Sangue Monstro
43 Desconcentração.
Notas iniciais
Depois mudarmos para um treino de rapidez de transformar e destransformar. O termo “treinar” soa serio demais para o que estava fazendo. Mas era divertido testa-la fazendo-a tentar me acompanhar. E esse jogo nos deixou bastante cansados por alguma razão, mais foi divertido. Mesmo sendo tarde da noite sugeri que continuassem com os ataques dela novamente, mas dessa vez eu não ia deixa-la me tocar tão facilmente.
Afastamo-nos mais, quase um de cada lado do salão, um jaguar versus uma criatura. Jenn avançou rápido como da ultima vez e não desviou de trajeto, mas antes de me atingir diretamente saltou para uma parede na lateral, para se impulsionar e então investiu contra mim. Entretanto desviei, apenas ficando de pé e ela caiu desajeitadamente onde minha parte dianteira estava no minuto anterior. Depois me abaixei rapidamente, sem que ela conseguisse sair do lugar, e a segurei sob uma porcentagem do meu peso. Ela me fez cosquinhas por um tempo até que de repente parou de tentar escapar. Me preocupei e destransformei. Encontrei-a imóvel com as mãos no rosto e respirando rapidamente.
–Você esta bem?
–Me desconcentrei. – respondeu ela tirando as mãos do rosto e sorriu achando graça de algo.
–Por quê? –sorri a acompanhando.
–Você estava... — o sorriso dela sumiu e ela corou mais sem terminar a frase.
Fiquei a observando até entender que ela havia se desconcentrado porque eu estava em cima dela, como estava naquele momento. E Jenn voltou a esconder o rosto nas mãos. Podia senti-la, o coração disparado e a respiração rápida, e nenhuma energia indicava que ela não estava à vontade comigo. Era fácil estar com ela e nos dávamos tão bem mesmo sendo tão diferentes. Seria uma boa escolha. Tirei as mãos dela do lugar e a vi me olhar. Aproximei-me com algo pressionando dentro de mim, um sentimento que se aliviou quando ela aceitou me beijar. Naquele momento tudo em volta ficou em segundo plano, sem importância alguma; E quis que não tivéssemos que estar prestes a brigar, correndo tantos riscos. Queria apenas ficar ali com ela, naquele momento com aquela sensação, sem ter que me preocupar com o depois.
Mas, após um tempo, ela me afastou subitamente, olhou preocupada pra algum lugar na escuridão e depois me empurrou para o lado e fugiu. A seguir as luzes do salão se acenderam e procurei por ela confuso, mas ela já não estava ali.
–Roan... — uma voz rouca falou. — O que você esta fazendo aqui? E à uma hora dessas?- Raphael estava com a cara amassada de sono e cansaço, parado próximo da porta e me olhando jogado no chão.
–Estava treinando... — me levantei e dei mais uma olhada pelo lugar, nem sinal dela.
Ele revirou os olhos e fez um sinal me chamando.
–Outra hora você faz isso. Vai dormir de uma vez. E me deixe descansar em paz.
O segui até o andar dos quartos. Ele foi direto para o quarto dele arrastando os pés. Entrei no quarto e Jennifer também não estava lá. Ela podia estar em qualquer lugar, ainda mais se ela vivia de noite como se fosse dia, acordada. Esperei alguns minutos, mas não era de ter paciência, então fui tomar um banho, ainda mais depois do treino.
Mais tarde voltei para o quarto, estava tudo vazio novamente. O banho havia me feito relaxar e percebi que era hora de dormir um pouco, então me deitei convivendo apenas com a lembrança do que tinha acontecido. Depois acho que o sono me alcançou em algum momento, mas despertei quando escutei algo e logo vi uma sombra no quarto.
–Esqueci de te perguntar se você esta bem com esses arranhões.
Sorri e não respondi a pergunta dela, apenas aproveitei a chance de vê-la novamente. E aproveitaria todas que tivesse.
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