Saudade
2 Emma Swan
Notas iniciais
Eu lutei tanto para não parar o carro. A vi parada na chuva e fiquei observando por minutos incontáveis. A vi caminhando em uma chuva que não percebíamos. Não deveria ter parado, não deveria ter alimentando nela sentimentos que não serão correspondidos, mas minha curiosidade em descobrir o que se passa dentro daqueles olhos esmeralda protegidos com armações, me fizeram cometer meu maior erro.
Parar.
Estou dirigindo por ruas que não conheço, só perambulando, evitando voltar e perguntar tudo que preciso.
Precisar.
Que palavra estranha para ser usada em uma situação assim. Sempre vi o encantamento em seus olhos e minha curiosidade poderia ser saciada em segundos. Tenho certeza que a Srta. Swan me responderia cada pergunta constrangedora. Escolhi desvendar aqueles olhos que me perseguiam todas as manhãs. Um desafio irrecusável.
Nunca gostei daquela cafeteria, fica ao lado do meu escritório, mas preferia atravessar a avenida desgovernada e beber minha bebida favorita em meu estabelecimento favorito.
Me lembro do dia que entrei naquele café a primeira vez. Estava nevando muito e estava atrasada, entrei praguejando e imaginando como meu dia seria terrível por não ter meu macchiato.
Estava coberta de neve e muito nervosa por isso. Senti um calor e um cheiro de café recém moído.
Adoro esse cheiro.
Me senti abraçada pelos olhos de uma loira hipnotizada. Não nego que minha irritação aumentou com a lentidão de uma funcionária que eu não gosto em um lugar que eu detesto.
Pedi meu tradicional macchiato com a tom mais rígido e mal humorado que eu consegui. Vi o corpo da loira confusa tremer com o susto, seu rosto corou e eu sorri quando se virou. Foi engraçado ver o medo nos olhos dela.
Ela preparou meu pedido e eu saí apressada sem ao menos agradecer pelo macchiato ou por seus olhos em mim.
O macchiato estava perfeito.
Passei o dia pensando na loira sem nome. Em seus olhos, em seu encantamento exagerado.
“Se me conhecesse, seu encantamento desapareceria”
Não existe pessoa que me conhece melhor que eu. Eu entendo cada mau humor, cada explosão e sei que ela não ficaria hipnotizada em uma tempestade. Tempestade que eu posso causar.
Por algum motivo estranho, desconhecido ou inaceitável. Eu guardei aquele copo descartável com uma logo mal desenvolvida.
No outro dia, lá estava eu. Entrando em um Café indesejado apenas para constatar que o encantamento ainda estava presente e ele quase sempre esteve. Naquele segundo dia eu reparei em seu crachá.
Emma Swan.
A loira tinha um nome, eu passava o dia trancada em um escritório no 11º andar, olhando um copo idiota e pensando nos motivos da paixonite da Srta. Swan. A curiosidade me consumia e eu nunca soube o que fazer, nem ao menos sei os motivos de tal curiosidade.
Olhos me perseguiam, mas os dela despertaram minha atenção.
Me recordo de uma manhã tempestiva. Robin estava há três dias em viagem e eu tinha acabado de perder um cliente – Robin é meu marido idiota. Pensava que não sabia de suas vadias. – Naquele dia eu não queria ver a Srta. Swan, naquele dia eu não queria ver ninguém, fiquei cega pelo ódio causado pelos meus problemas insolúveis.
Não sei em que momento entrei na porta errada. O par de olhos que me intrigam estava lá e em suas mãos estava um macchiato, quente, pronto, pra mim. A repreendi, xinguei, usei termos que não gosto de me lembrar. Vi os olhos verdes se encherem em decepção.
“Ela não me conhece”
“Não tem o direito de ser eficiente”
Pensei muito sobre isso dias depois, meses depois.
Emma Swan estava decepcionada com uma mulher fria e rancorosa. É assim que eu me descrevo. Ela não deveria ficar surpresa com meu comportamento. Meus amigos não ficariam, minha família também não. Meu marido idiota não repararia, mas a Srta. Swan mostrou uma surpresa dolorosa.
Com o passar dos meses, minha curiosidade estava gritando dentro de mim. Emma me conhecia melhor que qualquer um, que qualquer amigo, que qualquer parente. Ela me conhecia, e eu sentia conversas casuais todas as vezes que entrava. Conversas que nunca aconteceram. Ela me decifrava todos os dias e isso me irritava profundamente. Nós nunca trocamos frases gentis, pelo contrário. Eu era grossa, ríspida, desagradável e ela apenas sorria. Eu nunca deixei que nossos diálogos passassem de pedidos grosseiros e respostas educadas.
Eu me esforçava para decepciona-la. Não queria aquele encantamento, não queria ver seu transe quando ouvia meus passos e isso nunca fez sentindo.
Olhava aquele maldito copo todos os dias pensando nos motivos para ela ter me visto tão intensamente. Não sei porque ele continuava em meu escritório.
Emma Swan me irritava apenas com um olhar.
Minha curiosidade, irritação ou sei lá o que, me fez visitar o café em um domingo. Ela não estava lá.
“O que pensa que está fazendo, Regina?”
Minha curiosidade aterradora estava me enlouquecendo. Estava indo atrás de alguém que não existia. Criei uma amizade fantasiosa com alguém que eu destrato propositalmente.
Eu não entendia em que nível estava a admiração daquela loira. Foi então que eu descobri. Minha curiosidade neste ponto foi saciada por um preço alto demais.
Meu marido idiota estava tentando uma reconciliação sem sentindo, e eu mais idiota ainda, tentei, concordei, aceitei. Ele me levou ao trabalho em uma sexta-feira, mesmo com ele, eu ainda precisava do conforto dos olhos da Srta. Swan. Eu entrei com ele e me arrependi, me senti arrependida por meses, ainda me sinto arrependida.
Robin me exibia ao público, me tocava, me beijava e eu sorria como uma boa idiota.
Vi o coração dela se quebrar bem na minha frente. Minha vontade foi de a aparar e juntar cada infinito caco vermelho. Por impulso soltei aquele mão pegajosa como se desse uma explicação sem palavras, ela não percebeu. Já era tarde demais. Ele pagou, vi o encontro desajeitado dos seus dedos.
“Não toque nela. Ela não.”
Foi isso que eu pensei no meio daquele absurdo.
Ela não me olhou aquele dia, ela não sorriu pra mim e vi seu encantamento se desfazendo. Meu corpo doeu. Eu quis abraça-la, mas apenas entrei naquele teatro criado por um homem que eu amava. Hoje eu não sei o que sinto por ele.
Aquele show de horrores a magoou tanto, eu a magoei tanto e senti uma necessidade em me explicar, me explicar para uma mulher que eu não me importava ou me esforçava para não importar. Saí do meu escritório as 14:03, me lembro do horário pela ansiedade que estava me dominando daquele dia. Eu encarava o relógio em busca de respostas.
Entrei no café com uma pressa exagerada.
Ela não estava lá.
— Um café puro, por favor. – Meu humor tinha desaparecido por um motivo dourado. – A atendente loira não trabalha mais aqui?
Fingi um desconhecimento ridículo, eu a vi hoje, sabia que ela ainda trabalhava naquele café barato, mas eu precisava saber dela.
Precisar.
Novamente essa palavra que eu não deveria usar.
— Ela não estava se sentido bem e foi embora.
Dei as costas e saí, paguei pelo café que eu não provei, não era o dela. Suspirei fundo com a decepção. Naquele sexta-feira eu me senti perdida e sozinha.
Depois de alguns meses, nossas conversas silenciosas voltaram, assim como seu encantamento e seu sorriso para mim.
Robin nunca mais entrou lá. Ele não a machucaria de novo, não iria permitir.
Sempre foi interessante ver suas reações. Ela se alegrava em me ver feliz e se entristecia com minha angustia. Ela me via e eu gostava disso.
Gostava de faze-la me olhar. Gostava de faze-la sorrir.
Eu me tornei sócia do escritório em que eu trabalho. Precisava compartilhar com alguém minha alegria, eu estava radiante demais para me conter. Eu precisa mostrar para Emma meu crescimento e naquele dia ela viu. Estava alegre e pude ver minha satisfação pelos olhos dela. É tão estranha a necessidade que eu criei em mostrar todos os meus momentos para uma mulher que não me conhece, uma mulher que eu não conheço. Aquele dia, eu precisava que ela visse. Ela viu e eu sorri.
Foi um bom dia.
Emma se tornou meu porto seguro mudo. Eu me acalmava quando a via, eu me norteava com seus olhos, eu precisava vê-la sorrindo para ter um bom dia, nunca deixei ela perceber isso. Eu era apenas mais uma cliente e me comportaria assim.
Ela era minha confidente sem palavras, era uma amiga necessária. Alguém que não me julgaria por meus erros, mas me ajudaria a resolve-los. Ela não os conhecia e eu me esforcei para isso.
Nunca sorri diretamente para ela. Ela nunca viu. Eu achava tão engraçado seu jeito desastrado e sua timidez exacerbada. Sua atenção contida – ou era assim que ela pensava. – Seu interesse inocente em alguém que ela nunca teria. Eu gostava de testa-la. Lançava olhares com uma falsa irritação. No começo ela se retraia, no fim só sorria percebendo a enganação ou gostando das minha expressões raivosas.
Nunca vou saber.
Há um mês eu entrei como em todos os outros dias e ela estava triste. Eu conhecia aqueles olhos, poderia não conhece-la, mas eu conhecia seus trejeitos e ela estava triste.
Ela não me olhou, ela não sorriu e eu me lembrei do dia em que parti seu coração. Meu corpo se enrijeceu pela lembrança.
“Eu não fiz nada desta vez.”
Me sinto presunçosa com este pensamento. O mundo de Emma não se chama Regina Mills.
Ela me atendeu robótica e eu me concentrei para entender o motivo daquela tristeza gigantesca que a envolvia. Eu deveria ter perguntado, eu sei, mas não o fiz. Ela só é a pessoa que serve minha bebida todos os dias, não somos amigas, não nos conhecemos e não é da minha conta seus problemas juvenis.
Eu saí com passadas duras e não me importei com suas questões.
“Não me interessa.”
Não consegui trabalhar aquele dia. Não tive seu olhar, nem seu sorriso e isto estava me incomodando. Meu incomodo me incomodava. Decidi respirar e esperar pelo próximo dia.
“Ela estava tendo apenas um dia ruim. Eu tenho vários.”
Tentava me enganar com este pensamento.
No dia seguinte, ela não estava lá. Meu olhar desesperado estava saltando. Não perguntei sobre minha atendente. Apenas ignorei saindo com um café puro.
Eu comecei a tomar café puro todos os dias. Não encontrava motivos para ficar alegre, não encontrava motivos para cappuccinos.
Eu demorei 10 dias para perguntar o que havia acontecido. Senti saudade de um sorriso idiota, de olhos intrometidos, de uma loira confusa. Eu não a veria mais. Ela trocou de turno.
Minha concentração foi para o espaço assim como meu humor. Não aceitava que estava perdendo o foco por alguém que não faz parte da minha vida. Me recusei a entrar naquele café novamente, me recusei a ir lá em outro horário.
“Não me interessa. Ela não é ninguém”
Os dias seguintes não foram diferentes, meu humor não melhorou um milésimo e isso era irritante. Saia com raiva do escritório todos os dias as 17hs. Em um destes dias, cedi e olhei para o lado, olhei para a cafeteria que foi meu refúgio por meses e lá estava ela, lá estava os olhos brilhantes e o sorriso aberto. Desta vez, não era para mim.
Comecei a crer que seu encantamento era apenas uma ilusão de uma mente carente por atenção. Meu casamento era um fracasso e eu acreditei ter encontrado nos olhos de Emma um abraço acolhedor. Me apaguei naquele dia. Cheguei em meu apartamento, me servi de um vinho e apreciei os crepitar da fogueira na minha sala.
Meu coração se desfez pela ilusão.
Voltei a frequentar a cafeteria costumeira. Nunca deveria ter trocado. Voltei a ser a Regina Mills, voltei a ser dura, rígida, profissional, eficiente. Não tinha mais distrações, não tinha preocupações, não tinha olhos verdes e estava ótimo pra mim.
Os dias seguintes foram mais tranquilos. Eu aceitei minha ilusão e consegui me focar. Até aceitei beber a noite com minha irmã – Zelena – Ela viu minha decepção e tentou me distrair, mesmo não sabendo os motivos ou acreditando que fosse pelo idiota do meu marido — gostei do termo. “Idiota do meu Marido”, melhor que Robin.
Zelena me deixou beber tudo que eu precisava e eu me segurei para não falar da saudade que me domava.
Saudade.
Sentia mais saudade de uma loira que conheço há meses, ou melhor, que não conheço, que do meu marido que está comigo há 10 anos.
Irônico.
Vi minha ilusão caminhar pelas ruas escuras da noite em Boston.
— Zelena, para o carro!
Minha irmã parou o carro assustada, acompanhou meu olhar até Emma e nós a vimos entrar em um prédio com tijolos vermelhos. A saudade começou a esmurrar meu peito e minha irritação voltou.
“Foi uma ilusão, Regina”
Eu juro que me esforcei para acreditar nisso.
Zelena a viu nos meus olhos.
— Quem é?
— Emma Swan – a respondi sem tirar os olhos da fachada de um prédio que sempre vi e nunca percebi. É a primeira vez que falo seu nome em voz alta.
— Por que não me contou? – Zelena me perguntou voltando a dirigir.
— O que eu deveria te contar, Zelena?
— Que sua irritação é por causa dela – minha irmã sabia, assim como eu.
— Me leva pra casa, por favor – a respondi com um olhar triste.
Não queria conversar sobre isso, não queria pensar nisso. Eu não entendia os motivos. Como começar uma conversa explicativa sem saber a explicação?
A noite não terminou como deveria. A Srta. Swan ainda conseguia me estragar de um modo particular.
Zelena me deixou em casa sem mais perguntas. A amo muito por me conhecer o suficiente para não continuar a me atormentar com um assunto que não tenho interesse em falar.
Continuo me enganando.
Me vi dirigindo quase todas as noites pela mesma rua, na mesma hora e a vi entrando no mesmo prédio. Eu precisava parar com essa perseguição sem sentido.
Hoje eu decidi esquecer essa loucura. Estava sozinha em meu apartamento assustador e meu marido idiota estava em uma “viagem de negócios”. Olhei pela janela e contemplei a vista de uma Boston afogada em um temporal.
Temporal.
Temporal?
Emma...
Eu não pensei no que estava fazendo, apena peguei meu carro e dirigi. Quando cheguei na cafeteria que eu não frequentava mais, vi uma loira encharcada com as mãos nos bolsos do jeans apertado e molhado encostada em uma parede suja. Ela estava parada esperando alguém.
Minha curiosidade sobre sua vida me fazia criar uma.
Me tranquilizei, parei o carro e a observei. Fiquei apenas olhando. Ela começou a caminhar e eu a segui como em várias outras noites.
Dirigi devagar, seguindo as ruas que ela seguia. Conhecia seu caminho, conhecia seus hábitos. Sim! Conhecia Emma Swan.
Meses para aceitar um conhecimento.
Ela estava tão distraída.
“Em que está pensando, Srta. Swan?”
Novamente, nunca saberei.
Ela para e eu soube que ela havia me visto. Eu não queria parar o carro, eu queria acelerar e voltar para o meu apartamento quente.
Não fiz isso.
Abaixei o vidro e a chamei.
— Srta. Swan?
Ela fechou os olhos e respirou. Eu sorri por ter sentido falta daquela loucura loira. Ela continuou parada com os olhos fechados contemplando as gotas escorrendo por seu rosto.
— Srta. Swan?
Ela abriu os olhos e eu consegui ver. O encantamento estava lá, os olhos tentando me decifrar estavam lá e eu senti toda aquela onda de satisfação correr pelo meu corpo.
Ela me encarou e eu não conseguia reagir. Os olhos dela me paralisaram. Vi todo o encantamento se tornar pura surpresa.
— Você sabe meu nome?
Eu não me contenho e deixo um pequeno sorriso me invadir. Na frente dela, pela primeira vez. Claro que eu sabia seu nome. Aquele horroroso copo descartável no meu escritório não me deixava esquecer.
— Entre, te darei uma carona.
Ela lutou para se mover, abriu a porta do meu carro e entrou.
“Por que eu estou fazendo isso?”
— Muito obrigada.
Como eu senti saudades daqueles olhos, daquele sorriso falsamente discreto. A saudade me desarmou de uma forma, que eu não consegui esconder meu olhar, meu sorriso.
Aquele maldito cheiro vai ficar em meu carro me fazendo lembrar de um erro.
— Senti falta do seu macchiato no último mês, Srta. Swan.
Menti.
Sim, eu sentia falta do macchiato, mas eu senti falta dela. Eu senti falta da tranquilidade, da segurança. Senti falta em ser descoberta por alguém que eu ignorava. Sentia falta do que ela me fazia sentir.
Ela estava tremendo pelo frio. Liguei o aquecedor. Sentia essa necessidade em cuidar dela. Por isso eu saí depois da meia noite, sem pensar, desesperada com uma preocupação genuína.
Me esforcei tanto por meses para não ser descoberta e toda essa precaução foi por água abaixo quando perguntei.
— Acredito que chegamos. Seu prédio é aqui?
“Como você conheceria o prédio dela, Regina?”
Parei o carro e vi a surpresa por traz dos verdes. Ela iria perguntar e eu não sei o que responder. Tentei inventar uma desculpa esfarrapada para justificar meu conhecimento.
Não consigo. Aqueles olhos não me deixam pensar.
— Muito obrigada pela gentileza, Sra. Mills
Respiro aliviada por não ter ouvido a temida pergunta. Minha falta de interesse na maioria dos seres humanos me fizeram aprender a esconder tudo que eu posso sentir, apenas para evitar uma pergunta.
— Foi um prazer, Srta. Swan.
Ela sorriu e como foi bom ver isso. Por mais que seu sorriso estivesse carregado com algo que não entendia, ele estava ali.
Ela saiu do carro e eu só queria me afastar. Me mostrei demais por um dia. Ela começou a me encarar e o medo voltou a me atormentar.
— Como sabe meu nome?
Eu sorrio pelo alivio.
— Está no seu crachá, sempre esteve.
Ela não sabia que eu a via todos os dias, que eu entrava naquela cafeteria por ela. Por seu mistério. Por um desafio criado em uma mente entediada, eu me desafiei a desvenda-la sem palavras, outro erro.
Seu comportamento constrangedor e encantador me alertou que precisava ir embora urgentemente. Minhas muralhas estavam caindo e não podia permitir.
Ela ficou parada me olhando e não evitei dizer.
— Até a próxima, Swan.
Me arrependi no mesmo instante. Me afastei o mais rápido que consegui. Não terá próxima, preciso me afastar dela, preciso parar com esse absurdo.
“Como fazer isso?”
Agora eu estou vagando por uma cidade molhada, vazia e escura. Sentindo a saudade me acalentar. Não quero voltar para casa. Quero continuar dentro deste carro me lembrando da besteira agradável que fiz. Me lembrando do erro em ceder para alguém que nunca me terá, que eu nunca vou ter.
Quando ela me invadiu dessa forma?
Quando alguém me invadiu dessa forma?
Não sei mais se é apenas curiosidade que eu sinto pela mulher por traz daqueles olhos protegidos por lentes. Não deveria sentir saudades dela.
Saudade chata.
Saudade que eu nunca senti antes.
Saudades de Emma Swan.
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