Satisfaction
12 Capítulo 11 - Egoistamente Reflexivo

Gajeel estava sendo egoísta.
Estava sendo extremamente egoísta e individualista, mas Levy certamente compreenderia de que a conversa que tiveram minutos atrás precisava ser digerida com calma. Não sabia como reagir ao saber que a mulher pela qual se apaixonara de forma tão inocente tivera sua pureza tirada por si próprio, num bordel de quinta categoria. Deveria estar extremamente bêbado para não lembrar-se, por outro lado já fazia dois anos desde o ocorrido.
Após parcos minutos esfregando-se a ponto de ficar com a pele vermelha, enxaguou-se e estava aproveitando a água – ainda quente – da banheira para absorver melhor as palavras da McGarden. Como que por magia, vislumbres daquela noite começaram a dançar em sua mente.
Flash Back ON
Garrafas de vinho barato sendo consumidas como água, fumaça de charutos fedidos e cigarros, músicos bêbados misturando acordeon com violoncelo, dançarinas no colo de vários homens de negócios e até mesmo de garotos saindo da puberdade. O local possuía algumas prostitutas, poucas “moças de família”, o que fez o moreno intrigar-se ao ver três garotas entrarem.
Não era o tipo padrão que o Phantom Lord costumava atrair, uma era loira, de seios fartos e roupas extremamente caras, obviamente pertencia à nobreza. A outra, de cabelos vermelhos, igualmente de seios grandes, vestia roupas um tanto masculinas, parecia ser conhecida do barman e de outros velhos frequentadores. De qualquer forma, não parecia uma simples plebeia.
Porém, o que chamara a atenção do boêmio Gajeel Redfox, não fora as duas moças de corpo escultural e aparência atraente, e sim a terceira garota que as acompanhava. Era baixinha, vestia roupas chiques que denominavam seu status social – uma aristocrata, e corria com os grandes olhos castanhos, curiosos, pelo local. Surpreendeu-se pelo tom azul-celeste de suas madeixas, de tamanho médio. O que uma garota como aquela fazia num ambiente tão degradante?
Flash Back OFF
Aquela breve lembrança fora o suficiente para o Redfox, que corara ao lembrar-se de alguns sons que a McGarden emitira naquela noite. Não conseguiu lembrar-se dos detalhes sórdidos, mas era quase certeza de que tinha lhe causado dor, e isso o fez se culpar ainda mais. Por outro lado, sentia que, de um jeito distorcido, havia sido “bom”.
Estava decidido, se enxugaria e pediria desculpas para Levy, cortaria todo e qualquer laço com a mesma, já lhe causara infortúnios suficientes para o tempo que se conheciam. Seria apenas seu tutor, agiria da forma mais profissional possível e colocaria uma pedra em seu passado e nos sentimentos que começara a nutrir pela azulada.
Parecia tão fácil em seu pensamento…
Ao deixar o banheiro, com os cabelos quase secos e apenas de ceroulas, encontrou Levy deitada em sua cama, encolhida e com sua camisola longa branca. Aproximando-se um pouco, percebeu que seu rosto estava um pouco molhado. Ela estava chorando? Pela incontável vez naquela noite, o moreno sentira-se culpado por ter causado sofrimento à McGarden mais nova.
Sentou-se na beirada da cama, com cuidado para não acordá-la, e começou a acariciar, timidamente, os cabelos azulados de sua nuca. Enquanto fazia o gesto de carinho, começara a pensar nos acontecimentos passados a este.
Será que ela o rejeitara à primeira estância no baile por lembrar-se dele naquela noite?
Será que só estava sendo cordial o tratando bem?
Suas respostas aos seus flertes eram, então, falsas?
O Redfox piscou várias vezes, como se tal ato o ajudasse a afastar tais questionamentos de sua mente. Não fazia sentido se tudo houvesse sido encenação, duvidava que a azulada era tão exímia atriz a ponto de falsear seus olhares. Ele podia sentir a afeição da garota por si somente através de seus olhos, afinal, levava muito a sério o ditado “os olhos são a janela da alma”.
Mal percebeu quando Levy acordara, assustando-se ao encontrar Gajeel ao seu lado e com os dedos enroscados nos cabelos de sua nuca. A azulada sentou-se e se afastou bruscamente do moreno, parecendo um gatinho arisco após receber maus tratos. De certa forma, ela não estava agindo daquela forma por ter remorso dele, apenas tinha medo de sua reação após a conversa que tiveram. Quando a azulada fizera a revelação, o homem simplesmente saíra a passos firmes em direção ao banheiro e batera a porta ao fechá-la.
— Gajeel… — podia sentir o receio em sua voz. Era ele quem devia estar amuado e receoso. Dirigindo-lhe somente um olhar terno, o Redfox acariciara a lateral do rosto da jovem McGarden, que permanecia com a expressão perplexa.
— Sinto muito por ter saído daquela forma. — o mesmo começou, virando-se de costas para a garota, sem encará-la mais. — Eu… Nem sei como me redimir, Levy. — confessou, com a voz embargada.
A azulada sentira extrema compaixão pelo moreno à sua frente. Não conseguia sentir raiva dele, ou sequer culpá-lo pelo ocorrido daquela noite. Ambos estavam bêbados, não fora um estupro, afinal, lembrava-se bem de não tê-lo impedido e de ele não a ter forçado.
O que a fez questionar-se de que, se tivesse sido outro homem, ela o teria impedido? A lembrança mais marcante era o jeito que Gajeel a pegara, com firmeza e força, causando alguns hematomas e lhe fazendo dar alguns gemidos de dor. Corara ao lembrar-se de ter sido vista parcialmente nua pelo homem à sua frente, mas logo balançou a cabeça, afastando tais lembranças. Não era momento para aquilo.
— Não sinta-se culpado, por favor. — Levy pedira, abraçando suas costas. — A culpa não é de ninguém aqui, lembre-se de que estávamos bêbados.
— Isto não muda o que eu fiz com você. — a voz de Gajeel ficara mais pesada. Parecia estar se segurando para não chorar, o que era estranho para um homem como ele.
— Por favor… Apenas esqueça o passado e viva o presente, aqui, comigo. — a McGarden dissera, apoiando sua cabeça nas costas do Redfox. — Acredito que as coisas não acontecem por acaso, estamos ligados há mais tempo do que pensávamos, então… Por favor, não se culpe.
Permaneceram naquela posição por alguns minutos, que pareceram horas. A azulada ajoelhada na cama, abraçando o moreno por trás, enquanto o mesmo afagava as pequenas mãos em seu peito. Admitia que ela estava certa, mas ainda assim não pôde deixar de sentir-se culpado. Por que é que complicava tanto as coisas?
— Você… Lembrava-se de mim quando nos encontramos no baile? — por fim, Gajeel fizera a pergunta crucial para aquele momento. Sentira a garota sorrir atrás de si.
— Para ser sincera, fui lembrar-me somente na madrugada de ontem. — aquela resposta deixara o Redfox extremamente aliviado. — Sempre que pensava em você, ou nas poucas vezes que nos encontramos, sentia que já te conhecia de outros tempos, apenas não sabia dizer como.
— Como pôde confiar tão cegamente em mim desde o começo? — o moreno questionou, virando-se para poder ver a expressão da McGarden e, assim, desfazendo o abraço. Ela possuía um olhar terno e o rosto rosado. Parecia feliz.
— Você me salvou de mim mesma. — Levy dissera, segurando o rosto de Gajeel com ambas as mãos. — Foi você, um “desconhecido”, que me mostrou que ali não era o fim da linha, que eu precisava viver mais coisas, que não podia agir de forma egoísta.
— Para ser sincero, sequer tive a intenção de lhe ensinar tantas coisas. — dissera com sarcasmo. Satisfez-se ao encontrar a azulada com a face emburrada, provocá-la era algo divertido.
— Não faça piadas quando estou falando sobre algo sério, faz-me parecer uma boba! — a garota cruzara os braços, irritada.
— Desculpe, baixinha. Suas expressões são interessantes, ainda mais quando fica brava. — Gajeel confessara, mantendo o sorriso provocativo no rosto. Ficara mais aliviado pelo clima entre eles ter-se atenuado.
— Unf, de qualquer forma – a mais nova retomara a palavra – você me mostrou algo que eu desconhecia até aquele dia em que você cuidou de mim, na minha casa.
Levy estava ainda de joelhos, em frente ao moreno, segurando um dos próprios braços e encarando um canto aleatório do quarto, visivelmente corada. O fato de ter-se interrompido subitamente deixara o Redfox curioso, fazendo-o questioná-la o que ele a havia ensinado a mais.
— Bem… Não faça menos de mim por estar sendo tão clara, não consigo ludibriá-lo com joguinhos amorosos. Confesso que estou sendo fácil, não temos tanto tempo de convivência assim, mas… — a hesitação no rosto da azulada era clara, mas o mais velho tinha suspeitas do que ela queria dizer, o que o fez segurá-la pelos braços e fazê-la encará-lo.
— Apenas diga. — procurou transmitir toda a confiança e segurança que podia pelo seu olhar.
— Eu… Estou apaixonada por você, Gajeel.
Levy mal teve tempo de reagir que já fora envolvida pelos braços fortes do Redfox num abraço apaixonado. A única certeza que tinha era de seus próprios sentimentos, mas sabia o quanto o rapaz era fechado sobre sentimentos e procurou a resposta em suas ações, dando um sorriso tímido ao achá-la.
— Eu ouvi direito? — ainda no abraço, o moreno perguntara, travesso.
— Ouviu sim, seu tolo. — a garota rira, afagando-lhe os longos cabelos.
Após se afastarem um pouco, porém ainda nos braços um do outro, Gajeel não pôde evitar de levar uma mão aos lábios pequenos e rosados dela.
— Posso… Fazer as coisas direito, desta vez? — perguntara, com seu tom sério, encarando os olhos castanhos da azulada, que, após corar violentamente com o que ouvira, sorrira.
— O que está esperando? — Levy provocara, com um tom malicioso que nem ela mesma sabia que tinha.
Recebendo uma provocação no lugar de um “sim”, o Redfox pressentia que teria uma longa noite junto da McGarden.
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