- É melhor irmos falar com o Bobby – Disse Dean.

- E deixar a Natale sozinha? – Perguntou Sam.

- Eu posso ir com vocês – A menina se pôs entre os dois.

- E a escola? – Dean riu.

- Que se exploda a escola – Natale riu de volta.

- Você nem sabe pra onde a gente vai – Ele retrucou.

- Não me importo – Ela encerrou a conversa e Dean riu com a situação.

Sam guardou o computador e foi andando em direção a porta e falando:

- Se quisermos chegar hoje é melhor irmos logo.

Eles entraram no Impala e passaram no prédio da Natale para que ela pegasse qualquer coisa que precisasse antes que eles tomassem a estrada rumo à casa do Bobby. A garota estava quieta no banco de trás olhando pela janela:

- Os seus pais não vão sentir a sua falta? – Perguntou Sam.

- Meus pais estão viajando – Respondeu a garota – Eles estão sempre viajando em uma conferência, ou em férias não planejadas. Nem sei quando foi a última vez que eles passaram mais de uma semana em casa.

- Sei como é – Sussurrou Sam para si mesmo.

- E esse tal de Bobby, quem é?

- Ele era amigo do nosso pai – Respondeu Dean – Ajudou a nos criar.

- E o seu pai, cadê? – Ela perguntou inocentemente.

- Ele era caçador. – Respondeu Dean ficando sério.

Percebendo que tocou em um assunto delicado, Natale voltou a olhar pela janela:

- E o Bobby pode mesmo ajudar?

- Não sabemos – Disse Sam – mas de qualquer forma a casa dele é mais segura do que aquele motel.

Todos voltaram a fazer silêncio por um tempo. Após algumas horas na estrada, Natale já se sentia completamente entediada, então começou a remexer as coisas dentro do carro:

- O que você tá fazendo? – Perguntou Dean tentando olhar para a garota ao mesmo tempo que não tirava os olhos da estrada.

- Só tô fuxicando um pouco.

- Fuxi oque?

- Nada – Ela riu.

Ficou mais uns minutos quieta e depois começou de novo:

- Há quanto tempo vocês fazem isso?

- Isso o que? – perguntou Dean.

- Caçar – Ela se ajeitou no banco – Há quanto tempo caçam?

- Praticamente a vida inteira – Respondeu Dean.

- E como entraram nisso?

- Assim como você – Dean estava pensativo – Nós entramos nessa vida antes mesmo de começar a viver.

Por um instante veio à mente da garota a história que lhe tinham contado no motel:

- Aquele homem... Samuel...

- O que tem? – Perguntou Sam olhando para o rosto triste dela.

- Eu tenho medo dele.

- Os anjos conseguem dar medo as vezes – Dean tentou animar a filha.

- Mas ele... Parece que quer o meu bem, mas... Talvez eu não devesse me sentir assim.

- É que é tudo muito novo – Sam sorriu pra ela – Vai ver que você melhora.

Eles chegaram na casa de Bobby que desavisado recebeu os rapazes com um puxão de orelha:

- Quase cinco dias e vocês não dão notícia. Eu também quero saber se o que o Arcanjo disse era verdade ou só queria mexer com a cabeça vazia de vocês...

Ele foi interrompido por Dean que apontava para o banco de trás. Natale saiu do carro completamente tímida e insegura, ela que tinha aguentado firme até agora, sentia que tudo se tornava cada vez mais real.

Bobby, sem jeito, cumprimentou a garota e mandou que todos entrassem. Sam e Natale se sentaram no sofá enquanto Dean encostava na parede e Bobby ficava om pé frente a todos, os Winchesters contaram a história das garotas e o deixaram pensativo:

- O que acha que pode ser? – Perguntou Sam.

- Eu não tenho ideia. – Respondeu Bobby voltando a si.

Eles fizeram uma breve pausa que foi interrompida por um ronco abafado e todos olharam para Natale que pôs a mão na barriga:

- Dá um tempo gente – Ela choramingou – Eu não como nada dês de o café da manhã... DE ONTEM.

Sam riu e acompanhou a sobrinha até a cozinha deixando Dean e Bobby voltarem à conversa. Ela fez um sanduíche com qualquer coisa que encontrou na dispensa e atacou, não importava o que estava comendo, e sim que ESTAVA COMENDO. Sam ficou olhando a menina devorar aquele “mc qualquer coisa” e achava muita graça do que estava acontecendo:

- Sei que você não gosta de pensar assim, mas as vezes você lembra um pouco o meu irmão.

- Desculpa se fui grossa mais cedo, é que foi um choque de 220. – Ela falou parando de comer por um instante e logo recomeçando.

- Tudo bem – Ele continuou – Acho que no seu lugar eu ia reagir do mesmo jeito ou até pior.

A garota terminou de comer, bebeu um copo grande de água e os dois voltaram para a sala. Dean e Bobby não estavam lá, então eles começaram a procurar pela casa inteira, mas nada. Sam ligou para Dean.

Sam: — Cara, a onde você tá?

Dean: — Desculpa Sammy, a xerife ligou pro Bobby e disse que que tinha uma pessoa na delegacia que não parava de falar da gente.

Sam: — E vocês não podiam ter avisado?

Dean: — Vocês iam vir atrás da gente, o que eu podia fazer?

Sam: — Tá. Viu quem é a pessoa?

Dean: — Você não vai acreditar. É uma das garotas Sammy.

Sam: — E como é que ela tá?

Dean: — Estranha, gelada, não fala coisa com coisa... Eu tô ficando preocupado. Você tá de olho na Natale?

Sam: — Claro, ela tá bem aqui...

Sam olhou ao redor e não encontrou a garota.

Dean: — Oque que aconteceu?

Sam: — Nada... Eu te ligo depois.

Ele correu a casa toda gritando o nome dela, procurou também na garagem e no quintal, já estava ficando desesperado quando:

- Eu tô aqui.

Ele desceu as escadas do porão quase que em um pulo só:

- Têm ideia do susto que me deu? – Sam estava recuperando ar.

- Desculpe, mas... O que é isso?

- É o quarto do pânico – Ele respondeu caminhando até ela – É isolado de tudo, monstros, anjos, demônios, etc.

- Acho que eu deveria viver a minha vida em um desses então, não é? – Ela se virou para Sam, mas estava de cabeça baixa.

- Não faria o menor sentido lutar pra viver assim. – Respondeu Sam levantando o rosto dela para que olhasse nos olhos dele.