Sangue Rebelde
6 Herói
Notas iniciais
O que acharam do nome do capítulo? Quem ai vai adivinhar QUEM é o herói? E a donzela (ou donzelo) em perigo? Só lendo para saber ^-^
Boa leitura *---*
Por trás das cortinas negras do seu quarto, Donna espiava a chegava dos visitantes a sua casa. Uma carruagem marrom, cheia de detalhes dourados e com o nome Wolff gravado na parte da frente estava parada em frente ao castelo. Dois homens saíram da carruagem, os dois tinham cabelos castanhos e olhos dessa mesma cor. A única diferença era que um tinha rugas e era mais velho, o outro não. Logo depois, um garoto extremamente parecido com Matthew saiu. A única coisa que o diferia do amigo da vampira era a cor dos cabelos, que eram negros ao invés de castanhos.
Jayden.
Logo depois, uma garota loira de pele morena e olhos castanhos saiu, com um vestido que parecia ter sido feito da cortina velha da casa na árvore. A namorada de Jayden. Depois que o projeto de garota saiu, a carruagem foi embora. Matthew não havia ido.
Cansada, se jogou na cama e fechou os olhos. Dois dias com intrusos em sua casa não seria fácil. O jeito era trancafiar-se naquela torre e não sair tão cedo, pelo menos não naquele fim de semana. Olhou para o dossel de seda negra de sua cama. Ela precisava sair daquele quarto. Tinha que pelo menos ver quem ousou em entrar nos seus domínios. Então se levantou rapidamente, pegou sua capa e desceu apressadamente as escadas, quase tropeçando em seu vestido azul de plebéia.
Logo chegou às escadas que davam para o vestíbulo. Avistou os convidados Wolff, junto de seus pais, seu avô e Octavio. Emma provavelmente estaria em seu quarto. Torceu o nariz. Com exceção de Matthew, Kevin e Thomas, todos os lobos eram para ela repugnantes. Desceu lentamente os degraus, pisando forte para que todos percebessem sua presença ali. Os olhares de voltaram para ela em questão de segundos quando parou no último degrau. Ela levantou o queixo e manteve a pose.
– Esta é Donna, minha filha – Seu pai a apresentou. – Gêmea de Emma, que ainda não foi apresentada.
Donna sorriu e balançou a cabeça em cumprimento.
– Filha, tem algo a dizer? – Sua mãe perguntou, aparentando estar mais calma.
– Claro – Donna terminou de descer os degraus. — Bem, primeiramente, é uma idiotice apresentar nossa família aos lobinhos, porque nunca mais nos veremos. A divisa estúpida de territórios, a senhora se recorda?
– Donna! – Sua mãe lhe chamou a atenção.
– E quer saber? Essa reunião é uma bestice. – Ela se virou para os Wolff. — Por favor, cada um cuida do seu cantinho e nada acontece! Tem que invadir minha casa desse jeito?
– Deus, que audácia de sua filha! – A namorada e Jayden exclamou.
– Quietinha, projeto de garota. – Donna se virou para os pais. – Bem, mãe, eu tenho que ir agora. Estou com pressa. E não se esqueça de pedir a Margareth para limpar os pelos que cairão pela casa, tá? – Ela fez uma reverência estúpida e sarcástica e saiu do castelo se cobrindo com a capa.
–♥-
Como de costume, o estábulo estava quieto e vazio, apenas com os cavalos e seu rinchar. Foi até onde estava Brieta, sua égua negra, e a afagou. Brieta rinchou e Donna se preparou para montar. Montou e ajeitou a capa, e depois ela e Brieta partiram em direção a floresta. Ela queria se refugiar e esquecer-se do mundo. Ficar fora pelo menos pelos Dias Trevosos, a grande reunião onde as três famílias mais influentes de Wonder Hill, em seus respectivos territórios, discutiam sobre o reino. Donna achava isso uma idiotice. Colocar lobos, vampiros e humanos em um castelo por dois dias? Eles estavam querendo uma guerra!
Em pouco tempo, ela já havia atravessado a cidade a toda velocidade e chegou à floresta. A brisa soprava suave em seus cachos negros, fazendo sua capa e seu cabelo esvoaçarem. Ela sorria enquanto tentava domar Brieta, que, por causa dela, estava acostumada com velocidade. Primeiramente, seu plano era ir até a casa da árvore, mas outra ideia aflorou em sua mente. Havia um lugar que ficava distante dos limites de Wonder Hill que Donna adorava. Ela havia o descoberto quando se perdeu na floresta aos treze anos, desde então ia ali quando queria esfriar a cabeça, nos momentos em que nem os garotos conseguiam a fazer ficar bem.
Mas um ruído desconhecido fez com que ela parasse, puxando as rédeas. Trotes, muitos trotes. Eram tropas, vindas do território humano, provavelmente trazendo os Harris até o território vampiresco para os Dias Trevosos. Donna bufou e começou a cavalgar novamente, ou pelo menos tentou. Brieta estava assustada. Donna desceu e Brieta foi correndo de volta para casa. Pôs as mãos na cintura e assoprou uma mecha de cabelo que caia sobre o lado direito de seu rosto, impedindo sua visão. Tinha como aquele dia ficar pior?
As tropas se aproximaram ainda mais, parecendo ir diretamente para cima dela. Ela pegou a faca, tentando se defender, e correu para longe. Quanto mais ela corria, mais parecia que os cavalheiros se multiplicavam cada vez mais. Os Harris precisavam mesmo de tanta proteção assim? Ela correu para mais longe, então algo tocou sua costela por trás e ela se virou, sendo puxada pelo braço para cima de um cavalo tão negro quanto sua capa. A floresta estava extremamente escura como de costume, fazendo com que ela não conseguisse ver quem estava em cima do cavalo, mas ainda sim sabia que não era nenhum cavalheiro dos seus pais. Com sua agilidade, subiu rapidamente no cavalo, desviando-se das tropas e tentando ver quem estava acima do cavalo. O corcel começou a cavalgar passando por entre as tropas, e Donna pôde ver graças a pouca luz presente que era um garoto. Ela pôs a mão no ombro do garoto e se inclinou para ver seu rosto.
– Acho que não nos apresentamos devidamente – Olhos verdes e brilhantes, cabelo negro que cai nos olhos, ele virou a cabeça para encará-la, com um lindo sorriso no rosto. – Eu sou Evan.
–♥-
Depois que o garoto chamado Evan desceu, foi à vez de Donna sair do cavalo, ainda estranhando a situação. Eles estavam no tal refúgio de Donna, as ruínas do que parecia ser um antigo templo, castelo ou coisa assim. Era afastado demais de qualquer parte de qualquer dos três territórios de Wonder Hill, só havia destroços e mais destroços ali, pedregulhos e mais pedregulhos, mas Donna amava aquele lugar. Na parte mais alta dos destroços, havia uma linda vista do oceano, e do mundo que existia fora de Wonder Hill. O mundo no qual ela estava proibida de ir. Seu avô lhe contara que os outros reinos não sabiam da existência de sobrenaturais, e que todos seriam vistos como aberrações ou coisa assim. Com exceção dos humanos. E por isso Donna tinha um ódio mortal de humanos.
– Evan, não é? – Ela perguntou, ajeitando o vestido e a capa. O garoto assentiu com a cabeça. – Bem, obrigada por... Salvar-me de ser esmagada pelos cavalheiros.
– Ah, imagina. – Ele sorriu, e Donna sentiu suas pernas derreterem. — Não foi nada.
– Bem, porque me deixou aqui?
– É meu lugar preferido. – Ele sorriu e começou a andar pelos destroços. — E, visando que você vive fugindo de casa, não iria querer voltar para lá, iria?
– Ahn... Bem... – Ela mordeu a bochecha, confusa do que iria falar. Evan riu. Donna ficou vermelha de raiva, sem saber o motivo. – Ah, você entendeu!
Ela começou a acompanhar Evan na caminhada pelos destroços.
– Porque estava na floresta quando os Harris iam para o território vampiresco? – Ela indagou. – E porque estava na floresta aquele dia?
– Gosto da floresta. – Ele respondeu, sorrindo.
– Porque não me deixou ser esmagada pelos cavalheiros?
– Isso é um interrogatório? – Ele riu e parou de caminhar. Donna percebeu que ele estava levemente corado, e parecia incomodado com a pergunta e nervoso.
– Apenas se você quiser. E não queira. – Ela cruzou os braços. – E você não respondeu minha pergunta.
– Seria uma pena para Wonder Hill perder uma garota como você, não acha? – Ele disse rapidamente na esperança de que ela não entendesse enquanto corava, passava as mãos no cabelo e voltava a caminhar. Donna corou e deixou que um fraco sorriso abobado escapasse de seus lábios.
– Como assim uma garota como eu? – Ela indagou novamente.
– Ahn... – Foi à vez dele de ficar confuso. Passou a mão nos cabelo de modo nervoso. – Ah, como eu já te disse antes, o lance dos Van Gould, de começar uma guerra e tudo mais...
– Claro. – Ela ergueu uma sobrancelha e deu uma risada curta. Depois disso, o único som que preenchia o ar naquele local era o do vento.
Donna cerrou os punhos e cruzou ainda mais os braços quando aquela sede queimou novamente em sua garganta. Ela tinha que sair dali, ou então iria matá-lo ali mesmo. Mas os seus pés insistiam em ficar ali, talvez até mais perto de Evan do que ela achava que queria. Aquela sede a mandava sair. E ela sentia que já devia estar a quilômetros de distância dali.
Então porque ela insistia em ficar ali?
Notas finais
Bem, espero vocês nos comentários, e, para os leitores fantasmas, apareçam meus amores!
Até *---*
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