Saudade

1 Regina Mills


Notas iniciais
Me solicitaram que postasse um capitulo esclarecendo o ponto de vista da Regina aos fatos. Não me foi autorizado tal edição. Então precisei posta-la novamente. Quero pedir desculpas às pessoas que comentaram e favoritaram. Minha intenção era postar apenas um capítulo. Minha mudança de ideia me obrigou a fazer tal coisa.
Não há mudanças neste capitulo que já havia sido postado.

Você já sentiu saudade?

Não aquela saudade esperada, aquela que faz você se arrepiar pensando em um encontro, faz você contar os segundos para sentir um toque. Faz você sorrir em acreditar que a fumaça de uma cidade engarrafada te faz lembrar dela.

Não é essa.

Estou falando daquela saudade incomoda, aquela sensação de abstinência que faz o tempo te assombrar e tudo que você quer é esquecer. Te deixa agitado, irritado e o ar parece mais pesado. Sente o peito doer e sua pele arder por uma dor sem sentido. Olha o relógio a cada segundo e seus pensamentos são invadidos pela imagem de um alguém indesejado ou desejado demais.

É esta saudade dolorosa que eu sinto.

O pior, é o fato de eu não a conhecer, sinto uma saudade excruciante de um “Meu pedido está pronto?” Encantadoramente grosseiro. De um sorriso que nunca foi meu. Sinto falta dos seus abraços sem nunca os ter sentido. Por mais estranho que pareça, sinto falta do que nunca tive. Fecho os olhos e imagino, apenas imagino o inalcançável.

Estou parada rente a um prédio tentando me esconder de um temporal que insiste em me procurar. Meus pés estão congelando e eu não consigo saber onde não está molhado, meus músculos estão doloridos, estou os contraindo em uma tentativa ridícula de não sentir frio. Meus cabelos estão pingando, fazendo meu corpo gritar pelo frio.

Estou há menos de dois minutos esperando conseguir um taxi, às 23:49 no centro de Boston. Acreditando que um motorista me verá abraçada aos tijolos, parará e me levará para o calor do meu apartamento frio. Pode parecer patético, mas em meio aos espasmos do meu corpo cansado e congelado, eu penso nela. Meus momentos se dividem em viver e em pensar em Regina Mills. Em um domingo isolado eu percebi que eu pensava mais nela do que vivia e isso foi desolador.

Aos domingos – meu dia de folga – eu podia pensar e isso nunca me trouxe conforto. Não depois dela. Quando eu me vi encantada por uma imagem, meus domingos se resumiam em criar planos de uma vida que só se via em contos de fada. Eu comecei a não gostar dos domingos. Minha folga me doía. Dormia muito, lia as vezes e escrevia o que nunca acreditei ter.

Queria as segundas.

Queria Regina Mills.

Quando eu deixei de encontrar minha imagem preferida, os domingos me trouxerem a saudade chata. Essa saudade que me esforço tanto para explicar, mesmo que a explicação não me traga benefícios.

Ela não falava comigo e desconfio que minha existência é de uma indiferença devastadora e minha ausência tão corriqueira que não a faria elevar uma sobrancelha desconfiada.

Me lembro do primeiro dia que a vi. Sempre servi café e não me lembro da época da minha vida em que não o fiz.

As vezes minha mãe dizia que nasci perguntando ao médico se deveria colocar um ou dois torrões de açúcar. Minha mãe me fazia rir entre as olheiras da solidão.

Era terça-feira e nevava bastante. Ela entrou com seu sobretudo preto, espanando-o, tentando tirar os flocos de neve – depois de um tempo eu senti inveja daqueles flocos específicos. – A vi entrando em câmera lenta e isso não foi muito profissional. Eu parei de escutar o mundo e voltei quando a ouvi me xingar de nomes que não me lembro. Apenas me lembro da sua voz rouca me ofendendo de um jeito lindo.

O motivo desde encantamento instantâneo ainda é um mistério. Eu simplesmente me apaixonei naqueles míseros segundos por uma mulher maravilhosamente desconhecida.

Ela me pediu um macchiato naquela terça e em muitas outras. Depois de um tempo, eu percebi que esperava ansiosa às 7:55. Não sei exatamente quando eu comecei a olhar o relógio e a porta com as mãos trêmulas.

Reparava cada expressão procurando uma ruga de atenção em mim, atenção que nunca veio, se veio, eu não estava concentrada o suficiente. Tal descaso não me impedia de prender meus olhos a cada passo e a cada movimento. Conhecia o barulho dos seus saldos pontudos, do seu cabelo escovado e suas cores sombrias.

Aprendi a distinguir seu humor. Café puro não era bom sinal e cappuccino eram dias perfeitos. Em um dos dias “cappuccino”, eu posso jurar que a vi sorrir pra mim, não foi bem um sorriso, foi algo menos sério que o normal. Não tenho certeza, mas passei a sonhar com aquele sorriso imaginário.

Aprendi que ela não gosta de pessoas lentas. Começava a bater o pé e a revirar os olhos. Fazia uma careta irritada e eu sempre sorria. Gostava o seu jeito irritado.

A chuva diminuiu, vou caminhar até meu apartamento. São 12 quarteirões, estou encharcada. Só quero um banho quente e uma taça de vinho barato. Caminhar e pensar me distraem. É engraçado a forma que tento abrigar minhas mãos em minha calça congelada. Eu acredito mesmo que vou me aquecer?

Durante 5 meses eu a chamava de “ A Mulher de casaco”. Seus casacos eram lindos e eu comecei a associa-los com seu estado de espirito. Pretos, vinhos, vermelhos, azuis. Ela gosta de tons escuros e eu passei a gostar também. Um dia seu estridente blackberry estava impossível. Gritava como uma criança mimada pedindo doces em um supermercado. Ela atendeu:

“Regina Mills”

Abaixei a cabeça e sorri como sempre fazia quando aprendia algo novo. Agora a mulher de casaco tinha um nome. Regina Mills. Saber seu nome deixou tudo pior. Ela se tornou mais real em minha mente. Agora minha cabeça estava transbordando Regina Mills.

Eu criava histórias da sua vida, dos seus dias, das suas rotinas. Criava amigos, chefes, trabalhos, brigas, filhos, mas nunca criei um marido. Até o dia em que eu o conheci.

Robin

Foi em uma sexta-feira de setembro. Ela entrou distraída, sorrindo para um homem que eu não enxergava. Eu só via ela. Ela estava sorrindo, ela nunca sorria e naquele dia o sorriso encantador não era para mim, o sorriso dela nunca seria para mim. Inclinei um pouco a cabeça, encontrei suas mãos entrelaçadas. Ele fez o pedido, ele entregou o dinheiro e foram os dedos frios e grossos dele que eu senti primeiro. Vi a aliança no dedo dele. Vi a aliança no dedo dela.

“Como eu nunca reparei? ” – Pensei.

Estava distraída demais em meu mundo cheio de casacos, cabelos negros, vozes roucas, cicatrizes sexy que não vi a aliança dourada na delicada mão esquerda.

Me senti traída naquela sexta-feira. Me senti traída por alguém que nunca me deu um “Oi” gentil. Por alguém que repetia as mesmas frases diretas e secas, sem ao menos se importar em saber quem as ouvia. Minha satisfação em vê-la alegre evaporou junto ao meu humor naquele dia. George — meu chefe – questionou minha mudança de humor e eu menti. “Estou naqueles dias”. Eu sabia que ele não duvidaria, nem me faria perguntas que eu não responderia. Como explicar a sensação de traição que eu estava sentindo por alguém que nem sabia meu nome?

Me sinto tão patética pensando isso.

Cheguei em meu apartamento minúsculo na mesma sexta-feira e chorei dentro do banheiro apertado, sentindo a água me machucar. Naquele momento, não existia apenas Regina Mills em meus sonhos. Existia Regina e Robin em meus pesadelos.

Depois de 8 meses eu admiti que estava apaixonada por um fantasma que vagava em meu corpo. O primeiro passo é admitir não é mesmo? Não adiantou muito.

Contei a minha melhor amiga – Ruby – sobre minha paixão platônica e ela disse.

“A convide para sair”

Eu ri até minha pele pálida se avermelhar e minhas costelas doerem. Deitei no chão ainda rindo. Essa possibilidade nunca passara pela minha cabeça, e, mesmo se passasse, nunca o faria. Me escondo atrás de um balcão e dos meus óculos pretos. Não consigo dar um Olá mais alto a ponto de ser reparada por ela, e para deixar tudo mais absurdo, ela é casada.

“Convida-la para sair” – Ainda acho engraçado.

Eu tive momentos alegres.

Era verão e ela entrou dois minutos atrasada. Estava ao telefone e estava radiante. Seus olhos avelã brilhavam e eu tive a impressão que o sol olhava apenas para ela, assim como eu. Eu ouvi a palavra promoção e sabia que seria cappuccino. Poderia me apressar para causar uma boa impressão. Não!

Aprendi, que com Regina Mills sempre deveria esperar. Antes de aprender sobre seus dias e seus pedidos, eu corri para preparar um macchiato, eu já havia criado toda a cena de satisfação em minha cabeça, até vislumbrei um sorriso orgulhoso e um “ muito obrigada” sincero. Me enganei redondamente, era um dia de café puro. Pensei que ela jogaria o macchiato quente na minha cara. Aprendi a esperar e naquele dia eu esperei ela fazer o pedido. As apostas estavam a todo vapor na minha cabeça. Ela pediu

“Um cappuccino, por favor”

Eu soltei um “Isso!” mais alto que deveria, ela ficou me encarando espantada e um pouco assustada. Foi a primeira vez que me olhou por mais de dois segundos. Claro que ela estava pensando na minha loucura, não importa. Estava alegre por ela. Adorava os dias Cappuccino.

Me lembro do melhor dos encontros. Ela entrou concentrada em seu celular como sempre e de sua boca sonhada saiu a gargalhada espontânea. Uma gargalhada que me fez arrepiar e desejar que o tempo parasse daquele instante. Eu queria congelar aquele sorriso aberto, aquele sorriso que nunca vi antes. Foi único. Eu sorri em uma felicidade que não era minha, uma felicidade desconhecida que não importava o motivo, nunca importou.

Ela me encarou e viu meu rosto aberto, me senti uma idiota. O sorriso desapareceu da mesma forma que surgiu, instantaneamente. Naquele momento eu tive certeza que sua mente se retraiu por estar diante uma louca. Me lançou seu olhar irritado. Ela mal sabia o quanto eu conhecia aquele olhar e o quanto eu gostava dele. Sua tentativa de me repreender nunca funcionava. Adorava suas expressões intensas.

Uma vez ela entrou de óculos escuros e com o tom baixo. Seu telefone não gritou naquele dia. Comecei a pensar na possibilidade de ela ter chorado e imediatamente culpei seu marido. Fiquei vermelha de irritação e a única coisa que me passou pela cabeça foi em abraça-la. Meu corpo se enrijeceu, dei as costas para preparar seu pedido. — Além de patética sou covarde.

Criava situações inexistentes e acreditava nelas. Minha imaginação era a única coisa que me aproximava dela. Que fazia eu me transportar para além daquele balcão protetor.

Nenhum outro cliente me fez esperar o dia seguinte como ela.

No dia em que George me chamou e me informou que me trocaria de turno, eu protestei, eu esbravejei, eu me recusei. O turno da noite não tinha Regina Mills e tudo ficaria tedioso. Ele não me deu escolha. Precisava de alguém confiável para fechar o café, ele se sentia velho e cansado. Não pude recusar, não mais. Eu precisava do trabalho e ele precisava de mim.

Eu aceitei.

A primeira semana foi terrível. Encarava a porta como todos os dias. Ela não entraria, eu sabia disso, mas não conseguia evitar me apaixonar novamente por cada passo.

A saudade chata me incomodava mais que nunca e eu não sabia como fazer isso passar. Precisava ve-la. Precisava sentir aquele perfume que não conheço longe dela. O barulho da porta me torturava. A procurava em cada cliente.

Ainda a procuro.

Me arrependi pelas palavras não ditas. Me arrependi do medo obscuro de uma pergunta.

Me arrependi das frases “Como você está hoje?”, “Fico muito feliz por você”, “Eu senti sua falta ontem”, terem apenas habitado meus pensamentos. Pensamentos que estavam abarrotados de frases e sentimentos escondidos pela insegurança.

Hoje completa um mês do turno da noite. Um mês sem Regina Mills.

Ainda faltam 7 quarteirões e eu tenho a terrível sensação de ser seguida por aquele carro preto. Ele se aproxima e meu corpo treme.

O carro para.

Eu paro.

Estou paralisada pelo medo e não consigo reagir. Não sei por quanto tempo caminhei despreocupada pensando na mulher que não me conhece.

O vidro começa a descer e eu espero o pior. Aquele momento da vida em que o medo te deixa tão vazio que uma reação não é pensada e o medo te consome.

O cheiro conhecido me invade e eu sinto a saudade novamente me preencher. Fecho os olhos tentando aproveitar ao máximo o momento. Acho que estou com tanto medo que meu cérebro me trouxe essa perfeita lembrança olfativa, assim posso me confortar nesta rua escura, nesta noite gelada e neste momento solitário.

— Srta. Swan?

Definitivamente eu enlouqueci. Estou inebriada pelo cheiro a ponto de a ouvir dentro de mim. Não evito sorrir. A voz dela...

— Srta. Swan?

Abro meus olhos e a vejo.

Ela está me encarando tentando entender quando a tempestade lavou minha sanidade. Pensei que ela já estivesse acostumada.

Não consigo responder. Senti tanta falta daquele rosto, daqueles olhos, daquele batom.

Parei de sentir a chuva ou meu corpo. Ela está esperando que eu diga algo? Está esperando que eu prepare seu macchiato no meio da rua? Da chuva? Não sei o que dizer. Meu lugar perfeito está na minha frente e não consigo me mexer.

Espera um pouco...Ela sabe meu nome? Minha cabeça recebe uma pontada de surpresa.

— Você sabe meu nome?

Minha perplexidade é tão aterradora, que não sinto a pergunta saltando dos meus lábios.

Ela sorri.

Ela sorri para mim.

— Entre, te darei uma carona.

Ela ignora a última pergunta como se fosse a minha maior imbecilidade.

Como é difícil pensar ou falar sentindo esse cheiro. Imaginei milhares de vezes um diálogo que não contivesse bebidas cafeínadas e neste instante eu não consigo respirar.

Me esforço para voltar a sentir meus pés no chão e pela primeira vez na noite o frio me ajuda a voltar a realidade. Sinto cada músculo ser fortemente comandado, abro a porta do carro, entro e me sinto abraçada por maças açucaradas.

— Muito obrigada.

Ela me encara por algum motivo que, desta vez, não consegui decifrar, depois sorri para mim pela segunda vez. Ela nunca me olhou por tanto tempo e me sinto invadida pelos seus olhos.

— Senti falta do seu macchiato no último mês, Srta. Swan.

Ela liga o carro e eu não consigo desviar o olhar da minha ilusão favorita. Me disperso na imagem e demoro alguns metros em silencio para perceber.

“Ela me via”

Seu banco de couro me traz conforto. O calor do interior completamente preenchido pelo aroma que eu tanto amo, me embala.

Estou olhando pela janela escurecida de sua Mercedes preta sem saber o que fazer.

Ela aumenta o aquecedor do carro sem desviar o olhar da rua vazia, acredito que por reflexo ao meu tremor. Não estou com frio, não me lembro de como sentir frio deste momento. Estou tremendo e cada pelo do meu corpo está arrepiado por estar perto do motivo da minha saudade chata.

A “viagem” dura 2 minutos e como eu quero morar do outro lado do mundo. Como eu quero prolongar essa sensação de tranquilidade.

Eu quero falar, eu preciso falar. Eu preciso dizer cada palavra que me atormenta e não consigo parar de tremer ao olhar para ela. Será que é medo de sua reação?

Covarde!

Me esforço para olhar aquela imagem única e suas linhas parecem tão tranquilas. Não vejo irritação, nervosismos, decepção. Vejo um semblante sereno e me acalmo ao olha-la. É tão interessante perceber como seu humor me afeta, como sua irritação me irrita, sua tristeza me desmonta, sua alegria me faz sorrir e sua serenidade me acalma.

A velocidade da Mercedes é reduzida e eu aperto os olhos em desespero. Tenho tanta ciência do que preciso fazer, mas não consigo reagir. No momento em que eu descer daquele carro, minhas chances de encontrá-la se dissolverão naquela chuva insistente.

O carro para e meu coração se agita. Quero cometer uma loucura e abraça-la. Como farei isso se não consigo nem abrir a boca para agradecer pela noite inesquecível de 2 minutos? Novamente sinto o desejo de congelar o instante me invadir.

Ela olha para mim ainda com o carro ligado. Seu olhar me mostra o que ela espera. Ela espera que eu abra a porta e me despeça, agradecendo pela ajuda. Eu só quero ficar mais alguns segundos admirando Regina Mills. Admirando a dona dos meus tormentos.

— Acredito que chegamos. Seu prédio é aqui?

Acredito que ela tenha dito isso apenas para me forçar a acordar dos devaneios.

Novamente sinto minha mente se agitar pela surpresa. Como ela conhece meu prédio? Já é a segunda pergunta que me sufoca e eu só raspo a garganta. Apenas assinto com a cabeça.

Preciso tomar uma decisão e precisa ser agora.

— Muito obrigada pela gentileza, Sra. Mills – minha voz sai preguiçosa, estou relutante em afastar.

— Foi um prazer, Srta. Swan.

Da minha boca salta um sorriso triste, não sei se ela percebeu. Claro que ela não percebeu. Abro a porta do lugar seguro e a rajada de vento gelado me abraça. Não é este abraço que quero agora. Volto a lembrar como é sentir o frio cortante. As palavras “Srta. Swan” martelam em minha mente e não consigo mais me segurar. Reúno toda a coragem do meu corpo e consigo murmurar a pergunta.

— Como sabe meu nome?

Ela sorri e pela decima vez na noite me sinto uma idiota. Quantas vezes mais me sentirei assim com cada sorriso pra mim?

— Está no seu crachá, sempre esteve.

Meu rosto enrubesce com sua resposta. Claro! De que outra forma ela saberia meu nome? Me sinto como há um ano, fantasiando situações impossíveis e reações improváveis. Odeio minha imaginação fértil.

Bato a porta com menos delicadeza que pretendia. Aguardo o carro se afastar e volto a sentir as gostas rolando pelo meu rosto vermelho. Ela abaixa o vidro e posso a vislumbrar uma última vez.

— Até a próxima, Swan.

“Próxima”

Aquele carro preto se afasta e eu penso que a “próxima” é tão improvável, que nem ao menos minha mente delirante ousa cogitar.

Me odeio tanto neste momento. Eu estava no carro com a mulher que habita meus sonhos e não consegui falar. Meu cérebro não conseguiu associar tantas informações com a presença dela. Todas as frases arrependidas em minha mente, continuarão arrependidas e eu percebo que eu não aprendo com meus erros. Passei noites em claro formando frases e todas as palavras foram sutilmente escolhidas em um diálogo inexistente. Na primeira e única oportunidade, eu não consigo recordar de nada.

Eu estive no carro de Regina Mills e não fiz nada.

Idiota!

Eu estive no carro dela.

Espera um pouco.

Eu estive no carro dela!

Começo a entender o significado destas poucas palavras, o sorriso surge em meu rosto. Claro que eu cogitei isso, mas apenas em minha cabeça sonhadora. Eu estive perto dela, não estava protegida pelo balcão. Estava ao lado dela. Ela me viu na chuva e parou.

Até a próxima, Sra. Mills.

Notas finais
Foi isso. Espero que tenham gostado.