Sangue Winchester
6 Não quero morrer
Natale abriu os seus olhos lentamente, tinha a sensação de que tudo o que tinha acontecido naquela semana não passava de um sonho, mas aos poucos foi percebendo o teto mofado, as bregas cortinas entreabertas que permitiam a passagem da noite, a mesa com várias garrafas de cerveja vazias ou pela metade, e a respiração abafada de alguém que ainda dormia. Ela se sentou devagar tentando fazer o mínimo de barulho e viu Dean dormindo na cama ao lado e Sam deitado no sofá (ela não sabia se ele estava dormindo ou só quieto, mas torcia pela primeira opção), a garota se pôs de pé e foi caminhando de mancinho até a porta:
- A onde você vai? – Perguntou Sam quando ouviu o barulho das chaves.
- Não podem me manter presa aqui – Respondeu Natale tentando parecer séria.
- Você não está presa – Dean ainda sonolento também levantou – Só queremos conversar com você.
- Sobre o que? O porquê de vocês passarem as noites de plantão no meu prédio? Ou talvez o motivo de sempre estarem de olho em mim na escola? Ou até quem sabe, vocês possam me explicar por que me seqüestraram – Natale falava rápido e ficava se mexendo sem sair do lugar.
- Olha aqui, nós não te seqüestramos – Disse Dean sério apesar de achar graça naquela situação.
- Não – Ela foi sarcástica – Vocês apenas me privaram ilicitamente da minha liberdade, em um local que eu não posso livremente sair.
Os dois ficaram olhando para ela confusos:
- Pra quem não sabe – A garota riu — Essa é a definição de seqüestro.
Sam tirou a chave da fechadura e guardou no bolso da calça. Natale aumentou o tom de voz:
- Me soltem!
- Fala baixo – Dean se aproximou – Alguém vai te ouvir.
- Essa é a pior coisa que você poderia ter dito – Ela gritou – Socorro...
Samuel tapou a boca da garota com a mão e quando ela ficou quieta ele a pôs sentada no sofá:
- De onde você veio? – O tom de voz da garota voltou a ser baixo, e agora ela tremia.
- O que eles têm pra te falar é muito importante. – O Arcanjo mantinha os olhos fixos nos dela — Então só escuta.
Natale ficou em silêncio e olhou para Sam:
- Escuta Natale – Gaguejou Sam – É que os seus pais... Eles não são bem... Quero dizer, você é...
- Adotada? – Ela interrompeu – Eu sei disso. Mas o que vocês têm a ver?
- É que a sua mãe de sangue – Dean tomou a palavra – Foi minha namorada quando a gente tava no colégio, mas só agora eu descobri o que aconteceu depois que eu saí da cidade.
Natale respirou fundo e pela primeira vez ficou realmente séria, ela se levantou e encostou na parede:
- Mais alguma coisa?
- Espera – Disse Dean assustado – Você tá numa boa?
- Claro que não – Ela suspirou – Mas o que vocês estavam esperando? Que eu começasse a chorar e te chamasse de papai? Pra mim você é só um estrando... E por mais legal que seja isso que você está tentando fazer Will...
- Dean. Meu nome de verdade é Dean e esse é o meu irmão Sam.
- Então tá Dean. Você parece ser um cara bem legal, mas eu não vou brincar de casinha com vocês.
Natale foi andando em direção à porta na esperança de que Sam liberasse a chave:
- Você pode morrer – Disse Samuel ao ver que os Winchesters não iam se manifestar – Essa marca nas suas costas...
- Como você sabe? – A garota congelou.
Tudo o que Samuel fazia ou dizia dava um arrepio em Natale, e agora ele lhe contara toda a história de Isabel.
- Isso é brincadeira não é? – Natale riu com a ideia de uma piada, mas ao ver que era sério, uma lágrima escorreu pelo seu rosto – Eu quero ir pra casa.
* * *
Diário da Natale
São 5h da manhã e eu acabei de voltar da noite mais perturbadora da minha vida... O que eu mais quero agora é acordar desse pesadelo horrível no qual eu me meti.
Liguei pra minha mãe umas quinze vezes, mas ela não atende, fiz o mesmo com o meu pai que também não respondeu. Eu não paro de chorar... Não quero acreditar... Não quero morrer.
As horas foram passando e eu ficava andando de um lado para o outro pensando em tudo o que aquele “Arcanjo” tinha me dito, e considerei a ideia de ser verdade. Mas então bruxas, anjos, demônios e todo o resto eram mesmo reais? Fiquei algum tempo frente ao espelho tentando ver a cicatriz em forma de 4 nas minhas costas, ela nunca tinha feito tanto sentido antes.
Por mais que eu me recusasse a aceitar, eu precisava falar com Wi... Dean e o irmão dele.
* * *
A garota bateu na porta do quarto de motel em que Sam e Dean estavam hospedados e Dean pediu que ela entrasse. Natale se sentou no sofá e ficou observando enquanto Sam se perdia em seu computador e Dean pegava uma garrafa de cerveja na geladeira, ela riu ao se ver naquela situação tão estranha:
- Você até que é uma garota bem durona, não é mesmo? – Dean se sentou ao lado da filha.
- É que a ficha não caiu ainda. – Respondeu Natale com um meio sorriso.
Eles fizeram uma pausa e depois a garota perguntou:
- O que pretendem fazer amanhã?
- Não sabemos o que vai acontecer exatamente – Dean ficou com o olhar vago.
- E se... – Ela foi interrompida por uma dor terrível que vinha da marca em suas costas.
Natale caiu no chão e Dean não sabia o que fazer, Sam levantou da cadeira em que estava e correu até eles. Quando a dor passou Dean perguntou:
- Isso sempre acontece?
- Não – Respondeu a garota ainda se recuperando – Acho que é só quando some uma das garotas.
- Então chegou à 16 – Sussurrou Sam, mas foi ouvido.
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