Say All I Need
33 SAIN – 02 #03
Notas iniciais
Aaron sentou-se na cama, esticando todo o corpo. Sentia o sol bater contra sua pele, e clarear todo o quarto.
Levantou-se arrumando sua boxer, pescando entre os dedos a alça da câmera fotográfica, sentou novamente na cama, e passou por todas as fotos da noite anterior, todavia uma lhe chamou mais a atenção do que as outras.
Foi tirada no momento exato em que Mari teve o seu orgasmo, olhos fechados, boca entreaberta, a camada perolada de suor sobre a pele e a vermelhidão em suas bochechas. A foto era concentrada apenas em seu rosto cálido, sua boca vermelha, em seu pescoço esguio que abrigava os cabelos molhados de suor em sua pele. Ele poderia fechar os seus olhos e reviver aquele momento mais uma vez, sempre na verdade.
Sorriu.
Mari com toda a sua graça e beleza, havia conquistado mais do que simplesmente o seu coração, ela havia conquistado a sua alma. Fazer amor com ela era mais do que simplesmente estar dentro de uma vagina úmida, ou encima de uma mulher gostosa e sensual, ele nunca pensou na coisa toda que envolvia realmente o ato, até que a conheceu, até que ele soube que Marine seria dele, que ele seria dela.
Olhou para ela em seu corpo calmo, tão angelical, seu peito que subia e descia regularmente, sua respiração instável. Tentou não cobiça-la em seu sono, embora tenha sido realmente difícil, uma vez que ela estava completamente nua, com apenas um fino lençol envolvendo sua fina cintura. Os seios tão desejados estavam ali, expostos para ele, tão convidativos.
Esticando-se, deixando os seus dedos varrerem ao longo dos cabelos escuros dela, um pouco queimados pelo sol, retirando-os do rosto e testa, empurrando as mexas para trás da orelha.
Marine se remexeu sobre a cama, despertando com o toque sedoso em sua pele levemente arrepiada. Ela notou que já era dia, notou que Aaron estava ao seu lado, e que como um homem hipnotizado ele estava admirando-a, como se pudesse babar feito um dálmata.
- Bom dia. – murmurou com a voz ainda pesada de sono.
Aaron estalou um beijo em sua testa, puxando para tapá-la o lençol. Não queria assustar Mari, com a sua excitação matinal.
- Bom dia, Afrodite. – ela revirou os olhos, sentindo suas bochechas rubras.
- Quando me chama assim, me sinto como uma meretriz velha e desgastada. – confidenciou. Ele riu.
- Não entendo, — começou. – Geralmente as pessoas sabem que Afrodite foi uma Deusa de grande beleza e sensualidade, como isso pode ser comparado com uma meretriz de merda?
Ela deu de ombros.
- Eu não sei, — sentou-se enrolando o lençol contra os seios. – Eu só tenho uma impressão ruim disso.
Aaron riu alto, levantando-se. Andou até a janela abrindo as cortinas, deixando sol entrar mais no quarto. Mari resmungou algo, cobrindo os olhos com a mão.
- Você sabe, — ele disse. – Acordamos tarde. – olhou para ela. – Ou seja, nada de seminário nesse sábado.
Ela puxou a máquina fotográfica, verificando as fotos da noite anterior. Uma mais quente do que a outra. Seus olhos estavam espantados com a quantidade de fotos eróticas.
Uma ela estava de costas, retirando sua calcinha com os cabelos amarrados, ainda assim os fios negros dançavam em suas costas nuas e pálidas, nunca tinha visto claramente o seu corpo de um ângulo diferente, e surpreendeu-se por constatar que a fotográfica era bonita.
A forma como toda aquela áurea sedutora e eroticamente envolvente de pegou finalmente de jeito, fez algo borbulhar em seu estomago, untando o meio das suas pernas. Ela sentiu-se tão devassa, altamente uma vadia.
- Você está corando. – Aaron se aproximou da cama, empurrou uma mexa rebelde do cabelo para trás da orelha dela. Mari abaixou a câmera olhando para ele.
- Você é totalmente culpado sobre isso. – acusou.
Aaron riu beijando-a.
- Tenho certeza que sabe da verdade. Sou apenas uma vitima nisso tudo. – garantiu.
- Você não vai para a faculdade hoje, mas o que vai fazer o dia todo em casa? – perguntou, mudando de assunto. Aaron deu de ombros.
- O que sempre faço, vou pegar uma onda.
Ela sorriu.
- Vou também quando sair dos Clayton’s.
Abriu a porta do bar, segurando a bolsa em seu ombro. Ele queria apenas entrar e tomar algumas cervejas. Havia sido uma primeira semana difícil e desde quando chegou no sábado não havia feito outra coisa, anão ser se inteirar dos assuntos da faculdade. Já estava em sua primeira semana e pelo que parece tinha acertado na escolha, a Califórnia mesmo com os garotos mimados e patricinhas sem cérebro irritantes, era um lugar legal.
Puxou uma cadeira, sentando-se em uma mesa um pouco mais afastada. Não queria chamar a atenção de ninguém, muito menos queria alguma estudante com os olhos em seu pênis, achando que poderia conseguir uma boa nota sendo comida pelo seminarista de psicologia.
Mas o seu plano não havia dado realmente certo. Um cara com aproximadamente a sua idade se aproximou, analisando-o como se estivesse reconhecendo-o de algum lugar. Jacob revirou os olhos, virando sua cerveja na boca.
Porra!
- Hei! – o cara parou bem diante da sua mesa, e Jacob não poupou olha-lo. Vestia uma calça jeans desgastada, tênis e uma camisa polo amarelo pálido.
- Hei. – Jacob retribuiu sem muito entusiasmo.
O cara puxou a cadeira, olhando-o mais atentamente, e Jacob desejou poder retirar aquele sorriso idiota dos seus lábios com um soco.
- Não acredito nisso. – ele disse. – Não se lembra de mim?
Jacob ficou surpreso. Aonde no mundo ele iria se lembrar de um cara como aquele?
- Hum, não. – disse.
- Ah meu Deus, que humilhação. – o cara riu, entornando um pouco de vodca garganta abaixo, antes de voltar sua atenção para Jacob. – Qual é Jake, eu não posso ter mudado tanto assim.
Ele encarou o homem com a menção do seu apelido.
- Não me lembro mesmo.
- Ok. – ele disse. – Vamos lá, um cara gorducho e nerd, que sempre usava o mesmo suéter verde meleca, herdado do seu tio avô. – abriu os braços, quando Jacob parecia ter se lembrando. – Bem, esse sou eu. – riu.
- Frederick? – Jacob perguntou.
- Sim, Frederick. – riu.
- Frederick Williams?
- Pois é companheiro, me senti mal por você não ter se lembrado de mim, afinal, eu tenho certeza que não mudei tanto assim.
Jacob riu sarcástico.
- Ah, claro que não. Tenho certeza que o seu pinto tenha continuado a mesma merda minúscula de sempre.
- Qual é Jacob, estou melhorando.
Ambos riram pedindo mais uma rodada de cerveja.
- O que está fazendo aqui Jacob?
- Trabalhando, me mudei recentemente.
Frederick acenou com a cabeça.
- Eu vim visitar meu irmão pentelho, a ovelha negra da família. – Jacob bebericou sua cerveja, enquanto Frederick falava. – Todos morando em Toronto e ele aqui curtindo. As férias que nunca tem fim.
- Me lembro que ele estava para ingressar como médico. – Frederick concordou. – E ai? Ele conseguiu?
- Sim. – acenou. – Elliot é um bom médico, enquanto seja um parente relapso. – olhou em direção a porta. – Inclusive eu estou esperando ele aqui, não me atrevo a chegar perto daquela praia, os moradores locais me odeiam. – Jacob riu.
- Boa coisa você e esse seu pinto de merda não devem ter feito.
- Ok, eu assumo, dormi com uma garota, a gente estava bêbado, e eu nem sabia que ela tinha namorado. – riu. – Tive que me esconder embaixo de um píer enquanto eles me caçavam nas ruas. Foi uma das coisas mais tensas que já aconteceu comigo.
- Fico me perguntando quando é que o seu radar vai ativar, sempre as compromissadas. – Frederick riu alto, jogando sua cabeça para trás. – Ainda curte as coroas?
- Wow, nem me fale... A última que estive pegando, foi a minha chefe. – Jacob riu, balançando a cabeça. – Irmão, aquela mulher tem um fogo. Tive medo de não dar conta do recado. – Frederick olhou para ele. – Mas e você? – Jacob olhou para ele, tenso. – Ainda não arrumou uma namorada?
Jacob ficou sério. O maxilar rígido e ele imaginou que poderia quebrar a garrafa. Frederick percebeu a tensão que havia provocado em Jacob, e rapidamente tentou desfazer. – Tenho certeza que essa cerveja é uma merda. – disse. – Desde quando essas cervejas irlandesas são tão ruins? – Jacob sentiu-se grato pela mudança brusca de assunto. Ele não estava preparado para falar sobre ela a qualquer um, mesmo Frederick tendo sido seu amigo de faculdade.
- Tanto faz, — ele deu de ombros. – É tudo a mesma coisa para mim.
Elliot abriu a porta entrando no bar, Frederick ainda ousou em dar uma olhada em Jacob antes de acenar para o irmão.
- Elliot, esse é Jacob Black. – apresentou. – Lembra-se dele? Eu apresentei vocês uma vez, na festa das loiras peladas.
Elliot riu alto, e Jacob apenas virou sua cerveja na boca.
- Eu lembro, o cara que você dizia ser virgem?
Jacob olhou para Frederick com o cenho franzido.
- Pelo que me consta eu não perdi minha virgindade com uma faxineira, em uma aposta. – Frederick arregalou os olhos.
- Cara, — se aproximou da mesa, sussurrando para Jacob. Elliot explodiu em uma alta gargalhada. – Pensei que nunca contaria isso para ninguém.
Jacob deu de ombros.
- Estamos quites. – garantiu.
- Com a faxineira Fred? – ele riu mais. – Eu deveria esperar algo assim de você.
- Qual é, ela era gostosa.
Como sempre as conversas masculinas resumiam-se na virilidade perdida e no tamanho flácido dos pênis alheios. Jacob sorriu, por depois de tanto tempo ter uma conversa amigável, mesmo que algo esteja ardendo em seu peito.
- Qual é. – Frederick balbuciou. – Jacob, ele é broxa!
Elliot virou sua cerveja na boca.
- Ah, até parece.
- Ok. – Frederick cruzou os braços sobre o peito. – Vamos lá, conte ao Jacob por quanto tempo você consegue segurar uma ereção, além do que dois minutos.
Elliot arregalou os olhos.
- Desde quando isso?
Jacob riu.
- Cara, todas as garotas que você transou me falaram a mesma coisa. – riu alto. – O seu libido é tão quente quanto de uma senhora de oitenta anos.
Elliot socou o ombro de Frederick.
- Acreditem, muitas senhoras de oitenta anos estão sedentas por sexo quente e selvagem. – Jacob garantiu.
Frederick se aproximou da mesa.
- Hum, depois não me repreenda por gostar de uma carne mais experiente.
Elliot riu alto.
- Eu pegaria uma velhinha na boa se ela fosse, hum, digamos assim, bem gostosa.
- Impossível. – Jacob garantiu, virando sua bebida novamente. – No máximo ela seria um pouco menos flácida. – riu.
Frederick e Elliot riram, entornando suas cervejas, tomando no gargalo. Jacob viu ali dois possíveis amigos, naquela cidade em que ele antes não conhecia ninguém.
Marine desceu do carro, empurrando a bolsa em seu ombro, e bateu a porta. Ouviu Aaron descer do outro lado repetindo o seu gesto. O sol estava forte naquela tarde de inicio de Setembro. Sorriu mentalmente por ter colocado o vestido fresco de um salmão pálido, que havia ganho de presente da namorada – ou ex-namorada, – do pai de Aaron no mês anterior.
Ele deu a volta no carro, jogando o seu braço envolta do ombro dela e um beijo em sua cabeça. Mari sorriu quando Aaron entrelaçou os seus dedos juntos.
Andaram pelo estacionamento da universidade, e pelo jeito estava bem cheio o lugar, os seminários deveriam ter começado há algum tempo.
- O que foi? – Aaron sussurrou em seu ouvido.
Mari sorriu.
- Nada, — deu de ombros. – Só acho que chegamos atrasados.
Ele riu.
- Tenho certeza que sim. – sibilou. – Mas não me arrependo. Melhor uma manhã bem aproveitada do que um dia inteiro com tesão. – ela riu.
- Ah meu Deus, Aaron. – o empurrou. – O que eu faço com você? – perguntou indignada.
- Bom, — ele começou. – Pode ficar comigo por tempo indeterminado.
- Ah claro, estarei anotando sua exigência, senhor.
Subiram as escadas de poucos degraus, levando ao andar superior onde estaria acontecendo os seminários. Aaron estava ansioso, todavia imaginou que Marine estaria indo morrer de tédio naquele dia, mesmo que tenha sido a própria quem decidiu vir. Sentaram-se nas cadeiras no fundo, assistindo um novo seminarista subir e começar o seu discurso e traçar o trajeto do tópico do dia. Marine sentou ao seu lado, tirando o celular de dentro da bolsa. Certamente ela iria vasculhar o aparelho, ou se conectar a internet. Tudo para não tornar-se um cadáver fedorento, por morrer de tédio.
De volta no estacionamento, Mari brincava com os dedos deles juntos, enquanto Aaron tentava equilibrar sua bolsa e a mochila dele nos ombros. Ela ria internamente da sua tentativa, e por diversas vezes desejou roubar sua bolsa do homem, e segura-la ela mesma.
Um cachorro latiu ao fundo, o que foi completamente ignorado por ambos. Aaron tinha uma coisa estranha com os cães, que Mari nunca iria compreender. Um medo talvez?
- Não vai me dizer que irá borrar as suas calças? – ela provocou. Aaron lhe lançou um olhar de escarnio, cético.
- Obvio que não. – franziu o nariz. – Eu pareço alguém que sai correndo de alguma coisa?
Ela riu.
Os latidos do cachorro de aproximaram, e ambos perceberam que ele se aproximava. Aaron ficou tenso. O cão estava vindo todo peludo e grande justamente em sua direção. Ele conseguia vislumbrar o brilho de uma coleira de couro com um pingente em formato oval, de aço.
Ele nem ao menos teve tempo de proteger Marine quando o cão pulou afobado encima dela, derrubando-a no chão. Seu instinto foi completamente bloqueado pelo pavor.
Droga!
Mari se assustou com a investida do cachorro, porém sorriu quando recebeu uma lambida pegajosa em seu rosto, sujando-a.
O cão latia alto, chamando a atenção de algumas pessoas que passavam por eles, rindo até.
Marine viu o nome do cão impresso em seu pingente. Ele tinha dono.
- Ah, droga. – Aaron disse. – Marine, você está bem? – ele perguntou aflito, ajudando-a a se levantar. Ela sorriu, agachando-se na frente do cachorro após levantar-se, ignorando as mãos de Aaron que juntaram-se em seus ombros, tentando afastar sua mulher da grande fera felpuda.
- Eu estou sim. – ela disse brincando com os pelos do animal.
- Esse bicho não te machucou? – sua voz era rouca e preocupada. – Deus, droga Mari, sai de perto disso.
- Não ligue para ele meu lindo. – puxou a coleira do cachorro, lendo o seu nome. – JJ? – perguntou ao cão.
- Mari, isso é um cachorro, não vai realmente te responder. No máximo ele vai latir. – garantiu.
- Ele é tão fofo. – ela disse encantada. JJ lambeu o seu rosto mais uma vez, embrenhando-se no meio dela. – Ei, olha, acho que ele gostou de mim.
- Ou confundiu você com alguém.
- Pode ser. – deu de ombros. – Atrás da coleira tem o numero do celular do dono, talvez devêssemos ligar, avisando sobre o cachorro. – olhou para Aaron.
- Claro, diga-me o numero.
Ao longe, seu dono avistou JJ fora do carro, se perguntando com certo desespero o que ele estava fazendo ali, com dois desconhecidos. Aproximou-se correndo, com receio do que o animal havia feito em sua escapada.
- Ah, me desculpe. JJ! – Mari ouviu uma pessoa se aproximar em suas costas. Aaron que já levava o celular ao ouvido olhou para o homem que se aproximava aliviado. – O que você está fazendo aqui? – Jacob ralhou com o cão, sendo carinhosamente acariciado por uma jovem que estava de costas para ele.
Quando Marine se levantou, ficando de pé, ela se virou para Jacob, com um sorriso torto em seu rosto, praguejando mentalmente que o dono tivesse aparecido tão cedo.
Jacob imaginou que estivesse levando um soco forte em sua boca do estomago. Os pulmões se comprimiram, apertando. Sua garganta estava fechada e ele soube que nada poderia descer. Seus olhos embaçaram, e sua cabeça rodou, ele ficou tonto, cambaleando. Aaron se aproximou rápido, ajudando-o a manter-se em pé.
- Você está bem? – ele perguntou.
Jacob balançou a cabeça com força, como se estivesse limpando os seus pensamentos, esfregou seus olhos tentando enxergar melhor.
Não pode ser...
Jacob sem perceber aproximou-se da jovem a alguns centímetros de distância. Seus cabelos claros dançavam em suas costas. O corpo cada vez mais semelhante. E o cheiro... Sempre o mesmo.
- Renesmee? – com medo da verdade, ele apenas tocou-lhe o ombro, e Mari observou desconfiada quando seus dedos tocaram sua pele nua nos ombros. Jacob estremeceu ao sentir a quentura da pele que ele sempre amou em tocar. Ele sentiu que iria cair. Parecia que toda a gravidade do planeta havia sumido. Um verdadeiro buraco profundo se abriu debaixo dos seus pés, onde Jacob achou que seria engolido sem perdão. Era ela. Só podia ser ela. Aqueles olhos. Jacob nunca se enganaria. Não havia um corpo para que ele se enganasse. – Ness...
- Perdão? – a confusão estampada em seu rosto queimado pelo sol. Ela estava bronzeada e certamente Jacob nunca imaginou que iria vê-la daquela forma.
- Ness, é você, eu achei... Nós achamos... – a tomou em um abraço apertado.
Ela não se moveu, nem o seu corpo reagiu como ele imaginava. Apenas ficou lá. Parada. Surpresa.
- Desculpe, mas acho que você me confundiu com alguém. – a sua voz... Cristo como eu esperei para ouvir a sua voz novamente. Seu cheiro.
Tudo nela parecia igual. Como se ela apenas tivesse ido passar alguns dias na casa dos seus avós no litoral.
Jacob se afastou dela olhando-a melhor de perto. Parecia a mesma. JJ rodeou Jacob, ficando atrás dele. Marine acompanhou o cachorro com os olhos, sentindo-se desconfortável por estar ali.
- Não! É você Ness!
- Desculpe, eu não sei quem é ‘Ness’, eu nem te conheço. – frisou o apelido.
- Renesmee. – ele apelou. – É você!
- Meu nome é Marine. Não Renesmee.
- Mari? – Aaron com a voz grossa surpreendeu Jacob. Marine levantou seus olhos, e um brilho estranho os envolveu. Jacob sentiu o seu estomago embrulhar. – Você conhece esse cara? – ele perguntou desconfiado. Marine apressou-se em dizer.
- Hum, não. – sua voz parecia ser cantada. Era como se Jacob tivesse levado um soco potente na boca do estomago. Suas mãos escorregaram dos braços dela, quando ele deu um passo para trás. Se afastando. – Não ele só... Me confundiu com alguém. Provavelmente por conta dos Clayton’s.
Quando Jacob se virou encarando Aaron ele sentiu vontade de voar e socar a cara dele. Era ela. Ele sabia.
- Aaron Becker. – estendeu sua mão para Jacob, cumprimentando-o. Jacob ainda demorou algum tempo até cumprimenta-lo de volta, apertando-lhe a mão.
- Jacob Black.
- Black. – saudou – Eu vi você. Deu a palestra hoje! Muito interessante, tenho que acrescentar. – ofereceu simpático. Jacob franziu a sobrancelha. Sua praticidade em contornar aquelas perguntas idiotas, foi bem impressionante. – e silenciosamente Marine se aproximou de Aaron, envolvendo-o pela cintura com o seu braço. Jacob colocou as mãos em punhos nos bolsos da calça.
- Sim. Obrigado.
Seus olhos em nenhum momento saíram de Marine o que a deixou levemente rosada nas bochechas.
- Bom, — Aaron olhou para Mari. – Acho que você confundiu minha namorada com alguém, – Jacob olhou para ele, sem saber o que realmente dizer.
Era ela. Ele sentia. JJ também, embora o cão não pudesse levar muitos créditos. Se Jacob ao menos pudesse tirar uma foto dela, e comparar com as outras. Argh! Quanta tolice, ele sabia que era ela, que era Renesmee ali, bem diante dos seus olhos. Depois de todos esses meses em que ela esteve “morta”, ali estava ela, mais viva do que nunca. Ou quase. Jacob sabia que tinha algo de muito errado com ela.
Os olhos eram os mesmo, o corpo, a forma de se expressar e os cabelos. Cristo, ele não poderia estar enlouquecendo. – Perdão, eu... – olhou para ela. – Confundi você. – Uma ova!
- Ah, tudo bem! – Marine deu de ombros, simpática.
Ela não sabe quem eu sou?
- Isso acontece. – disse.
- Bem, — Aaron olhou para JJ atrás de Jacob. – Seu cachorro confundiu Marine também. – Jacob apertou mais suas mãos em punhos.
- Peço perdão por ele. – Jacob murmurou.
Vamos lá Nessie, lembre-se de nós.
- Tudo bem. – ela deu de ombros. – Eu gosto de cachorros, e ele é bem fofo. – sorriu para o animal. JJ abanou o rabo para ela, contente.
O celular de Aaron tocou alto e estridente. Mari revirou os olhos.
- Hum, — Aaron murmurou. – É Elliot. – disse.
Jacob encarou Marine um pouco mais atento.
- Elliot? – ele perguntou para Aaron. – Elliot Williams?
Aaron olhou para Jacob surpreso.
- É! Williams! – sorriu. – Conhece Elliot?
- Sim. – Jacob sorriu travesso.
É você Nessie!
- Tive o prazer de tomar algumas cervejas com ele e Frederick no sábado passado. – disse. – Inclusive conheço Elliot da faculdade.
Ele sentia-se tão feliz. Uma felicidade que parecia não existir nesses últimos meses.
- Ah... Fred! – olhou para Mari. – O irmão de Elliot. – explicou.
- Lembro muito bem dele, e daquela cantada falida. – ela riu sarcástica. Jacob a analisou.
O que aconteceu com você Nessie?
- É! – Aaron trincou o maxilar contrariado. Jacob fez o mesmo.
Porra! Quanto tempo levaria para puxa-la contra mim, e sequestra-la para o meu carro. Eu deveria levar quanto tempo até conseguir entrar no jato da empresa Black?
- Bom, — Marine murmurou. – Se você é amigo de Frederick e Elliot, certamente está convidado para a festa na casa de Elliot essa noite, não? – ela perguntou.
Jacob sorriu. Havia sim sido convidado, e no mesmo minuto recusou o convite alegando que tinha muito trabalho. Porra, ele não tinha, e com toda certeza ela estaria nessa festa.
O celular tocou mais uma vez, alto. Aaron murmurou algo se afastando.
Mari segurou com força a alça da bolsa. Jacob sentia seu coração bater com tanta força.
- Eu certamente fui. – disse. Um sorriso repleto de coisas indizíveis que Jacob não sabia explicar. Era ela, era Renesmee.
Marine sorriu.
- Ah, então você também estará lá para ver as dançarinas seminuas? – perguntou com sarcasmo. – Elliot me disse na semana passada. – murmurou.
- Não estarei indo ver dançarina nenhuma nua. – suas palavras saíram firmes, e seus olhos eram tão intensos. Mari se viu perdida dentro da imensidão negra, vulgo olhos.
Porra, Renesmee! Você vai continuar fingindo?
- Wow. – ela riu. – Alguma garota que Frederick ou Elliot tenha lhe arrumado? – inquiriu. – Um encontro talvez? – Jacob sorriu.
Talvez se ele mentisse um pouco.
- É provavelmente um encontro. – deu de ombros. – Ainda não sei. – Mari mexeu constantemente a boca.
- Você tem que se preparar para todo o tipo de garotas. Elliot tem um dedo muito podre quando é para escolher as namoradas para os seus amigos. – riu. – Aaron costuma dizer que sou a única que ele acertou.
A única? Que porra é essa?
- Desculpe, mas, Marine é o seu nome? – perguntou ele.
- Hum, sim. – ela concordou.
- Marine de quê? – ousou em perguntar.
- Sabe que eu não sei. – deu de ombros. Mesmo que aquele assunto fosse desconfortável. – Eu não me lembro de muita coisa. – ela sussurrou.
É claro! Você perdeu a memória Renesmee!
- Não se lembra? Como assim?
- Bom, eu estava aparentemente no píer e acabei escorregando e bati com a cabeça. Aaron e Elliot me encontraram desacordada e desde que acordei não me lembro de nada.
Oh, porra Nessie. Como quero beijar você.
Marine não sabia como ou porque ela estava ali, se abrindo com um estranho. Sentiu apenas a necessidade irrelevante de contar-lhe o que havia acontecido com ela, apenas o que ela sabia, ou até onde ela se lembrava. O que de certa maneira a impressionou. Ele não tinha um olhar de compaixão que a maioria das pessoas tinha quando sabiam da sua curta história, existia outra coisa em seus olhos, algo como um brilho estranho, talvez uma chama negra que se alastrava como um véu.
- Sinto muito. – Jacob murmurou.
- Ah, não sinta. – ela sorriu. – Não sinto como se precisasse me lembrar de nada. – garantiu. – Estou perfeitamente bem com a vida que tenho hoje.
O caralho que você está bem. Eu nunca vou ficar!
Aaron se aproximou deles, guardando o celular no bolso.
- Disse a Elliot que conheci você. – apontou para Jacob. – Ele ficou surpreso, e disse para novamente lhe convidar para a festa.
Jacob sorriu.
- Hum, estávamos inclusive falando sobre isso. – Marine sorriu.
Cabeça fria, apenas mantenha a cabeça fria. Ela perdeu a memória seu idiota. Porra! Tira as mãos dela seu animal!
- Poxa, foi bom lhe conhecer, Jacob. – Aaron disse. – Mas temos que ir, tenho que levar Mari ainda para o trabalho. E acho que ela talvez vá chegar atrasada. – sibilou.
Jacob olhou para os dois.
- Claro.
Porra! Você não pode ir Nessie. Não agora, não nunca.
- Hum, foi um prazer, er, Jacob. – ela sorriu e olhou para JJ se abaixando para fazer carinho nele. – E você também meu lindo. – riu brincando com o animal. Jacob pode visualizar um crachá que pulou para fora da bolsa dela, caindo em seu pé. Ele se abaixou pegando.
Marine. Chefe do departamento de qualidade. Clayton’s Loja de Conveniências.
Cristo, só pode ser brincadeira.
- Loja de conveniência? – estendeu o crachá para ela. – Parece bom. – brincou.
Mari sorriu.
- Pois é. Tenho que correr, senão entro atrasada. – ficou de pé. – Até mais Jacob. – ela sorriu acenando, enquanto se afastava indo em direção ao carro. Aaron sorriu para Jacob dando um aceno com a cabeça. Mãos nos bolsos, e Jacob imaginou que poderia arrancar os braços dele fora com uma foice bem afiada.
PORRA! PORRA! PORRA! RENESMEE!
Sua mente gritava histérica quando ele viu o carro se afastando.
É ELA!
- É ELA! – ele gritou para JJ que latiu alto, como se entendesse o que Jacob estava sentindo.
Mas o que Jacob estava sentindo: alegria, alivio, paixão, uma vontade arrebatadora de sair correndo em direção ao carro e arrasta-la de lá, beija-la com força e nunca mais deixa-la longe dele?
Renesmee... Você está aqui! Então era isso, eu tinha que vir, eu encontrei você.
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