Sangue Maldito
36 Disputas
Notas iniciais

Silêncio. Foi isso que eu ouvi depois de Kanato fazer essa pergunta, no mesmo segundo todos que estavam no salão de jogos ficaram imóveis e começaram a me encarar esperando minha resposta. Eu apenas fiquei calada, tornando aquele silêncio ainda mais desconfortável.
A mim estava parecendo mais que a pergunta que o Kanato fez era se eu gostava mais dos Mukami ou dos Sakamaki, ou seja, qualquer resposta que eu desse seria como o veredicto de culpada em um júri, estaria condenada. Eu precisava escolher muito bem minhas palavras a partir de agora ou então iria acabar na cadeira elétrica.
– Você não vai responder, Tora-san? – Azusa me pressionou, era muita pressão para uma pessoa só! Respirei fundo e encarei Kanato.
– Não é uma questão de preferência, Kanato-kun. – respondi calmamente, ninguém parecia satisfeito com a resposta, muito menos Kanato que estava a ponto de chorar. – Escuta, você é tão fofo e eu adoro seu jeito, mas a fofura do Azusa-kun é totalmente diferente. Ele é muito tímido e parece tão indefeso, é algo que eu nunca pensei ver em um vampiro. – expliquei apreensiva, rezando para que eu não tivesse dito nada errado. – O Azusa é meu ursinho fofo e você é meu bebê manhoso e instável, como quer que eu decida entre essas duas coisas, Kanato-kun? – terminei de falar e suspirei para enfatizar minha frustração sobre ter que escolher.
– CHEGA! JÁ ESTÁ ÓBVIO QUE VOCÊ PREFERE ESSE BASTARDO! – Kanato gritou histérico, com uma expressão assassina que me deu medo. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito que fez o Kanato chegar a essa conclusão, então percebi que chamei o Azusa de ursinho e como a coisa mais importante para o Kanato era o Teddy ele achou que eu preferia o Azusa. No final me ferrei de qualquer jeito!
– Não, Kanato-kun, só porque eu chamei o Azusa de ursinho não quer dizer que eu estou escolhendo ele! – falei tentando acalma-lo. Dessa vez foi o Azusa que ficou ofendido.
– Tora-san, você disse que cuidaria de mim! – Azusa falou irritado. Droga, acabei de magoar o meu ursinho.
– Eu vou cuidar de você, meu ursinho! – eu disse com urgência, tentando fazê-lo acreditar em mim.
– CALE-SE, SEU BASTARDO! ELA NÃO VAI CUIDAR DE VOCÊ! – Kanato urrou com fúria e pulou em cima do Azusa, os dois caíram no chão e começaram a brigar, embora o Azusa não fizesse muita coisa.
– Alguém me ajuda! – gritei para os outros vampiros que só observavam enquanto o Azusa apanhava, eu até queria entrar no meio deles, mas era capaz do Kanato arrancar minha cabeça.
– Você provocou isso agora aguente! – Subaru disse sem um pingo de piedade da minha pobre pessoa.
– Yuma-kun, você não vai fazer nada? – perguntei desesperada.
– Não, resolva seus problemas sozinha. – retrucou pouco se importando com a situação. Eu olhei para o Shu em súplica.
– É muito cansativo. – respondeu coçando a cabeça. Olhei para Ayato.
– Não me meto na briga dos outros. – disse com indiferença. Encarei o Kou.
– Eu não posso ficar com o rosto marcado, Ningyo-chan. Comprometeria meu trabalho. – inventou ele, se bem que essa até que era uma desculpa aceitável. Fitei Laito.
– Desculpe, Muchi-chan, mas entrar na frente do Kanato quando ele está assim é pedir para morrer. – desculpou-se, pelo jeito a única área em que o Laito é bom é o assédio.
À essa altura do campeonato eu já estava morrendo de raiva de todos eles. Olhei para Ruki, que não falou nada, só deu um sorriso debochado, parecia que ele queria ver o que eu faria. Estava fervilhando de fúria e quando encarei o Reiji uma ideia me passou pela cabeça, ele já estava prestes a falar quando eu cheguei bem pertinho dele, tão perto que apenas uma nesga de ar separava nossos corpos.
– Reiji-san, eu acho que não tenho dado muita atenção à pessoa que mais merece atenção nessa mansão. – falei olhando profundamente nos olhos dele.
– O que quer dizer com isso? – perguntou com seu tom autoritário. O que eu estava prestes a fazer seria minha passagem de ida para o inferno.
– Quero dizer que eu tenho que fazer algo para me desculpar pela minha negligência. – respondi calmamente, passei os braços ao redor do pescoço do Reiji e fiquei na ponta dos pés, fui me aproximando e então o beijei.
Em parte o que eu estava fazendo era para acabar com a briga do Kanato e do Azusa, porque eu sabia que todos iriam paralisar quando me vissem beijando o Reiji, apenas pelo simples fato de eu estar beijando a criatura mais formal e certinha da Terra. Já o outro motivo para eu estar fazendo o que estava fazendo – além de ser o primeiro motivo que me passou pela cabeça – era porque quando eu o vi percebi que fazia muito tempo que eu não falava ou sequer chegava perto dele e isso me fez ficar parecida com a Beatrix do passado, aquela que o ignorava completamente e eu não queria ser associada à uma mulher frívola e indiferente de jeito nenhum.
Depois que beijei o Reiji o mundo todo pareceu parar, no inicio ele não quis aceitar meu beijo e até tentou me afastar, contudo eu o apertei mais forte enterrando minhas mãos em seus cabelos bem penteados e sedosos e pedi passagem com minha língua. Reiji não quis ceder de jeito nenhum, então tomei uma medida drástica: lambi o lábio inferior dele com a ponta da minha língua, ele ficou boquiaberto com minha ação e eu aproveitei para aprofundar o beijo, não me pergunte como é que eu acabei ficando tão experiente em beijos porque nem eu sei – ou talvez eu saiba.
Aos poucos ele agarrou minha cintura e retribuiu meu beijo de forma feroz e urgente, sinceramente eu nunca tinha provado um beijo tão quente e põe quente nisso, no segundo em que Reiji começou a explorar minha boca com sua língua meu corpo ferveu e pulsou de desejo. Cá entre nós, eu estava ficando mais suscetível aos toques desses vampiros a cada dia!
Quando Reiji se separou de mim eu estava ofegante e tonta, porém meu corpo pedia por mais. Agora eu sei que mesmo o Reiji tendo essa fachada de finesse e educação ele pegava fogo por dentro, a gente só precisava acender a faísca.
– Tora... – Yui tinha aparecido do nada e ia começar a falar, mas eu levantei minha mão em sinal de pare.
– Espera... eu... ainda estou... me recuperando! – falei pausadamente enquanto ofegava tentando normalizar minha respiração. A sala toda estava em um silêncio mórbido, no entanto ao olhar para o rosto dos meninos percebi que estavam prestes a matar alguém, menos o Reiji que carregava um discreto sorriso. Pelo menos a briga do Azusa e do Kanato tinha parado, eu me endireitei e disse. – Agora pode falar, Yui-chan.
– Tora-chan, por que você estava...? – ela não conseguiu terminar a pergunta, pois ficou com vergonha, entretanto eu sabia do que se tratava.
– Beijando o Reiji-san? – terminei a pergunta por ela, que assentiu corada. – Bem, em parte, foi porque eu queria parar com a briga dos dois fofinhos ali. – respondi apontando para o Azusa e para o Kanato.
– Então você só beijou o Reiji porque queria parar uma briga? – Ruki questionou com divertimento.
– É claro que não, o que você pensa que eu sou? – retruquei irritada virando minha cara.
– E qual é o outro motivo, Muchi-chan? – Laito perguntou fitando-me com um sorriso pervertido, acho que ele estava pensando em milhões de motivos depravados.
– O Reiji-san já sabe, então eu não preciso contar para vocês! – respondi birrenta. – Já cansei de ficar respondendo perguntas, desde que cheguei aqui parece que vivo em um eterno interrogatório, então se vocês quiserem saber perguntem para o Reiji-san. – falei cansada e comecei a sair da sala, mas antes me virei para Yui e disse. – Yui-chan, para você eu conto!
Ela deu um sorriso radiante e correu até mim, nós então saímos da sala e seguimos para o quarto dela o mais rápido possível. Eu tinha a leve impressão que aquele salão de jogos iria virar um campo de guerra.
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