumir: o velocino de ouro havia sido roubado, Peleu tinha sido morto, e até que a nossa proteção mágica fosse recuperada, teríamos que voltar a fazer a patrulha da fronteira. Depois que comi, fui liderar um grupo de pessoas.

Ah, não falei nada de mim. Não é? Certo. Sou Samuel Muniz. E sim, sou descendente de espanhóis, por isso o nome esquisito. Sou filho de Ares, tenho dezessete anos. Há cinco anos atrás virei conselheiro do chalé de Ares, o segundo depois de Clarisse, por que o que a substituiu foi para a faculdade. Muitos campistas viram isso como uma piada. Por que? Fácil. Eu não gosto de arrumar encrencas com qualquer pessoa que vejo. No captura a bandeira, eu não levo para o lado pessoal, só ajo normalmente, como se fosse num jogo. E é um jogo. Mas as outras pessoas não acham isso muito legal. Sei que falam de mim pelas costas, mas não me importo. E ninguém teve coragem de falar na minha cara. Por quê? Porque sei lutar. E muito bem. Falo isso sem me gabar.

Sobre minha aparência, é a mais comum possível. Sou alto, tenho a pele morena, olhos e cabelos pretos. Um típico filho de Ares. Mas tento controlar muito o meu humor, diferente de Clarisse. Não a estou criticando, acho que ela é muito impulsiva. Na verdade, a admiro bastante, mesmo que ela me criticasse de tempos em tempos. Percebi que ela estava aqui hoje. Ia cumprimentá-la, só que ela poderia ter um ataque se soubesse que fiquei na liderança dos chalés.

Quando fui para a patrulha, conversei o básico com os integrantes e fiquei atento a tudo o que acontecesse. Estava olhando para ver se algum monstro aparecia, mas estava tão calmo que pensei em ouvir músicas para o tempo passar. Peguei os fones, liguei a música, ia apertar o play quando escutei um barulho suspeito. Monstros!

Fiquei atento novamente e vi um vulto azul bem abaixo da colina. O que era? Olhei para meus companheiros, mas estavam todos em outras partes da fronteira que desisti de tentar chamá-los. Eu já havia matado monstros antes, então esse provavelmente não seria grande coisa. Seria?

Corri até o lugar do vulto azul quando vi um cara sendo atacado por um telquine. Francamente, esses monstros eram fortes, mas não os mais inteligentes do planeta. Tinha que ser meio fraco para ser subjugado por um deles. Atentei para o cara e percebi que ele estava sem armas. Ah, então está explicado.

Quase não notei a ausência de armas por causa da aparência do sujeito. Para começar, ele estava com a camisa rasgada, e dava para perceber uma estranha tatuagem em forma de “seis” nas costas. A pele era branca e pálida, como se ele estivesse com anemia. Os olhos e os cabelos eram azuis. Que cara teria um cabelo azul? Ele era um cosplay filho de Afrodite?

Peguei minha espada e empurrei o fã da Katy Perry para longe e ataquei o monstro. Me desviei das bolas flamejantes e enfiei a espada em sua garganta, fazendo, obviamente, o monstro virar pó.

Olhei para o sujeito, esperando um agradecimento, mas só vi uma cara amarrada.

— Eu podia me virar sozinho. — qual é?

— Eu estava reparando sabe? Só vim te ajudar por que queria me exibir! — disse eu irônico.

— Cale a boca! E então, esse é o acampamentozinho para semideuses?

— O Acampamento Meio-Sangue, sim.

— Droga, por que ficam num lugar de deuses? Eles nunca fizeram nada para a gente! Vocês não deveriam segui-los. — ele disse ríspido.

— Esse papo de novo? Já tivemos algo assim antes. Se está aqui é por que queria achar esse acampamento. Então vamos lá! Me siga, tenho que falar para o diretor de atividades! E quem sabe será reclamado? Tem noção de quem é seu pai ou mãe divinos? Eu sou Samuel Muniz, filho de Ares.

Ele rolou os olhos.

— Então somos irmãos. Também sou filho de Ares. Meu nome é David. — olhei para seu cabelo azul. Assenti, cético.

— E seu sobrenome?

— Não te interessa. — eu quis duvidar de um filho de Ares de olhos azuis, mas decidi não criar confusão. Até que ele demonstrou ser filho de Ares por causa desse temperamento.

Então gritei para outro campista assumir meu lugar e fomos até a casa grande.

Fiquei pensado. O velocino foi roubado e esse esquisito aparece no mesmo dia? Estranho. Muito estranho.

Notas finais
como ficou???
até o próximo