Save Me
34 Say goodbye
Notas iniciais
Edward's POV
Grávida.
Aquela palavra ecoou na minha mente como um grito em um Cânion.
Grávida.
Cacete.
Fiquei paralisado, apenas olhando seus olhos inchados e cheios de medo me encarando. Eu não conseguia raciocinar direito. Até o barulho da respiração pesada de Bella me atingia como um raio, me rompendo no meio e aumentando ainda mais o buraco no meu peito. Tudo me machucava. Olhar pra ela doía.
Olhei para sua barriga e fiquei pensando no meu filho que estava ali. Caralho, eu sempre quis ser pai!
Seria tão melhor se tudo fosse mais fácil! Se eu simplesmente pudesse pegá-la no colo, girá-la no ar e enchê-la de beijos, comemorando a gravidez, comemorando que eu seria pai. E cara, eu seria o homem mais feliz do mundo se pudesse fazer isso.
Mas eu não podia.
Merda, eu seria pai! E eu nunca estivera tão feliz e tão fodido ao mesmo tempo. Como eu ia escolher entre minha irmã e meu filho? Meu Deus do céu. Eu teria que escolher um dos dois.
Escolher meu filho faria de mim um cretino. Assim como escolher minha irmã também faria de mim um cretino.
Merda, por que isso era tão complicado? Por que minha vida não podia ser simples? Por que era tudo tão fodido?
Sentei na cama e coloquei a cabeça entre as mãos, tentando aliviar a dor das minhas têmporas. Minha cabeça explodia em pensamentos múltiplos e confusos, uma hora eu estava com Bella, feliz, e depois eu estava com Leah sofrendo no hospital. E meus pensamentos pulavam de Bella para Leah, como aquela brincadeira de criança, quando você tem dois doces deliciosos e não sabe qual comer primeiro e precisa decidir por qual começar. Eu me sentia como se minha mente cantasse: “Minha mãe mandou eu escolher esse daqui”, e enquanto isso ia passando as imagens de meus momentos com Bella e Leah, como se estivesse me perguntando qual era a mais importante.
Merda.
As duas eram muito importantes. Mas não tinha como eu escolher, eram amores diferentes!
Sim, existem vários tipos de amor. E como eu podia comparar o amor de irmão com o amor que eu sentia por Bella? Chegava a ser ridículo.
Senti mãos trêmulas segurando meu rosto. Só então percebi que eu também estava chorando. Os olhos marejados de súplica me olharam profundamente.
– Por favor, diz que vai ficar. — ela sussurrou.
– Bella, eu não posso. Eu sinto muito. Eu amo você mas, Leah é minha irmã, eu não posso fazer isso!
– Mas você não pode deixar seu filho! Não pode me deixar, DROGA! — ela se levantou da minha frente e começou a andar de um lado pro outro. — Deus, como eu vou criar um filho, como eu vou fazer isso tudo sem você, como? — ela chorava e me encarava, me fazendo sentir o pior monstro do mundo. Talvez eu fosse.
– Bella, você vai ter um pedaço de mim! — segurei seus ombros mas ela se soltou.
– Um pedaço de você? Não consigo viver de pedaços seus Edward! Você imagina como vai ser horrível olhar pro nosso filho e me lembrar do dia de hoje? Do dia em que nos despedimos? Pior, me lembrar de tudo o que passamos? Me lembrar de que você me deixou!
– Não veja dessa forma, não é como se eu pudesse escolher! — nós dois gritávamos.
– Não tem outro jeito de ver! Você esta escolhendo me deixar, mas eu não escolhi isso! Você prometeu que nunca me deixaria, droga!
– Eu não posso escolher você á minha irmã Bella! Ela faria o mesmo por mim! E por mais que eu te ame mais do que á mim mesmo, não posso deixar minha irmã, merda! Você não entende?
– Lógico que eu entendo, mas se ponha no meu lugar porra! Como você se sentiria, depois de tudo o que a gente passou?
– Eu já fiz tudo por você, o que mais você quer?! — me arrependi no mesmo momento de ter abrido a boca. Eu era um idiota. — Bella, eu não quis...
– Você quis sim. — ela não gritava mais. Seu rosto agora estava frio, sem nenhuma emoção. — E eu nunca te pedi nada, nunca pedi que fizesse algo por mim, você fez por que você – ela apontou o dedo pra mim – quis fazer. Nunca te cobrei nada. E só por que você vai se matar não quer dizer que precisa me magoar ainda mais e ser um imbecil comigo! Merda Edward!
Ela se sentou no chão e se encolheu na parede. Abraçando a barriga e dobrando os joelhos. Lágrimas silenciosas caíam sobre seu rosto.
Fui até ela lentamente e me sentei ao seu lado, abraçando-a e tocando sua barriga. De alguma forma eu estava pedindo desculpas por ter dito tudo o que havia dito, por querer morrer e por deixar ela sozinha. Ela se agarrou á mim como um bicho preguiça e ficamos abraçados, os dois chorando, apenas odiando nossa despedida.E isso só fazia o buraco no meu peito aumentar.
Bella estava grávida de dois meses. Ela tinha ido com Victoria fazer o exame – que também estava grávida — e aproveitou e fez também.
Estávamos no avião. Um do lado do outro, sem se falar ou se olhar.
Um aeromoça alta, seu cabelo de um ruivo alaranjado, muito branca e com olhos verde esmeralda veio em nossa direção. O crachá em seu peito dizia 'Cat Salvatore', devia ser alguma abreviação de algo como Cathele. Olhei seu sobrenome e no mesmo momento associei com o nome do piloto, Stefan Salvatore. Eles deviam ser casados. Certeza que se pegavam na cabine.
Ela sorriu simpática e nos ofereceu água e algo para comer. Como meu estômago estava totalmente embrulhado, nem água eu consegui tomar. Ele deu um copo para Bella e logo em seguida sorriu. Bella se levantou do meu lado e foi ao banheiro. Tampei meu rosto com as mãos e senti a aeromoça me olhando.
– Senhor, tudo bem? — ela perguntou simpática. Olhei para ela e me lembrei de Victória. Ambas eram ruivas e passavam paz, uma áurea boa. Forcei um sorriso pra ela.
– Tudo bem, apenas problemas.
– Tudo se ajeita senhor. — ela sorriu amigavelmente. — Vai dar tudo certo. — antes que eu pudesse responder um passageiro chamou por ela e ela se foi.
Eu queria tanto que desse tudo certo.
Bella voltou e se sentou ao meu lado sem dizer nada.
Olhei pela janela e comecei a pensar em coisas inúteis. Acho que pensamos nisso quando estamos prestes á morrer. Perguntas toscas como “tem tv no céu?” “lá tem sorvete?” “vou conhecer Michael Jackson?” ecoavam na minha cabeça. Eu olhava para o céu e não acreditava que amanhã estaria lá. Ou não. Vai que o meu lugar é o inferno...
Depois de longos 20 minutos de silêncio. A voz grossa do piloto Salvatore nos avisou que iríamos pousar.
Estávamos sentados em um banco esperando Alfred ir nos buscar. Então eu vi a aeromoça e o piloto Salvatore saírem felizes e abraçados pelos portões. Ambos com sorrisos nos rostos, ele a encarando com amor, ela olhando-o com devoção. E nesse momento eu tive inveja de todos os casais que teriam o seu feliz para sempre, pois eu não teria mais o meu.
Depois de 15 minutos estávamos no carro com Alfred, indo em direção ao hospital. Bella estava agarrada á mim como um bicho preguiça, como se na hora que ela me soltasse eu fosse desaparecer. E era algo como isso.
Chegamos ao hospital, pegamos nossos crachás de identificação e fomos até o quarto da minha irmã.
Cumprimentamos todos e me sentei com Bella em um sofá pequeno, ao lado da cama de Leah. Mamãe, Alice e Jasper estavam sentados no sofá do outro lado da cama, e meu pai estava em pé, no pé da cama de Leah, encostado na parede. O silêncio era esmagador. A única coisa que se ouvia no quarto era o barulho dos aparelhos que mantinham minha irmã viva.
Em poucos minutos o médico entraria no quarto e iria dar o recado da cirurgia.
Eu não ia contar pra ninguém minha decisão. Havia deixado cartas para todos da minha família com Bella, inclusive escrevi uma carta pra ela. Mandei por correio e eventualmente, ela iria recebê-la.
Não ia conseguir contar pra minha mãe que ela ia ganhar sua filha de volta mas perderia seu filho. E eu não ia conseguir lidar com uma nova despedida.
Não era justo deixar minha irmã na fila de órgão, atrás de 40 mil pessoas. Eu não podia; E isso era muito injusto, pois muitas pessoas acabavam morrendo por que as família não queria doar os órgãos, por puro dó, ou até mesmo por egoísmo. Era ridículo ver pessoas morrendo por egoísmo.
O médico entrou no quarto quando o silêncio já estava começando a se torna incômodo.
– Boa tarde família Cullen, tenho boas notícias! — Bella se encolheu do meu lado. Ela já sabia o que iria acontecer. — Achamos um doador para sua filha, — o doutor me olhou de canto. — Ela vai entrar pra operar em alguns minutos.
Minha mãe levantou e abraçou o Doutor John.
– Muito obrigada doutor! Muito obrigada Deus, eu sabia, muito obrigada! — Era doloroso vê-la chorar de felicidade. Era meio injusto dizer á ela que eu morreria. Ela iria ganhar Leah de volta, mas em seguida iria perder seu outro filho. E eu me sentia um cretino por fazer isso á ela. Meu peito doeu.
– Preciso de um membro da família para acompanhar a operação.
– Eu vou! — falei antes que qualquer outro pudesse falar. Alice e Jasper se abraçavam felizes no sofá, e por um momento eu desejei me despedir da minha irmã. Vi Carlisle sorrir por um instante, mas logo seu sorriso sumiu, colocando de volta em seu rosto a postura de durão.
– Então vamos, quanto antes começarmos a cirurgia, melhor. — Dois enfermeiros entraram na sala e arrumaram os equipamentos de minha irmã, levando a maca pra fora.
Senti o telefone tocar em meu bolso e olhei o visor. Era Benjamin. Não tinha tempo para ele agora.
Abracei forte minha mãe e ela me abraçou de volta. Abracei Alice, Jasper e até meu pai. Disse que amava cada um deles. E foi como uma despedida. A única que eu conseguia aguentar. Peguei na mão de Bella.
– Me acompanha? — ela assentiu com a cabeça. Então saímos com o médico.
Estávamos andando pelos corredores, então John perguntou.
– Tudo bem, Edward?
– Sim, senhor. — ele olhou para mim e deu um sorriso triste. Depois olhou para Bella.
– Quem é essa moça?
– Sou a namorada quase viúva, prazer. — ela disse dando um sorriso sem humor e estendendo a mão. John a pegou e á cumprimentou. Fomos andando, abraçados, ao lado dele em direção á sala de pré operatório.
– Esperem aqui um segundo. — ele entrou na sala e nos deixou no hall. Eu e Bella sentamos em um sofá verde e não dissemos nada.
Alguns segundos depois, uma bola cor de rosa parou em meus pés. Olhei sem entender e me abaixei para pegá-la.
Em seguida, uma menina baixinha, com cabelos castanho claros, um olho azul como o oceano e bochechas rosadas veio em minha direção. Ela usava um vestido verde claro de boneca, e estava sorrindo.
– Oi moço, sou Marina e você? — ela sorriu e eu sorri de volta. Bella se debruçou pra frente assim como eu, para olhar a menina melhor.
– Oi, sou Edward, e essa é Bella. Essa bola é sua? — perguntei, mostrando a bola á ela.
– Sim sim, é minha. Eu estava brincando e ela escapou da minha mão. — ela sorriu e então eu lhe dei á bola. — Obrigada Edward. — ela pensou um pouco e então olhou pra Bella. — Qual vai ser o nome da sua filha? — Bella estava atônita do meu lado. Seus olhos encheram de lágrimas no mesmo momento. Ela engoliu seco e então forçou um sorriso.
– Ainda não sei querida, nem sei se é menino ou menina. — Bella acariciou o ventre com os olhos tristes, e então sorriu pra menina.
– É uma menina, eu sei. — a menina sorriu com os pequenos dentinhos brancos.- Vocês dois vão se casar? — Aquela pergunta doeu em meu peito como uma faca em minhas vísceras. Bella tremeu ao meu lado, me apertando mais em seus braços.
No fim do corredor, um casal vinha em nossa direção.
– Aí esta você Mari! Te procuramos em todo o canto! — A moça de cabelo avermelhado e olhos azuis olhou para a menina com cara de reprovação, depois olhou pra nós. — Eu sinto muito, essa minha filha é uma pestinha! — ela disse sorrindo para a menina, que se escondeu na perna do pai. Ele era alto, igualmente branco á menina, com cabelos cor de bronze e olhos verdes.
– Não tem problema, ela é um anjo. Lembra minha filha. — Bella sorriu para a moça, que sorriu de volta.
– Sou Liss, prazer. — ela estendeu a mão e Bella á pegou, sorrindo.
– Bella. — ela sorriu.
– Este é meu marido, Gabriel. E nossa filha, Marina.
– Este é o Edward, somos namorados. — ela sorriu forçadamente. Liss e Gabriel se sentaram com Marina na nossa frente, ambos simpáticos.
– Estão esperando algum familiar na sala de cirurgia? Minha mãe está operando o coração. Pontes de safena. — Liss sorriu fraco, se explicando.
– Sim, estamos esperando. Ele vai operar. — Bella sorriu forçado.
– Sério? Mas está tudo bem? — enquanto Bella e Liss conversavam com Gabriel, Marina veio e se sentou no meu colo.
– Você tá bem Edward? — ele perguntou baixinho.
– Sim pequena, tudo bem. — ela tocou meu rosto, o que quase me fez chorar.
– Vai ficar tudo bem, tá? — seus bracinhos pequenos me abraçaram e eu a abracei de volta.
Ouvi o médico pigarrear e me soltei da menina.
Nos despedimos de Gabriel, Liss e Marina, que me desejaram boa sorte. Então eu e Bella entramos na sala.
O doutor me explicou o procedimento então deixou eu e Bella sozinho na imensa sala cor creme.
Ficamos nos olhando um tempo, um longe do outro, até que ela terminou a distância entre nós e me abraçou forte, chorando em meu peito.
A abracei pelos ombros e chorei em seu cabelo. Eu não queria ir embora merda, eu não teria forças.
– Por favor Edward, fica comigo. — Ela soluçava em meu peito, me fazendo chorar ainda mais.
– Eu sinto muito meu amor, eu sinto muito.
– Por favor, por favor, eu amo você, por favor. — ela chorava abafada em meu peito, e eu só conseguia apertá-la mais em mim. Depois, segurei seu rosto entre as mãos e encarei seu rosto inchado pelas lágrimas.
– Amor, vai ficar tudo bem, sim? Você vai achar alguém que vai te amar muito, que vai amar nossas filhas, que vai cuidar de vocês. — ela abaixou a cabeça e começou a chorar mais. — Eu sempre estarei por perto, vou ser o anjo da guarda da nossa filha, o que acha? Hum? — eu chorava também, meu peito apertado e os soluços tomando conta da sala vazia.
– Eu não quero mais ninguém, eu quero você, por favor. — ela me abraçou novamente.
– Amor, por favor, não torne tudo mais difícil do que já é. — Eu a abracei de volta, chorando.
– Senhor Cullen, está na hora. — um dos enfermeiros abriu a porta e me avisou que era a hora de ir. Ele estava junto de mais quatro enfermeiros.
– Amor, eu tenho que ir. — Beijei a testa dela e me distanciei o mais rápido que pude, sem olhar pra trás. Quando eu estava perto da porta senti braços me segurarem.
– Edward não, por favor não! Por Deus não me deixa, não! — ela me segurava com toda a força, e me abraçava em súplica. Era fodidamente doloroso, mas eu não tinha escolha. Olhei para os enfermeiros e então, dois deles á seguraram pelos braços, levando-a pra longe de mim.
– Me soltem! Edward por favor! Não me deixa por favor! Edward, eu te amo! — ela gritava e se debatia no colo dos enfermeiros. Eu chorava descontroladamente e por fim, tive que sair arrastado de lá também.
Eu estava dentro da sala de cirurgia com uma roupa azul e uma touca igualmente azul. A maca de Leah estava do meu lado, de modo que eu conseguia pegar em sua mão, então eu o fiz.
– Te amo irmãzinha. — sussurrei, deixando uma lágrima rolar pelo meu rosto.
Em seguida a porta se abriu e a equipe de médicos entrou na sala. John veio até mim.
– Tudo bem, Edward?
– Como está Bella?
– Ela está bem filho, demos um remédio para ela dormir. Não se preocupe, não vai prejudicar o bebê. — ele me sorriu tristonho. Suspirei aliviado. — Você tem certeza Edward? — olhei para o lado e vi minha irmã frágil, entubada, sem vida, e nunca tive tanta certeza em minha vida.
– Sim senhor.
– Demetri, dê á ele o sedativo por favor.
– Sim senhor. — Demetri respondeu. John deu dois tapinhas em meu ombro e foi se arrumar para a cirurgia.
Demetri veio até mim com uma seringa e á posicionou em meu braço. Ele me deu um sorriso tristonho e então enfiou a agulha em minha veia. Segurei a mão de minha irmã com força, e fiquei repetindo em minha mente que amava Bella, como um mantra.
Depois de um tempo o sedativo foi tomando conta de mim. Minha visão já estava ficando embaçada e meus músculos todos moles.
“Eu te amo Bella”
Eu ouvi John dizer 'me passem o bisturi` e então minha visão ficou turva e eu soube que era o fim.
Dizem que um filme passa em seus olhos quando você está perto da morte. Nada disso aconteceu comigo. Era apenas escuridão.
A imensa escuridão do meu fim.
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