Esse momento doce foi interrompido por batidas que vinham de dentro do quarto do pânico:

- Tem alguma coisa ali dentro. – Disse a garota.

- Esquece Natale, se tá ai dentro não é pra sair.

- Mas eu quero saber. – Disse ela abrindo a porta.

Uma sombra rápida passou direto pela garota e pulou em cima de Sam que ao ser jogado com tanta força contra a parede, caiu no chão inconsciente:

- Acorda Sammy.

- Dean, o que aconteceu? – Perguntou Sam desorientado.

- É o que queremos saber – Respondeu Dean ajudando o irmão a se levantar – Cadê a Natale?

- Eu não sei – Sam se esforçou para lembrar o que tinha acontecido – Ela tinha achado o quarto do pânico e agente estava conversando... Ela ouviu umas batidas e abriu a porta... Foi aí que alguma coisa pulou em mim. É tudo.

- Droga! – Dean chutou a escada.

Sam viu um fio de claridade vir da casa e perguntou:

- Não deveria estar escuro?

- Cara, são 9h da manhã de sábado – Respondeu Dean mal humorado.

- Mas então... Espera – Sam foi ligando os pontos – Vocês só chegaram agora?

- Estávamos saindo da delegacia quando a garota começou a gritar – Era a vez de Bobby se lembrar da noite passada – Fomos ver o que ela tinha, e a garota pulou em cima de nós.

- Garotas normais não apagariam homens do nosso tamanho com tanta facilidade. – Sam pensou em voz alta.

- Ela não era humana Sammy – Rosnou Dean – Aquela coisa não tava nem viva.

Bobby foi ver o quarto do pânico para tentar entender como a criatura entrou, enquanto Dean foi buscar qualquer pista no quintal e Sam ficava tentando ligar para o celular da Natale, depois de algum tempo eles se reuniram na sala:

- Alguma coisa? – Perguntou Dean.

- O quarto está intacto. – Respondeu Bobby.

- O celular só dá fora de área. – Disse Sam guardando o telefone.

- E não tem nada no quintal – Disse Dean inconformado – Como é que uma coisa dessas entra sem ser notado, apaga um armário do tamanho do Sammy, e some com uma adolescente sem deixar rastro?

* * *

Diário da Natale

Eu sou muito burra, deveria ter ouvido o Sam e ficado longe daquele quarto. E o pior é que depois de apagar o Sam, aquela garota estranha me apagou também, agora eu estou em um lugar escuro e apertado que tem cheiro de carne em decomposição. Espero errar, mas acho que estou enterrada VIVA.

* * *

Depois de um instante de silêncio perturbador, Dean começou a gritar:

- Samuel, cadê você agora? Cadê a Natale? Pra que serve ter um ARCANJO da guarda se ele não pode nem trazer uma adolescente de volta?

- Quando se trata do 4, eu não consigo chegar perto dela – Respondeu Samuel aparecendo atrás de Dean – São as regras "Não posso impedir que se cumpra".

-Tá, e por que não vai atrás dela agora? – Perguntou Dean respirando fundo.

- Eu não sei a onde ela está — Respondeu o Arcanjo.

Dean suspirou decepcionado e se sentou no sofá lentamente:

- Você não deveria ter algum tipo de sexto sentido de anjo da guarda pra sempre saber a onde ela está? – Dean falou baixo e pensativo.

- Não é assim que funciona. – Samuel respondeu e sumiu.

Eles ficaram em silêncio por um tempo que pareceu a eternidade:

- Isso é loucura – Bobby se levantou – Olhem pra vocês... Duas crianças perdidas no supermercado. Botem as cabeças pra funcionar, a maldição é de Isabel... Pra onde a Natale pode ter sido levada?

- Talvez a tenham levado para a onde a Isabel foi enterrada – Sugeriu Sam – Podemos descobrir a onde é falando com a família dela.

- Se eles ainda morarem no mesmo lugar – Respondeu Dean – São pelo menos 7h de viagem Sam, sem falar no tempo pra chegar na tumba.

- Então é melhor irem rápido – Disse Bobby – Porque ela faz 16 anos hoje e alguma coisa me diz que vocês só têm até a meia-noite.

Ainda em choque Dean pegou o carro, Sam foi correndo atrás do irmão, e os dois partiram atrás da família de Isabel.

O sol já quase se punha quando eles pararam em frente à antiga casa da mãe de Natale, eles se apresentaram como repórteres, que estavam fazendo uma matéria sobre casos não resolvidos da polícia local:

- De novo, – Disse Sam para a mãe de Isabel – Sentimos muito pela sua perda.

- Não deveríamos ter sido tão duros com ela – A mulher chorava – Depois de tanto tempo... Ainda sinto a culpa.

- É, sei – Disse Dean olhando o relógio e vendo que já iam dar 8h da noite – Mas olha, seria muito bom se a senhora dissesse logo a onde ela foi enterrada.

A mulher assoou o nariz e respondeu confusa:

- Mas ela foi cremada.

Dean atravessou a porta como um foguete e Sam correu atrás dele:

- Foi perda de tempo Sam – Rosnou o mais velho – Não fazemos ideia de onde ela está, e já é noite.

Ele entrou no carro e bateu a porta com força, Sam também entrou no carro e ficou em silêncio enquanto o irmão se acalmava. O Impala começou a se mover devagar enquanto os dois permaneciam quietos, mas de repente uma ideia veio a Sam como um estalo:

- E se ela não estiver a onde Isabel foi enterrada, e sim a onde morreu?

- O cemitério da cidade. – Disse Dean virando o carro bruscamente.

Eles pararam em frente aos portões do cemitério, pegaram suas armas e entraram, tudo parecia normal e isso incomodava Dean:

- E se não conseguirmos Sam? E se ela acabar morrendo?

- Não pensa nisso – Respondeu Sam desviando de alguns túmulos – Vai dar tudo certo.

- Eu tô preocupado. – Confessou Dean.

- Ei, você não era o durão?

- Silêncio. – Disse Dean.

- Eu só tô tentando...

- Escuta. – Mandou

Eles fizeram silêncio e ouviram uma respiração pesada se aproximar, então se esconderam atrás de algumas lápides, viram duas das garotas desaparecidas se aproximarem, elas se arrastavam de forma estranha e faziam barulhos:

- Se não conhecesse, diria que são zumbis – Disse Dean — Mas são outra coisa.

- E como se mata ESSE tipo de coisa? – Perguntou Sam.

Ele ou viu um estrondo e algo atingiu a cabeça de uma das criaturas que caiu no chão:

- Você atirou nela?! – Gritou Sam para o irmão.

- Deu certo não é? – Respondeu Dean mirando a outra garota.

Sam se pôs de pé e engatilhou a arma, os dois seguiram pelo cemitério até chegarem a um lugar a onde encontraram as outras garotas espalhadas entre vários túmulos, algumas os atacaram e eles fizeram o máximo pra se defender:

- Os túmulos estão marcados – Disse Samuel aparecendo para eles – Precisam encontra-la sozinhos.

- Seria mais fácil sem essas coisas. – Disse Dean desviando dos ataques.

- Fechem os olhos – Disse Samuel que foi imediatamente obedecido.

Um clarão iluminou o cemitério e quando Sam e Dean voltaram a olhar estavam sozinhos. Correram entre os túmulos chamando por Natale, mas não obtiveram resposta, eles continuaram a rodar tudo atrás dela por horas:

- 11 e meia Dean. – Alertou Sam.

Dean parou desolado:

- Eu nem a conheço e já a perdi Sam – Ele pôs as mãos na cabeça – É a minha filha.

Sam respirou fundo e Dean Gritou com todas as suas forças:

- Nataleeee!

* * *

Diário da Natale

Eu estava sem voz de ter gritado o dia inteiro por socorro, mas quando ouvi Dean me chamar me desesperei pra fazer sinal, então tive uma ideia, coloquei o meu Ipod pra tocar no volume máximo e rezei pra que funcionasse.

* * *

Já perdendo as esperanças Dean fez silêncio, e foi quando ouviu tocar bem baixinho “Call me maybe”:

- Tá ouvido isso Sammy?

- Tô sim Dean.

- De onde vem?

Eles encontraram o túmulo de onde vinha a música e se apressaram em achar uma pá, cavaram com toda a energia que tinham e quando alcançaram o caixão:

— 11 e 58 Dean, rápido!

Eles quebraram a fechadura e era exatamente meia-noite quando Natale pulou do caixão e abraçou Dean assustada:

- Eu achei mesmo que fosse morrer. – Disse a garota ainda agarrada ao pai enquanto eles voltavam para o carro.

- Eu não iria deixar isso acontecer. – Sussurrou Dean.

Ela se soltou e se afastou alguns passos perguntando:

- O que vai acontecer agora?

- Não tem como prever – Disse Sam – Mas não se preocupa. Não importa o que aconteça, você sempre vai ser Natale...

- Winchester – Interrompeu a garota – Natale Winchester. É quem eu sou.

Ela se sentou no banco de trás do Impala enquanto Sam e Dean também entravam.

Notas finais
Se pensaram que acabou estão muito enganados, o 4 ainda nos dá um ano. Então eu declaro a temporada de caça à Natale oficialmente aberta...