Sangue Monstro

34 Afundando.


Notas iniciais
-boa leitura!

Tinha chegado o final da sexta feira depois de um dia mais calmo. A noite da festa se tornou algo de um passado distante, mas que volta e meia me fazia lembra-lo quando e olhava uma certa garota que se sentava ao meu lado.

Na quase noite, sai da biblioteca e não vi ninguém no corredor. Então me lembrei do segundo castigo e fui até a piscina coberta, onde encontrei o zelador da escola que me deu as instruções de como deixar a piscina limpa. Depois o homem foi embora sem se importar em deixar um aluno de castigo sozinho, ainda mais depois de uma semana de trabalho. E me vi diante de toda aquela água, a encarando fixamente e sozinho. Ninguém do grupo de Raphael me encontrou ou me procurou, talvez eles tivessem se confundido quem ficaria comigo hoje ou se esqueceram facilmente do meu castigo.

Depois de alguns minutos acreditei que podia estreitar a distancia entre nós, mas todo aquele liquido, perigoso para mim, ainda me deixava hesitante e um pouco sem ar quando chegava perto demais. Porem precisava superar isso. Ficar com receio de algo assim é quase vergonhoso, então aquele era o melhor momento, pois estava bem alimentado, sem ninguém por perto e não pretendia fugir da próxima aula novamente.

Tentei pensar em um meio de me conciliar com minha atual e única inimiga. Talvez se eu conseguisse manter a calma por tempo suficiente e ignorar todo o resto do mundo como faço quando tomo um banho, posso conseguir ficar alguns minutos na piscina. Entretanto, ficar alguns minutos pode não ser o suficiente para aquele professor de natação. Suspirei sem a solução e irritado, e eu odeio ter um limite insuperável. Então me aproximei olhando reto, subi na prancha de salto e caminhei até ficar sobre a água azulada. Podia sentir o ar mais frio sobre ela, e notar os reflexos que a água lançava no meu rosto. Não tinha medo disso, pois estava sobre algo e não dentro da água, que era O problema, mas ela estava ali mais bem perto.

De repente sinto a presença de alguém que não estava ali e me viro. Adam, o garoto que me atacou por tê-lo chutado em um treino e causou todo esse castigo de duas semanas e perturbou Jennifer, estava lá com seu suéter estranhamente justo e os cabelos escuros com gel refletindo a luz das lâmpadas do lugar. Ele me encarava com um sorriso perverso não muito longe.

–O que você quer?- perguntei sem muita paciência.

–Soube que você fugiu da aula de natação essa semana e temos alguns assuntos para terminar. -Ele riu com um olhar arrogante.

–Sua obsessão por mim já esta ficando clara. Só espero que não esteja escrevendo meu nome no seu diário ou em qualquer lugar. -continuei o encarando. A presença dele não era algo bom.

–Não seja tão atrevido onde você é o novato. -ele deu alguns passos na direção da prancha e sorriu sinistramente ao subir, para logo depois dar uma pisada forte fazendo a prancha balançar sob meus pés. E eu tive que me concentrar para ficar equilibrado enquanto a tabua ia para cima e para baixo, como uma gangorra, antes de parar novamente estável e poder contra atacar.

Antes que a prancha parasse completamente escutamos alguns passos ecoando e segui o olhar de Adam para as portas do outro lado de onde estávamos. Vi Damian e Anne me olharem com uma expressão de não entender o que estava acontecendo e no segundo seguinte senti as mãos de Adam me empurrando e logo ele se afastou. A queda para a piscina foi rápida, a água gelada me envolveu por completo e logo estava afundando sentindo um aquecimento no meu interior e uma dor se espalhar pelo meu corpo sem qualquer controle ou limite. Não havia ar para respirar e a dor me deixava com muito pouco controle sobre meus movimentos, mesmo assim me forcei a nadar para superfície. É eu sei nadar pelo que descobri, mas naquele momento sabia que algo pior viria e eu não conhecia a forma que aquilo ia me afetar, ou se sobreviveria quando tudo acabasse. Então o que temia estava desencadeado e por mais esforço que fizesse de ficar tranquilo naquela situação o resultado seria ruim para mim.

Quando emergi vi Adam desaparecendo por outra saída lateral. Afundei e voltei novamente com mais dores me impedindo de me manter na superfície, e agora Anne estava na beirada da piscina tirando o casaco e o tênis para me ajudar, pois ela achava que estava me afogando. Consegui me manter na superfície tempo suficiente para gritar para ela ficar longe e afundei novamente, sem volta, pois não consegui o controle dos músculos. Deixei meu corpo chegar ao fundo da piscina resistindo o quanto podia contra dor cortante que percorria cada centímetro do meu corpo, me dilacerando, e era a única coisa que conseguia pensar. De repente, quando a dor amenizou um pouco e achei que tudo estava acabando, ouvi os estalos altos dentro da água e então veio a liberação da eletricidade. O choque me atingiu, me fazendo perder todo o pouco ar dos pulmões e acreditar que nem mesmo eu poderia resistir aquilo. Depois apenas o nada, escuro e silencioso. Nada de corpo, pensamento ou existência.

Notas finais
Oyeh! Cansei da monotonia. hahaha! Obrigada por ler essa historia. Nos vemos por aqui em algum lugar. ;D