Say All I Need
30 Capítulo XXX
Notas iniciais
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Boa leitura.
Alec agarrou com força o volante contra as suas mãos. As lágrimas deixando sua visão embaçada. Soluços altos, gritos que ameaçavam deixar não o fundo da sua garganta, mas o fundo da sua alma. Mordeu o lábio inferior com força quando parou no sinal vermelho. Em um baque surdo ele deixou a cabeça cair contra o volante e o grito que ele estava segurando finalmente saiu. Os sons das buzinas dos automóveis ao lado na estrada abafaram o momento destruidor que ele estava passando.
Como assim Renesmee estava morta?
O sinal abriu e Alec, com o rosto banhado em lágrimas, deu partida no carro. Seu destino? O escritório de Jacob. Ele tinha pegado a parte mais difícil de tudo aquilo, contar para o psicólogo sobre o acidente de Renesmee. O carro parou finalmente no estacionamento da clínica que Jacob trabalhava. Alec respirou fundo e passou as mãos de qualquer jeito sobre o rosto, tentando limpar o estrago que sua face deveria estar.
Caminhando com passos vacilantes e o corpo trêmulo ele passou pela recepção pedindo para ser anunciado. Jacob o esperava. A verdade o esperava. Quando dobrou no corredor avistou a porta de Jacob no meio do corredor. A mesma estava fechada, o que lhe daria alguns minutos para tentar buscar calma. Alec parou em frente à porta e respirou fundo dando duas batidas. A permissão de Jacob foi dada e Alec adentrou a sala fechando a porta de costas para o psicólogo.
- Fiquei surpreso quando me falaram que você estava aí para me ver. Aconteceu alguma coisa?
Um soluço traiu Alec, ele amaldiçoou, mas a quem ele queria enganar? Ele não estava bem, assim como não tinha aceitado ainda que podia ser verdade. A cabeça do moreno encostou-se sobre a porta e mais lágrimas caíram sobre os seus olhos. Mesmo de olhos fechados ele sentiu a presença de Jacob chegando perto dele.
- Alec? – o tom de preocupação já estava na voz do psicólogo. – Alec, o que aconteceu?
- Eu juro que eu queria que fosse mentira. – Alec espalmou as mãos sobre o coração, apertando a carne e batendo a cabeça com golpes, um tanto fortes, contra a parede. – Eu juro que eu daria tudo para lhe falar que foi um pesadelo e que estou chorando porque me deixou assustado de tão real que ele pareceu, mas não é! – ele gritou fazendo Jacob assustar com aquela súbita reação de descontrole.
- Alec, pare de bater a cabeça, você pode se machucar.
- Me perdoa. – Alec ignorou Jacob. – Eu sempre disse que eu a protegeria, mas eu falhei e...
- Alec. – Jacob segurou o ombro do moreno com força. – Eu não estou entendendo nada do que você está falando. Eu preciso que você fique calmo. Que tal sentar e me contar o que aconteceu?
Alec virou encarando os olhos de Jacob. O psicólogo engoliu em seco vendo o estado em que Alec estava. Os olhos vermelhos e inchados, a boca com um corte o qual saia sangue, várias marcas vermelhas pelo rosto em consequência das lágrimas torrenciais que caiam dos olhos claros de Alec. Mas nada disso comparou-se ao que ele viu dentro dos olhos do menino. Alec tinha uma dor a qual parecia estar refletindo como sua alma estava. Quebrada. Em frangalhos, e que nunca mais voltaria a ser a mesma.
- Ela morreu. – Alec sentiu as palavras rasgarem seu peito, sua garganta queimar.
- Quem morreu Alec? – Jacob perguntou assustado.
Alec inclinou a cabeça um pouco para o lado e seus olhos contaram para Jacob quem tinha morrido.
O moreno deu um passo para trás e sorriu. Balançou a cabeça em negativa e elevou um dedo no ar fazendo o mesmo gesto.
- Brincadeira de mau gosto sua, Alec.
Alec abaixou a cabeça para os pés e respirou fundo.
- Eu disse que eu gostaria de dizer que era um pesadelo.
Jacob riu, riu tão alto que quando Alec o encarou achou que ele tinha ficado louco. Os olhos do psicólogo estavam arregalados e ele ria sem parar. Como que se as palavras de Alec não fizessem nenhum sentindo.
- Você ficou louco?! – ele gritou andando para perto de Alec. O agarrou pelo colarinho da camiseta. – Me diz que é mentira. – ele pediu apertando os dentes. Sentindo os olhos queimarem com as lagrimas chegando. O coração batendo em ritmo acelerado.
- Jake eu...
- É MENTIRA! – ele gritou desesperadamente empurrando Alec para trás. – É MENTIRA SUA, ELA NÃO ME DEIXOU! ELA NÃO PODE FAZER ISSO! DIZ QUE É MENTIRA! ELA PROMETEU!
Alec andou na direção de Jacob e o abraçou. Pela primeira vez na vida ele sentiu vontade de consolar Jacob.
O psicólogo elevou a face para Alec. As lágrimas há muito tempo já caiam.
- Diz. – ele pediu agarrando o ombro de Alec. – Por favor.
- Eu sinto muito. – Alec voltou a chorar.
- NÃO! – Jacob o empurrou de novo.
Alec assustou-se quando o corpo do psicólogo veio ao chão em um baque surdo. Com certeza Jacob tinha machucado os joelhos com a queda. O moreno levou as mãos ao rosto, tapando a face devagar indo ao chão. Encostou primeiro a cabeça no chão frio, depois o corpo todo foi ao chão. Em posição fetal, ele abraçou o corpo. Parecia um recém-nascido sem proteção nenhuma.
Não aguentando ver a cena, Alec ficou de costas enquanto os gritos de Jacob começaram a encher a sala. Seguidos de batidas que Alec sabia que era Jacob dando socos no chão. Ele não conseguia mexer-se para ajudá-lo, pois ele tinha sua dor particular. Alguém teria que manter a calma da situação. Se todos surtassem, estavam todos perdidos.
Alec não soube calcular quanto tempo Jacob ficou gritando e socando o chão, mas quando Alec resolveu virar, Jacob estava com os olhos parados e vidrados sobre o chão. Apertando o corpo, as mãos com sangues pelos socos dados sem moderação de força.
- Jacob. – ele chamou pelo psicólogo, mas não recebeu resposta. Jacob parecia estar morto, como se ele tivesse morrido com Renesmee no acidente. – Jacob. – Alec ajoelhou-se ao lado do moreno, tocando o braço dele sem receber até mesmo um mexer de olhos em sua direção.
Totalmente assustado ele pegou o celular do psicólogo que estava sobre a mesa e ligou para Eric. Que ele apesar de não conhecer, sabia que era irmão do Jacob.
- Fala Jake. – Uma voz alegre atendeu do outro lado da linha, e Alec xingou por ser o portador da notícia ruim.
- Eric. – ele engoliu o bolo que ele tinha na garganta. Olhando Jacob que não tinha tido nenhuma reação até agora, ele tomou coragem. – Você não me conhece, mas eu me chamo Alec Cullen, eu sou primo da... Renesmee. – doía falar nela sabendo que nunca mais a veria. – Eu estou precisando de você aqui no escritório do seu irmão.
- O que aconteceu? – o tom alegre mudou para preocupado. – O que aconteceu com a Nessie ou com o Jake?
- Você poderia chegar aqui em alguns minutos? Eu realmente prefiro falar pessoalmente.
- Considere feito. – Eric desligou e Alec voltou a olhar para Jacob.
Conseguiu ver uma reação do moreno. Jacob sorriu e fechou os olhos deixando novas lágrimas caírem. O corpo logo voltou a tremer, e ele estava gritando de novo. Alec temia, naquele momento, pela sanidade do psicólogo.
Sem saber o que fazer, Alec sentou-se ao lado de Jacob ao chão. O psicólogo, chorou, sorriu e gritou durante o tempo em que eles estavam esperando por Eric. O chão no sangue e o cheiro forte deixaram Alec um pouco enjoado, mas ele não podia sair de perto dele. Quando a porta abriu atrás deles, Alec deu um pulo em ver Eric.
Eric olhou o irmão no chão, envolto no sangue e olhou para Alec que estava chorando.
- O que você fez com o meu irmão? – ele agarrou Alec pela camisa com força, fazendo o corpo de Alec bater contra a parede com força. Nem a dor incomodou Alec. – O que você fez com ele?! – ele gritou desesperado.
- Ela me deixou Eric. – Uma voz rouca ecoou pela sala e Eric e Alec voltaram suas atenções para Jacob. – Ela me deixou Eric, e ela prometeu que nunca faria isso. Ela me deixou.
- Jake. – Eric soltou Alec e correu para o irmão. Tocando-o. – Eu vou falar com ela. Sabe que a Renesmee sempre me escuta tudo irá ficar bem e....
- Ela morreu. – Alec quem deu a notícia. – Acabamos de ficar sabendo que Isabella a sequestrou e que o helicóptero que elas estavam caiu no mar. Os corpos ainda não foram encontrados, e tratando-se de ser mar aberto, podem nunca serem encontrados. Mas recebemos a confirmação e...
- Cala boca! – Eric gritou com Alec. Ficou assustado em ver que o menino parecia estar em um piloto automático. Como se aquelas palavras não fossem nada e não causassem sofrimento. Mas sabia que era uma defesa, e até mesmo os nervos de Alec estavam em frangalhos. – Jake. – chamou pelo irmão vendo as mãos com sangue. – Pelo amor de Deus. – Eric choramingou sentindo as lagrimas caindo dos seus olhos. – Isso só pode ser mentira, isso não aconteceu. Jake. – ele chamou pelo irmão que tinha voltado para reação de inércia que estava antes. – Você tem que reagir, Jake. – o mais velho dos irmãos Black não recebeu resposta nenhuma do irmão. Ele sabia, tinha perdido Jacob.
Alec olhou para Jacob sendo medicado sobre o leito do hospital psiquiátrico que ele sempre trabalhou para tratar pessoas. Agora ele estava no lugar deles, sendo topado e tratado. Alec recebeu um aceno de Eric como agradecimento, antes que a porta fosse fechada atrás deles com um Jacob totalmente fora de foco deixado para trás.
Demorou, mas finalmente Jacob conseguiu abrir os olhos. O efeito do sedativo que lhe foi dado tinha terminado. Ele engoliu em seco, sentindo não só a garganta como todo o corpo protestar. Levou as mãos ao rosto e as viu enfaixadas. E aquilo foi à prova que tudo tinha sido verdadeiro. Que não tinha sido um pesadelo como ele pediu que fosse.
Virou o rosto para o lado, apertando os dentes negando-se a chorar por algo que ele considerava mentira. Ela não tinha o deixado. Ela era dele, o para sempre parecia pouco quando o assunto era sobre os dois. Sentiu o peito chiar com a força que ele lutava para não chorar. O que mais o matava, era saber que eles estavam brigados, e que agora ela tinha... Ido.
Jacob apertou o colchão em baixo de si, e chorou. Deixou que as lágrimas o vencessem, pois ele sabia que daqui para frente seria assim, o desespero sempre levaria a melhor na batalha que estava somente começando em sua vida.
- Jake. – Ele fechou os olhos ao ouvir a voz do irmão. Era rouca, como se ele também estivesse chorando. E conhecendo Eric, e a forma que ele era ligado a Renesmee, ele sabia que ele também estaria destruído.
- Eu falhei. – Jacob resmungou ainda encarando o outro lado. – Eu falhei com a pessoa que eu mais amei nesse mundo, a mulher que me fez sentir completo e amado. Eu falhei, eu a deixei ir.
- Não fala isso, Jake. Foi um acidente, uma fatalidade e...
- Ela deveria estar comigo, ao meu lado. Mas nós brigamos e...
- Não foi você. – ele sentiu os braços do irmão o puxando. – Não foi sua culpa, foi o destino. Eu sei que é difícil de entender e mais difícil ainda aceitar essa verdade. Você a amava. Que droga! – Eric fechou os olhos com força. – Eu a amava e ainda não acredito que ela se foi. Mas eu preciso que você reaja, Jake. Você não pode deixar-se cair em depressão. Sei que irá parecer frio o que vou falar, mas a vida continua.
- Eu morri. – Jacob falou com a voz fraca. – Tudo que eu fizer daqui para frente não serei eu fazendo. Eu morri quando escutei que ela me deixou.
- Jake. – Eric resmungou.
- Eric. Eu só preciso ficar sozinho, por favor.
Três dias foi o tempo em que Jacob ficou internado. Eric o tirou do hospital, não aguentava mais ver o irmão no estado que estava. Achava que Jacob estando em casa as coisas seriam bem melhores. Mas quando colocou os pés no apartamento do irmão mais novo, percebeu que não tinha sido uma boa escolha leva-lo para o local.
O cheiro de Renesmee o atingiu em cheio, assim como se ele pudesse ainda vê-la caminhando pelo local. J.J caminhou em sua direção, com as orelhas abaixadas e choramingando. Como se soubesse perfeitamente o que tinha acontecido. E não era de duvidar, pois os animais eram bem perceptivos.
J.J deitou-se sobre os pés de Jacob, o olhando como se quisesse passar força. O psicólogo abaixou, fazendo carinho atrás da orelha do pequeno. E logo endireitou o corpo seguindo para o sofá. Para onde ele olhava, enxergava a Renesmee. Ficar naquele apartamento com certeza não daria certo, mas era o único lugar que ele sentia-se perto de Renesmee. Como se a qualquer momento ela fosse abrir a porta do apartamento com o imenso sorriso dela, ou até mesmo com o cenho franzido, pronta para repreendê-lo por mais um ataque de ciúmes sem fundamento nenhum.
Como se um muro cheio de verdade batesse em Jacob, ele arregalou os olhos vendo Eric colocar as coisas dele em um canto e seguir para a cozinha. Ele nunca mais a veria ficar com raiva dele, nunca mais acordaria com ela ao lado dele, nunca mais teria ninguém de quem sentir ciúmes. Ela tinha o deixado.
- Jake. – Eric parou olhando o irmão que estava com a cabeça apoiada nas mãos. – Eu preciso ir ver umas coisas na empresa, mas mais tarde eu volto para ficar com você.
- Não. Eu quero ficar sozinho, Eric.
- Eu não confio em deixa-lo sozinho, Jake. Desculpe-me, mas eu não acredito que ficar sozinho nesse meio tempo seja uma coisa boa e...
- Eu quero eu mesmo arrumar tudo, porque quando ela voltar e entrar pela aquela porta sorrindo, eu quero que ela veja que está tudo arrumado.
Eric trincou a mandíbula vendo o sorriso débil que o irmão tinha nos lábios. Os olhos brilhavam em direção da porta. E o mais velho dos irmãos Black pedia a Deus que aquilo fosse um mecanismo de defesa. Já tinha escutado que muitas pessoas não reagiam bem quando descobriam que um ente querido havia morrido. E pelo visto esse era o caso do seu irmão.
Jacob sabia que poderia estar passando por louco na frente do irmão. Mas por mais que sua cabeça gritasse que Renesmee estava morta, seu coração lhe falava que como nenhum corpo tinha sido encontrado, ela poderia estar viva. Mas a situação não era bem essa.
- Jake ela...
- Não fala que ela não irá voltar! – Ele gritou olhando com raiva para Eric. J.J correu para o quarto com o grito do dono.
– Viu o que você fez? Eu assustei o J.J. – Ele sorriu. Ele estava oscilando de humor. – Ele tem que ficar feliz também. Renesmee não gostava de vê-lo triste, e você está o deixando não só triste como também com medo. Então. – ele apontou para a porta. – Eu estou bem, pode ficar tranquilo.
Eric sentou-se a cadeira que tinha perto da cozinha e assistiu Jacob começar a arrumar a casa. Reprimindo uma vontade de gritar e até mesmo de chorar. Ele assistiu Jacob cantar, arrumar e falar que Renesmee a qualquer momento entraria pela porta. Seu irmão estava insano.
Já passava das oito da noite quando Eric deixou o apartamento do irmão. Aos poucos ele foi vendo o humor do Jacob de alegre mudar para triste, e devagar o moreno foi desacelerando, assim como começou a chorar. Quebrou algumas coisas, mas finalmente Eric conseguiu coloca-lo para dormir. O médico tinha receitado um remédio para dormir, ele tinha se negado a comprar quando eles deixaram o hospital, mas agora ele estava vendo que o irmão não só precisaria de um remédio como também de vigilância constante.
As investigações e buscas pelos corpos de Renesmee e Isabella continuavam a todo vapor. Já fazia algum tempo que o acidente havia ocorrido, mas os bombeiros não estavam nem perto de parar com as buscas. Jacob parou sua vida de maneira drástica. Não apareceu mais na clínica, deixando pacientes que necessitavam de sua ajuda sem nenhum auxilio. Eric passava mais tempo no apartamento do Jacob do que em qualquer lugar. Tinha deixado claro para mãe que o irmão precisa estar sempre acompanhado. E era a mais pura verdade.
Jacob era forçado a ter que tomar banho e mudar a roupa. Ele não fazia mais nada disso por conta própria. A barba sobre o rosto estava grande, o deixando com uma aparência de pessoa abandonada. Eric por muitas vezes viu-se no seu próprio irmão. Na época em que ele andava pelos becos sujos da cidade, vivendo com ratos e todos os tipos de insetos que podiam ou não transmitir doenças. Jacob que sempre foi o mais sensato dos irmãos estava destruído, e Eric sabia muito bem disso.
Jacob sorriu quando as mãos passaram sobre os seus cabelos. Ele sabia que ela voltaria, e ele estava certo. Ela voltou na primeira noite que ele tinha passado sozinho, mas ele só não sabia que fazia tudo parte da sua mente. Sua defesa em não aceitar que Renesmee tinha mesmo falecido estava o levando a vê-la pelos cantos da casa. Ele permanecia calado quando Eric ou sua mãe estavam pelo apartamento, mas quando estava sozinho, ele via Renesmee e conversava com ela a todo instante.
- Pensei que o Eric não fosse mais ir embora. – Renesmee sussurrou sobre o ouvido do psicólogo, fazendo Jacob sorrir.
- Ele anda de marcação comigo, eu ainda não sei por que não posso falar que eu lhe vejo.
- Ele irá achar que você está ficando louco, e vai querer tirar você de mim. – ela o abraçou. – E eu não quero isso, não posso ficar sozinha nesse apartamento.
- J.J lhe faz companhia. – Jacob olhou para o cachorro que estava na ponta da cama lhe olhando. Com as orelhas em pé, querendo entender com quem o dono estava falando.
- Eu amo o J.J, mas eu prefiro ficar com você. – ela beijou as costas nuas do namorado. – Que tal um banho?
Jacob levantou correndo e saiu rindo na frente. Ele estava feliz, mas não era uma felicidade nenhum pouco saudável.
- Como ele está? – Sarah correu para receber o filho mais velho ao ouvir a porta abrir.
Eric depositou as chaves do carro sobre a cômoda e andou em silêncio em direção da mãe. Sem que Sarah tivesse esperando, Eric a abraçou com força. O mais velho dos irmãos Black estava mentalmente e fisicamente cansado. Aquela rotina de trabalhar para manter a empresa e ainda ter que cuidar de Jacob estava o deixando exausto.
- Filho? – Sarah engoliu em seco quando o corpo do filho passou a tremer e ele a abraçou com mais força. Ela retribuiu o abraço e ficou calada.
Por muitas vezes palavras não são necessárias, um gesto como um abraço valem realmente mais do que mil palavras. E Eric precisava de um abraço da mãe. Um abraço forte que de preferência falasse que tudo iria ficar bem. Quando por fim ele sentiu-se melhor, e um pouco renovado ele soltou o corpo da mãe e a puxou em direção do sofá, fazendo com que Sarah sentasse de frente para ele.
- Acho que devemos internar o Jake. – Ele sentiu o amargo das palavras em sua garganta.
Sarah engoliu em seco, enchendo os olhos com lágrimas. O lábio inferior tremeu com o choro que estava para vir.
- O que aconteceu?
- Eu o vi conversando sozinho. Até aí tudo bem, pois pessoas fazem isso. Mas ele disse: Pode deixar Renesmee, Eric vai embora daqui a pouco. Eu sei que ele pensou que eu não estava vendo, e eu realmente preferia não ter visto, mas eu vi. – ele descansou o rosto sobre as mãos. – E por ter visto, eu acho que temos que fazer algo. Não podemos deixar que ele... Enlouqueça mãe.
Sarah levou a mão á boca, para abafar o pequeno grito que saiu quando ela cedeu às lágrimas. Ela sabia que o filho mais velho estava certo, se tinha chegado naquela situação, Jacob precisava mesmo de ajuda.
- Quando podemos fazer isso?
- Acho que depois do velório da Renesmee. Eu não tive coragem de falar para ele que as buscas foram terminadas. Que não há possibilidades de encontrarem os corpos, e que um velório simbólico estará acontecendo amanhã.
- Você foi para contar, Eric.
- Eu sei mãe, mas depois que eu o vi conversando com a “Renesmee” eu realmente não poderia continuar no apartamento dele. Eu me despedi em seguida e corri para casa.
- Como contaremos isso a ele?
- Eu conto. – Rebbeca apareceu na porta da sala. – Eu escutei a conversa e tenho certeza que nenhum de vocês dois terá coragem de contar, pode deixar que eu conto.
- Tem certeza disso?
- Alguém tem que fazer não é?
Rebbeca estava parada em frente à porta de Jacob. Agora a ideia de ter que contar que o velório de Renesmee era hoje, e que ela estava o levando para lá, não parecia tão boa assim. Respirando fundo ela girou a maçaneta e escutou passos forte pela casa. Jacob saiu correndo do quarto com um sorriso imenso nos lábios.
- Renesmee?
O sorriso sumiu quando percebeu que não era a Renesmee e sim a cunhada.
- Não, Jake. Sou eu, Rebbeca. – Ela sorriu acenando na direção dele.
- Eu pensei que fosse... O que aconteceu?
Rebbeca viu J.J deitado em um canto meio triste, até mesmo o cachorro parecia estar deprimido em ter que conviver com Jacob.
- Você alimentou o J.J?
- Claro que sim, Nessie... Eu o alimentei. – Jacob mudou de assunto indo sentar no sofá.
Ele estava somente de bermuda, estava magro e com a barba maior do que antes. Olheiras fundas e negras abaixo dos olhos, deixando claro que ele não dormia já fazia alguns dias.
- Você comeu Jake?
- Comi. – Ele deu um olhar feio para cunhada.
- O que você está fazendo aqui?
Rebbeca sentou ao lado do cunhado e pegou as mãos de Jacob em suas mãos. O moreno lhe olhou com desconfiança.
- Eu preciso que você fique calmo, e me escute. É muito importante. – sem receber nenhum protesto de Jacob, a morena respirou fundo. – Eu sei que você acredita que a Renesmee esteja viva e...
- Ela está. – ele puxou a mão dele da dela. – Ela só teve que sair, mas eu não posso ficar lhe contando essas coisas.
- Jacob. – Rebbeca o segurou com força. Determinada a acabar com aquilo. – Ela pode estar viva sim, em seus pensamentos, em suas lembranças e sem dúvida em seu coração. Ela nunca morrerá para você e nem queremos isso. Mas como pessoa física, eu sinto em lhe dizer que ela se foi. – horror passou pelos olhos do psicólogo. – E eu vim aqui para lhe buscar para o velório dela.
- Não tem corpo. – ele falou com a voz baixa. – Enquanto não for encontrado. Ela está viva.
- Jacob, já faz mais de um mês. Eu sinto muito, mas as buscas foram canceladas, e o velório dela será hoje.
- Eu não vou.
- Se você não for você irá se arrepender pelo resto da sua vida. Por mais que você acredite que ela ainda esteja viva, eu sugiro que você tome um banho e vá comigo. – ela pediu alisando os cabelos do cunhado. – Faça a barba e venha comigo. Sabe que ela gostaria disso. Que você desse suporte para a família dela a qual você sempre teve contato. Mas você os abandonou desde que tudo aconteceu. Jake. – Rebbeca secou a lágrima que caiu. – Você sabe que ela se foi, isso foi somente um mecanismo de defesa que você criou, mas você sabe que até mesmo essa defesa está o matando. Por favor, lute.
Jacob virou o rosto para o outro lado da sala. A Renesmee que fazia parte de sua imaginação estava no canto da sala lhe olhando. Ela lhe deu um aceno de incentivo e ele ficou de pé.
- Volto em alguns minutos.
O local que estava acontecendo o velório de Renesmee estava realmente cheio. O que deixou Jacob surpreso. Afinal, ele não sabia que a namorada tinha tantos conhecidos. Avistou Alice com o esposo em um canto e quase toda a família Cullen em sua volta. Ela parecia a mais devastada de todos. Em outro canto amigos da faculdade de Renesmee que ele conhecia bem. Não queria cumprimentar ninguém. Tinha em mente chegar e ficar somente em um canto, sem ser visto. Estar ali, não parecia certo.
Mas não foi bem isso que aconteceu. Quando Alice levantou os olhos e os mesmo caíram sobre a figura de Jacob, ela andou em passos decididos na direção do moreno. Tinha notícias regularmente do namorado da sobrinha, e sabia que as coisas não estavam fáceis para o psicólogo.
- Jacob. – Ela o abraçou.
O moreno apresentou resistência no começo. Deixando os braços caídos ao lado do corpo vendo que as pessoas os observavam, mas aos poucos ele cedeu ao muro que ele mesmo tinha construído em sua volta esses dias.
- Como você está?
- Bem. E você?
- Eu... – Alice sorriu soltando Jacob. – Eu estou péssima, mas a vida continua. – ela olhou para o caixão que estava no centro. – O que mais dói é saber que não podemos nem enterrá-la.
Jacob optou pelo silêncio, falar que não acreditava que ela estava morta para Alice, poderia deixar até mesmo a tia de Renesmee preocupada. Já bastava a marcação de Eric. Jacob acenou de longe para o resto da família de Renesmee e voltou para o seu canto. Por várias vezes tentou fugir, mas Eric não deixou. Fazendo com que ele ficasse até o final da cerimônia. Quando enfim, o caixão desceu a sete palmos, ele saiu primeiro do que todo mundo.
- Jacob.
- Eu preciso ir para casa, Eric. Deixe-me em paz.
- Eu acho que você deveria ir para a casa da Alice. Ela pediu para lhe avisar que...
- Vai você. Eu não quero ir a lugar nenhum, eu só preciso ficar sozinho por alguns minutos.
- Eu levo você então, você não veio dirigindo.
- Eu pego um táxi. – Antes mesmo que Eric pudesse tentar mais um argumento, Jacob deixou o cemitério em direção à rua, e pegou um táxi. Ele estava sentindo-se sufocado com o terno negro que estava usando, a gravata parecia estar apertando a sua garganta.
Portanto quando ele chegou em frente ao seu prédio e pagou a corrida, ele tirou a gravata e o terno. Ignorando o elevador e subiu correndo pelas escadas. Ele precisava tirar a prova da verdade. Quase como em um soco ele abriu a porta, fazendo com que ela batesse com força contra a parede.
- Renesmee! – ele gritou desesperado. Ele sabia que não tinha nado no caixão, mas porque aquele sentimento de perda estava presente em seu peito. – Renesmee!
- Estou aqui, Jacob. – A imagem de Renesmee apareceu em um canto da sala. Ela estava séria, diferente das outras vezes que eles dividiram os momentos deles.
- Eu fui ao seu enterro. – ela maneou a cabeça em entendimento. – Eu realmente preciso saber a verdade.
- Sobre o quê?
- Você.
- Você já sabe a verdade, Jacob. Eu não preciso lhe falar. Bem aqui. – ela apontou para o coração. – Você sabe qual é a verdade?
- Você nunca esteve aqui comigo? — ela sorriu negando com um aceno de cabeça. – Esse tempo todo eu criei você na minha cabeça. – Jacob ficou de joelhos levando as mãos à cabeça e apertando os cabelos. Ele não aguentava mais chorar. – Minha família deve estar achando que eu fiquei louco, e no fundo eu fiquei. Eu lhe enxergo quando deveria aceitar que você está morta.
- Não foi bem assim, você precisava segurar-se em algo para passar por tudo isso. E criar uma imagem minha, ainda achar que eu estava viva era uma delas.
- Eu preciso e quero que você vá embora.
- Eu não posso ir embora enquanto você não decidir isso, pois eu estou em sua mente. E como ela anda uma bagunça, acho que eu não vou conseguir ir embora tão cedo.
Os olhos negros de Jacob miraram a figura de Renesmee do outro lado. Ele a amava, mas não poderia viver daquela forma. Não sabendo que ela não existia de verdade e que aquilo tudo não passava de loucura da parte dele. Sim! Loucura, pois ele sabia que tinha perdido a cabeça. Agora entendia porque Eric estava tão desesperado em ficar perto dele. Provavelmente resolvendo o que faria com ele. E ele não estava indo ficar em um hospital psiquiátrico.
- Ainda bem que Alice entendeu que o Jacob não está em seus melhores dias. – Eric murmurou enquanto estacionava o carro no estacionamento do prédio do Jacob.
- Você vai esperar a sua mãe, ou você mesmo irá ir falar com ele?
- Eu tenho que esperar a mãe de qualquer jeito, mas acho que posso subir e ir conversando com ele. Você percebeu como ele ficou depois que tudo terminou? Espero que ele tenha caído em si, e que no final ele vá de bom grado para o hospital.
- Eu conversei com ele antes, Eric. Ele sabe que não está bem, então acho que ele irá aceitar a nossa ajuda.
Os dois desceram do carro seguindo em direção do elevador. Não tinha nem ficado cinco minutos na presença da família de Renesmee. Jacob requeria um pouco de atenção deles naquele momento. Quando a porta do elevador abriu no corredor de Jacob, Eric imediatamente mostrou-se preocupado. A porta estava escancarada e nem um tipo de som era proferido de dentro do apartamento. Um olhar dado na direção de Rebbeca e viu que a esposa parecia também tensa.
- Fica aqui, amor. – Pediu assim que saíram do elevador.
- Vou com você.
- Não. – ele sorriu tentando lhe passar tranquilidade. – Não vai demorar muito. Só vou conferir e logo você entra.
Ele andou em direção do apartamento e respirou fundo. A sala estava vazia e não tinha sinal que algo de mais grave tinha acontecido ali. Ele seguiu então para o quarto. Um olhar sobre o centro do quarto fez o corpo do Eric gelar imediatamente. Sentiu a bile subir pela boca.
- JACOB! – o grito de Eric veio da alma. Veio queimando, veio lhe devastando.
Ele nunca achou que sobreviveria a imagem do irmão pendurado pelo pescoço por um lençol. A cabeça pendendo para o lado e as pernas balançando. Ele tinha falhado com o irmão. Ele demorou muito para ir ao socorro do Jacob.
Fim...
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