Sangue Monstro
44 Algo que procurava.
Notas iniciais
Alguns dias se passaram comuns com os treinos diários e onde Raphael me forçou a estar com os outros, mas meu dia não costumava acabar como dos outros; deixar Jennifer mais preparada se tornou uma coisa importante pra mim.
Não demorou muito para Raphael e os outros descobrirem que o comando já estava na cidade apenas esperando e investigando. Tudo o que podíamos fazer, fizemos. O momento ia chegar, e eu esperava que os que estavam do meu lado fossem minimamente capazes de se defender sozinhos.
–O que esta acontecendo com você Roan?
Olhei ao lado, e Raphael estava sentado na outra cadeira da mesa da sala de jantar carregando uma xicara, que apoiou na mesa. Eu não sabia bem porque estava lá, não era hora de comer, nem tinha nada assim na minha frente. Dei de ombros para a pergunta dele voltando a encarar o jardim através das grandes janelas.
–Sabe... — o olhei — Eu acho que esta acontecendo algo com você... — um sorriso fino e debochado apareceu no rosto dele antes dele se voltar para a janela apontando levemente. -Fica olhando a Jennifer e a Theresa lá fora, assim... sem perceber.
Só então notei que era isso mesmo, as meninas estavam lá, Tess estava debruçada sobre um dos arbustos pegando algo na terra que deixou a Jenn inquieta, depois a morena se afastou da garota de cabelo colorido que carregava algo na mão estendida e distante dela mesma. Ri quando o bicho escapou de Tess e ela mesma deu um gritinho de pavor e foi para junto de Jennifer rindo. Jennifer tinha um sorriso que eu não conseguia parar de observar que me deixava feliz.
–Você escolheu não foi?- o tom dele soou sério, então o olhei, talvez concordando, pois ele não esperou uma resposta falada. –Sabia que quando você apareceu estava procurando algo. E não teria ficado com o meu grupo se já não sentisse que podia encontra-lo aqui. — ele me encarou ao tomar um gole do chá. Acho que entendia o que ele dizia ao mesmo tempo em que tentava entender. — Só espero que não a machuque. É serio Roan, Jennifer já teve momentos ruins o suficiente para alguém da personalidade dela.
Encarei os olhos claros dele e então sorri:
–Sei bem disso Raphael. Seria como se eu me golpeasse com uma faca para morrer. -Ele sorriu com o que eu disse. — E conto com você pra ficar de olho nela, se meus planos não derem certo.
Raphael concordou sério, então sorriu e se levantou indo para cozinha atrás de outro copo de sua bebida.
***
Os investigadores estavam cada vez mais próximos, principalmente da casa de Raphael, depois que eles analisaram os registros da escola onde uma menina havia desaparecido sem vestígios, e souberam da repentina inscrição de dois alunos novos. Raphael estava tenso por isso. Mas meu acho que não esperaríamos que eles atacassem primeiro.
O dia esperado para começarmos a luta amanhecia alaranjado. Fui até a varanda da mansão e me aproximei da menina de cabelos escuros e lisos. Ela sabia que o momento de sermos testado estava presente e que coisas ruins e boas podiam completar aquele dia até que o sol voltasse a nascer novamente.
–Eu não disse que você devia dormir essa noite Jennifer?
–Não pude fazer isso. Mas tentei. -ela me olhou e sorriu brevemente.
–Você não precisa ficar preocupada. Não deve ser difícil. A maioria tem boas habilidades e, já te disse, se a situação ficar insustentável eu dou um jeito.
–Você não devia ter repetido isso... É a pior parte, além de saber que eles querem exatamente você.
Resolvi deixar o assunto morrer ali ao abraça-la.
Algumas horas depois de ficar com Jenn, estava em uma situação bem diferente: sozinho, andando por uma rua distante da mansão. Estranhamente o dia havia se tornado húmido e com um ar pesado, deixando tudo ainda mais no clima de uma luta importante. As pessoas que passavam por mim, eram simples humanos que não sabiam o que estava acontecendo, nem que eu seria o responsável por trazer os homens estranhos e uniformizados para a cidade.
Estava quase dando a hora marcada, eu já estava onde devia apenas esperando, então ouvi uma voz conhecida, mas não amiga, dentro de uma das lojas daquela rua. Olhei para dentro da lanchonete e vi Adam, com alguns amigos perto de algumas meninas. Nesse momento que notei que foi tudo culpa dele. Se ele não tivesse me empurrado na água, e fugido covardemente, eu poderia ter evitado Alex ir dar uma volta com Jennifer e ser descoberto e morto.
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