Saturno
3 O assassino tem um nome.
Notas iniciais
A delegacia nunca foi tão agitada. Pessoas e policiais entravam e saíam toda hora e as atendentes não paravam de receber ligações. Denúncias, furtos e roubos, estelionatos, mas nada do que Cooper e nós, os estagiários, queríamos: alguma pista sobre o assassinato do misterioso homem do parque botânico.
Atendi o telefone desesperadamente. A pessoa do outro lado da linha parecia chorar. Seria um parente da vítima? Eu esperava que sim.
—Delegacia de Wellington, boa tarde.—Eu disse, quase roendo as unhas.
—Eu gostaria de informar um furto.—Desanimei. Queria continuar o registro da ocorrência mas passei a ligação para uma atendente ao lado.
Henry se esticou na cadeira, bocejando. Paige, suspirou, com o queixo apoiado nas mãos. Cooper se levantou bruscamente e anunciou:
—Não vamos ficar parados aqui o dia inteiro. Vamos ver o resultado da autópsia. Venham comigo, Paige, Henry e Chloe.—Ele pegou as chaves de uma viatura e esperou na porta os convocados se apresentarem.
Paige, Henry e eu nos apressamos a entrar na viatura. Cooper passou em um drive in e pediu três cafés.
—Desconfio novamente que um serial killer esteja atuando.—Ele tomou um gole do café e voltou a andar, quando o sinal abriu.—E eu espero seriamente que não seja um serial killer.
Henry tomou um gole do café e falou que leu um pouco sobre esses assassinos em série no primeiro semestre da faculdade. Ele citou alguns nomes, como o assassino do Zodíaco e Jack, o estripador.
—Me lembro de ter visto uma matéria sobre um dos primeiros assassinos em série do Brasil.—Paige deixou a bebida de lado por um segundo.—Ele era bárbaro, cruel. Matava a suas vítimas com a ajuda da mulher e depois moía a carne humana e vendia!
Cooper buzinou quando Paige parou de falar. Ele gritou para o motorista da frente andar depressa e o motorista respondeu com um gesto obsceno. Cooper ignorou e voltou ao seu café.
— Interessante, interessante.—Ele se voltou para Paige e continuou a dirigir.
O trajeto durou aproximadamente meia hora. Após chegarmos no laboratório, a atendente do sr. Jones nos recebeu e em quinze minutos depois estávamos na sala de trabalho do nosso querido médico legista.
—Boa noite, senhores.—Ele ajeitou seus óculos e retirou as luvas cirúrgicas.— Nossa vítima em questão é bem pelicular.
Cooper pediu ao médico que contasse, sem rodeios, o que estava acontecendo.
— Se o nosso colega tivesse sobrevivido, ele teria o risco de ficar paraplégico. Esse assassino, é, sem sombra de dúvida, muito engenhoso e meticuloso. O segundo tiro já pretendia tirar a vida. Eu encontrei alguns fragmentos próximos ao pulmão, mas eu não encontrei a bala.
A atendente bateu à porta lentamente. Cooper abriu a porta e a secretária parecia nervosa.
— Isso acabou de chegar para o senhor.— Ela segurou a correspondência, meio trêmula e entregou a para o sr. Jones. O homem abriu a carta e a senhorita voltou para a escrivaninha marfim na outra sala.
O médico leu atenciosamente a carta, e depois arregalou os olhos.
— Eu acho que o assassino tem um nome.— ele, como em um impulso, ajeitou os óculos. — E o nome dele é Saturno.
Fale com o autor