Saturno
2 Et incipit a venatione.
Notas iniciais
As folhas farfalhavam em um ritmo acelerado, aquele outono era para ser um dos mais rigorosos da Nova Zelândia. As pessoas se agasalhavam com blusas grossas e algumas até usavam capas. E essa era a deixa perfeita para Saturno.
O homem deu algumas voltas pelo bosque, sempre de cabeça baixa. Observou algumas pessoas conversando em alguns bancos. Um pequeno e calmo lago, redondamente esculpido, se encontrava a alguns metros dali.
A brisa era suave e o clima não era muito seco. As pessoas passavam com seus carrinhos de bebê, com cestas de piquenique e falavam em voz alta. Tentar ignorar aquele sentimento de saudade só fez Saturno quase perder a meticulosidade e engenhosidade de seus pensamentos.
Saturno caminhou por mais alguns metros sobre uma ponte de madeira velha que lá havia. Se aproximou de um homem que conversava no celular e o estudou por alguns minutos. Ele parecia rápido na corrida e seria mais difícil para que um tiro fatal se acertasse. Talvez sim talvez não.
O momento perfeito Acabara de acontecer. O celular do homem havia caído no chão e ele havia se agachado para pegar o aparelho. Saturno passou atrás do homem, e quando estava numa distância consideravelmente boa disparou duas vezes contra o atleta amador e sumiu por entre as árvores.
4 horas depois — Parque Botânico de Wellington
— Segundo testemunhas, um casal passava por aqui quando foram surpreendidos pelo cheiro forte. De início eles não viram o corpo, pois estavam no início da ponte, então perguntaram a um coletor se algum animal tinha morrido ali. Os três foram conferir e acabaram por achar o corpo. — Cooper disse para a equipe que ali se encontrava, enquanto dois inspetores anotavam algumas coisas. —Estagiários, por favor, vasculhem a área com um policial. Tomem cuidado.
Ele se virou para o médico legista e começou a conversar com ele. Fomos nos afastando cada vez mais até nos depararmos com o início da mata. Meu colega, Henry, entrou na mata primeiro e pediu que eu fosse logo atrás.
O vento aumentava, dificultando ainda mais a coleta das pistas. Pensei rapidamente em todos os motivos que uma pessoa teria para assassinar outra em um bosque. Talvez propositalmente, talvez não.
— Ei, venham ver isso! — Paige, outra estagiária gritou de longe.
Depois que nos aproximamos de onde Paige estava, vimos gravado em uma árvore, de forma ilegível, algumas letras. Saí correndo para chamar Cooper, totalmente perdida, atravessei a pequena clareira na mata até que o delegado ouviu o rebu que lá acontecia e foi ver o que era.
— Paige achou algo? — ele perguntou, vindo com um dos médicos legistas.
Confirmei, enquanto o vento dava uma trégua e o barulho do caminhar de meus colegas ficava ecoando no silêncio invernal do bosque. Segui Cooper até encontrar Paige e Henry, que estavam tentando decifrar o que estava escrito na árvore.
— É latim. — Henry disse, com seu sotaque inglês quase imperceptível. — Eu estudei a língua faz alguns anos, mas essas palavras não são do meu conhecimento.
— Talvez seja é só Pensar! — eu disse, raspando com as unhas a árvore, com uma ponta de desespero.
Cooper forçou a visão e distinguiu a frase que estava escrita ali:
— Et incipit a venatione. Ele sorriu, com ar vitorioso. Pode traduzir, Henry?
O ruivo ficou perplexo. Os olhos âmbar de meu colega se cruzaram com os meus e ele disse, depois de um minuto:
— E que a caçada comece.
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