Satisfaction
14 Capítulo 12 - Sensações Indescritíveis

Levy acordara cansada, esfregando os olhos e sentando-se na cama. O quarto ainda estava um pouco escuro, o que significava que Poluchka ainda não viera lhe acordar. Espere… Poluchka? Quase que a azulada esquecera de que estava na residência dos Redfox e que era Mirajane que ainda não viera lhe acordar.
Sentiu um braço enlaçá-la pela cintura e puxá-la novamente para o colchão macio. Olhando para o lado, encontrara um certo moreno com os cabelos bagunçados e carrancudo, mesmo dormindo. O mesmo tinha algumas olheiras visíveis, o que denominava uma noite de sono mal aproveitada.
Ao dirigir sua mão direita para acariciar a face adormecida de Gajeel, notara sua nudez e começara a recordar dos acontecimentos da noite anterior, mais especificamente, da madrugada. Permitiu que um sorriso bobo lhe possuísse os lábios e aninhou-se melhor aos braços do Redfox, que agora a abraçaram inconscientemente. As sensações que provara ao lado do rapaz foram indescritíveis, na verdade, tudo com ele parecia ser indescritível.
Gajeel ainda dormia quando a McGarden ouvira o barulho da maçaneta ser girada. Certamente era a jovem governanta que vinha acordar-lhe, mas… Como disfarçaria tal situação? Aceitando que não havia tempo para tal, Levy apenas cobriu-se até o nariz e fechou os olhos, fingindo estar adormecida.
Ouvira os passos da Strauss nos aposentos em direção às pesadas cortinas, abrindo-as devagar, sem que houvesse um choque com a claridade. Abrira apenas um olho, certificando-se de que o cobertor a camuflava, e vira a albina sair, com um sorriso satisfeito nos lábios ao olhar o casal adormecido. Assim que a porta fechara, sentara-se novamente na cama, balançando o Redfox pelo ombro gentilmente.
— Gajeel… Acorda.
Recebera somente um resmungo como resposta e, de olhos fechados, o moreno tateou a cama às cegas até achar seu objetivo e deitou sua cabeça nas coxas de Levy, envolvendo sua cintura com os dois braços. Um tanto rendida, a azulada começara a afagar-lhe os cabelos.
— Ainda está cedo, é sábado. — o Redfox murmurara contra a pele da garota.
— Eu sei, mas preciso comer logo, já estou me sentindo fraca. — a McGarden argumentara, sem mentir. Poderia ter mais um “ataque” caso se demorasse muito para comer.
Num impulso, ao ouvir as palavras da mais nova, Gajeel levantara-se e começara a vestir suas ceroulas da noite passada, sentado na beirada da cama.
— Vai fugir de mim assim? — Levy provocou, abraçando-o por trás e fazendo uma voz manhosa.
— Mas você mesma disse que está começando a se sentir fraca, não posso deixar que comece a tremer e que desmaie. — o moreno retrucara, interrompendo-se quando a vestimenta estava na metade de suas coxas.
— Eu aguento mais um pouco, você sequer me dera um “bom-dia”. — a garota fizera-se de ofendida, mantendo o tom manhoso de antes, descendo suas pequenas mãos até a zona crucial do homem.
— Levy, Levy… Se continuar a me provocar deste jeito vai receber um “bom-dia” à la Gajeel. O que você teve de mim ontem não foi nem metade do que quero realmente fazer com você. — suspirara, procurando manter seu autocontrole.
Ao ouvir tais palavras a McGarden ruborizara, sentindo sua pele arder em vermelhidão. Por um momento se arrependera de provocá-lo, mas precisava manter sua postura “durona”, não seria covarde a ponto de retroceder às investidas que acabara de dar.
— Hm… E qual é a outra metade do que você realmente quer fazer comigo? — Levy perguntara num tom inocente, mordendo a orelha do Redfox. Ela realmente não sabia aonde estava se metendo.
Em apenas segundos, o moreno vestira completamente suas ceroulas e prendera a garota na cama, com os pulsos ao lado de sua cabeça. Vê-la ali, completamente nua e entregue a ele era tentador, mas nunca mais sairiam daquele quarto e ela começaria a passar mal se resolvesse responder às suas pervertidas investidas.
— Escute aqui, minha querida. Prometo que hoje à noite irei lhe foder tão bem que você irá esquecer o que é fechar as pernas por alguns dias, mas, por ora, contente-se em tomar um banho comigo e descer se alimentar. — após concluir, o rapaz lhe dera um beijo no pescoço.
Após o choque causado pelas palavras “sujas” que Gajeel usara, Levy absorveu sua fala e ruborizara violentamente. O impulso de cobrir seu corpo despido e seu rosto com os braços fora inevitável, mas eles ainda estavam presos pelas mãos do Redfox e tentar lutar contra sua força apenas fazia o mesmo rir.
— Esta é toda a sua força, senhorita McGarden? — Gajeel riria novamente, mas recebeu um chute no estômago e acabou por soltar sua baixinha. Como pôde esquecer que suas pernas estavam livres?
— Gajeel idiota!
E, vermelha e nua, a azulada correra em direção ao banheiro, sem dar-se o trabalho de cobrir-se com algo e fechara a porta. Limitando-se a sorrir travesso, o moreno a seguira e adentrara o cômodo, logo começando seu banho e procurando não se demorarem muito.
—x-
Mirajane estava terminando de cozinhar o almoço quando ouviu risadas se aproximando da sala de jantar, posta devidamente para o café da manhã. Saiu de perto do fogão para olhar, mesmo que brevemente, o que estava se sucedendo no cômodo ao lado.
Deparara-se com seu patrão sorrindo feito criança, fazendo cócegas em sua hóspede, que, mesmo irritada, ria e se contorcia, tentando escapar das mãos do mesmo. O peito da jovem governanta aquecia-se ao ver que Gajeel estava finalmente – e verdadeiramente – feliz, não conseguia imaginar melhor par ao seu chefe do que a McGarden.
Antes que deixasse o cozido de batatas queimar, desligara o fogão e começava a colocar o almoço em recipientes próprios para pôr a mesa, a maioria sendo de porcelana, pertencentes à Gail, a mãe falecida do Redfox. Ao mesmo tempo que a albina ficava contente em ver seu irmão de consideração com um relacionamento amoroso feliz e apaixonado, sentia-se entristecida por não ter tido a mesma sorte. De tudo que lhe acontecera desde a morte de seu pai, o abandono de Laxus Dreyar era o que menos esperava.
— Finalmente os pombinhos decidiram sair do ninho de amor? — na tentativa de livrar-se das más lembranças, Mira saíra da cozinha e juntara-se ao casal na sala de jantar, constrangendo ambos. Gostava de ver suas reações embaraçosas.
— Ah, vá… — Gajeel já lhe preparava um insulto matinal.
— Olhe como fala em frente a sua namorada! — Mirajane repreendera Gajeel, segurando-se para não rir. Enquanto ambos discutiam sobre a invasão de privacidade, Levy mantinha seu rosto escondido no braço do moreno.
O café da manhã seguiu-se leve e divertido, a Strauss conversava animadamente com a McGarden, evitando fazer apologias à sua relação com seu jovem patrão. Fazia-o apenas para evitar deixá-la ruborizada, e assim, causar irritação em Gajeel, aguentá-lo de mau humor era um trabalho de Hércules. Mirajane preparara o café da manhã ideal para Levy, carboidratos, frutas e chá, o suficiente para mantê-la em pé e saudável, o homem observara enquanto tomava uma xícara de café.
— Ei, Mira. — chamara a atenção da governanta.
— Sim?
— O almoço já está pronto?
— Sim, estava terminando de cozinhá-lo quando vocês desceram. Já é meio dia.
— Bem, enquanto esfria vou levar a Levy para conhecer a casa, creio que mal tiveram tempo ontem para fazê-lo. — Gajeel disse, fazendo as duas mulheres presentes assentirem. Levantou-se e estendeu um braço para a mais nova, que enganchara no mesmo prontamente.
A albina suspirara enquanto assitia o casal deixar o cômodo, refletindo no único homem que ainda dominava seus pensamentos, quando aparecia em sua mente. Levantou-se e começou a recolher a louça usada na primeira refeição do dia, melancólica e nostálgica.
—x-
Gajeel fizera questão de usar a faixa que Levy usava para prender sua franja para vendá-la, enquanto a guiava pelos corredores da residência Redfox. A McGarden confessava que não esperava que a casa fosse tão grande, já a achava gigantesca tendo conhecimento de apenas de quatro cômodos.
Pararam subitamente e ouvira o moreno abrir uma porta à frente deles, que, pelo barulho que fizera, parecia ser bem grande. Ainda tendo sua mão esquerda sendo envolvida pela direita do Redfox, Levy fora puxada delicadamente, como um convite para adentrar o cômodo.
— Pode ver agora. — Gajeel dissera, enquanto fechava a grande porta.
Ao desfazer o nó da faixa, um misto de espantamento e admiração tomaram a face da azulada. Encontrava-se num imenso salão, com o seu centro vago e, à sua direita, cinco largas e altas prateleiras abarrotadas de livros, com uma escada de madeira encostada a uma delas e vários sofás distribuídos naquele espaço. À sua esquerda, percebia a presença de um piano de cauda negro e de outros instrumentos, como um violoncelo e um violino. Sobre o piano estavam várias folhas avulsas, provavelmente partituras. O centro do salão não era vago à toa, em uma das paredes se encontravam um tocador de disco sobre um criado-mudo. Era uma pista de dança particular.
— Gajeel… — a garota não tinha palavras para descrever como se sentia naquele lugar. Nunca imaginara um espaço tão completo num mesmo cômodo.
— Antes que pergunte, o lugar recebeu decoração de Gail Redfox, minha mãe, e meu pai apenas arrastou os móveis. — Gajeel dera de ombros, sorrindo sem graça. Ele tinha sete anos quando terminaram de arrumar o espaço.
— É incrível. — Levy dissera, ainda encantada, procurando absorver cada detalhe da decoração. Percebera que as paredes, até o teto, eram pintadas com figuras angelicais e mitológicas.
— Sim… É incrível. — o moreno admitira, envolto em nostalgia. – Espere aqui.
O Redfox se dirigira até o toca disco do outro lado do salão, e logo uma valsa invadia o local.
— Creio que me deva uma dança. Ainda não tive a oportunidade de testar seus dotes bailarinos, senhorita McGarden. – Gajeel voltara para perto da azulada, ficando a poucos passos de distância da mesma e lhe estendendo uma mão, levemente arcado para frente e com um braço nas costas.
— Não me responsabilizo por pisar no seu pé. – Levy rira brevemente, pegando a mão do moreno, que a colocara em seu ombro e enlaçara seus dedos na outra, pegando-a firmemente pela cintura.
— Duvido que isto aconteça comigo. – ao dizer tais palavras, a garota sentira ser erguida por breves segundos e logo seus pés se encontravam sobre os do homem.
— Você não existe. – sorrira, ternamente, selando seus lábios por um momento até começarem a flutuar pelo salão.
O dia do Redfox e da McGarden fora bem preenchido, precisaram ausentar-se do espaço por alguns minutos para almoçarem, e, ao voltarem, dançaram até suas pernas cansarem. Descansaram nos sofás da área da biblioteca, enquanto Levy lia – em voz alta – um livro em latim, por mais que Gajeel entendesse apenas algumas palavras ele não se importava.
Após saírem dos livros, o moreno convencera a azulada a arriscar-se nos instrumentos ali presentes e descobrira que, afinal, a garota sabia apenas uma música – infantil – no piano. Não tinha como provocá-la, era sua canção de ninar preferida. Pelo menos a partir daquele momento.
Logo o convite para o jantar fora feito e mais uma vez se ausentaram, desta vez, definitivamente naquele dia. Ao subirem, Levy mal teve tempo de despir-se que já estava sendo atacada por seu moreno, e, mais uma vez, naquela noite, se amaram e adormeceram juntos.
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