Saturno - Um Novo Mundo

2 Calópsia - Terra de Florestas


Notas iniciais
Neste capítulo se forma o segundo cenário da trama e o início da história pessoal da outra protagonista: Alcmena.

O cenário agora é completamente diferente. Na região de Saturno que fica sob seus anéis vive um povo nômade que cultiva relação espiritual com todos os elementos da natureza. Além de Solum, o Sol, considerado um deus também pelos trausnkymianos, os calopsinos, povo da floresta, tinham adoração por Kalifa e suas sessentas filhas, as luas de Saturno.

As florestas tinham árvores gigantes carregadas de deliciosas frutas, principal base de alimentação dos calopsinos. Aquelas árvores tinham coloração rosada, tais quais as cerejeiras da Terra. O céu, quase sempre noite e quase nunca dia. Talvez por isso Solum fosse considerado uma divindade tão importante para esses povos... Pela sua ausência constante e raridade.

Os calopsinos eram opostos dos trausnkymianos. Não eram vermelhos, eram azuis. Não tinham pintas brancas, tinham listras amarelas. Não tinham orelhas, mas tinham nariz com o olfato mais potente dos povos saturnianos. Tinham quatro olhos verdes ao invés de dois olhos brancos. Os homens tinham cabelos que chegavam ao tornozelo. As mulheres normalmente eram carecas ou com muito pouco cabelo. Todos vestiam muitos acessórios de ouro, metal abundante na região.

Viviam em uma enorme clareira. Cada família fazia sua casa debaixo da terra. Os calopsinos viviam quase sempre em festa. Quando não tinha nenhum casamento, havia nascimentos pra se comemorar, além dos aniversários. Tudo muito regado a ouro, frutas, “fanniati” (bebida típica da aldeia), mulheres dançando e homens cantando o mais alto que podiam.

Só uma calopsina em particular não sabia o que era festejar a cinco anos. Era Serenity, a rainha. Enquanto viveu um casamento feliz com o rei Nañ, ela era sempre a primeira a puxar a dança das aldeãs. Agora já não conseguia. Não só pela gravidez, que já havia lhe cansado muito nesse longo período, mas também pelo fato do amado ter ficado esse tempo todo numa cama, entre a vida e a morte. E o povo ainda comemorava? Sim, pois fora um pedido do próprio Nañ, antes de entrar em coma. Se não havia morrido, não tinha motivo para ficarem “de luto”.

Absorvida nos pensamentos mais sombrios em relação ao marido e aos causadores de toda sua desgraça, a rainha demorou a sentir as primeiras contrações. E quando sentiu, foi rapidamente socorrida por todos. A filha da parteira, que começava a substituir a mãe, se tremia toda por fazer seu primeiro parto de um herdeiro do rei. Foram oito horas em que Serenity sentiu dupla dor: pelo parto e por não ter Nañ ao seu lado. Kalifa e suas sessentas filhas já apareciam no céu quando todos souberam: tinha nascido uma princesa.

A rainha Serenity, ignorando a dor e todo o sangramento que tivera, pegou a filha nos braços e saiu andando rapidamente até a maior casa subterrânea de toda a aldeia. Desceu quinhentos degraus até chegar onde queria. Numa enorme caverna, com muitos castiçais de ouro e velas acesas em volta, o rei Nañ dormia profundamente. Em sua companhia, apenas o médico e sacerdote Alekeu, que enquanto passava cremes de erva e fazia o soberano engolir sementes, evocava em sussurros os espíritos da natureza, Solum, Kalifa e as luas.

Alekeu saiu de seu “transe” por um instante para saudar a rainha e a nova integrante da família.

- Ora, mas que boa surpresa, minha rainha. Tenho certeza de que nosso rei ficaria extasiado ao ver que é uma menina.

Serenity fazia um esforço colossal para não chorar. Nem teve forças para responder ao sacerdote. Limitou-se a chegar perto da cama de Nañ, e lhe dizer bem perto do ouvido: “Nossa princesinha nasceu. Ela é linda. Seu nome é Alcmena, como tu havias me pedido... Antes disso. Estamos esperando por você, meu amor. Volte”.