Sangue Rebelde
15 Protegida
Notas iniciais
Donna pegou um velho cinto de Thomas e colocou na cintura do vestido, depois prendendo uma espada nele. Ajeitou a capa mais uma vez antes de sair. Quando passou pela soleira, o frio a atingiu novamente. Nevava levemente. Ela tentou afastar a lembrança do bar da noite anterior, e o que disse a Evan, a respeito do beijo. Não fora mentira. Nem em partes. O que a deixava nervosa era saber que ele talvez estivesse correspondendo, e isso só a confundia a respeito de seus sentimentos. Estava evitando pensar nele. A única coisa que sabia era que logo estaria Completa, e não haveria mais bondade em si.
Assim será melhor, pensou. Meu verdadeiro eu exposto.
Cobriu o rosto com o capuz e partiu em direção ao castelo, em passos calmos. Estava de madrugada, quase amanhecendo. Por sorte, naquela área o sol não chegava perto. Ela caminhava de modo calmo, sem pressa. O sol não a machucaria ali. E, além disso, estava se sentindo livre pelo o que havia falado a Evan.
Ótimo, pensou. Agora ele está novamente na minha mente!
Tentou pensar em outra coisa. Pensou em Zoe reclamando da falta de classe do nome, em Morgan provocando Octavio.
Bem melhor.
Voltou a caminhar, com a mente vazia. Então de repente, ouviu gritos familiares.
– Donna! – Era desesperador. A voz era familiar, doce aos ouvidos.
Donna estacou.
– Morgan? – sussurrou para si.
Donna não esperou. Correu em direção a fonte, gritando de volta.
– Morgan! – gritava. Estava desesperada.
– Donna! – Era outra, dessa vez. A de Zoe. – Socorro!
Ela apertou o passo. Os gritos foram se aproximando cada vez mais, até que chegou ao lugar certo.
Brianna, Jasley e Paige estavam parados, as garotas presas no chão pelas garras de Paige, que estava se transformando. Havia uma cicatriz forte em seu rosto. Jasley estava com os olhos amarelos, assim como Paige. Brianna tinha um sorriso sádico no rosto. Donna tentou se aproximar, mas Brianna levantou a mão.
– Mais um passo, maninha, e elas morrem com uma garra enfiada na garganta.
– O que você quer, afinal? – Donna rosnou.
– Um pouco de diversão, apenas isso. – Riu. — Você fica muito estressadinha com qualquer coisa.
– Isso não é qualquer coisa. – Donna pôs a mão no cabo da espada. Brianna aumentou o sorriso.
– Eu não faria isso se fosse você. – Apontou para a espada e estalou para Paige, que apertou ainda mais as garras ao redor do pescoço de Morgan e Zoe. Jasley cruzou os braços.
– Isso é, em parte, pelo meu irmão – disse ele. – Sua vaca partidora de corações.
Uma adaga, lançada por Donna, atingiu a barriga de Jasley. Paige apertou as garras ainda mais. Donna avançou com a espada no alto.
– Solte-as!
Brianna se pôs na frente, também com uma espada. Donna a jogou no chão e avançou.
– Sua imunda! – Estapeou e arranhou. – Não vai se defender?
Jasley, já sem a faca, pegou os braços de Donna, e os prendeu por trás. Brianna pegou as duas espadas, e sorriu sadicamente. Um filete de sangue escorria de sua boca.
– Você é uma idiota mesmo – disse Donna. – não consegue se livrar de mim sozinha? Precisa de ajuda para isso? Fracassada...
Brianna desferiu um soco no olho de Donna.
– Obrigada pela espada, maninha. É isso que eu precisava.
Paige soltou Zoe e Morgan, jogando-as no chão. Brianna puxou Zoe pelo cabelo e socou sua boca.
– Isso, Donna – começou a loira. – é tudo culpa sua, diga-se se passagem. Você vai pagar por esses tapas e pelos outros, e pelos problemas que causou.
– Vad... – Donna não teve como concluir, porque Paige chutou seu estômago.
Brianna riu. Paige levantou a cabeça de Donna pelo cabelo para forçá-la a olhar para Brianna.
Então, com o mesmo sorriso sádico de sempre, Brianna enfiou a espada no coração de Zoe. Donna gritou. Morgan chorou. O sangue se espalhou pelo vestido novo de Zoe, e ela caiu no chão.
– Próxima. – disse Brianna, se encaminhando até Morgan. Paige segurou-a pelo cabelo.
– Não! – gritou Donna, mas era tarde demais. Brianna enfiou a outra espada no coração de Morgan, e a jogou para trás. Jasley e Paige soltaram Donna, que caiu imóvel. Havia lágrimas em seus olhos. Brianna a chutou, e lhe socou o rosto.
– Isso é para você aprender que não se deve se relacionar com Evan! – disse, alterada. – Ele é meu, vaca!
Dito isso, os três se afastaram, e quando Donna piscou os olhos, os corpos de Morgan e Zoe não estavam mais lá.
–♥-
Donna se levantou, cambaleando, limpou as lágrimas. Olhou em volta, e nem sinal deles. Começou a andar de volta para a casa da árvore, onde poderia ficar deprimida sem ninguém ver. A floresta estava incrivelmente quieta. O único som provinha das folhas sendo quebradas conforme ia andando. Donna estava ficando tonta. Não sabia se fora da surra – já não tinha mais cicatrizes porque se curava rápido – ou da própria dor interna.
Começou a andar mais rápido, cambaleando.
Eu poderia tê-las salvo.
Folhas começaram a se quebrar, e ela nem percebeu que não era mais ela o fazendo.
É tudo culpa minha.
Um cavalo parou bem em cima dela, jogando a no chão pela surpresa.
– Donna?
Donna levantou o olhar. Evan estava descendo do cavalo, o mesmo casaco preto da noite anterior. Estava ainda mais lindo do que na noite anterior, mesmo com os machucados – vários arranhões, um olho roxo e um corte na boca. Os olhos estavam imensos novamente, e o cabelo desarrumado, caindo nos olhos. Os dedos dela coçaram para tirá-los da testa. Ele agachou-se perto de Donna e pôs uma mão em sua nuca, e a outra usou para tirar algumas folhas de seu cabelo. Acariciou seu rosto por final, onde as lágrimas haviam estado há alguns minutos.
– Você está bem?
Donna se levantou e se afastou, cobrindo o rosto com as mãos. Não queria em hipótese alguma que Evan a visse chorar. Não queria parecer fraca na frente do garoto que queria impressionar. Evan não disse nada. Apenas passou os braços ao redor dela fortemente.
– O que aconteceu? – ele sussurrou.
Ela levantou a cabeça para olhá-lo.
– Noturnos. – disse. – Minhas duas primas que eu amava.
Ele a apertou mais.
– Vai ficar tudo bem. – sussurrou.
– Não – disse ela, mais alterada. Levantou-se bruscamente e afastou Evan. – Não vai ficar tudo bem!
– Donna...
– Foi culpa minha! – Ela estava chorando. – Eu podia tê-las salvado, sabe disso?
Chutou uma árvore e escondeu o rosto nas mãos. Evan foi atrás e segurou seus pulsos.
– Porque não tira as mãos do rosto e me deixa ver-te? – perguntou. Lutou contra o impulso e colocar os braços ao redor dela e dizer que tudo ia ficar bem.
Ela se afastou e se virou de costas. As mãos agora se encontravam cerradas ao lado do corpo agora.
– Não quero que me veja chorar. – resmungou.
– Bem, eu sou péssimo em fazer o que querem que eu faça. – Evan se aproximou dela e a abraçou. Ela enlaçou a cintura dele enquanto ele limpava suas lágrimas.
– Eles vão vir atrás de mim – disse ela. – E vão te matar se você estiver junto.
– Se você queria se livrar de mim – começou ele. – era só ter falado.
– Ótimo – disse provocante, e tirou os braços dele de volta dela. – Isso vai ser bem útil para mim.
Ele sorriu.
– Tome. – Tirou algo de dentro do casaco. Era um colar de prata, com um pingente de coração. Segurou entre os dedos. – É para você. Para te proteger.
Donna abriu a boca, mas som nenhum saiu. Em vez disso, virou-se de costas e colocou o cabelo para frente. A prata fria encontrou sua pele, e logo depois as mãos quentes de Evan. Seu coração disparou. Ele prendeu o colar, e antes que ela se virasse Evan a segurou pelos ombros e beijou seu ombro, subindo pelo pescoço, seguindo até a mandíbula e parando na orelha. As mãos foram dos ombros até a cintura, onde certamente deixariam as marcas dos dedos graças ao aperto.
Ela virou-se, ficando de frente para ele. Seu rosto estava vermelho. Ele ia falar algo, mas ela o parou, colocando um dedo nos lábios dele. Uma mão se entrelaçou na dele. Os corações de ambos estavam a toda velocidade. A mão de Donna tremia. Com a outra mão, ela segurou o colarinho de seu casaco e o beijou.
As mãos de Evan repousaram suaves nos cotovelos de Donna. Ele se inclinou para frente, até que ela estivesse contra a árvore e não houvesse milímetro de distância entre os dois. Ele certamente queria aquilo mais do que tudo, pela gentileza e ternura com que a beijava.
Donna colocou as mãos na nuca dele. Era como na noite de duas semanas atrás, mas dessa vez ela não estava tão surpresa como antes. Porém, aquela sensação estava de volta. De estar viva. Um calor inexplicável, ela podia sentir o sangue pulsando nas veias. E se sentia incrivelmente bem, de alguma forma. Os lábios de Evan eram macios, e ela ansiava por mais.
Evan colocou os braços ao redor da cintura de Donna com força. Uma das mãos dele foi até seu rosto e o acariciou, fazendo os contornos da face de Donna. Depois, foi até o cabelo dela, entrelaçando os dedos nos fios negros. Ela separou seus lábios em busca de ar, olhando nos olhos de Evan. Eram como esmeraldas. Estavam repletos de ternura. Ele sorriu fraco, e depois tomou os lábios dela novamente.
Algo penetrou os ouvidos de Donna, graças a sua audição aguçada. Folhas e galhos sendo quebrados. Alguém estava chegando. Ela se separou de Evan no mesmo instante.
– O que... – começou ele, mas ela o parou colocando um dedo em seu lábio.
– Estão chegando – sussurrou ela. Evan se virou e se deparou com a ausência de seu corcel. A essa altura, ele também conseguia ouvir os Noturnos. Sem pensar duas vezes, os dois começaram a correr.
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