Satisfaction

16 Capítulo 14 - Confidências Secretas


O pensamento de voltar à sua casa, voltar ao seu quarto e voltar aos seus livros soava à garota de cabelos azulados como música. Havia se mudado, junto de sua mãe, à casa da família Cheney há dois dias, e já sentia que havia acabado de adquirir seu inferno particular.

Após aquela quarta-feira na qual teve de deixar a casa do homem pelo qual se apaixonara e assinar seu contrato de noivado com outro, tudo parecia conspirar contra seu bem-estar físico e emocional. Tivera apenas um dia para fazer suas malas e levar à sua mais nova casa tudo o que lhe era de interesse, o que incluía seus tão amados livros – desde romances aos de línguas antigas e até mesmo alguns dicionários.

Não podia reclamar sobre a privacidade, afinal, a residência Cheney tinha cômodos suficientes para abrigar quinze pessoas – e, atualmente, estavam-lhe ocupando seis, cinco em quartos separados. Ao menos isto, não teve de dividir um quarto com sua mãe, que, após o incidente da carruagem, ultrapassara os limites de compreensão. Estava, claramente, usando a filha como moeda de troca, e agora mal fazia questão de disfarçá-lo. Até que ponto sua própria mãe poderia ser tomada pela ganância?

Com um pequeno lampião aceso sobre a escrivaninha de seu quarto – cortesia de Reywards, para abrigar seus livros e papéis, Levy estava a escrever uma carta para Gajeel, para pô-lo a par de tudo o que estava acontecendo, para que o mesmo não tivesse uma reação exagerada ao receber o convite de casamento. Estava na segunda página, agora contando-lhe sobre seus sentimentos mais íntimos, e como sentia a falta do moreno ao seu lado para apoiá-la naqueles dias difíceis. Perguntara como estava sua rotina de trabalho, como estava Pantherlily e Mirajane, a governanta que tornara-se sua melhor amiga nos dias em que passara na residência Redfox.

Já era madrugada e todos na grande casa dormiam. Levy começara a usar tal horário para escrever suas cartas a Gajeel porque um jovem carteiro autônomo, conhecido seu de alguns anos atrás, Romeo, vagava por aqueles lados de Magnólia recolher cartas que precisavam ser ocultadas. A garota selara a carta num envelope branco, calçando suas pantufas e agradecendo o fato de seu quarto possuir uma enorme janela em direção ao exterior da residência, saindo pela mesma.

A figura de robe azul e camisola branca movia-se discretamente pela noite, passando pelas poucas árvores de folhas alaranjadas do jardim dos Cheney, até chegar a uma das extremidades do longo portão que cercava a propriedade. Vira o rapazinho caminhar pelas calçadas e assobiara-lhe discretamente, chamando sua atenção e fazendo-o vir ao seu encontro.

— Preciso que entregue esta carta à residência Redfox, Romeo. — Levy dissera séria, sussurrando para o garoto de cabelos pretos e boina à sua frente.

— Qual a urgência da entrega, srta. McGarden? — o jovem carteiro perguntara prontamente, pegando a carta das mãos da azulada, junto de duas moedas de prata.

— Assim que amanhecer, por favor. Esta carta tem de parar nas mãos de Gajeel Redfox, de nenhuma outra pessoa mais.

A McGarden quase suplicara, mas Romeo era um moleque esperto e sabia que suas confidências estavam em boas mãos. Assim que o garoto deixou a frente do portão, a jovem voltara pelo mesmo caminho que viera, adentrando seu quarto pela janela, que deixara – obviamente – aberta, e retirando suas pantufas, jogando os restos de grama seca e folhas em suas solas para fora. Por fim, deixara os calçados ao lado de sua cama e pusera-se a dormir.

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O sol mal fixara-se no céu e a campainha já tocava insistentemente. Como primeiro a ouvi-la, o moreno levantara – mal humorado pela forma pela qual fora acordado, e descera as escadas da mesma forma como estava dormindo para atender a porta. Àquela hora não era ninguém importante, então não haveria mal vê-lo praticamente seminu, pensara.

Ao abrir a porta de forma brusca, Gajeel se deparara com um rapazote franzino, de cabelos desgrenhados e pretos, vestindo uma boina e roupas um tanto surradas, porém não mais que sua bolsa de couro atravessada no peito. Segurava um envelope branco nas mãos.

— O que faz aqui essa hora, pivete? — perguntara sem educação alguma. O Redfox não tinha muita paciência para crianças, ou talvez devesse aceitar que não tinha paciência para ninguém, ainda mais naquela hora do dia.

— O senhor é Gajeel Redfox? — o garoto quase tremera perante a figura imponente do homem à sua frente, mas precisava cumprir seu serviço.

Um tanto surpreso pela pergunta inesperada, o moreno arqueara uma sobrancelha e limitara-se a assentir. A presença daquele garoto não lhe era, de todo, estranha.

— Tenho uma carta de remetente Levy McGarden para o senhor. Ela pediu-me que lhe entregasse assim que amanhecesse. — Romeo explanara-se, entregando a carta para o dono da casa, que a pegara, um tanto desconfiado.

— Entendo… Qual o seu nome, moleque?

— Romeo, senhor.

— Ah, então é você o entregador de cartas secretas. – o menino assentira. – Precisarei dos seus serviços hoje a noite, quando escrever a resposta para esta carta. A que horas está por aqui?

— Meia-noite a uma da manhã, senhor.

— Certo, meia-noite então lhe darei a carta para você entregar, imediatamente, a Levy McGarden. O quanto cobra pela entrega?

— Qualquer quantia de moedas de bronze a ouro, o que o senhor estiver disposto ou puder me pagar. — o modo exato com o qual Romeo lidava com seus negócios não deixara de surpreender Gajeel, para alguém tão novo.

— Certo, a propósito, aonde estão seus pais, garoto?

— No cemitério, senhor.

A resposta dada de forma automática comovera um pouco o coração de ferro do Redfox, afinal, sabia o quão difícil era ter de se sustentar por conta naquela idade. O negócio que o menino arrumara era um tanto perigoso, mas Romeo era protegido de muitos nobres que usavam seus serviços.

— Meia-noite, pivete. — procurando não prolongar mais o diálogo, já com o envelope em mãos, Gajeel fechara a porta e certificara-se, pela janela, de que o jovem carteiro já havia deixado sua propriedade.

Antes de ser descoberto acordado por Mirajane, subira rapidamente as escadas para seus aposentos, trancando-os e abrindo o envelope com ansiedade. Já estava há dois dias e meio sem notícias de sua tão querida baixinha, e a única coisa que soubera, no dia anterior, fora que a residência das McGarden encontrava-se desocupada.

Começara a ler a carta sentando ao lado de sua cama, correndo os olhos pelas linhas e absorvendo cada palavra escrita pela azulada. Seu peito apertara brevemente quando chegara na parte em que a mesma contava que tivera de assinar um contrato para formalizar seu noivado com Rogue, mas sabia que poderia desvalidá-lo por brechas nas leis matrimoniais – sempre haviam brechas.

Após passar pela parte de que ela e sua mãe mudaram-se para a residência dos Cheney, a melancolia e a preocupação começaram a querer tomar conta de si, porém o moreno resistia. Gajeel Redfox sempre fora um homem forte e impassível, com total controle sobre suas ações e sentimentos – evitava tê-los, mas, mesmo sabendo que Levy McGarden estava ocupando um espaço importante em seu coração, ela não mudaria sua postura perante a vida.

Pelo que a azulada contava, a comida ali servida naqueles poucos dias já a estava fazendo mal, tanto pelo fato da quantidade – os Cheney possuíam a tradição de repetir o prato em cada refeição, quanto pela qualidade – somente carboidratos e açúcares. Aquilo estava o deixando irado. Além de tirarem seu direito de escolha, ainda queriam matá-la.

Usaria da cláusula que Elevínia fizera e assinara na semana passada, quando permitira que fosse o tutor de sua filha, para – ao menos – visitá-la mais e poder cuidar melhor de sua saúde. Pensar em perder sua garota num futuro não muito distante para a morte por maus cuidados daqueles que deveriam cuidá-la era mais que suficiente para motivá-lo a fazer algo.

Quase esquecendo-se de continuar a ler a carta, Gajeel já estava a meio passo do banheiro, quando voltara e lera o último parágrafo da segunda e última página.

Recuso-me a tratar os dias que passei ao seu lado como apenas um sonho, ou talvez um erro, algo que não deveria ter acontecido. Espero que aceite o fato de que me fizera sua de mais de uma forma, sr. Redfox. Não há mais volta para nós dois, e não é um maldito casamento que me fará ser de outro.”

Sorrira com a última frase, apertando o papel contra o peito. Estava incrivelmente seguro, era incrível como algo que deveria enfraquecê-lo o fizera sentir-se mais forte.

— Talvez não seja apenas uma paixão fugaz, afinal. — o moreno refletira em voz alta, abandonando os papéis em cima de um criado-mudo e adentrando o banheiro para fazer sua higiene matinal, naquele dia teria de comparecer ao escritório.

Por mais que detestasse contar sobre sua vida pessoal para os outros, estava sendo difícil driblar seu primo, Gray Fullbuster, e a esposa dele – sua amiga de infância, Juvia, que estavam achando estranho até demais sua frequência no escritório. Fora obrigado a contar, sem os detalhes sórdidos, o que estava acontecendo entre ele e a baixinha de cabelos azulados e sobrenome McGarden, e logo ganhara dois aliados, fosse lá no que eles pudessem ajudá-lo.

Escapar dos questionamentos da sua governanta já estava sendo um milagre, quanto menos pessoas se intrometessem em sua vida amorosa, melhor seria.

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Em partes, o Redfox enganara-se que somente a Strauss fosse lhe fazer perguntas a respeito de Levy, mal pusera os pés no escritório após o almoço e já fora abordado por seu primo seminu e sua esposa, que agora passava quase todos os dias ali com eles, sendo uma espécie de secretária.

— O que ela escreveu? — Juvia, a mulher dos cabelos enrolados azuis-escuros, começara.

— Do que está falando, amor? Ele nem disse que recebeu uma carta de Levy. — Gray intervira, porém igualmente curioso.

— Boa tarde para vocês também, queridos amigos. — Gajeel ironizara, passando pelo casal sem sequer olhá-los, livrando-se do paletó e sentando em sua cadeira em frente a sua mesa, procurando organizar-se para a tarde de trabalho que se seguiria. Tarefa um tanto difícil quando se possuía dois pares de olhos lhe encarando. — O que vocês querem, afinal?

— Juvia é uma mulher, Juvia conhece mulheres, está na sua cara que Levy lhe escreveu uma carta. — a mulher pronunciara-se por primeiro. A azulada era dona de um sexto sentido e intuição – até mesmo assustadores – desde criança.

— Céus… — o moreno esfregara a testa, suspirando. — Não me deixarão em paz até que eu lhes conte o que ela escreveu-me, estou certo?

— Sim. — o casal respondera num coro, esperançoso.

— Gihi, quero ver até quando aguentarão me atormentar. — o Redfox sorrira provocativo, cruzando os braços e estufando o peito em desafio.

— I-isso não é justo! — Gray contestara, mas sua esposa já lhe agarrava um braço para impedir que o mesmo viesse a iniciar uma briga com o primo um ano mais velho.

— Juvia e Gray-sama não irão lhe perturbar até que resolva contar-nos, Gajeel. — Juvia pronunciara-se, séria. Costumava chamar o marido com o sufixo “sama”, pois era um costume japonês que herdara de seu falecido avô.

Surpreso pela suposta redenção por parte da amiga de infância, Gajeel limitou-se a dar de ombros e começar a mexer na papelada que lotava sua mesa, fazendo um sinal com a mão para Gray começar a fazer o mesmo com a dele. Tinham alguns processos para resolver ainda aquela tarde.

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Assim que Lucy recebera a carta de sua antiga amiga contando sobre seu noivado, a mesma não pôde deixar de visitá-la no mesmo dia, aproveitando o fato de que agora seu pai, o Conde Heartphilia, instalara-se em Magnólia definitivamente. Mal teve tempo de conversar com Levy no baile, foi obrigada a cumprimentar diversos convidados e a participar de conversas extremamente formais e que sequer diziam respeito a si.

Quando chegou à residência Cheney foi recebida por uma senhora de cabelos rosados, a qual reconheceu ser Poluchka – a governanta de Elevínia e Levy McGarden. A cumprimentara com cordialidade e certo carinho, lembrava-se de quando a senhora cozinhava biscoitos para ela e a amiga quando tinham apenas dez anos e brincavam pelo jardim da casa da azulada.

Conhecendo Levy como conhecia, a loira pressentia que a amiga não estava nem um pouco contente com todos os acontecimentos, mesmo encontrando-se na residência Cheney – um marco arquitetônico para as casas da cidade, e noiva do primogênito da família, um rapaz belo e apresentável.

Precisou ser orientada por alguns criados para, finalmente, encontrar a biblioteca da casa. É claro que aquele cômodo seria o novo refúgio da McGarden, pensara e rira brevemente com o antigo apelido da garota, “rata de livros”. Lucy encontrou-a de pé, de costas para si, observando a outra extensão – e mais bela – do jardim Cheney pela janela.

— Levy? — a Heartphilia não evitou de comover-se por chamar a garota novamente após tanto tempo.

— Lucy? — a azulada virara-se, logo correndo abraçar a amiga.

— Oh céus, quanto tempo, Levy! — a loira, emotiva como era em momentos como aquele, deixara algumas lágrimas escaparem.

— Sinto muito por não tê-la cumprimentado no baile de seu pai, as coisas estão acontecendo de uma forma tão… — Levy mal pôde concluir sua frase sem debulhar-se em lágrimas. Vinha segurando-as há muito tempo.

— Acalme-se, agora estou aqui e pode contar tudo o que quiser para mim. — a amiga a confortara, afagando-lhe os cabelos azuis e um tanto rebeldes.

Ocupando o único móvel do local, um sofá de seis lugares, as duas garotas puseram-se a conversar – ou melhor, a jovem McGarden pusera-se a contar a maré de acontecimentos que vinham-lhe acontecendo para a Heartphilia, desde a invenção de sua mãe de casá-la com Rogue Cheney desde Gajeel Redfox a como viera parar naquela casa. Lucy ouvira tudo atentamente, abatida pela forma que as coisas estavam acontecendo para com sua amiga.

— Eu não sei o que dizer de tudo… — a loira confessara, enxugando a última lágrima que escorrera por sua face. — Não sei se fico feliz por ter arrumado o homem da sua vida ou se fico triste porque irá perdê-lo para casar-se com quem você sequer gosta.

— Para ser sincera, eu também não sei como reagir a tudo o que vem acontecendo, Lucy… — Levy suspirara, encostando a cabeça no ombro da garota à sua frente, que começara, novamente, a afagar-lhe os cabelos. Sempre desejara que Lucy fosse sua irmã, eram muito próximas desde crianças e compartilhavam tudo entre si.

— Bem, Levy, não quero constrangê-la com tal assunto, mas… — a Heartphilia começara um tanto envergonhada. Vendo que a amiga lhe dera espaço para continuar, prosseguiu sua fala. — Por acaso, você… Recebeu a semente desse Gajeel?

A pergunta fizera Levy afastar-se bruscamente da loira e corar violentamente, pegando a primeira coisa ao seu lado – uma almofada – para cobrir seu rosto.

— Q-que tipo de pergunta é esta, Lucy?! — a outra apenas rira com o embaraço da azulada.

— Bem, não sou a mais experiente no assunto, mas se seu casamento é em três semanas e já fazem quase duas desde que vocês…

— Vá direto ao ponto, por favor. — Levy disse numa voz trêmula pela vergonha. Como que chegaram neste assunto?

— Quero dizer que, se a resposta for sim, você vai descobrir estar grávida antes mesmo de casar-se com Rogue, porém, se a resposta for não, é bem provável que seu período venha normalmente.

Pensando por aquele lado, gelou por alguns instantes, revirando suas memórias mais íntimas com o moreno. Lembrara de que, sempre que ele estava “quase lá”, saía de dentro de si e limpava-se com os lençóis, o que causara certo questionamento em sua cabeça, mas não ousara perguntar o por que. Então era aquilo, ele não a queria engravidar.

— O-oh sim, entendo. — livrando-se da almofada que cobria-lhe a face, Levy procurou manter sua compostura. — Não, eu não… Recebi nada. — a McGarden corara. Usar palavras para descrever tal ato era tão… Vergonhoso.

— Ah, que bom, menos essa preocupação. — a loira suspirara aliviada, logo sorrindo para a amiga, que retribuíra, timidamente. — Às vezes me pergunto como é, você sabe… As únicas coisas que conheço sobre o assunto são graças aos conhecimentos de minha mãe, que acompanhava várias gestantes desde a descoberta até o parto.

— Eu sei, a Condessa Heartphilia era uma exímia parteira e uma mulher gentil, também. — a azulada comentara.

— Sinto falta dela, mesmo estando instalada em Magnólia há apenas quinze dias. — Lucy deixou seus ombros caírem, deitando-se no colo da amiga, no extenso sofá.

— Seu pai não tinha como trazê-la para cá quando ela está acompanhando a gestação da princesa em Crocus, não é?

— Sim, e pensar que ainda temos mais seis meses… A princesa descobrira somente com três meses e, mesmo sabendo que meu pai estava com planos de voltar para Magnólia, exigiu que minha mãe a acompanhasse em sua gravidez e que fizesse seu parto. — a jovem Heartphilia desabafara.

— Já notou que o tempo parece sempre o nosso inimigo? — Levy observara, com o olhar fixo no nada.

— O tempo todo…

E assim as amigas ficaram, até ser decidido com Reywards Cheney que a loira seria sua madrinha de casamento. Ao menos aquilo a azulada deveria ter o direito de escolher.

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A noite chegara com grande aguardo por parte da jovem McGarden, que sabia que, se Romeo havia executado seu trabalho como havia pedido, receberia na madrugada uma resposta de seu querido Redfox. Observara o relógio de seu quarto, que marcava quase uma da manhã. Decidira sair de seu quarto, da mesma forma que na noite anterior, passando pelo caminho escondido do jardim e chegando a uma extremidade do portão, aonde, surpreendentemente, o garoto já a esperava.

— Aqui está, srta. McGarden. — o jovem carteiro lhe entregara um envelope pardo selado com cera vermelha. Agradeceu rapidamente, e voltou, a passos rápidos e cuidadosos, aos seus aposentos.

Repetindo o mesmo ritual com suas pantufas, apressou-se em fechar a janela e as cortinas, levando seu pequeno lampião ao único criado-mudo ao lado de sua cama, pondo-se a ler a carta que Gajeel havia lhe escrito como resposta.

Seu coração aquecia-se a cada linha que lia, e ria-se por alguns segundos a cada palavra riscada por ele por alguma letra trocada, aparentemente, ele escrevera com pressa. Como fazia o uso das palavras diariamente, não encontrou nenhum erro ortográfico, mas, mesmo que houvesse, pouco importava-se. Ficava feliz em saber que ele estava preocupado e que sentia sua falta tanto quanto ela sentia a dele.

Após confirmar se era apenas aquela página de papel de carta escrita, pôs-se a ler o último parágrafo, não podendo evitar de corar e rir-se com o jeito do moreno. Era aquilo que o tornava especial, afinal.

Em resposta ao seu último parágrafo, gostaria de dizer-lhe que nunca achei um erro ou algo que não deveria ter acontecido aquelas noites maravilhosas em que pude te fazer gemer meu nome e pedir por mais. Fico feliz que tenha entendido que é minha e sem direito a devolução, baixinha. A partir do momento em que colocou essas mãos de anã em mim já me marcou como seu, espere apenas mais um pouco e vou chutar com prazer o traseiro de quem quer que esteja se metendo entre nós”.