Sangue Maldito
35 Um Pouco Convencida
Notas iniciais

Quando acordei estava sozinha na cama, por que sempre que eu durmo com algum vampiro quando acordo estou sozinha? Sinceramente, isso é muito frustrante! Levantei e percebi que ainda estava toda suja com o sangue do Azusa, olhei no relógio e faltavam cinco minutos para os outros chegarem em casa, por isso era melhor eu correr e me limpar. Mesmo que o Yuma contasse para todo mundo que eu cortei todo o braço do Azusa eu não queria que nenhum deles me visse toda suja, especialmente o Reiji que era bem capaz de ter um treco se me visse, como ele diz, “num estado deplorável”.
Corri para o meu quarto e peguei uma blusa de frio vermelha com um ombro caído, uma jardineira jeans, meias 7/8 brancas e sapatilhas também vermelhas com uma tirinha que prende no tornozelo. Logo fui para o banheiro e tomei um banho de ducha, porque se eu entrasse naquela banheira não iria sair tão cedo. Tentei ser rápida, mas mesmo que eu fosse os meninos já teriam chegado, esperava que ninguém invadisse o banheiro dessa vez. Coloquei a roupa e prendi o cabelo em um rabo de cavalo lateral.
Quando saí do banheiro continuei rezando para ninguém aparecer se não iria acabar vendo as roupas sujas de sangue, por algum milagre ninguém me interceptou e também não havia ninguém no meu quarto joguei todas as roupas debaixo da cama para me preocupar com elas depois e me dirigi para a cozinha atrás de comida.
– Tora-chan, você melhorou? – Yui me perguntou quando encontrei com ela no caminho para a cozinha, ela foi comigo.
– Eu ainda estou um pouco fraca, mas acho que se eu comer alguma coisa fico boa rapidinho. – respondi calmamente, chagamos à cozinha e eu fui abrindo os armários e pegando um monte de coisas: bolachas recheadas, batatas fritas, uma barra de chocolate, maçãs verdes, salgadinhos e mais um monte de porcarias que achei nos armários.
– Eu não acho que você vai melhorar comendo só essas besteiras. – repreendeu-me Yui, eu a encarei por um momento.
– Não se preocupe, Yui-chan, eu não peguei só porcarias, peguei uma maçã também! – retruquei com um sorriso, era bem óbvio que eu estava tirando sarro da cara dela, porque só uma maçã não iria fazer diferença no meio de todas aquelas porcarias. Ela já estava pronta para me dar um sermão, porém falei rapidamente. – Bem, eu tenho que ir, realmente há um monte de outras coisas que eu preciso fazer! – inventei e saí da cozinha com pressa, só de pensar em comer todas essas delicias minha boca já começava a salivar.
Resolvi comer no salão de jogos, pelo simples motivo de achar que lá eu teria paz e sossego. Joguei toda minha comida em cima da mesa de bilhar e decidi me sentar em cima dela mesmo para comer, sentei no centro da mesa e cruzei minhas pernas, então abri um pacote de batata frita e comecei a devorá-lo.
Fiquei encarando um alvo que tinha na minha frente enquanto comia e do nada tive vontade de jogar dardos, levantei-me e peguei os dardos que ficavam sobre uma mesinha, voltei ao meu lugar no centro da mesa de bilhar e continuei comendo enquanto jogava dardos.
Já havia comido metade da comida que havia levado e feito um zibilhão de tentativas de acertar o centro do alvo antes que alguém falasse.
– Por que você está comendo em cima da mesa de bilhar, Muchi-chan? – Laito perguntou, sua voz vinha de trás de mim e não queria me dar o trabalho de virar.
– Porque eu sou estranha. – respondi usando minha mais nova qualidade, ou defeito, como desculpa. Eu realmente não tinha motivos para estar comendo em cima da mesa de bilhar, no entanto lá estava eu.
– Resolveu assumir? – Yuma falou com escárnio, mesmo sem olhá-lo eu sabia que ele estava sorrindo. Fiquei fervilhando de raiva.
– Pois é! – retruquei furiosa e peguei um dardo arremessando-o com toda minha força de forma a liberar minha raiva. E, adivinhem! O dardo pegou bem no centro do alvo. Eu fiquei incrédula por um segundo, mas logo comecei a gritar. – Não acredito, eu acertei! – fiquei de pé em cima da mesa e comecei uma dancinha da vitória. – Eu sou a rainha do jogo de dardos! Eu sou demais! Ahã, detonei, sou fera, sou demais! – eu ia rebolando e dando voltinhas enquanto falava, por isso percebi que todos os vampiros estavam na sala de jogos. – Eu sou a melhor! – gritei levantando os braços e apontando para o teto. Eu estava muito convencida, contudo aquela era a primeira vez na minha vida que eu havia jogado dardos e acertei no centro do alvo, eu tinha que estar feliz mesmo. – É isso aí, meu amor, me chama de inferno, porque hoje eu estou queimando! – terminei de falar e lambi meu indicador, colocando-o sobre a bunda e fazendo um chiado com a boca, como se a saliva tivesse entrado em ebulição com meu calor.
– Você parece bem enérgica para quem estava doente mais cedo. – Reiji comentou azedo, virei às costas para ele.
– Dane-se a doença, eu sou a rainha dos dardos! – retruquei de forma superior. MEU KAMI-SAMA! Alguém me salva que o Ayato me possuiu!
– Você não acha que está muito convencida para quem acertou só uma vez, Jujuba? – Ayato questionou erguendo uma sobrancelha e dando um sorriso cínico.
– E você não acha que foi muito convencido sua vida inteira, Ore-sama? – retruquei com a voz transbordando escárnio, principalmente no final.
– Ningyo-chan, você está muito sexy! – Kou elogiou com um sorriso pervertido.
– Meu bem, eu sou sexy desde que nasci! – falei convencida. Certo, eu já posso parar de brincar de Ayato agora! Ou não!
– O que deram para você beber enquanto nós estávamos fora? – Subaru perguntou me encarando com irritação.
– Acho que tem uma coisa que pode ter me embebedado. – respondi olhando para o teto como se estivesse vendo um flashback.
– E o que foi? – Shu foi quem perguntou. Eu dei um suspiro e pulei de cima da mesa de bilhar, encarei todos eles, um de cada vez.
– A fofura do Azusa! – gritei e corri até o Azusa começando a apertar as bochechas dele. Eu queria entender por que o feitiço que o Azusa colocou sobre mim ainda não se desfez!
– Yuma, o que aconteceu enquanto estávamos fora? – Ruki perguntou para Yuma, parecia estar com raiva, por isso eu parei de apertar meu ursinho e me virei para ver o que iria acontecer. Yuma colocou a mão na cabeça e fez uma cara de cansaço, parecia que ele estava com preguiça de falar, nesse meio tempo Kanato virou para mim e disse.
– Tora-chan, você prefere o Azusa a mim? – perguntou com voz chorosa e fazendo carinha de choro. Agora sim eu estava completamente ferrada!
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