Satisfaction
15 Capítulo 13 - Assunção de Compromissos

Quatro dias se sucederam após aquela sexta-feira e Levy e Gajeel não poderiam estar mais apaixonados. Porém, tinham plena consciência de que acordariam daquele doce sonho naquele dia, quarta-feira. O moreno e a azulada aguardavam na sala de estar, com roupas formais, a chegada da pequena comitiva constituída pela McGarden mais velha e os Cheney.
Não estavam sentados no mesmo sofá, tampouco se olhavam. Suas posturas estavam impecavelmente eretas e Pantherlily, o grande felino, ora abria os olhos para observar o dono e a amada hóspede, que já considerava sua segunda dona. Pressentindo que a doce garota deixaria seu lar dali a poucos minutos, esfregara a fuça em suas pernas cobertas pelo vestido, recebendo carinho em suas orelhas.
— Também vou sentir sua falta, Lily. — a jovem McGarden suspirara, dirigindo seu olhar ao Redfox, que percebera e agora também a encarava.
Logo foi como se tivessem sido transferidos à noite anterior, na qual deveres, obrigações e quaisquer pessoas além deles não existiam. Ainda tinham o cheiro um do outro em suas peles, e se questionavam – silenciosamente – como seria voltar às suas rotinas de praxe. Tal pensamento fez o peito de Levy comprimir-se, afinal, deixara-se levar tal como em um sonho, não pensando em como ficaria quando tudo acabasse. Pensara, por alguns segundos, em condenar-se por ter sido tão irresponsável.
Estava prestes a ganhar coragem para mover seu pequeno corpo do móvel, quando a campainha tocou e uma Mirajane apressada surgiu, para atender quem estivesse em frente àquela porta. A azulada desabara no sofá em frustração, aguardando seus carrascos – Rogue Cheney e Elevínia McGarden – adentrarem a residência.
A primeira pessoa a adentrar a sala de estar fora sua mãe, seguida pelo futuro genro, o primogênito dos Cheney. Recusava-se a olhá-los, mas obrigou-se ao fazê-lo quando vira seu amado Redfox cumprimentá-los, tal como dono da casa.
— Oh, minha filha, senti tanto a sua falta. — Elevínia dera um abraço apertado em Levy, sem fazê-lo por mero decoro. A mulher sempre fora uma boa mãe, apenas adotara um comportamento corrosivo e egoísta nos últimos três anos e meio.
— Também senti, mamãe. — a mais nova mentira, parcialmente, retribuindo o abraço de sua progenitora. Confessara que sentiu certa falta da mãe, mas entre estar com a mais velha e com o moreno, a resposta estava mais do que clara.
— Passou bem? O sr. Redfox atendeu sua alimentação?
— Sim, até demais. — Levy dissera, bufando. — Oh, mamãe! Ele não me deixa comer nada, não estou mais aguentando!
O teatro que a garota armara traria mais benefícios à sua relação com Gajeel do que o mesmo esperava. Agindo como duas pessoas que não se dão bem, evitaria qualquer suspeita e ainda os aproximaria mais. Precisava admitir que a baixinha fora realmente esperta.
— Gihi, sua filha é uma rebelde, sra. McGarden. — entrando na encenação, o moreno cruzara os braços, balançando a cabeça em negação.
— Sei que está fazendo um bom trabalho com ela, sr. Redfox, senão ela não estaria tão revoltada! — Elevínia permitira-se rir por alguns instantes, crente de que o tutor de sua filha e a mesma não se davam. — Mas bem, precisamos ir logo, temos algumas pendências familiares a resolver. — o tom sério tomara conta da voz e face da mulher.
Trocando olhares por breves segundos, não foram precisas mais palavras para o Redfox e a McGarden compreenderem que o noivado da mesma seria logo assumido com Rogue, que, até então, estava sendo deixado de escanteio na conversa. O rapaz estendera um braço para Levy, indicando que logo se retirariam da residência.
— Ao menos deixe-me despedir-me de todos. — a voz da azulada saíra quase num fio quando dirigiu sua fala ao futuro noivo e ex-amigo de infância. O mesmo disfarçou uma careta ao ver a garota abraçando a jovem governanta e, em seguida, a pantera de pelos negros. Por fim, parara em frente a Gajeel, estendendo-lhe, formalmente, a mão direita, para que o mesmo pudesse beijá-la.
Assim o Redfox o fez, pegando a delicada mão se sua baixinha e beijando-lhe as costas – quase em devoção, consciente de que, a partir daquele momento, seria a única maneira que seus lábios voltariam a tocar sua pele. Mesmo com tal singelo gesto, a McGarden mais nova sentira um arrepio percorrer-lhe a espinha.
— Até a vista, sr. Redfox. — a azulada dissera, inclinando-se brevemente ao outro numa pequena reverência.
— Até a vista, srta. McGarden. — o moreno retribuíra, soltando a pequena mão que já lhe tocara todo o corpo e acompanhando o trio até a porta, seguido pela albina.
Os olhos vermelhos de Gajeel observavam a garota até que a mesma subisse na carruagem à frente dos portões. Pôde observar a presença de Reywards e Jenna Cheney na mesma, estavam sérios e trocaram algumas palavras com Elevínia quando a mesma abordara o veículo.
De tudo o que acontecera nos últimos minutos, o que realmente fizera seu sangue ferver fora o fato de Levy ter sido levada, todo o pequeno trajeto, pelo braço, por Rogue Cheney. Podia perceber a falta de interesse do mesmo pela garota, mas o fato de outro homem tocá-la – ainda mais quando estava em seu “direito” como noivo – o fazia ficar fora de si.
—x-
Assim que a carruagem tomara uma boa distância da residência dos Redfox, o patriarca dos Cheney entregara alguns papéis para a herdeira McGarden, que estava sentada entre sua mãe e seu futuro noivo. Os papéis consistiam numa cláusula de noivado.
— Está me dizendo que terei de assinar um contrato para oficializar este noivado?! — a azulada quase se exaltara, movendo-se de seu lugar.
— Acalme-se, Levy. — Rogue segurara-lhe o braço esquerdo, logo sendo solto pela garota.
— “Acalme-se”, Rogue? Por que estão a me tratar como uma propriedade? — ainda perplexa, Levy sentia seu peito queimar de raiva.
— Não é bem assim que as coisas funcionam, minha cara. — Reywards procurou acalmar o comportamento da futura nora. — A cláusula é apenas para formalização do compromisso, é necessária quando se diz respeito a famílias com nomes poderosos na sociedade. — o homem de quase meia idade explicara, com o tom de voz calmo.
— Pouco importa-me o peso que meu nome tem em sociedade, isto é injusto! Eu nunca pretendi aceitar este casamento! — sem medir as palavras, a garota apenas sentira um calor em sua face. Sua mãe tinha acabado de lhe dar um tapa em frente a todos.
— Cale-se, Levy. Como minha filha e solteira ainda deve-me obediência. — Elevínia dissera, impassível.
Humilhada e sem poder revidar, Levy encolhera-se o máximo que pôde e baixou sua cabeça. Decepcionara-se um pouco com o ex-amigo de infância, esperava que o mesmo – talvez – a defendesse, mas não sabia o que o mesmo pensava de tudo aquilo.
Provavelmente, assim que casassem, ele a exibiria como um troféu para seus amigos e desfilaria com ela em festas e eventos sociais, abandonando-a em casa para frequentar bordéis e bares madrugada afora. Ter de viver prestando fidelidade e obediência a tal tipo de homem lhe causava asco. Se ao menos Rogue fosse um homem honrado, ou se ela não amasse outro, talvez pudesse assumir tal compromisso de forma menos dolorosa.
Ao contrário do que pensara, não estavam indo em direção à residência McGarden, e sim à Cheney. A carruagem seguira uma pequena estrada de granito portão adentro do grande terreno, parando em frente às escadas que davam em frente a grande casa da família aristocrata.
A casa era cerca de três vezes maior que a sua e de sua mãe, inteiramente branca por fora, adornada com pinturas de flores e ramos nas paredes externas, cobertas por cercas vivas bem cuidadas. O telhado era, curiosamente, abobadado, e seu interior repleto dos mais finos móveis e tapeçarias importadas das Índias. Tudo ali dentro emanava luxo e conforto, faziam alguns anos desde que Levy visitara o local.
Foram guiados por Reywards até seu gabinete, local amplo que mais se assemelhava a uma sala, possuindo uma escrivaninha em carvalho, prateleiras com vários livros de direito e psicologia, um tapete de urso pardo no centro e cadeiras estofadas ao seu redor. A opulência, em algumas partes, enojava a azulada.
— Assine aqui, srta. Levy. — o Cheney mais velho pedira para a garota, entregando-lhe um papel de carta e uma pena, já com a ponta molhada na tinta.
Lembrando-se do episódio da agressão de Elevínia na carruagem, a McGarden mais nova suspirara, passando os olhos brevemente pelas palavras ali grafadas. A extrema formalização de um compromisso que deveria ser espontâneo – mesmo para aquela época – lhe dava ânsia, afinal, pensar em conviver os próximos meses até o casório visitando o noivo frequentemente era o pior castigo que poderia receber. Antes que recebesse outro gesto reprovante de sua progenitora, assinara a última linha.
— Satisfeita, mamãe? — Levy suspirara, sentindo uma pequena parte dentro de si morrer.
Sem obter resposta, contentou-se em levantar os olhos, e vira Rogue assinando o mesmo papel, ao lado de sua assinatura. O compromisso seria de ambos, e a data estava um tanto próxima demais.
— Bem, com isto, está oficializado perante a lei. Agora, faça as honras, meu filho. — Reywards pediu.
Mostrando-se indiferente e até mesmo entediado com todos os acontecimentos, o primogênito dos Cheney ajoelhara-se em frente a jovem McGarden, tirando uma caixinha revestida com veludo azul do bolso do casaco, abrindo-a em frente a garota, que se deparara com um anel prateado com uma pequena ametista – pedra da família Cheney – em seu centro.
— Levy McGarden, aceita casar-se comigo?
A pergunta fora feita sem emoção e sem sentimento algum. Ambos os jovens sabiam que era algo facultativo, já que seus nomes já estavam gravados naquele contrato de noivado e não haveria modo de quebrá-lo. A azulada sabia, desde o momento que sua mãe o anunciara – meses atrás, que uma hora ou outra este momento chegaria.
— Eu… Aceito. — com grande pesar, veio a resposta.
Para honrar o compromisso socialmente, a joia fora-lhe colocada no anelar direito por Rogue, que dera um beijo nas costas de sua mão, sem encará-la e logo levantando-se. Talvez ele também esteja abrindo mão de alguém importante para ele, Levy permitira-se pensar, pensando em como contaria para Gajeel toda essa loucura e o que faria quando o visse novamente.
— O casamento será dia vinte de outubro. — a voz do patriarca Cheney tirara a garota de seus pensamentos.
A realidade caíra em seu colo como uma bomba. Estavam quase no fim de setembro, ou seja, restava-lhe menos de um mês.
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