Sangue Maldito
10 Retribuição
Notas iniciais

Tora
— Gomenasai! – desculpei-me levantando a cabeça para ver quem era e dou de cara logo com o Laito. Bem legal, não é! Quando você pensa que finalmente pode ter um pouco de paz algum deles aparece para te incomodar, mas será que essa escola tem tão pouca gente assim para eu esbarrar logo em uma porcaria de vampiro?
— Você não devia estar na aula, Muchi-chan? – Laito questionou com um sorriso acusador. Como assim? Ele também não estava na aula pelo que eu estava vendo, qual é a desses vampiros? Eles saiam por aí apontando os dedos para os outros sendo que estavam fazendo a mesma coisa. Eles devem achar que aquela coisa do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" é algum tipo de lei natural nos relacionamentos entre humanos e vampiros. Grande ilusão a deles!
— Digo o mesmo para você! – retruquei irritada, minha paciência foi toda embora depois da aparição do Ayato.
— Huh... Por que seus cabelos estão molhados? – perguntou travesso, claramente com segundas e terceiras intenções. Por que diabos tenho que ficar dando satisfação? Suspirei.
— Eu estava tomando banho de piscina. – respondi cansada, talvez se eu respondesse tudo bem rápido ele me deixasse em paz. O ruivo expressou uma clara falsa tristeza.
— Por que você não me convidou? – lamentou com a voz dengosa. – Você é tão malvada comigo, Muchi-chan!
— Vocês é que são malvados comigo! – ataquei indignada. É cada absurdo que eu tenho que ouvir da boca desses seis que chega a ser engraçado, mais ultrajante impossível. Porém, dessa vez eu devo ter falado algo errado, pois Laito prendeu-me na parede bruscamente, olhou bem dentro dos meus olhos e deu um sorriso safado.
— Eu nem comecei a ser malvado com você, Mu-chi-chan! – sussurrou rente a minha orelha, pronunciando meu nome pausadamente e maliciosamente em meu ouvido.
Enrubesci e nem tive tempo de retrucar, pois num piscar de olhos ele me puxou pelo corredor e entrou comigo numa sala vazia que possuía apenas uma grande mesa de mogno com vários lugares e um projetor, ele fechou a porta e me fitou misteriosamente.
— L-Laito-kun? – gaguejei assustada. Seja lá o que ele queira fazer comigo nessa sala vazia, com certeza não é coisa boa vindo desse pervertido.
O vampiro não me respondeu, aproximou-se de mim lentamente e envolveu minha cintura com um braço puxando-me em sua direção e colando meu corpo ao seu.
— Muchi-chan, você me provoca demais... Usando essas meias e fazendo essa carinha assustada. – murmurou jogando a culpa pra cima de mim. – Eu fico tão excitado! – revelou roucamente, enquanto me empurrava até eu bater naquela enorme mesa, Laito me levantou com a maior facilidade e me colocou sentada em cima dela.
— Laito-kun, o que você está fazendo? – indaguei receosa. Mais uma vez ele não respondeu, apenas puxou o laço do meu pescoço e o jogou em qualquer canto, depois desatou o outro laço e começou a desabotoar meu casaco seguido do meu colete tirando os dois de uma vez.
Inicialmente, eu não fiz nada, pois estava incrédula demais com as ações do Sakamaki, contudo, assim que o primeiro botão da minha camisa foi aberto, eu o empurrei com toda minha força – que não era lá essas coisas – e fiquei em pé na mesa, virei-me e corri até sua outra extremidade enquanto ouvia a risada debochada dele atrás de mim. Logo que cheguei ao fim da mesa dei um pulo, mas antes de sequer tocar o chão Laito já havia me agarrado num aperto de aço.
— Boa tentativa! – sussurrou provocativo.
— Por favor, não! – implorei debatendo-me para tentar me soltar.
— Adoro quando você implora, sua expressão fica tão linda. – confessou em deleite e me deitou em cima da mesa, eu tentei empurrá-lo de novo, mas foi em vão, ele parecia um bloco de ferro maciço o que me fez acreditar que na primeira vez que consegui essa proeza foi porque ele deixou.
Laito pegou minhas mãos e as prendeu em baixo de mim, eu tentei soltá-las, no entanto o meu pulso machucado latejou e eu percebi que se tentasse me mover acabaria deslocando-o novamente. Ele então colocou uma de suas mãos na parte da minha perna que ficava nua entre a meia e a saia me fazendo arrepiar devido ao frio de sua pele.
A outra mão Laito colocou no meu quadril e então começou a deslizar as duas subindo cada vez mais, a mão que estava na perna parou na lateral da minha bunda e a que estava no meu quadril parou nas minhas costelas um pouco abaixo do meu seio direito, ele também a usou aquela para levantar minha camisa expondo minha barriga. Aquilo definitivamente não era uma situação favorável a mim.
Porém, o contato da pele gelada do Laito com a minha quente mandava vários arrepios prazerosos pelo meu corpo. O que era terrível, porque eu não queria sentir prazer com aquilo, ainda mais sabendo que o vampiro só ia tomar aquilo como uma confirmação para continuar, mas infelizmente eu não era capaz de controlar o meus sentidos.
E Laito parecia saber muito bem disso, pois se inclinou sobre mim e começou a beijar minha barriga dando lambidas de vez em quanto, enquanto isso ele também mexia os polegares em movimentos circulares o que só me deixava em um estado mais deplorável, principalmente devido a baixa temperatura de sua pele e de sua boca.
— Você está tão quente, Muchi-chan. – constatou, dando-me um olhar pervertido através do chapéu. Eu apenas o olhei com um ódio profundo. – Será que já está excitada? – perguntou para si mesmo. Então se pôs de pé e a mão que estava na lateral da minha bunda começou a se mover mais para cima, ele enganchou um dedo na minha calcinha e começou a puxá-la lentamente.
— NÃO! – gritei desesperada e comecei a me debater sem nem me importar com meu pulso, que começou a doer no mesmo instante. Lágrimas de dor brotaram dos meus olhos e escorreram pelo meu rosto sem que eu quisesse e eu acabei conseguindo soltar meus braços. O Sakamaki olhou para mim e parou o que estava fazendo, seu rosto indicava que ele estava meio em dúvida. – Por favor, Laito. – implorei. Eu o encarava suplicante, não queria que tudo acontecesse dessa maneira.
Laito
Ela estava me olhando chorosa, havia lágrimas nos canto de seus olhos e sua expressão era um misto de dor e súplica. Ela estava muito fofa e isso só me fez querer continuar o que estava fazendo, mas algo me incomodava. Ela não usou o kun quando pediu para que eu parasse da última vez e isso foi como se ela estivesse mostrando que eu havia machucado seu coração.
Eu não sei o porquê, mas de alguma forma eu não queria que ela perdesse o respeito por mim e isso me fez odiar essa garota. Respeito nunca foi uma palavra presente no meu léxico.
— Tudo bem. – concordei e dei um sorriso travesso, ela pareceu ficar aliviada e se deixou cair na mesa fechando os olhos. Eu dei um passo para trás pronto para sair da sala, contudo ela fez algo que me surpreendeu.
— Se você ainda quiser beber meu sangue pode beber, só... não faça nada, por favor, Laito-kun. – disse ruborizada e me deu um leve sorriso. O que foi agora? Ela estava me oferecendo seu sangue e ainda sorriu para mim, apesar de tudo. Essa garota é diferente, ou completamente louca. Eu apostava na segunda opção.
Tora
O vampiro deu um sorriso de canto e voltou a se inclinar sobre mim, ele segurou minha cintura com as duas mãos e mordeu minha barriga. Aquilo doeu bastante, mas eu consegui segurar o grito trincando os dentes.
Enquanto ele bebia meu sangue eu tentei focar em outra coisa e pensei no que havia falado, gostaria de saber o motivo por ter oferecido meu sangue para ele beber sem a menor cerimônia. Eu podia simplesmente ter deixado Laito ir embora para me livrar de mais uma mordida, entretanto eu preferi oferecer meu sangue para ele.
Bem, talvez fosse porque naquela hora em que ele disse que pararia eu tenha visto algo em seus olhos que era diferente dos outros sentimentos que eu estava acostumada a ver nos olhos desses vampiros. Eu poderia dizer que foi gentileza, ele foi bom comigo e acho que por isso eu ofereci meu sangue para ele, eu queria retribuir.
Eu podia estar sendo uma idiota por fazer essas coisas, no entanto, mesmo que eles fossem ruins comigo, ainda eram pessoas – apesar de beberem sangue e tecnicamente estarem mortos – e mereciam uma chance.
— Seu sangue é mesmo uma delícia, Muchi-chan. – elogiou ao terminar de beber e se endireitou. Eu me sentei e arrumei a camisa, Laito chegou perto do meu ouvido e falou em um tom ameaçador e sacana ao mesmo tempo. – Da próxima eu não vou te deixar escapar, Muchi-chan.
Fiquei irritada por me falar uma coisa dessas e me arrependi de ter oferecido meu sangue para ele, infelizmente era tarde demais para reclamar. E, de agora em diante, ia precisar tomar cuidado com Laito, como se eu já não tivesse muitos problemas!
Ele saiu da sala e eu arrumei o meu uniforme rapidamente, assim que terminei o sinal de saída tocou e era hora de voltar para a mansão.
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