Say When...
23 Princess Of China
Notas iniciais
Música do capítulo: Princess of China - ColdPlay feat. Rihanna
Link: http://www.youtube.com/watch?v=TDj3sorWXbE
Boa leitura!
P.O.V. Clarisse La Rue
Não acredito que o Velocino
De Ouro que consegui (com a “pequena” ajuda de Percy e Annabeth) com tanto
esforço foi roubado. Aquele dragão idiota não servia para guardá-lo? Ele devia
estar ficando velho. Só penso duas coisas: uma, ele fugiu. A segunda é que
mataram ele. E quem seria forte o suficiente para matar um dragão daquele
porte? Opa opa, eu já matei um Drakon, sim, mas não quer dizer que matei Peleu.
O que eu ganharia com isso? Até porque eu estava em Nova York até algumas
horas! Deuses, o que pensei? Por um momento isso foi meio hilário. É claro que
as suspeitas não cairiam sobre mim, cairiam? Deve ser por isso que me chamaram
até aqui... pensei demais. Já parei!
Alguém com certeza matou o
dragão. Poderia ter sido algum deus? Uma revolta? Não, isso não. Os deuses
menores adquiriram mais espaço depois da guerra. Ninguém se revoltaria a tal ponto.
E nenhum deus mataria o dragão porque nós, semideuses, somos muitíssimos úteis.
Cito novamente a guerra. Quer mais utilidade que o resultado dela? Conseguimos
derrotar o exército de Cronos sem a ajuda total dos deuses. Será que escutei um
trovão no momento? Que seja, o que pensei é a mais pura verdade.
Passei pela árvore vazia e
caminhei até a Casa grande. Deuses, aquele lugar me dava ótimas recordações.
Notei os banheiros e comecei a rir. Que costume idiota era aquele de colocar as
cabeças das crianças em privadas? Era muito criativo de minha parte, sim, mas
era muito infantil.
Os campistas que faziam a
patrulha da fronteira me olhavam como se fosse uma extraterrestre. No primeiro
olhar deles, acho que imaginaram que eu era uma mortal, mas depois notaram
minhas armas. A outra estranheza era a minha gravidez. Sim uma semideusa ter
idade para chegar a ter filhos... Não era algo muito comum.
Vi um centauro conversando
com uma garota ruiva e fui até eles.
– Então esse é o grande
problema? – perguntei.
– Oi Clarisse! – o oráculo
correu até mim e me abraçou. O centauro sorriu.
– Quanto tempo! – disse ele.
Depois levou o olhar até minha barriga. – quantos meses? – falei os meses para
ele, que assentiu. – Não sabia que estava grávida.
– Hum... O oráculo não te
contou? – olhei para Rachel, ainda rancorosa com ela por ter revelado o sexo do
bebê.
– Não.
– Como é que aconteceu isso?
– perguntei desesperada.
– Creio que Rachel já te
contou, certo? – assenti. – Pedi para ela chamar os campistas mais antigos,
para um conselho, e para decidir o que faremos agora.
–Mas escute, o acampamento
está inseguro certo? – olhei para o centauro.
– Certo.
– E tem muitos semideuses
aqui, não tem?
– Sim – Rachel disse.
– E o cheiro deles aumenta,
criando um radar para os monstros, não
é? – eles concordaram com a cabeça. – Então eu não estou segura aqui,
especialmente grávida!
P.O.V Chris Rodriguez
Quando recebi a ligação de
Clarisse, pensei em várias coisas ao mesmo tempo. Um, é que os meus pensamentos
estavam totalmente errados. Quais pensamentos? O que tive há muito tempo.
Pensei que os semideuses poderiam viver normalmente depois da guerra contra
Cronos. Com a ligação da minha querida esposa tudo isso desabou.
O segunda coisa foi o que
estava havendo com o acampamento novamente. É claro que já se passaram alguns
anos, mas mesmo assim. É pouco tempo para se iniciar uma nova guerra. Posso
citar o exemplo das “guerras mundiais”. A primeira começou em 1914 e terminou
em 1918. A segunda, começou em 1939, 1940 e foi terminar em 1945! Tem
aproximadamente vinte anos de diferença! Está bem, já parei.
As primeiras coisas que
pensei já foram muito ruins não foram? Sim, realmente. Entretanto, a terceira
ganhou das duas primeiras no quesito perigo. Clarisse está grávida! E eles a
chamaram para ir até o Acampamento Meio Sangue para resolver o problema. Obviamente,
ela tinha duas opções. Poderia recusar ou aceitar. Uma pessoa normal recusaria,
por causa do bebê e outros motivos, que um deles envolve o fato de que ela não
é mais uma campista.
Após ela desligar o
telefone, eu quase entrei em colapso. Minha esposa é totalmente orgulhosa. Ela
tem seus motivos, mas essa não é a questão agora. Bem que ela poderia dizer que
estava grávida, ou melhor, reclamar, inventar desculpas. O que não me acalma, é
que o cheiro dela aumentou, porque ela carrega um “semi-semideus” na barriga, e
os monstros não darão desculpas para atacarem-na.
Decidi não entrar em pânico,
afinal ela ainda tem a lança elétrica dela e levou as armas com balas de bronze
celestial. Se aparecer algum monstro para atacá-la, é só atirar. Ótimo. Mas e
se as balas acabarem? E se... Não posso ter pânico, porque esqueci por um
momento o principal de tudo, Clarisse é filha de Ares! O deus da guerra! Claro
que ela pode se virar sozinha! Mesmo grávida, garanto que é um milhão de vezes
melhor que eu em lutas. Todavia, ela está mais frágil... Tenho que parar com
essa preocupação toda, senão não irei me concentrar no trabalho.
Ah, esqueci de contar a
minha versão dos fatos, certo? Então, me casei com Clarisse, vivemos em Nova
York, ela é professora de esgrima e eu sou um policial. Não fomos até ao acampamento depois disso,
aliás, perdemos todo e qualquer tipo de contato com eles. Uma vez ou outra
conversamos com nossos pais divinos e só. Fora isso, não existe mais contato
entre nós e o mundo da mitologia grega. Por que isso? Estávamos, quer dizer,
ainda estamos cansados da guerra. Agora queremos viver normalmente.
Se optamos por isso, porque
guardamos nossas armas? Porque os monstros ainda aparecem, e com uma certa
freqüência, afinal, eu e Clarisse somos semideuses, que convivem juntos, o que
aumenta muito a intensidade de nosso cheiro. Outra coisa que atrai os monstros,
é o fato de usarmos aparelhos eletrônicos. Eu sei que é errado, mas
pareceríamos pessoas das cavernas se não usássemos ao menos um telefone celular
não é?
Bem, me tornei um policial
por diversas razões. Uma delas é porque não era, não sou um bom lutador seja de
esgrima, seja de lança. Arco e flecha então? Até que não era um fracasso total,
porém...
Gosto da ideia de que sou
útil para a sociedade. Ajudo os mortais todo dia. Isso faz com que me sinta
bem, sabe? Foi uma forma de expiar as minhas transgressões do passado. O modo
de como trai o acampamento um dia... Ainda sinto asco da minha pessoa por ter
feito aquilo. E me arrependo a cada dia de ter ficado contra Clarisse por pouco
tempo. E o modo de como ela cuidou de mim e sabia que não era um ser mau... Não
é a toa que amo demais aquela filha de Ares.
Terminei o caso que
trabalhava e fui para minha casa. Fiz o máximo de esforço para chegar mais cedo
no apartamento. Era estranho vê-lo vazio. Sim, fiz esse esforço porque fiquei
preocupado. Clarisse provavelmente irá brigar comigo por causa disso, mas não
ligo. Fiquei com maus pressentimentos.
Depois de comer, tomar banho
e arrumar algumas malas, fui até o carro e parti em direção ao
acampamento. Mesmo querendo viver
normalmente, fiquei de certo modo feliz com a situação. Era muito legal ir até
o acampamento, ver Quíron, conviver com a chatice do querido diretor, deus do
vinho...
Ao chegar na estrada vi o
carro de Clarisse encostado, parecendo que o pneu tinha sido trocado ás
pressas. Meu coração acelerou ao notar isso. Tranquei meu automóvel e andei até
a colina. O que quer que tenha acontecido, fiquei pensando, enfrentaríamos
problemas novamente? Se sim, qual seria a intensidade deles?
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