Notas iniciais
Caramba, eu demorei bastante dessa vez, não é? Espero que não estejam explodindo de tanta ansiedade, mas esse capitulo vai ser cheiinho de confusões para vocês. Porque vocês sabem que quando se trata da Tora a única coisa que pode ser pior que um mal-entendido é uma briga em família! kkkk Aproveitem!

Silêncio. Foi isso que eu ouvi depois de Kanato fazer essa pergunta, no mesmo segundo todos que estavam no salão de jogos ficaram imóveis e começaram a me encarar esperando minha resposta. Eu apenas fiquei calada, tornando aquele silêncio ainda mais desconfortável.

A mim estava parecendo mais que a pergunta que o Kanato fez era se eu gostava mais dos Mukami ou dos Sakamaki, ou seja, qualquer resposta que eu desse seria como o veredicto de culpada em um júri, estaria condenada. Eu precisava escolher muito bem minhas palavras a partir de agora ou então iria acabar na cadeira elétrica.

– Você não vai responder, Tora-san? – Azusa me pressionou, era muita pressão para uma pessoa só! Respirei fundo e encarei Kanato.

– Não é uma questão de preferência, Kanato-kun. – respondi calmamente, ninguém parecia satisfeito com a resposta, muito menos Kanato que estava a ponto de chorar. – Escuta, você é tão fofo e eu adoro seu jeito, mas a fofura do Azusa-kun é totalmente diferente. Ele é muito tímido e parece tão indefeso, é algo que eu nunca pensei ver em um vampiro. – expliquei apreensiva, rezando para que eu não tivesse dito nada errado. – O Azusa é meu ursinho fofo e você é meu bebê manhoso e instável, como quer que eu decida entre essas duas coisas, Kanato-kun? – terminei de falar e suspirei para enfatizar minha frustração sobre ter que escolher.

– CHEGA! JÁ ESTÁ ÓBVIO QUE VOCÊ PREFERE ESSE BASTARDO! – Kanato gritou histérico, com uma expressão assassina que me deu medo. Fiquei imaginando o que eu poderia ter dito que fez o Kanato chegar a essa conclusão, então percebi que chamei o Azusa de ursinho e como a coisa mais importante para o Kanato era o Teddy ele achou que eu preferia o Azusa. No final me ferrei de qualquer jeito!

– Não, Kanato-kun, só porque eu chamei o Azusa de ursinho não quer dizer que eu estou escolhendo ele! – falei tentando acalma-lo. Dessa vez foi o Azusa que ficou ofendido.

– Tora-san, você disse que cuidaria de mim! – Azusa falou irritado. Droga, acabei de magoar o meu ursinho.

– Eu vou cuidar de você, meu ursinho! – eu disse com urgência, tentando fazê-lo acreditar em mim.

– CALE-SE, SEU BASTARDO! ELA NÃO VAI CUIDAR DE VOCÊ! – Kanato urrou com fúria e pulou em cima do Azusa, os dois caíram no chão e começaram a brigar, embora o Azusa não fizesse muita coisa.

– Alguém me ajuda! – gritei para os outros vampiros que só observavam enquanto o Azusa apanhava, eu até queria entrar no meio deles, mas era capaz do Kanato arrancar minha cabeça.

– Você provocou isso agora aguente! – Subaru disse sem um pingo de piedade da minha pobre pessoa.

– Yuma-kun, você não vai fazer nada? – perguntei desesperada.

– Não, resolva seus problemas sozinha. – retrucou pouco se importando com a situação. Eu olhei para o Shu em súplica.

– É muito cansativo. – respondeu coçando a cabeça. Olhei para Ayato.

– Não me meto na briga dos outros. – disse com indiferença. Encarei o Kou.

– Eu não posso ficar com o rosto marcado, Ningyo-chan. Comprometeria meu trabalho. – inventou ele, se bem que essa até que era uma desculpa aceitável. Fitei Laito.

– Desculpe, Muchi-chan, mas entrar na frente do Kanato quando ele está assim é pedir para morrer. – desculpou-se, pelo jeito a única área em que o Laito é bom é o assédio.

À essa altura do campeonato eu já estava morrendo de raiva de todos eles. Olhei para Ruki, que não falou nada, só deu um sorriso debochado, parecia que ele queria ver o que eu faria. Estava fervilhando de fúria e quando encarei o Reiji uma ideia me passou pela cabeça, ele já estava prestes a falar quando eu cheguei bem pertinho dele, tão perto que apenas uma nesga de ar separava nossos corpos.

– Reiji-san, eu acho que não tenho dado muita atenção à pessoa que mais merece atenção nessa mansão. – falei olhando profundamente nos olhos dele.

– O que quer dizer com isso? – perguntou com seu tom autoritário. O que eu estava prestes a fazer seria minha passagem de ida para o inferno.

– Quero dizer que eu tenho que fazer algo para me desculpar pela minha negligência. – respondi calmamente, passei os braços ao redor do pescoço do Reiji e fiquei na ponta dos pés, fui me aproximando e então o beijei.

Em parte o que eu estava fazendo era para acabar com a briga do Kanato e do Azusa, porque eu sabia que todos iriam paralisar quando me vissem beijando o Reiji, apenas pelo simples fato de eu estar beijando a criatura mais formal e certinha da Terra. Já o outro motivo para eu estar fazendo o que estava fazendo – além de ser o primeiro motivo que me passou pela cabeça – era porque quando eu o vi percebi que fazia muito tempo que eu não falava ou sequer chegava perto dele e isso me fez ficar parecida com a Beatrix do passado, aquela que o ignorava completamente e eu não queria ser associada à uma mulher frívola e indiferente de jeito nenhum.

Depois que beijei o Reiji o mundo todo pareceu parar, no inicio ele não quis aceitar meu beijo e até tentou me afastar, contudo eu o apertei mais forte enterrando minhas mãos em seus cabelos bem penteados e sedosos e pedi passagem com minha língua. Reiji não quis ceder de jeito nenhum, então tomei uma medida drástica: lambi o lábio inferior dele com a ponta da minha língua, ele ficou boquiaberto com minha ação e eu aproveitei para aprofundar o beijo, não me pergunte como é que eu acabei ficando tão experiente em beijos porque nem eu sei – ou talvez eu saiba.

Aos poucos ele agarrou minha cintura e retribuiu meu beijo de forma feroz e urgente, sinceramente eu nunca tinha provado um beijo tão quente e põe quente nisso, no segundo em que Reiji começou a explorar minha boca com sua língua meu corpo ferveu e pulsou de desejo. Cá entre nós, eu estava ficando mais suscetível aos toques desses vampiros a cada dia!

Quando Reiji se separou de mim eu estava ofegante e tonta, porém meu corpo pedia por mais. Agora eu sei que mesmo o Reiji tendo essa fachada de finesse e educação ele pegava fogo por dentro, a gente só precisava acender a faísca.

– Tora... – Yui tinha aparecido do nada e ia começar a falar, mas eu levantei minha mão em sinal de pare.

– Espera... eu... ainda estou... me recuperando! – falei pausadamente enquanto ofegava tentando normalizar minha respiração. A sala toda estava em um silêncio mórbido, no entanto ao olhar para o rosto dos meninos percebi que estavam prestes a matar alguém, menos o Reiji que carregava um discreto sorriso. Pelo menos a briga do Azusa e do Kanato tinha parado, eu me endireitei e disse. – Agora pode falar, Yui-chan.

– Tora-chan, por que você estava...? – ela não conseguiu terminar a pergunta, pois ficou com vergonha, entretanto eu sabia do que se tratava.

– Beijando o Reiji-san? – terminei a pergunta por ela, que assentiu corada. – Bem, em parte, foi porque eu queria parar com a briga dos dois fofinhos ali. – respondi apontando para o Azusa e para o Kanato.

– Então você só beijou o Reiji porque queria parar uma briga? – Ruki questionou com divertimento.

– É claro que não, o que você pensa que eu sou? – retruquei irritada virando minha cara.

– E qual é o outro motivo, Muchi-chan? – Laito perguntou fitando-me com um sorriso pervertido, acho que ele estava pensando em milhões de motivos depravados.

– O Reiji-san já sabe, então eu não preciso contar para vocês! – respondi birrenta. – Já cansei de ficar respondendo perguntas, desde que cheguei aqui parece que vivo em um eterno interrogatório, então se vocês quiserem saber perguntem para o Reiji-san. – falei cansada e comecei a sair da sala, mas antes me virei para Yui e disse. – Yui-chan, para você eu conto!

Ela deu um sorriso radiante e correu até mim, nós então saímos da sala e seguimos para o quarto dela o mais rápido possível. Eu tinha a leve impressão que aquele salão de jogos iria virar um campo de guerra.

Notas finais
Impressionado com o chicote de espinhos, as cores vermelhas do sangue, a noiva capturada... Sob a influência da dor afrodisíaca, os votos feitos para o eterno casamento sangrento. Vai precisar muito mais do que isso para me satisfazer essa noite. Reiji Sakamaki