Saudade

7 A Coragem Pela Mudança


Notas iniciais
Me perdoem pela demora. Não escrevi final de semana e não consegui postar antes. Quero agradecer imensamente as pessoas que comentaram Saudade. Muito obrigada pelo carinho Neste capítulo eu ainda estou moldando a situação e a partir do próximo os sentimentos ficarão mais intensos. Espero que gostem. Boa leitura.

— Seja bem-vinda ao meu banco. Este é o Ted.

A gargalhada que ela soltou, me encheu de saudades. Esse sorriso é verdadeiro demais para minhas subjeções. Ele me enche em uma alegria estranha, uma necessidade inexplicável. Tenho a sensação que nasci para ouvir essa risada gostosa e cheia de espontaneidade. Acredito que seja a primeira vez que sinto essa honestidade vindo dela.

— Por que você deu um nome para o lago? E por que Ted? — Ela me pergunta ainda sorrindo e preciso reunir forças para me concentrar. Aquele sorriso é meu demais.

— O lago me fez companhia nos meus momentos ruins, nada mais justo que dar uma nome a um amigo. E, eu gosto do nome Ted.

— Você é estranha, Swan.

“Estranha”...Me sinto bem com esse adjetivo.

Ela voltou ao seu livro que não conheço. Só consegui ler a palavra Constitucional. Eu voltei pra Vivian. Aquele aperto da saudade que me sufocou por 3 meses, estava mais solto, mais frouxo e eu consegui respirar com mais leveza.

Ainda não sei se os motivos para a saudade chata se dissipar era pelo fato dela estar por perto ou por ela ter falado comigo. Minha única certeza são os motivos da sensação de libertação. O motivo sempre foi ela.

As vezes penso que estou em uma péssima situação. Esse necessidade que meu corpo criou em tê-la por perto. Ele implora sua presença. Meus sentidos buscam seu cheiro, o toque que tive uma única e breve vez em um dia tenebroso. Meu dia de coração partido. Não gosto de pensar neste dia. Prefiro senti-lo distante demais de mim. Essa sensação de conforto deveria acontecer com uma boa música, um dia bom, uma brisa leve, mas só acontece no meio da tempestade Regina Mills. No meio do furacão que ela me causa.

Vivian não está feliz por eu ter largado sua aventura para divagar sobre a morena que está ao meu lado. Me olha carrancuda e eu me desculpo. É inevitável.

Regina continua tomando meus momentos e estragando meus domingos da forma mais agradável que eu conheço. Gosto dos domingos estragados por ela.

Finalmente percebo a intensidade das suas respostas.

“Você tem certeza?”

“Suas verdades podem não ser reais.”

Regina me deu respostas subjetivas objetivas demais. Quero imensamente acreditar no que estou sentindo e na impressão passada, mas meu medo da queda, da decepção atrapalham meu raciocínio e bagunçam meus delírios.

Finalmente volto para Vivian e ela sorri pelo meu retorno. Não percebo o caminhar do sol me avisando que está na hora de ir embora. Estava dispersa com meu livro e com aquela morena. Meu desejo de ficar aumentava, é meu dever o ignorar. Ainda estou magoada e uma tarde, ou melhor, duas tardes não mudarão isso.

É engraçado como tento me fazer de difícil em uma batalha que perdi no momento em que ela sentou aqui pela primeira vez. No momento em que vi tocar seu cabelo em uma mania que eu já conhecia. Estar com ela por mais de dois minutos me preenchia, mesmo sem palavras, mesmo quando o silêncio era quebrado por um pássaro, por uma galho, uma folha ou alguém implicando com o Ted.

Brigo violentamente com meu corpo que insiste em estar perto dela. Meu coração dispara apenas por pensar em me despedir. Aquele momento precisa terminar, eu sei disso. Fecho o livro com uma força desnecessária, apenas por ter ganho minha briga interna, estou irritada por essa vitória. Olho para ela com ansiedade.

— Eu preciso ir. – Não consigo forma uma frase melhor – Obrigada pela companhia.

— Foi um prazer!

— Nos encontramos em outro momento.

— Até domingo que vem.

Ela volta ao livro e eu paraliso. Ela disse que estará aqui no próximo domingo? Meu corpo grita. Minha mente estoura e eu respondo com segurança.

— Até!

Meu sorriso se abre demais e deixo que ela veja toda a minha felicidade pela frase. Me viro desajeitada e caminho ainda sorrindo.

“O que está acontecendo?”

Volto aproveitando o caminho, aproveitando o fim de tarde. Voltando as minhas fantasias. Lutei tanto para esquecer o mundo que criei e uma simples troca de palavras acaba com todo um trabalho de três meses. Não consigo me chatear hoje, mesmo com esse pensamento. Mesmo com minhas defesas desmoronando. Acho mais fácil aceitar meu doce fracasso. Como estou contente por fracassar. Como estou feliz por aceita-la de volta.

“Aceita-la de volta?”

Meu relacionamento ilusório também está voltando. Balanço a cabeça afastando esse pensando, mas ainda estou sorrindo.

Chego e vejo Ruby sentada no sofá lendo uma revista.

— Zelena?

— Se preparando para uma consulta.

— Killian?

— Mulher.

Acho que me acostumei tanto com a ruiva e o moreno charmoso invadindo meu apartamento, que estou o achando grande demais hoje.

Passo alguns segundo olhando minha amiga e decidindo se devo contar ou não. Como eu quero compartilhar os acontecimentos com ela, mas não quero criar uma falsa expectativa.

“Ainda não.”

Vou para meu quarto e aproveito meus pensamentos.

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Meus dias mudaram de cor. Meu sorriso voltou, mas agora eu não a espero entrar, não a procuro em cada cliente, não me confundo com outra rouquidão ou outras gargalhadas. Minha semana passa diferente das outras. Eu me lembro de quando eu negava os domingos, negava minha folga, agora eu a procuro avidamente. Eu espero os domingos. Agora eu sei onde acha-la, eu sei que ela estará lá, me fazendo companhia.

Minhas sensações mudaram e pela primeira vez, anseio a mudança. Minhas expectativas avançaram e minha coragem cresceu.

O relógio não procurava o dia seguinte, procurava o dia de vazio, o dia de fechado, o dia de cinema em família, o dia de sorvetes na praça em tardes quentes, brincadeiras no parque. Pra mim, o relógio procurava um banco às margens de uma lago. Do Ted. Meu banco, meu lago, meus livros. Minha morena.

Acho graça nessa frase absurda, eu sei, mas gosto dela. Desde jeito, com essas palavras e com essa certeza.

Nos dias que não corriam na velocidade que eu queria, eu parei o parei em uma quinta-feira às 17:58. Olhei para meu relógio por algum motivo.

Meu delírio estava do outro lado da rua, em uma mesa, em outra cafeteria.

“Ela me trocou?”

Tento esfumaçar esse questionamento enciumado. Ela estava com minha mais nova amiga ruiva, gesticulando – isso nunca é bom. – Seus movimentos abertos eram sinal de nervosismo. A vi olhar apreensiva para dentro da concorrência. Estava esperando impaciente.

— Lentidão. Ela odeia!

Falei para mim rindo da incompetência que um dia foi minha. Pensei, pensei muito e aquela coragem que surgiu pela mudança invadiu. Me preparei, olhei para o teto, prendi meus cabelos dourados da melhor forma possível. Como se houvesse melhor forma possível para meu jeito desajeitado.

Atravessei a avenida engarrafada obstinada. Minha obstinação foi diminuindo em cada passo. Quando cheguei a mesa, já estava tremendo. Respirei fundo e falei.

— Seu chocolate quente. – Entreguei um copo para minha amiga, piscando para ela. Acho que ela sorriu pela minha coragem. O grau de conhecimento daquela mulher sobre a situação ainda era um mistério pra mim.— E seu café puro — Deixei em frente a Regina. Estava com medo da minha coragem, estava com medo de errar o pedido na mesa que não era minha, estava com medo dela se zangar como em outros momentos e por mais que minha saudade estivesse gritando, me controlo. Sei que terei sua presença. Seu calor.

Elas estavam surpresas. Atravessar aquela avenida, e as servir sem ser convidada ou solicitada estava no auge dos meus atos atrevidos. Nem me considero atrevida para ser sincera.

Zelena sorriu olhando para o chão, não acreditando na minha proximidade ou na minha transparência. Dei as costas e comecei a voltar para meu trabalho. Dei dois passos e a ouvi.

— Srta. Swan! — Estremeci. Ela está irritada. Viro e olho para os avelãs que me perseguem em cada sonho, em cada fechar de olhos. Não respondo. Só a encaro. – Muito obrigada!

Ela sorriu!!!

Ela sorriu em agradecimento, mas ela sorriu. Não agradeceu com um ato de obrigação educada. Agradeceu com carinho nos olhos e eu desfaleci, me derreti, apenas por olhares que conhecíamos.

Nossas conversas.

Ela voltou a olhar lentamente para Zelena, bebendo “meu café” e eu pude ver um sorriso satisfeito. Consegui ver minha satisfação ali.

Voltei devagar, tentando não mostrar minha euforia.

“Sou patética!”

“Adoro ser patética.”

Minha semana está boa demais para que pensamentos assim a estrague. Voltei para a proteção do balcão, não, para a barreira que o balcão se tornou. Fiquei olhando as duas na mesa. Ri da expressão de idiota que o atendente fez quando viu suas clientes já abastecida. Eu venci!

Minhas várias fantasias.

A vi sorrindo e se acalmando. Vi algo que parecia Zelena brincando com ela e seu sorriso feliz estava ali. Ela olhava para o lado as vezes e eu conseguia ver. Ela estava me vendo por traz daquela vitrine, daquele balcão, das minhas lentes.

Depois de quase uma hora. Elas se levantaram. Regina caminhou com seus saltos, me encarou por tempo suficiente e se foi. Acompanhei seu caminhar. Criamos intimidade ali. Neste pequeno instante. Um cliente me tirou daqueles caminhos e eu a perdi.

Abri meu melhor sorriso e aquele cliente de cabelos claros e barba por fazer, não tinha ideia que meu sorriso não era para ele, meu sorriso era por alguém que agora não o via. Meu sorriso realizado.

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Domingo!

Acordei saltitante. Meu dia de superação, de solidão, o dia que eu escolhi para esconder meu sofrimento, no mais profundo buraco que criei em mim. Eu estava radiante por acordar no dia que escolhi para me afundar em suspenses gostosos. Agora esses livros se tornaram pequenos, e meus motivos para lê-los estaria comigo. Ao meu lado.

Sentei tentando esconder tal felicidade de todos.

— Quem você comeu, loira? – Claro que seria o Killian.

— O que? Ninguém. Eu nem ao menos tenho oportunidade de conhecer alguém. – invento.

— Você está feliz demais. – Ruby está desconfiada e não sei se Zelena a contou sobre quinta-feira. Preciso contar a eles. Eu sei que preciso. Eles são meus amigos e eles tem o direito de saber o que está havendo.

— Quando eu voltar conversamos.

— EU SABIA! Ela está comendo alguém – Kill está feliz com o sonho que ele criou.

— Eu não estou saindo com ninguém e para de falar comendo. É muito feio.

Ele me mostra a língua e não consigo esconder minha animação. Passei 3 meses escondida em livros. Os vi tentando me animar e eu só me afundei. Precisava daquele tempo. Precisava me afundar para voltar a respirar normalmente. Precisava das lagrimas abraçando meu rosto. Precisava desabafar tudo que estava entalado em mim. Eles entendiam.

Voltei para meu quarto tentando evitar perguntas que não responderei agora. Mais tarde.

Olho para minhas estante e me pergunto.

— Quem eu acompanharei hoje? — Procuro por meus personagens amigos e escolho. Marguerite Caine. – Vamos para outra dimensão procurar o Paul.

Estou voltando lentamente aos romances. Muito lentamente. Ainda não consegui sair do caos, mesmo os motivos tendo diminuído ou quase sumido. Me arrumo para um encontro, essa é minha impressão. Preciso me acalmar. E se ela não aparecer? E se eu cair? Não posso criar expectativas.

Me despeço do meus amigos desconfiados e caminho lentamente. Minha afobação foi diminuindo, dando lugar ao medo da decepção agigantada por umas expectativa inútil. Entro no parque. Procuro por Ted, procuro pelo meu banco e ela está lá. Ela já está lá.

Ando o mais lento que posso mostrando tranquilidade. – Que idiotice. – Me sento, assim como ela fazia.

— Boa tarde, Srta. Swan. – Ela me cumprimenta sem tirar seus olhos do seu livro grosso.

— Boa tarde, Sra. Mills.

Nos concentramos em nossas leituras e começo minha perseguição com Marguerite. Nos fechamos com nossas companhias. A olho ocasionalmente pelo canto do olho e a palavra Constitucional ainda está lá.

Vou fazer uma coisa, meu maior atrevimento.

Alguns minutos se passam e eu tento criar a coragem que sempre me faltou, ao menos com ela. Respiro rápido e começo a suar.

“Ela vai me matar! Eu sei que vai.”

Respiro fundo uma última vez e me jogo no abismo.

— Regina...

— Sim – Ela responde sem me olhar.

— Regina...

— Estou ouvindo, Swan. – Eu quero a atenção dela.

— Regina... – Ela vai me matar.

— Sim! – Ela me olha com seus olhos impaciente, irritados e eu acho tão encantador.

— Se importa de me emprestar seu livro? — Estando a mão e ela estreita seus olhos em desconfiança.

— Pra que?

— Por favor?

Posso ler seus pensamentos em dúvidas. Resistir ou ceder?

Ela cede. Fecha com brutalidade e me entrega. Eu o guardo na minha mochila com a calma que não está em mim, ela arregala os olhos. Pego um outro livro com uma capa preta e a entrego. A surpresa ainda está estampada em seu rosto. Não sei se ela está questionando minha lucidez ou meu atrevimento. Ela pega, observa a capa e eu volto para Marguerite sorrindo.

Posso sentir seus olhos se perguntando o que eu havia feito e meus motivos. Se volta para frente e eu agradeço por ainda estar viva. Ver Regina Mills cedendo é algo indescritível. Consegui sua atenção, sua companhia e seus olhos em três domingos, mais que consegui em um ano a servindo todos os dias. Criei coragem para desafia-la e eu ainda estou respirando.

Momento único.

Sra. Mills está tão concentrada e intrigada com cada página. Posso ver suas surpresas em cada mudança de capitulo. Malorie faz isso com as pessoas.

Eu amo Vivian e Marguerite, mas Malorie me fascina. Estou satisfeita por ver o mesmo fascínio nos olhos da mulher que me faz mover o ar.

Ela vira bruscamente e segura meu ombro.

— O que eles são? – É tão divertido ver essa curiosidade.

— Não vou te contar, Regina.

— Emma!!

Ela me chamou de Emma. Não consigo responder. Ela nunca me chamou de Emma. Apenas nego com a cabeça ainda perplexa. Ela bufa como uma criança e volta a mergulhar no livro. Acho bonitinho.

Nosso domingo está acabando e me entristeço. Não quero esperar uma semana. Não quero passar todos esses dias sem vê-la. Eu tive seus minutos por muito tempo. Tive suas horas por três domingos. Agora eu quero seu dia, sua noite, sua raiva, sua fúria, seu sorriso, seus planos. Eu não quero mais os domingos.

Eu quero as rotinas.

Aproveito meu dia corajoso e novamente arrisco.

— Regina...

Desta vez ela não demora a me olhar. Não paro para pensar nos meus medos, nos riscos, no desafio. Falo sem tempo. Falo pela saudade que ainda não senti.

Saudade.

— Quer beber alguma coisa?

Ela se assusta. Não imaginava minha coragem. Eu espero ansiosa. Por alguns segundos me senti arrependida, a insegurança aumentava. Ela ainda está me olhando e eu estou esperando sua resposta.

Eu não me lembro dela perder as palavras. Sempre a imaginei com respostas prontas e desaforadas, neste momento, ela está brigando com sua decisão. Abre a boca algumas vez e nada sai. Estou ficando aflita pela espera. Um infinito está passando pelos meus olhos.

Tenho certeza que passamos um minuto inteiro nos olhando. Eu esperando e ela se decidindo.

O mesmo infinito se acaba quando ela fecha o livro.

— Posso escolher o lugar?

Meu sorriso é jogado.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Vou ficar muito feliz se compartilharem a opinião de vocês. Até a próxima.