Save Me
33 Last day
Notas iniciais
Edward's POV
Me sentia quebrado.
Depois da noite maravilhosa que eu e Bella tivemos, ao amanhecer, a realidade e tudo o que eu teria que enfrentar veio á tona.
Toda a dor que eu vinha guardando por esses 4 dias, toda a angústia, todo o medo, toda a tristeza, tudo seria colocado pra fora.
Era injusto de uma hora pra outra eu bombardear Bella com minha decisão.
Ontem estávamos fazendo amor e hoje seria como “hey, te enganei 4 dias mais eu te amo, e olha, caso eu tenha esquecido de comentar, amanhã eu vou morrer.”
Colocando nessas palavras eu pareço um grande filho da mãe. Mas a única coisa que eu queria era aproveitar os últimos dias com ela, queria que esses dias fossem felizes, que ela criasse coisas boas pra se lembrar de mim quando eu partisse. Queria que fossem os dias mais especiais da vida dela.
E era fodidamente doloroso.
Depois de fazer tantos planos na minha mente de vê-la entrar na igreja, de termos um filho nosso, nossa casa, nosso cachorro, nossa família completa e finalmente feliz. Tudo isso havia ido pelo ralo, havia acabado, repentinamente, como a chuva em um dia de sol.
E pra combinar com o clima fúnebre, o dia estava nublado e feio. Olhei para o céu e por um momento pensei em xingar Deus por tudo aquilo. Mas no fim, percebi que nada era culpa dele, pois afinal, nossas escolhas determinam nosso destino. Eu havia escolhido, e meu destino estava certo.
Hoje era o dia.
Já eram 16h e eu precisava arrumar minha mala.
Bella havia saído com Victória as 14h e ainda não voltara. Sei que eles estavam fazendo coisas de mulher e tudo, mas já faziam duas horas e eu ainda precisava conversar com ela.
Conversar não era a palavra. Me despedir era mais apropriado.
Merda.
Tentei não pensar em como meu coração seria esmagado assim que começássemos nossa conversa.
Me doía ter que fazer as malas, doía ter que ir embora e deixar tudo pra trás. Era destruidor ver tudo o que construímos juntos, o amor que sentimos, nossa felicidade, tudo se desmoronar em apenas um dia.
De manhã, quando acordei e á vi do meu lado, tive que me segurar o máximo para não chorar. Pois apesar de parecer forte, havia um rombo maior do que o da camada de oxônio bem no meu peito.
Seria uma conversa difícil e devastadora, isso eu não tinha dúvida. E não, eu não estou preparado. Mas não há escolha.
Com o peito dolorido pelo buraco interno, peguei minha mala em cima do armário e a coloquei em cima da cama. Meu coração doeu á abri-la. Aquela mala ia carregar minha vida. Ela iria levar, junto com meus bens materiais, todos meus momentos felizes, tristes e de angústia. Ela ia presenciar minha dor ao dizer que vou embora e não volto mais, ela ia carregar tudo o que não vou poder levar comigo, iria me carregar.
Abri o armário, e com os olhos marejados e encharcados, comecei a pegar minhas roupas, peça por peça.
Ao invés de jogar tudo dentro como vários homens fazem – e eu fazia – eu estava arrumando minha mala com a maior lentidão do mundo. Eu queria prolongar aquilo, porque por mais necessário que fosse, era fodidamente doloroso.
Peguei uma de minhas calças e a coloquei na minha mala. Uma lágrima escorreu pelo meu rosto e então a porta se abriu.
– Amor, você não sabe a novidade que eu... — Bella entrou no quarto eufórica e extremamente feliz. Seu rosto caiu na hora em que ela viu minha mala e eu me senti um fodido filho da puta. — Edward, o que é isso? — ela perguntou atônita.
Fiquei calado. Eu não sabia se era por não saber como dizer á ela que iria morrer, ou por medo da reação dela. No fim das contas, eram as duas coisas.
– Aonde você vai? Eu pensei que... — Ela veio até mim e tirou minhas mãos da mala, segurando meu braço. Seus olhos encharcados pelas lágrimas.
– Bella, eu... — respirei fundo e juntei todas as minhas forças. — Leah não está bem, e eu...
– Você precisa vê-la? Tudo bem Edward, porque não me disse? Quer que eu vá com você?
– Bella, — segurei-a pelos ombros. — Eu vou visitar Leah,e vai ser a última coisa que vou fazer.
– Como assim a última coisa? Você – eu a interrompi.
– Ela precisa de um coração, de um doador. E como somos compatíveis eu – foi a vez dela de me interromper.
– Você o que? Não, isso não é verdade. Me diz que isso é brincadeira! — ela segurou meu rosto desesperada, o medo transparecendo em seus olhos.
– Eu sinto muito Bella, eu...
– Sente muito?! Como você pode fazer isso comigo?! Depois de tudo que passamos juntos você simplesmente chega pra mim e me diz que vai morrer amanhã?!! QUAL É A SUA EDWARD? Você veio até aqui, passou quatro dias mágicos comigo, me fez acreditar que estava tudo bem, que estávamos em paz, e agora me diz que tudo foi mentira? Que tudo isso foi uma despedida? — lágrimas começaram a rolar pelo seu rosto e eu não consegui olhá-la nos olhos. Eu sabia que tinha sido um imbecil, mas não havia mais nada á fazer. Bella estava em silêncio, mas de repente veio pra cima de mim.
– Você é um cretino! — ela me socou no peito. — Um mentiroso! — outro soco. — Como você pode – soco – fazer – mais um soco – isso – soco novamente – comigo?! — Eu apenas fiquei parado e deixei que ela descontasse toda a frustração que sentia. Bella parou de me socar e colocou a mão nos cabelos e começou a andar de um lado pra outro. Seu rosto completamente vermelho pela 'briga' que tivemos, seu rosto já inchado pelas lágrimas, seus olhos profundamente tristes. Como um estalo, ela voltou pra cima de mim e me atingiu no peito de novo. — Porque você entrou na minha vida? Pra sair dela de repente? De um dia pro outro, e me deixar sozinha? COMO VOCÊ PODE MENTIR PRA MIM 4 DIAS, DROGA! Não acredito que você fez isso! Como você pode? — ela me socou de novo. — Eu te odeio! Te odeio! — a cada palavra ela me dava um soco. Com lágrimas nos olhos eu a abracei forte na tentativa de fazê-la parar. Ela chorava desesperadamente em meu peito e eu chorava em seus cabelos. — Não me deixa... — ela sussurrou. E essas palavras atacaram meu coração como um tiro. — Por favor não me deixa, não posso viver sem você, por favor! — ela suplicava em meio do choro em meu colo. E a única coisa que conseguia fazer era acariciar seus cabelos e chorar como uma criança. Meu peito doía, parecia que um caminhão estava em cima de mim, me esmagando e quebrando meus ossos.
– Eu sinto muito Bella. — eu chorei e a abracei mais forte. Ela me abraçava com tanta força, como se tivesse medo que ela me soltasse eu ia desaparecer.
– Por favor diz que isso é mentira. — Ela segurou meu rosto nas mãos e olhou nos meus olhos. Toda a frustração, raiva, tristeza, amor, angústia, tudo misturado. — Me diz que você não vai me deixar, eu não consigo sem você, não consigo. — ela chorou mais e então encostou a testa na minha. A única coisa que se ouvia no quarto era nossos soluços e choros descontrolados. — Não vai, por favor não vai! — ela me abraçou novamente e sussurrava entre soluços: “não vai, eu te amo, não vai”.
Tudo o que eu queria era não ir.
Mas antes de pensar em mim eu tinha que pensar na minha irmã. Não era assim que as coisas funcionavam? Você deve pensar nos outros acima de si mesmo. E ainda mais Leah, que era minha irmã, que já tinha sofrido tanto. Droga, ela tinha a vida toda pela frente! Se eu podia fazer algo porque a deixaria morrer? Ia ser muito egoísta da minha parte.
– Você vai sempre me ter por perto, eu prometo. — segurei seu rosto entre as mãos e entre lágrimas consegui falar. — Eu vou estar sempre ao seu lado amor, eu nunca vou te deixar, eu prometo que vou olhar por você... — ela não olhava pra mim. Seus olhos estavam fechados por conta do choro, sua testa franzida, sua boca em forma de 's' mostrando todo o desespero e tristeza que ela sentia. Ela sussurrava “não” em meio de soluços e do choro. — Bella, olha pra mim, — ela abriu os olhos e aquele olhar cheio de dor me atingiu novamente, me quebrando em pedaços. — Eu vou cuidar de você de lá, — acariciei o lado do seu rosto e ela chorou mais ainda. — Vou sempre olhar por você e por Renesmee, vou ser o anjo de vocês, tudo bem? — ela me encarava e as lágrimas rolavam pelo seu rosto.
– Edward, eu to grávida.
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