Sangue Real -
5 Outra Forma
Notas iniciais

Ja faziam algumas semanas que Austin procurava qualquer motivo para visitar o quarto da garota, ele já havia se oferecido até mesmo para fazer a arrumação do local. Gostava de conversar com ela, embora tivesse certeza que ela não entendia uma só palavra do que ele dizia. Ao menos, ela fingia se interessar pelo assunto.
A cada dia ela ficava mais linda. E seu choro copioso era substituído por um olhar cansado, curioso. Mas, ainda acima de tudo, recluso. Sempre sentada no mesmo canto do quarto. Perguntou-se secretamente como as aias conseguiam leva-la para banhar-se. Mas afastou rápido o pensamento, para que ele não se perdesse em meios mais indevidos.
Estava adquirindo um sentimento confuso com relação à ampulheta. Aguardava ansiosamente o dia de portá-la ao mesmo tempo que detestava pois era o dia em que a menina mais ficava alheia à sua presença.
O relógio ainda não havia batido a sétima badalada, mas Austin já estava no quarto da garota. Tinha uma cesta de frutas em mãos e apontava para elas dizendo seus nomes em russo. Mas aquele era um dos únicos dias em que ela não prestava atenção.
Austin então pegou a ampulheta, já estava com as mangas dobradas e tentava não demonstrar a ansiedade que reprimia a uma semana.
A menina olhou para a peça como se quisesse destruí-la. Então para sua surpresa Austin a pegou de volta e a colocou no bolso.
— Tive uma ideia. Talvez você consiga ... – Meneou a cabeça gesticulando — Você sabe... Sem precisar dela. — A menina o olhou confusa — Droga, você não entende o que eu digo.
Tentou pensar em uma forma de explicar mas não conseguiu. Então apenas estendeu o pulso. A menina chegou a pegar o braço, mas logo seu olho cintilou de raiva, e ela o afastou.
— O que foi? Se você faz isso com a ampulheta, consegue fazer sem ela.
A menina respondeu com um olhar vazio
— Você não falar a minha língua complica nosso diálogo.
Ela não mudou a expressão.
— Bom, isso te lembra a ampulheta? E por isso que você tem raiva? A gente pode tentar de outra forma.
Então começou a desabotoar a gola da camisa. Se não desse certo, se a ampulheta gerasse algum tipo de compulsão e ela precisasse ainda assim se alimentar de seu pulso. Austin não teria problema algum em ser mordido duas vezes.
— Quer tentar morder aqui? — Apontando para o pescoço — É normalmente onde os Vampiros mordem nos filmes. Se não quiser, podemos voltar para ampulheta se achar mais fácil. — Colocando a peça ao lado dos dois.
A menina olhou o objeto com desdém. E abaixou as pernas arrumando a postura, esticanco a saia com as mãos. Austin estava sentado a seu lado, de frente para menina. Como a achava linda. Apoiou o braço no outro lado da garota e virou o rosto exibindo o pescoço.
A menina tocou em sua cintura com as mãos trêmulas e frias. Embora ele pudesse sentir sua respiração fazendo os pelos da pele arrepiar.
Então ela lhe mordeu. E ele teve que controlar-se para não agarrá-la pela cintura e puxar seu corpo para mais perto do seu.
Passado algum tempo ela parou, mas antes de se encolher e chorar Austin lhe abraçou e tentou lhe amparar da melhor maneira que conseguiu.
— Você está indo bem. Logo você não vai mais precisar daquela ampulheta... Shiiiiu... Não precisa chorar...
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