Notas iniciais
Heeeeeeeeeelo Novamente Peoples Estamos aqui nesse domingo maroto postando mais um textinho. Espero que gostem. Notas: Czar é o nome dos imperadores da Russia, e o título que o príncipe (Lider) dos vampiros de lá utiliza.

Nicolai entrou no aposento quando Valentina recolhia a ampulheta. Meredith estava encolhida com a testa apoiada nos joelhos e os braços em volta das pernas. O vampiro recuou e esperou a mulher sair. Valentina tinha seus 35 anos bem conservados, cabelos de um loiro sóbrio, amarrados em um rabo de cavalo, uma postura esguia, tão autoritária quanto o acinzentado de seus olhos. Ela cumprimentou o vampiro com um aceno enquanto dobrava o blazer, deixando a peça descansando em seu braço.

— Como estão as coisas? — Ele perguntou direto.

— Tudo nos conformes.

— E nossa convidada?

— Cabisbaixa, mas já não chora. — Procurando seu e-cig no bolso (Cigarro eletrônico) — Garotinha complicada essa que você arrumou.

— Eu lamento ter que lhe importunar dessa forma.

A mulher abriu um largo sorriso.

— Oh, Nicolai, não é como se eu não fizesse qualquer coisa por você. — Soltando uma baforada com cheiro de canela — Eu estou tendo dias tranquilos no escritório. Não é de fato esforço.

— Como está Valira?

— Dando trabalho, como toda criança. Aquela garota parece impossível de se controlar.

— Eu lembro de alguém que era assim quando nova também.

— Assim você me constrange.

— Que idade ela tem?

— Três, quase quatro. Estava me preparando para trazê-la, então pensei que como estamos com convidados, seria mais prudente estabelecer melhor um controle sobre a situação. — Inclinando a cabeça em direção ao quarto — Mas planejo trazê-la logo, ou ela não irá se acostumar com tudo.

— Seu esposo não irá oferecer resistência?

Valentina deu uma gargalhada indiscreta.

— Eu não lhe disse que você não iria se arrepender de me deixar casar com ele? Não se preocupe com isso, Nicolai, seu sangue é forte, eu o sinto vibrar em minhas veias e aos pés dele o mundo se curva.

O vampiro apenas sorriu orgulhoso.

— Agora se me permite, eu tenho que chegar em casa antes que uma certa pessoinha vá dormir sem fazer os deveres. — Valentina vestiu o blazer novamente e saiu, deixando apenas o eco de seus saltos no piso de madeira. — Até próxima sexta.

***

— Nicolai…- Anunciou o vampiro entrando no quarto. Meredith ergueu o rosto. — Boa noite. Estamos ficando mais sociais ao que percebo.

Meredith teria revirado os olhos se tivesse ânimo.

— Hoje, eu preciso que você colabore comigo. — Ele ergueu um objeto que a garota não reconheceu. Um tubo transparente com uma agulha de metal na ponta. — Eu preciso de um pouco de seu sangue, um pouco do anima, da vitai, que há em você, mas eu só vou conseguir retirar se você permitir. Então, por gentileza, permita.

Ele pegou o braço da garota que o entregou sem muita resistência, ainda confusa com a situação. Satisfeito ele posicionou a seringa e habilmente perfurou a pele da garota. Assustada Meredith começou a tentar puxar o braço, deslizando os pés no assoalho, tentando escapar. Nicolai segurava o braço da garota com força, enquanto puxava o êmbolo da seringa, o sangue não veio e a pressão apenas fez o pistão voltar ao local.

— Vamos, apenas deixe sair, quanto mais você se mexe pior é. — Ele falava enquanto tentava contê-la. Quando os olhos da garota começaram a oscilar para um luminoso apavorado, Nicolai assumiu seu tom sóbrio, agarrou o rosto da menina virando-o em sua direção. — Pare se de mexer! — Ordenou. E tão logo as palavras saíram de sua boca, a garota ficou imóvel. Mesmo o peito que antes inflava numa respiração nervosa, reflexo da memória de suas necessidades humanas, agora estava parado. — Você vai seguir todas as minhas ordens diretas até eu sair desse quarto! — Ordenou. Os olhos da menina permaneciam fixos nos seus — Agora, feche os olhos e sangre!

***

Nicolai saiu do quanto se questionando o porquê de não ter usado o Controle desde o começo. E continuou pelo corredor se questionando até quando teria que ficar dobrando-a ao poder do sangue.

Haviam vampiros capazes de arrancar informações sobre alguém mesmo sem sequer falar com a pessoa, se arrastado furtivos no manto oculto, rápidos e invisíveis. As Sombras sabem. E essa era uma das poucas coisas que se sabia sobre eles. Mas Nicolai não era desses vampiros, e também, não queria ficar devendo favores a um deles. Mas avanços precisavam ser feitos. E o Czar queria respostas de respostas.

O vampiro atravessou o escritório ignorando a deliciosa essência que carregava em suas mãos. O cheiro doce de várias vidas drenadas. O cheiro do sangue de um vampiro.

Trancou a porta, pegou a chave do carro, apertou os botões numa sequência específica. Esperou a estante recuar e abrir passagem para o segundo cômodo. Uma sala hermeticamente fechada. Um segredo que poderia condenar sua alma imortal à destruição.

O sangue desenhava runas no chão, pouco a pouco os círculos de inscrições eram entalhados. A palavras eram entoadas enquanto o sangue da vítima caía no centro, e era despedaçado pelas energias da vitai amaldiçoada.

“Quem é você”

Notas finais
Os próximos serão sobre the past, o passado de nossa migas